Foi durante o inverno canadense, em 2019, que eu parei num inferninho, em Ottawa, para ver o show de algumas bandas. Entre elas, The Creepshow, que, mesmo sem lançar um álbum há quase 10 anos, segue rolando por aqui e nunca sai da minha playlist Timbres de Baixo e Batera Que Me Fazem Ovular. Estou falando precisamente da faixa “A.O.T.B.H.” – um rockabilly raivoso e sinuoso para corações partidos – que, com frequência, volta de forma obsessiva para os meus fones de ouvido. 

Esse texto nasce, na verdade, da junção de muitas coisas: a primeira, claro, a faixa em questão. Mas, também, a partir de trocas com amigas sobre alguns tópicos que se desenrolarão nas próximas linhas, e de uma entrevista que fiz no Reverb, meu programa na Rádio Unisinos, com a Viridiana, artista porto-alegrense, onde conversamos sobre o álbum Coisas Frágeis, o videoclipe de “Risco” e as corporalidades da diva pop. Uma coisa que a Viridiana me falou foi sobre o ‘cheiro de bagunça’ de alguns lugares, como o Workroom, onde fez um show memorável, e fiquei pensando o quanto eu a-m-o o cheiro de bagunça. Tenho alergia a coisas inofensivas – aquelas que não apresentam nenhuma informação nova, nenhum perigo, nada; assépticas como artes produzidas por inteligência artificial, sem graça quanto qualquer experiência que se resolve antes mesmo de começar. Talvez o que Viridiana estivesse chamando de “cheiro de bagunça” seja justamente uma sensação de algo que ainda pode escapar do controle. E, curiosamente, é quase sempre aí que encontro as músicas que mais me interessam.

Pois bem: tenho circulado muito em ambientes de música pop, feito alguns pareceres para eventos e periódicos científicos, e fico pensando que, durante décadas, associamos o erotismo feminino ao sussurro, à voz respirada que simula intimidade e aproxima o ouvinte de uma fantasia cuidadosamente construída. O pop transformou a voz próxima ao ouvido em sinônimo de desejo, construindo personagens que se fortalecem justamente porque sabem ser desejadas. É uma economia afetiva baseada no olhar: o corpo se organiza para ser visto, admirado, consumido. Mesmo quando artistas performam independência ou poder, há uma negociação permanente com quem observa – ou seja: o desejo continua dependendo de uma resposta. O pop dificilmente suporta a possibilidade de não ser amado.

Em A.O.T.B.H., por sua vez, entre outros inúmeros exemplos que eu poderia citar aqui (além de Kenda Legaspi, músicas nas vozes de PJ Harvey, Shirley Manson, Pitty [cadê o disco novo, mona], Courtney Love, Brody Dalle, etc.), não há espaço para a sedução construída pela promessa ou pelo olhar do outro. O desejo não pede licença e nem oferece intimidade: ele não tenta te convencer. E talvez resida aí uma das formas mais interessantes de erotismo produzidas pelo rock: por operar a partir de outra lógica, a voz, muitas vezes lida como “agressiva”, não organiza uma fantasia romântica: ela ataca o teu corpo, de forma rápida, áspera, e que se recusa a suavizar a própria presença. Não se trata de narrar sexo, mas de fazer com que o desejo deixe de depender da confirmação do outro. (Veja bem, nada contra narrar sexo – tenho até conhecidas que narram, mas essa classe artística ~cansada~ que só sabe falar em sentar-sentar-sentar-sentar-sentar tem me causado tédio e preguiça.)

Além disso, existe uma diferença gigantesca entre músicas que falam sobre desejo e músicas que fazem o desejo acontecer. Pode parecer sutil, mas muda completamente a experiência de quem escuta – sem falar que essa diferença atravessa muito mais do que a música: ela revela duas maneiras distintas de existir no mundo: de um lado, uma cultura que nos ensina, desde cedo, a construir versões desejáveis de nós mesmas (acabei de ver um vídeo da Fernanda Young falando sobre como criar suas filhas sem que elas crescessem com a obrigação de serem apaixonantes), como se o amor, o sucesso e a liberdade dependessem da aprovação do olhar alheio. Do outro, pequenas rachaduras abertas por artistas e obras que recusam essa lógica e experimentam outra posição possível: a de sustentar o próprio desejo (e suas existências, de uma forma geral) sem transformá-lo em algo legível pelo público. 

