Natalia Nissen@_natiiiii

O vocalista da A&V durante show em Frederico Westphalen (Foto: Bruna Molena)

A banda Acústicos & Valvulados retorna a Frederico Westphalen neste sábado, 09 de abril, apresentando seu novo disco, o “Grande Presença”. No ano passado eles fizeram um show que foi considerado “o melhor de 2010”, e por isso estão de volta. Diego Lopes, o baixista da banda, respondeu à entrevista feita pelo The Backstage e você confere os detalhes nesta reportagem.

Muitas bandas consagradas passaram por aqui no ano passado, e ser considerada a melhor do ano tem seu valor. O Diego nos contou que esse “título” faz valer a viagem até aqui, e a expectativa pela animação do público é grande. Isso dá mais ânimo para a banda vir e fazer um grande espetáculo para animar a plateia.

Luana Caron, 22 anos, comprou o ingresso para ir ao show no ano passado, mas de última hora imprevistos aconteceram e ela não pôde ir. Ela ainda ressalta que a iniciativa dos promotores de eventos em trazer grandes espetáculos para a região é muito motivante e espera que continuem assim.

– Espero me divertir muito no sábado, vai ser a primeira vez que vou ao show deles e tenho certeza que o A&V não irá decepcionar o público. Uma ótima vibe para todos! – Conclui a estudante.

O “Grande Presença” transmite a essência do rock’n’roll ao longo das 11 músicas que o compõem. No ano passado, quando a A&V fez um show em Frederico, no dia 09 de julho, já deu pra ter noção do que estava por vir.  Neste sábado os fãs vão conferir uma apresentação com músicas do novo CD e os clássicos que fazem parte da história de 20 anos da banda. E, ainda, pode acontecer algumas homenagens, como em 2010, quando a banda tocou músicas de outros artistas.

Unir rock’n’roll aos sons de instrumentos como piano e gaita é uma ousadia da A&V que dá certo. Perguntamos ao Diego se isso é de caso pensado e ele respondeu que faz parte de um processo natural, “apesar de todos nós curtirmos coisas diferentes, é no rock´n´roll que a gente se encontra, pois é onde todos começamos. Por mais loucuramas que a gente faça, no fim das contas acabamos sempre voltando ao rock”.

O “Carrossel Valvulado”. Como somos seis integrantes e quase todos tem seus respectivos trabalhos solo, às vezes algumas datas dão problema. Assim, já teve show de quinteto, quarteto e se precisar, acho que rola até de trio. Dupla acho que rola também, mas não sei se sai um sertanejo universitário, tá mais pra sertanejo presidiário.

Alexandre Móica - integrante da Acústicos & Valvulados (Foto: Natalia Nissen)

Acústicos & Valvulados já lançou discos com selos de importantes gravadoras, mas optou por retornar ao cenário da música independente, assim fica mais fácil conciliar os compromissos da banda com os projetos paralelos e, ainda, evita a burocracia envolvida com trabalhos associados às gravadoras. A banda criou a produtora “Mico & Jegue Falc.”, responsável pelos projetos da A&V. O nome é inspirado no Mick Jagger – vocalista dos Rolling Stones – que também cuida de tudo que envolve o grupo. O baixista só disse que não pode nos contar quem seria o “mico” e o “jegue” da história, então fica o mistério.

Para 2011 a banda está programando o lançamento do “Grande Presença” em vinil, a promoção do clipe “Agora”, um show de comemoração aos 20 anos de carreira, uma turnê em Minas Gerais, além de “dominar o mundo… e outros projetos mirabolantes” finalizou Diego.

O show da Acústicos & Valvulados acontece neste sábado, a partir das 23 horas, na Green Lounge. Os ingressos podem ser adquiridos com os promoters Green, ou nos pontos de venda.

Débora Giese@dee_boraa

A Prefeitura Municipal de São Paulo, com a realização da Secretaria Municipal de Cultura, promoverá a 7ª edição da Virada Cultural na cidade. Ela está prevista para começar às 18 horas do dia 16 de abril e terminar às 18 horas do dia seguinte (17). Várias bandas passarão pelos diversos palcos espalhados pela cidade. Até o metrô, que não deixará de funcionar durante a virada, será palco de apresentações.

Todos os gêneros musicais são contemplados: de forró a rock’n’roll, de eletrônico a ritmos do candomblé, do hip-hop a ritmos latinos. Opção é o que não falta. O músico paulista Flávio Cavalcante, fã de Raimundos, conta que no ano passado, quando perguntavam para ele se iria à Virada Cultural, ele respondia que não, que iria apenas ao show do Raimundos (uma das inúmeras atrações oferecidas pelo evento anterior). E esse ano, diz ele, não será diferente: “vou sair apenas para ver os Misfits”, enfatiza.

A banda Misfits, que fará show na Virada Cultural. (Foto: divulgação)

Essa é a grande sacada do evento: são várias atrações acontecendo continuamente em vários locais e cada um pode montar o seu próprio roteiro conforme o que mais lhe agrada. Nada mais justo, já que o público é muito diversificado. Por trazer shows de grandes nomes, a Virada Cultural acaba atraindo, além dos habitantes de São Paulo, visitantes de outras cidades e até de outros estados. Ninguém deixa de dar uma “espiadinha”. O arte-finalista e estudante Paulo “Jeca” Schulz, paranaense de Marechal Cândido Rondon, estará na cidade por causa dos shows do Motörhead (16 na Via Funchal) e do Dirty Rotten Imbeciles (17 no Carioca Club), bandas que não fazem parte da programação da Virada desse ano, porém, o estudante fala que irá assistir ao show do Misfits. Sobre a apresentação da banda Sepultura em conjunto com a Orquestra Experimental de Repertório, Paulo comenta que nem verá o show do Sepultura. Diz que apesar de ser sua banda preferida, hoje em dia não se anima em ver o show, ainda mais com orquestra. Completa falando que este não é o modo que sempre sonhou ver o Sepultura. E finaliza dizendo que, para ele, a virada vai ser só o Misfits.

Para os fãs de Beatles, o palco “Bulevar São João” é o mais indicado. O quarteto Beatles 4ever tocará todos (sim, todos) os álbuns do querido quarteto inglês, em ordem cronológica. E para cada álbum, eles tocam com os instrumentos e roupas similares aos usados pelos garotos de Liverpool.

Mas a Virada Cultural não se resume só à música: filmes serão exibidos, peças de teatro apresentadas, o stand-up comedy terá seu espaço e também a luta livre. Uma verdadeira maratona cultural ao acesso de todos, já que a entrada é franca. (clique aqui para ver a programação completa)

Virada Cultural e Virada Cultural Paulista

Logotipo - Virada Cultural (divulgação)

Inspirada na Nuit Blanche, evento que rompe a noite da capital parisiense anualmente com as mais diversas atrações, a Virada Cultural envolve mais de 2 mil pessoas na produção. E ainda tem seguranças, Polícia Militar, Guarda Civil, médicos, enfermeiros, vendedores de cachorro-quente e afins. Além dos milhares de espectadores que prestigiam as apresentações.

O projeto deu tão certo que surgiu a Virada Cultural Paulista, que é a Virada Cultural do interior do estado de São Paulo. Ela acontece em 23 cidades simultaneamente, com esse mesmo conceito de 24 horas de cultura ininterruptas. Esse ano já é a 5ª edição, e acontecerá nos dias 14 e 15 de maio. E é um oferecimento do Governo Estadual de São Paulo, com realização da Secretaria Estadual de Cultura. (clique aqui para conferir as cidades e as respectivas programações)

The Dø é calmaria e boa música

Posted: 05/04/2011 in Indie, Pop
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Natalia Nissen@_natiiiii

The Dø é uma dupla franco-finlandesa, formada por Olivia Bouyssou Merilahti e Dan Levy, que faz um som com misturas de pop, folk e até música eletrônica. O primeiro álbum do duo foi lançado em 2008, e em março saiu o “Both Ways Open Jaws”. O novo disco tem 13 canções, todas elas com a voz doce e marcante de Olivia; em certos momentos essa voz soa como Björk, ou Mallu Magalhães – centenas de vezes melhorada.