Pra fechar essa baguncinha, trago à baila mais uma música que pode me ajudar a condensar a diferença entre obras que apenas representam transgressão e aquelas que realmente desorganizam (ou desmontam, pra conectar com o Desmonte) alguma coisa. Falo de Larissa Luz e a faixa “Sem Sal” – afinal, só mostrar peitinho não faz revolução. Convenhamos, é um verso que desmonta uma confusão recorrente na música pop: acreditar que a quebra de um protocolo visual basta para produzir ruptura. Não basta, amigas. Existe uma diferença abismal entre performar rebeldia e produzir deslocamento (e entre parecer perigosa e carregar, de fato, algum perigo).

Se umas têm o molho e outras são sem sal, fico com quem tem molho, cheiro de bagunça, arestas, excesso, alvoroço, timbres prestes a saírem do controle, vozes que não pedem licença pra ocupar espaço. As outras apenas cumprem um repertório de signos que aprendemos a identificar como provocação, e isso tem sido cada vez mais fucking borin’ to death (Cf. Defalla, 1987).

No fim, A.O.T.B.H. – já que parti daí (e a verdade é que a ideia inicial era escrever sobre o timbre do bumbo!), mas fui sei-lá-pra-onde – continua voltando pros meus fones porque pertence à primeira categoria não unicamente porque é mais alta (de volume, mesmo) ou “empoderada”, mas porque recusa, assim como muitas músicas do rock, punk, rockabilly, entre outros gêneros musicais, o conforto da legibilidade. Gosto de músicas (e pessoas, e perfis, e espaços) que preservam alguma coisa indomesticada, que resistem à tentação de amansar a própria intensidade. É que eu não curto nada morno, raso, nada flat. Ok, vou encerrar por aqui.

Na noite de 3 de junho, no Bar Opinião, em Porto Alegre, Mel Lisboa conduziu o espetáculo Tributo a Rita Lee com a familiaridade de quem já habita essa personagem há anos. Divertindo-se muito, a filha de Bebeto Alves – que tocou “Ovelha Negra” e “Doce Vampiro” com um violão herdado do pai –, encarnou Santa Rita de Sampa e, mais do que cantar um repertório repleto de hits, narrou a trajetória de Rita: contextualizou lançamentos, relembrou momentos-chave da carreira da homenageada e ajudou o público a percorrer a linha do tempo da artista. Em Porto Alegre, Mel instigou a plateia a interagir perguntando quem sabia qual foi o primeiro grande sucesso de Rita após o fim da fase Tutti Frutti, compartilhou detalhes – que Rita também adorava contar – sobre as saborosas parcerias com Roberto de Carvalho, incluindo aqueles momentos em que o casal transformava o tesão em composição, como em “Mania de Você”, transformando a intimidade em canções que atravessaram décadas e seguem entoadas de forma uníssona pelo público. 

E talvez o maior mérito de Mel Lisboa seja compreender que um tributo à Rita Lee não se sustenta apenas na reprodução das canções. Sua condução demonstra um entendimento da artista, da obra e, principalmente, do público que a acompanha há décadas. Com muito carisma, Mel alterna informações históricas, histórias de bastidores e momentos de humor sem que o show perca seu ritmo.

Foto: Carol Govari

Na plateia, o retrato era tão interessante quanto no palco: ao meu lado, havia uma mulher 70+ (conversamos enquanto aguardávamos o show) usando All Star preto, casais que provavelmente viveram a explosão dos Mutantes, senhores ajustando seus aparelhos auditivos, e todos cantavam juntos, divertiam-se juntos. Dançavam mais do que o público 18-23 que presenciei recentemente no mesmo espaço. Fiquei pensando o quanto essa plateia – que, pelo que eu me lembre, foi a mais diversa, de crianças até 60+ que já vi no Opinião – refletia uma transformação da sociedade brasileira: a pirâmide etária está virando e, em poucos anos, teremos mais pessoas velhas do que jovens. Essa é uma discussão que minha colega Gabi Gonçalves trouxe em uma conversa e eu nunca mais consegui parar de pensar sobre. E, diante desse cenário, somos obrigados a pensar não apenas em saúde e previdência, mas também em cultura, lazer e pertencimento. Como queremos envelhecer? E que espaços estamos construindo para que futuros velhos possam continuar ocupando a cidade, cantando, dançando e encontrando sentido coletivo?

Claro que esse não era o mote principal e eu fui ao Opinião somente para me divertir com Mel Lisboa cantando Rita Lee, mas este show me ofereceu uma resposta possível. Ali, mais do que em qualquer lugar, nos últimos tempos, vi o envelhecimento como continuidade – até porque a música sempre funcionou como ponte geracional e ferramenta de permanência social. Fiquei pensando, inclusive, como Rita também nos deixou um exemplo (embora ela não se achasse um bom exemplo) singular sobre como envelhecer em uma indústria historicamente obcecada pela juventude. Diferentemente de muitos artistas que tentam congelar a própria imagem no tempo, ela transformou o envelhecimento em parte da sua obra, fez piada com o próprio corpo, falou abertamente sobre excessos, maternidade, menopausa, amor maduro e finitude, sem abrir mão da irreverência que a consagrou. 