O casal The Dø (Foto: divulgação)

Algumas faixas do disco são mais enérgicas, porém, mesmo assim, têm um poder calmante indescritível. Dan Levy é multi-instrumentista e garante uma composição muito interessante de instrumentos a cada canção, percussão, saxofone, violino, e até mesmo o corpo como forma de expressão musical por meio das palmas, como na música “Bohemian Dances”. Vale a pena parar e ouvir atentamente ao álbum inteiro. As músicas são únicas, no entanto, o conjunto é agradável aos ouvidos sem ser uma mistura de instrumentos jogados de qualquer jeito dentro de um composto, o disco deixa evidente a sintonia entre o casal.

“The Calendar” tem uma melodia quase infantil, se é que me entendem. Bem estilo trilha sonora de  desenho animado. Já “B.W.O.J” tem um minuto e quarenta segundos de duração, começa como se estivesse arrastando o som e depois agita uma dancinha folk, até terminar vagarosamente com uns sons excêntricos. O álbum é de ouvir em dias de chuva, pura melancolia, mas vale para curtir também sem depressão porque as letras são até românticas (romantismo sem sofrimento). As harmonias vão “crescendo”, músicas calmas que não assustam os desprevenidos.

The Dø exige disposição dos ouvintes para interpretar os diferentes sons, mas recompensa a atenção com músicas trabalhadas e envolventes. Para quem ficar interessado em saber mais, eu indico assistir aos vídeos da dupla. Os videoclipes não são tão clichês e têm umas imagens bem diferentes. “Slippery Slope”, “To Insistent“, e “Stay” que não está no último álbum, mas o clipe é muito legal.

Josefina Toniolo@jositoniolo

Demorei alguns dias para conseguir escrever sobre o show do Ozzy, até agora tudo que passava em minha mente era ele entrando no palco com um sorriso gigante… Ainda não havia encontrado palavras para descrever esse momento, ainda me parece um sonho louco. Se não fossem os hematomas para me lembrar de que foi real, talvez nem eu acreditasse.

Chegada sorridente de Ozzy no palco (Foto: Fábio Mattos - divulgação)

Sim, hematomas, pois ir em um show de metal requer muita força e resistência.  Nenhum playboy “bombado” de academia aguentaria mais que três músicas nos lugares da frente na pista com uns 5 mil headbangers  de 2 metros de altura  tentando te empurrar pra frente. Homens, sim, pois era a grande maioria, as mulheres que estavam lá eram guerreiras, as que sobreviveram até o final na grade são minhas “ídolas” porque, olha, era difícil, eu não aguentei e pedi pra sair.

Chegamos no Gigantinho às 8 da manhã, os portões abriram às 6 da tarde, nem com toda a insistência e gritos das milhares de pessoas que estavam lá, os seguranças abriram os portões antes.  Não é difícil ficar na fila, quando as pessoas têm algo em comum a conversa flui e o dia passa mais rápido. Os “únicos” problemas são a fome, a sede e a vontade de ir ao banheiro (que nesse caso ficava no outro lado daquela maldita rua super movimentada, transformando algo tão simples em uma missão impossível).

Quando os portões abrem e você percebe que conseguiu pegar ótimos lugares, todo o sofrimento vale a pena. Só mais três horas e o Ozzy, uma das maiores lendas vivas do rock, estaria ali na minha frente.

Ozzy comanda a platéia com maestria (Foto: Fábio Mattos - divulgação)

A banda de abertura, Gunport, tinha um som legal, as músicas eram próprias e bem tocadas, tudo nos conformes. Mas entraram mudos e saíram calados do palco, sem nenhum tipo de interação com o público. Alguns gritos de apoio se misturavam a gritos de “OZZY, OZZY” e vaias.  Afinal, ninguém quer saber da banda de abertura, ainda mais quando o som não tem muito a ver com o do show principal, era um rock mais leve, com uma pegada meio pop.

Às 21 horas, pontualmente, Ozzy apareceu no palco honrando sua nacionalidade britânica. Ele foi ovacionado pela platéia que delirava, chorava, gritava e pulava alucinadamente. Depois de um tempo, quando a pedidos, conseguiu diminuir um pouco (um pouco mesmo) da gritaria, falou algumas palavras que se perdiam no meio dos gritos e começou a “Bark at The Moon”, o gigantinho veio abaixo. Sem muitos efeitos especiais, pirotecnias e essas coisas, que definitivamente não fizeram falta nenhuma naquele momento. Um show simples. sem cerimônia. Logo em seguida foi a vez da única música do novo disco que fez parte do show, a Let Me Hear You Scream, que foi muito bem aceita pelos fãs.

A terceira música foi a clássica “Mr. Crowley”, que fez o gigantinho tremer, literalmente. Enquanto o tecladista Adam Wakeman fazia a tão famosa introdução, Ozzy parecia reger um culto satânico com gestos e caras de assustar qualquer criancinha. Maravilhoso, incomparável. A “I Don’t Know” deu continuidade a loucura que tinha se instaurado naquele ginásio, totalmente lotado. A “Fairies  Wear Boots” foi a primeira das cinco,  da sua ex-banda Black Sabbath, que fizeram parte do repertório.  Antes de começar a “Suicide Solution”, o Mr. Madman, muito simpático, incitou um “olê Ozzy” que em instantes virou um gigantesco coro.

Nos primeiros acordes da “Road to Nowhere”, uma das poucas baladas do show, muitas mãos, com alguns isqueiros e câmeras balançavam ritmicamente, em um dos momentos “fofos” do espetáculo. Mas nada supera os maiores clássicos, o  hino do Black Sabbath, “War Pigs”, levou todos a loucura, provando que quem estava ali tinha “conhecimento de causa”. Desde os mais velhos, que acompanharam a carreira da antiga banda, até os mais novos curtiram aquele que foi um dos pontos altos da noite.

A “Shot in the Dark” e a “Rat Salad” (outra do Black Sabbath) mantiveram a euforia e a energia que corria nas veias de todos ali presentes. A faixa instrumental, da ex-banda do Príncipe das Trevas, contou com mais de 10 minutos de solos de guitarra e bateria que, incrivelmente, alucinaram a platéia.

Parte da multidão que lotava o Gigantinho (Foto: Paz Fotos - divulgação)

A interação do baterista Tommy Clufetos em uma espécie de brincadeira com as baquetas transformou aquilo que poderia ser muito chato, como costumam ser os solos desse instrumento, em algo muito divertido. Esse momento serviu de descanso para o Ozzy que voltou para executar a “Iron Man”, clássico setentista do Black Sabbath, que transformou o gigantinho em um verdadeiro caldeirão humano, tamanha paixão pela música.

Dando continuidade, a “I Don’t Wanna Change the World” manteve o clima que encerrou o show com a “Crazy Train”, na minha humilde opinião, a música mais fantástica da noite. A performance dela ao vivo é coisa de louco, não tem como explicar a sensação e a vontade absurda de pular que essa música provoca. Nesse momento o show teve, aquele já conhecido, falso final. O pessoal meio confuso sobre o que gritar, chamava pelo Ozzy em meio a pedidos de mais um, uma zoada sonora se constituiu no ginásio. Foi quando Madman voltou ao palco e ensinou a todos como pedir mais música, puxando um coro de “one more song”.

Foi então que a música mais emocionante do show começou, gente chorando enquanto isqueiros, celulares e câmeras iluminavam o ambiente, criando uma imagem linda. Não era de se esperar menos para a clássica da sua carreira solo “Mama I’m Coming Home”.

A já tradicional espuma jogada por Ozzy no público (Foto: Paz Fotos - divulgação)

Sua voz quase desaparecia no meio das 13 mil outras vozes que cantavam a plenos pulmões essa música. Foi lindo, foi surreal, era impossível não se emocionar, também porque, quem tivesse olhado a set list dos outros shows da turnê saberia que essa era a penúltima música.

Eis então que começa a “Paranoid”, que causou um misto de felicidade absurda e tristeza, pois eu sabia que seria a última, ela encerraria aquela que foi a melhor noite da minha vida. Ninguém ficou parado. Não tinha ninguém sem pular, erguer os braços ou “bater cabelo”. Foi realmente um encerramento com chave de ouro.