Foto: Carol Govari

Mais do que um tributo, o show funciona como uma celebração coletiva da memória afetiva. Não senti nostalgia ou pesar por termos perdido Rita Lee – mas alegria e gratidão por termos tido Rita Lee, que foi embora em um disco voador, mas segue cumprindo sua missão de nos ensinar a desafiar convenções. E talvez seja justamente isso que precisaremos fazer diante do futuro que se desenha: inventar novas formas de envelhecer, porque, não sei vocês, mas, assim como Rita, eu tô ficando velha e cada vez mais doida varrida. 

O curso de Produção Fonográfica da Unisinos promove, no dia 16 de junho, a primeira edição do Festival B-Week, evento que marca a retomada da Rádio Unisinos no formato web e conecta música, cultura urbana e experiência acadêmica em uma programação gratuita voltada à cena contemporânea. Realizado por estudantes da disciplina Projeto II – Festival, do curso de Produção Fonográfica, o B-Week busca transformar a universidade em espaço de circulação artística e encontro entre comunidade acadêmica, artistas e público externo.

O festival nasce durante o período de avaliações finais da universidade, conhecido como Grau B, propondo uma experiência que articula formação, produção cultural e música ao vivo. O line up reúne nomes da cena gaúcha e nacional ligados ao rap, R&B, funk, black music e música brasileira contemporânea, refletindo a diversidade sonora e estética da nova geração.

Entre as atrações confirmadas estão a rapper Cristal, um dos principais nomes do rap contemporâneo brasileiro; a artista, DJ e MC B.ART; o projeto Baile do Duda e Daw, formado pelo produtor musical Duda Raupp e o beatmaker Dawmata; além do rapper e produtor Nitro Di, vocalista do lendário grupo gaúcho Da Guedes, e da DJ e multiartista ELLE P. O mestre de cerimônia da noite é Luka Pumes, gestor criativo e comunicador do Rap In Cena. A programação destaca artistas que transitam entre o hip hop, as sonoridades afrodiaspóricas e a música brasileira contemporânea, fortalecendo o diálogo entre universidade e cena cultural local.

O festival também simboliza uma nova fase da Rádio Unisinos, projeto histórico da universidade que retorna ao ar em 2026 com proposta multiplataforma vinculada ao curso de Produção Fonográfica e ao Instituto Unisinos de Arte e Cultura. Com programação voltada à música, cultura, comportamento e divulgação científica, a rádio aposta em diversidade, protagonismo feminino e integração digital, ampliando sua atuação como núcleo cultural e espaço de formação estudantil.

SERVIÇO COMPLETO

O quê: Festival B-Week

Line Up: Cristal, Nitro Di, B.art, Elle P, Baile do Duda e Daw
Data: 16 de junho

Horário: 18:30

Local: Teatro Unisinos (parte externa, entrada pelo andar B. Se estiver chovendo, vai acontecer dentro do Teatro). Avenida Nilo Peçanha, 1600. Boa Vista, Porto Alegre.

Entrada: gratuita

Realização: Produção Fonográfica e Rádio Unisinos

Apoio: Montecchio Pizzaria, Rap In Cena e Red Bull 

O novo álbum da Delmore atravessa o rock gótico, o experimental e o pós-punk em composições marcadas por atmosferas densas, texturas em camadas e uma abordagem sombria do dream pop. Entre referências literárias, vozes etéreas e paisagens sonoras imersivas, Número 03 transforma escuta e atmosfera em elementos centrais do disco.

Com lançamento marcado para 22 de maio, Tão Logo Cada Poste Se Ilumina aprofunda a linguagem construída pelo projeto Delmore ao longo dos últimos trabalhos, transitando entre o gótico, o experimental e o pós-punk em faixas voltadas à construção de atmosferas densas e imersivas. Mantendo o caráter inventivo do projeto, o álbum se desenvolve a partir de arranjos e camadas que privilegiam a experimentação, criando uma escuta ao mesmo tempo sensorial e imagética. O disco será lançado de forma independente. Ouça aqui.

Principal mente criativa por trás da Delmore, Gabriel Magrisso conduz o projeto desde seus primeiros lançamentos, mantendo o caráter mutável e colaborativo que atravessa cada disco. “O que organiza as músicas é mais o método de gravação e a ordem em que elas foram desenvolvidas. Improviso e overdubs. Costumamos gravar direto em ordem e em partes e todas simultâneas, nunca ficando muito tempo na mesma música”, explica Magrisso.