Os poderes (quase mágicos) do Príncipe das Trevas

O Ozzy é lindo, magnífico, um gentleman. Mesmo com seus 62 anos e problemas de saúde causados pelos excessos do passado, comandou as quase duas horas de show como ninguém. Regia o público como um maestro, batia palmas, corria, jogava espuma e água nele mesmo e na platéia e até dava alguns pulinhos. Quem vê aquele tiozinho, meio curvado e com passinhos curtos, chegando no palco não acredita que ele se consiga durar o show todo, e ele o fez, melhor que muito gurizão de 20 anos por aí.

Ozzy causando euforia na torcida tricolor (Foto: Paz Fotos - divulgação)

Ele é uma simpatia, pegou o morcego de pano que atiraram e fingiu que ia comer a cabeça, satirizando o episódio tão famoso da sua história. Usou a bandeira do Grêmio como manto, para delírio dos gremistas, como eu, e tristeza dos colorados. Mas os tímidos gritos de desaprovação que surgiram, logo desapareceram novamente. O Ozzy é superior a tudo, até a essa rivalidade histórica.

Ao sair do local, ouvi alguém comentando algo que resume tudo: o Ozzy é um showman perfeito. É exatamente isso. Ele é ótimo e faz tudo com amor a camiseta, enchendo o palco com sua vontade de dar o melhor de si. Os músicos eram excelentes, mas quem mais me chamou atenção foi o baterista Tommy Clufetos, que destruía, literalmente, a bateria com muita força e habilidade. O medo dos fãs era a ausência do Zakk Wylde, substituído por Gus G. que agora ocupa seu posto de guitarrista. Mas, para a agradável surpresa de todos, o cara é realmente bom.

Saí de lá com a alma lavada, me sentindo no paraíso do Deus do Metal. Em novembro, quando comprei o ingresso fiquei com medo de que o desempenho dele ao vivo me decepcionasse. Mas não, para mim, o Ozzy agora garantiu seu posto de melhor do mundo, ele é O cara e duvido que alguém conteste a qualidade do seu show.

Ozzy na reta final do show (Foto: Paz Fotos - divulgação)

As pessoas saiam do Gigantinho praticamente flutuando de tanta satisfação. Foi onde um amigo meu perguntou: Josefina, agora já dá pra morrer tranqüila? Minha resposta não poderia ser outra além de “com certeza”. Se essa pergunta fosse feita para qualquer um no local, aposto que a resposta seria a mesma.

Existe vida pré e pós show do Ozzy e só quem teve a honra de conhecer esse segundo lado poderá entender o que estou dizendo.

Bruna Molena – @moleeena

Se essa semana alguém me procurar / E eu não estiver e eu não voltar / Eu fui viajar, fui pra Guarulhos / Em uma turnê com ônibus leito / E duas tv, carro importado / Hotel cinco estrelas, fiz por merecer / Cem toalhas brancas e dez pau de cachêTurnê para Guarulhos – Vera Loca (Mumu/Hernán González)

Elenco do filme Quase Famosos (Foto: divulgação)

Como vocês já devem saber, a proposta deste blog é falar sobre o universo da música, desde quem a faz até quem a escuta. Porém, entre estas duas pontas, existe o processo de produção, no qual há muita gente envolvida que acaba não sendo conhecida, fica só no backstage, entre eles: produtores, roadies e jornalistas, que muitas vezes são também fãs realizando o sonho de conhecer seus ídolos.  São esses profissionais que fazem o que podem para realizar, da melhor maneira possível, o momento único entre banda e fãs: o show.  Só quem faz, vê ou está por trás de um show sabe qual é a emoção que ele transmite e, para conhecermos um pouco mais sobre a vida nos bastidores, ao longo desta matéria conversamos com músico e empresário Eigon Pirolo, que nos conta sobre sua experiência atrás dos palcos, na organização e direção de shows.