A primeira faixa lançada do álbum, “Ad Nauseam”, já apontava para essa lógica de criação. Gravada a partir de sessões em que cada instrumento era registrado em dias diferentes, a música se desenvolveu de maneira aberta, permitindo que cada improviso influenciasse diretamente o seguinte. Inspirada em uma canção homônima de Fad Gadget, a faixa parte da ideia de relacionamentos autodestrutivos e ciclos emocionais que parecem não sair do lugar. “A letra fala mais de relacionamentos autodestrutivos que não saem do lugar. Uma espécie de platô tóxico”, comenta o compositor, enquanto as vozes de Mariana Martins, presentes em diferentes momentos do disco, reforçam o clima sombrio e introspectivo das composições, aproximando faixas como “Estreita é Sua Morada” de referências como Mazzy Star, enquanto outras músicas dialogam com universos mais próximos de Cocteau Twins, Broadcast, Galaxie 500, John Cale e Moe Tucker.

Projeto Delmore no estúdio Audio Porco. Créditos: Divulgação.

A escrita do disco parte de referências literárias ligadas à geração perdida e ao modernismo. “Inspiro muito minha escrita em autores como Hemingway, John Fante e Delmore Schwartz, mas como as músicas foram escritas em momentos diferentes acaba tendo uma diferença. Todas são muito pessoais e autobiográficas”, comenta Magrisso. Em diversas faixas, imagens de desgaste, doença, decomposição e memória aparecem como elementos recorrentes, atravessando o álbum de maneira íntima e fragmentada. Em alguns momentos, as músicas parecem funcionar como traduções sonoras de obras de William Burroughs ou do brasileiro Augusto dos Anjos, ou mesmo grandes fragmentos de cut-up, em que imagens, frases e atmosferas se reorganizam continuamente ao longo da escuta.


Mantendo a lógica mutável que acompanha a Delmore desde os primeiros lançamentos, Número 03 reúne diferentes músicos e colaboradores ao redor do núcleo criativo formado por Gabriel Magrisso e Matheus Pasquali. A cada disco, novas formações alteram a direção das músicas sem romper a identidade construída pelo projeto. O título do álbum nasce de uma frase de Hemingway que chamou a atenção de Magrisso durante o processo de composição, embora o sentido original tenha sido transformado ao longo das gravações. “Com o desenvolvimento das músicas tudo acaba tomando seu jeito. Acho que pode ser uma representação da trajetória do disco. Como se tudo acontecesse em um dia, antes ou depois de todos os postes se iluminarem.”

Com Tão Logo Cada Poste Se Ilumina, a Delmore aprofunda sua pesquisa em torno de improviso, textura e transformação contínua, construindo um álbum que encontra sua unidade menos em conceitos fixos e mais no próprio movimento de criação.

MINI BIO:

A Delmore é um projeto de Porto Alegre que transita entre o experimental, o pós-punk e o rock gótico, explorando atmosferas densas e introspectivas. Formado em torno da dupla Gabriel Magrisso e Matheus Pasquali, o grupo se reinventa a cada disco, com formações mutáveis e processos criativos marcados pelo improviso e pela busca por novas texturas sonoras.


Ficha Técnica:
Produção Musical: Moisés Augusto Rodrigues, Matheus Pasquali, Gabriel Magrisso

Mixagem: Mario Arruda

Masterização: Mário Arruda 

Composição: Gabriel Magrisso

Guitarras: Gabriel Magrisso

Viola: Gabriel Magrisso

Flauta: Gabriel Magrisso

Gaita de boca: Gabriel Magrisso

Violino: Paloma Pitaya

Baixo: Matheus Pasquali, Gabriel Magrisso

Teclas: Matheus Pasquali, Gabriel Magrisso

Bateria: Bernardo Dartagnan

Vozes: Mariana Martins

Capa: Julia Both, Tobias Lucchese
Assessoria: Leonardo Serafini

REDE: Instagram

Para mais informações, entrevistas e material de imprensa, entre em contato: Leonardo Serafini – 51-985801934

A multi-instrumentista Gabriela Lery apresenta uma nova faceta em seu trabalho com o lançamento de um novo single pela Sigmund Records, dentro do projeto Cena Sigmund. Com trajetória construída no Rio Grande do Sul, a artista aponta para um novo caminho, explorando outras possibilidades em sua sonoridade.

Gabriela Lery lança, pela Sigmund Records, o single “Meio do Caminho”. Gravada e captada pelos estudantes do curso de Produção Fonográfica da Unisinos, a faixa parte da música brasileira contemporânea, já presente no trabalho da artista, e aponta para uma nova fase ao se aproximar do rock nacional. A canção surge em um período de transição na trajetória de Lery, quando novos caminhos e sonoridades começam a aparecer. Ouça aqui.

A faixa mantém elementos da “nova mpb” que marcam a trajetória da artista, mas avança em direção a uma sonoridade mais ligada ao rock e à música de vanguarda. Essa mudança aparece na construção dos arranjos e na presença mais direta da banda, já que a música vinha sendo trabalhada ao vivo antes da gravação e chegou ao estúdio com uma direção definida. Gravada no Estúdio Soma em parceria com a turma da disciplina de Gravação I, a faixa contou com a colaboração dos alunos principalmente na captação, na engenharia de áudio e nas escolhas técnicas, como a definição de microfones, pré-amplificadores e outros equipamentos utilizados durante as gravações.

Escrita em um período em que a artista se via distante do que vinha produzindo até então, “Meio do Caminho” nasce de uma sensação de hiato. Ao perceber que suas composições estavam muito ligadas a uma atmosfera melancólica e introspectiva, Lery busca um novo ponto de partida, mais conectado ao momento que atravessa. A ideia de estar “no meio do caminho” expressa esse não-lugar, entre o que já não faz mais sentido e o que ainda não se definiu. Nesse sentido, a música também funciona como um passo em direção ao próximo álbum da artista, já orientado por uma sonoridade mais pesada e orgânica.
A produção musical é assinada por Gabriela Lery e André Paz, que também é responsável pela mixagem. A sonoridade da faixa se constrói a partir dos arranjos, dos filtros e de timbres mais ousados, além de uma abordagem experimental. A qualidade da gravação e da captação, resultado da colaboração entre os produtores e a turma envolvida no projeto, garantiu um material amplo e bem registrado, dando liberdade para a definição dos caminhos estéticos. O lançamento também integra o projeto Cena Sigmund, que conecta artistas da cena local a processos de gravação e lançamento em parceria com estudantes da universidade.

MINI BIO

Gabriela Lery é cantora, compositora, multi-instrumentista, musicoterapeuta, produtora e educadora musical. Desde 2010, integra bandas e coletivos artísticos e trabalha com música para teatro, dança e cinema, transitando com versatilidade por diferentes formas de expressão artística. Em 2019 lançou o EP Coleção e, no ano seguinte, o álbum Arquipélago, além de singles em parceria com artistas como Nina Nicolaiewsky, Thedy Corrêa, Supervão e Tiago Bello. Integra a banda instrumental As Aventuras e a banda de forró Chinelo e Meia como contrabaixista.


Cena Sigmund

O projeto Cena Sigmund é uma iniciativa da Sigmund Records, gravadora vinculada ao curso de Produção Fonográfica da Unisinos, que conecta formação acadêmica e produção musical contemporânea. Além de valorizar produções autorais e experimentais dos alunos, o projeto também convida artistas e compositores externos para integrarem os processos de gravação. Nesses casos, os estudantes atuam nas etapas técnicas e criativas, como captação, engenharia e decisões de estúdio, aproximando a prática acadêmica do mercado e fortalecendo a integração entre formação, criação e circulação na música independente brasileira.

Ficha Técnica

Composição: Gabriela Lery

Produção musical: Gabriela Lery e André Paz

Voz: Gabriela Lery

Baixo: Bruno Vargas

Bateria: Carlo Ferrari

Guitarra: André Paz

Sintetizadores: André Paz, Gabriela Lery e Maria Benincá

Engenharia de áudio: Rafael Siqueira

Mixagem: André Paz

Masterização: Olimpio Machado

Gravação: SOMA e Produção Fonográfica Unisinos

Assistência de gravação: Turma da disciplina de Gravação I – Arthur Lovato Ferreira, Augusto Blauth Schneider, Felipe Farias Angst, Francisco Gianotti Fernandes, Gabriel Eduardo Pitrofski, Gustavo Buss Delinghausen, João Pedro da Silva Aust Fonseca, Kauane Palma Xavier, Lucas Al Alam Ribeiro Silveira, Lucas Wietzke Corrêa da Cunha, Mateus Mélo de Souza e Roberta Scatolin Radalle

Capa: Lidia Brancher

Direção: Mario Arruda

Coordenação: Carol Govari

Monitoria de redes: Helen Rockenbach

Label manager: Luiz “Cisco” Zanovello

Lançamento e distribuição: Sigmund Records e Tratore BR

Assessoria de imprensa: Leonardo Serafini