Pois quem nunca teve vontade de largar tudo e todos e se agregar a uma banda, saindo mundo afora em uma turnê? Esquecer do mundo real, só viver a base de rock’n’roll e tudo que ele lhe permite? Pode ser a trabalho ou só tietando mesmo… são infinitas as oportunidades de realizar o sonho de conhecer de perto e acompanhar os ídolos. O longa-metragem “Quase Famosos” (Almost Famous), situado na década de 70 e inspirado na vida do diretor Cameron Crowe, conta a história de um garoto de 15 anos, aspirante a jornalista e apaixonado por rock, que é convidado pela Rolling Stone para acompanhar a turnê de uma de suas bandas favoritas. O trabalho, que mais parecia diversão, acaba se complicando quando ele se envolve emocionalmente com a banda (e especialmente com uma de suas “groupies”) e ameaça deixar de lado sua esperada imparcialidade jornalística.

Falando nelas, quem melhor do que as groupies para representar o sonho de viver ao lado de sua banda favorita? Traduzindo a grosso modo, as Marias-guitarra (ou baqueta, microfone e demais instrumentos) são fãs incondicionais que acompanham sua banda favorita onde quer que seja. Em Quase Famosos, Penny Lane, uma das personagens principais, não se define como groupie, pois estas só se interessam pelos homens, não pela música. Ela é uma “band-aid”, em suas palavras:  “nós estamos aqui pela música. Nós inspiramos a música”.

Não importa qual for a definição, muitas garotas e garotos, de diversas gerações, já desejaram viver somente em função da música e de seus ídolos. Mas e quando o desejo de fã se transforma em profissão? O curitibano Eigon Pirolo é um dos que trabalham e vivem em função da música. Desde pequeno já preferia Raul Seixas à Xuxa e acredita que o rock foi simplesmente o caminho natural que sua vida tinha que seguir. Começou em uma banda punk local chamada ORCS, com a qual tocou em alguns festivais no Rio e em São Paulo, mas a coisa ficou séria quando entrou para a We Are Just, em 2003.

O músico e empresário Eigon Pirolo, nos bastidores de um show produzido por sua empresa (Foto: arquivo pessoal)

“Fizemos duas tours de médio porte e a vontade de viver do rock enraizou totalmente. Acredite, se você tem a oportunidade de fazer um tour com banda nunca mais nenhum trabalho vai ser interessante na sua vida, cada dia uma cidade diferente, conhecendo pessoas novas e vivenciando experiências intensas, não tem igual”.

Porém, como nem só de rock vive o homem, o guitarrista, que já não ganhava muito como tal, resolveu fazer um curso básico de áudio profissional e a partir desse momento decidiu trabalhar na área técnica. Em 2009 ele fundou a Eigon Rock Backline Rentals, uma empresa especializada em locação de backline (amplificadores de guitarra, baixo e bateria). O cara continua fazendo música, só que por detrás dos palcos agora, e já trabalhou com grandes nomes do rock, como Bad Religion, Nazareth, Goldfinger e Millecolin. O The Backstage conversou com ele sobre como é trabalhar com e viver o rock’n’roll, o espaço que o gênero tem em Curitiba e algumas peculiaridades de sua profissão:

The Backstage: Da onde surgiu a idéia de entrar no ramo dos “serviços prestados à música”? Não é qualquer um que de um dia para o outro acorda com vontade de ter empresa de locação de backline para shows e serviços de roadie…

Eigon Pirolo: Em 2004, trabalhando somente como guitarrista não estava dando conta de suprir as necessidades básicas então resolvi iniciar meus estudos em áudio profissional fazendo um curso básico de 40 horas. A partir desse momento eu decidi trabalhar na área técnica, foi um processo longo e muito exaustivo, lembro de ficar uns três anos

Logomarca - Eigon Rock Backline Rentals

ganhando R$ 50,00 por show mas sabia que era um período necessário. Eu exerço a função de guitartech (técnico de guitarra) e basstech (técnico de baixo). Vivenciando essa rotina de shows e tendo que trabalhar muitas vezes com equipamentos sucateados surgiu a idéia de montar uma empresa especializada em locação de backline (amplificadores de guitarra, baixo e bateria) com a preocupação e zelo que só um músico teria. Com essa “missão” em mente, em 2009 fundei a Eigon Rock Backline Rentals, desde então já atendi as seguintes bandas: A Wilhelm Scream (USA), Anti-Flag (USA), Bad Religion (USA), Death Angel (USA), Eluveitie (CH), Nazareth (UK), Epica (NL), Fish Bone (USA), Goldfinger (USA), Millencolin (SE), No Fun At All (SE), Pennywise (USA), Petra (USA), Real Big Fish (USA), This Is A Standoff (CAN), Marcelo D2, Raimundos e Seu Jorge.

TB: E trabalhar ali, do lado de grandes bandas como Nazareth, Bad Religion, Goldfinger, acompanhar os shows praticamente em cima do palco, como é? O profissionalismo comanda ou o lado fã pode ter um espaçozinho?

EP: A emoção é grande, eu particularmente disfarço muito bem (risos), mas realmente é emocionante ver as bandas que eu cresci escutando ali na minha frente e ainda contando comigo desempenhando uma função técnica.  O lado fã nessa hora é o combustível para me esforçar em fazer o melhor trabalho possível com a banda, respeitando a sua história e ciente que ela um dia foi importante para minha formação musical e pessoal.

TB: Morando em uma capital dita tão alternativa como Curitiba, o espaço do rock é bem garantido, vendo a situação como músico?

EP: Garantido financeiramente não é! Existem muitos lugares para tocar rock’n’roll, a cidade é inspiradora e as pessoas são antenadas em som alternativo, se você procura uma cidade que respira rock alternativo é aqui em Curitiba. Em respeito ao mercado, acredito que o Brasil esteja vivendo um período negro, tem pouco rock de qualidade na mídia, tem muita banda sendo lançada com prazo de validade vencido que são literalmente enfiadas goela abaixo no consumidor. A única válvula de escape continua sendo a internet, se você se dispuser a ficar uma hora por dia na frente do PC procurando bandas novas vai acabar encontrando muita coisa legal. Ah, vale como terapia também!

Eigon faz os ajustes finais antes do show da Leeloo (Foto: Vitor Augusto)

TB: As groupies são comentadas na matéria também como pessoas que vivem em função da música, pois estão sempre atrás de seus ídolos. Mas aí tu, trabalhando como profissional junto com a banda, o que pensa sobre elas? Elas chegam a atrapalhar na organização do show, causar muito fuzuê e irritar a direção de palco?

EP: ELAS SEMPRE ATRAPALHAM E MUITO!!  Já aconteceram “n” situações de groupies fazendo de tudo para ter acesso aos músicos. Em SP uma vez na saída do show todos já estavam dentro da van para seguir viagem quando três meninas abriram a porta, pularam literalmente dentro da van, escolheram os músicos preferidos e trocaram beijos calorosos por uns cinco minutos sem desgrudar, após o beijo deram tchau e na mesma velocidade que chegaram foram embora, todo mundo ficou pasmo, inclusive os músicos, foi o tema da conversa a viagem toda é claro. Em Curitiba no show de um rapper famoso eu estava na saída do palco orientando o carregamento do backline no caminhão quando duas meninas perguntaram se eu podia liberar elas para entrar no camarim do músico, eu disse que não tinha como fazer isso, estava trabalhando e também não tinha esse tipo de poder (roadie sempre tem esse poder, mas a gente diz que não para não ficarem atormentando). Quando comuniquei que não podia fazer isso ela ficou revoltada dizendo que há pouco tinha deixado um segurança ficar passando a mão nela por 20 minutos e em troca ele a levaria no camarim, mas ele tinha sumido sem dar explicação. Eu tive um mega ataque de riso quando ela me contou isso! Coisas do rock…

E a empreitada tem dado certo! No próximo mês a empresa do Eigon vai trabalhar nos shows de duas lendas do rock: Slash e Motörhead, ambos em Curitiba. Quando o questionei sobre como ele lidará com a emoção na hora, ele não poderia ter sido mais profissional:

“Acho que é a mesma coisa que fotografar mulheres nuas, é uma delícia, mas você não esta ali para desfrutar, tem que se concentrar no trabalho e procurar a excelência, mesmo sendo difícil”.

No site dele você tem acesso a todas informações referentes a seus serviços, vê fotos de shows e alguns vídeos sobre seu trabalho, como esse aqui, que mostra a ralação dos bastidores do show do Pennywise em Curitiba: