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A noite da última quinta-feira, dia 5 de março, ficou marcada na história da cultura porto-alegrense: com 22 anos de existência, o projeto Ocidente Acústico, idealizado por Márcio Ventura (Rei Magro Produções), comemorou sua milésima edição com shows da Graforréia Xilarmônica e Ultramen. A discotecagem da noite ficou por conta de Katia Suman e Claudio Cunha, vozes da extinta rádio Ipanema FM, que apoiou o projeto desde seus tempos primórdios.

O público, que lotou o Ocidente, estava realmente disposto a celebrar a data, assim como as bandas, que não mediram esforços ao agradecer repetidamente Márcio Ventura pelo suporte à cena local, sempre criando projetos para que as bandas pudessem tocar – assim como o Ocidente que, por sua vez, fornece espaço para que isso ocorra.

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Graforréia Xilarmônica (Foto: Carol Govari)

A Graforréia Xilarmônica compilou em pouco mais de uma hora todos os seus hits, entre eles “Picardia”, “Bagaceiro Chinelão”, “Eu”, “Nunca Diga”, “Você Foi Embora”, “A Técnica do Baixo Elétrico”, “Literatura Brasileira” e, claro, “Amigo Punk”, que foi tocada também pela Ultramen – assim como “Nunca Diga”. Frank Jorge lembrou de outro nome muito importante para a música local: Carlos Eduardo Miranda (o Gordo Miranda), que faleceu em março de 2018, e foi respondido com uma salva de palmas pelo público presente.

 

Após o ótimo show da Graforréia – que também fez o show em comemoração às 500 edições do projeto –, no andar superior da casa, a Ultramen deu sequência aos trabalhos. Tonho Crocco fez questão de agradecer ao Rei Magro pela oportunidade de tocar naquela noite (e em todas as outras, visto que a Ultramen já tocou inúmeras vezes no projeto) e pediu uma salva de palmas para Márcio Ventura. O vocalista ainda frisou a importância do Ocidente, exaltando as melhorias da casa (como o elevador panorâmico) e contando várias histórias da Ultramen que aconteceram naquela esquina entre a João Telles e a Osvaldo Aranha.

Em relação aos hits, é claro que a Ultramen também fez bonito: “Dívida”, “Peleia”, “Hip Hop Beatbox com Vocal e James Brown”, “Alto e Distante”, “Santo Forte”, além de “Felicidade Espacial”, “Tente Enxergar”, “O Chaveiro” e outras do mais recente disco (Tente Enxergar). Como não poderia ser diferente, rolou um “Baby Shark” na introdução da clássica “Tubarãozinho”, que obviamente sigo cantando até hoje. O show dos ultramanos também teve uma participação especial: Buiu Rodriguez, do grupo Da Guedes, dividiu os vocais de “Não Para” e “Meu Compromisso” com Tonho Crocco e Malásia.

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Ultramen (Foto: Carol Govari)

Na próxima quinta-feira, dia 12, o Ocidente Acústico apresenta “Mil e uma noites de Tim”: às 22h, Projeto Tim Maia Racional + Projeto Tim Maia lado B no palco espaço OX (no andar de baixo), e às 23h30min, no palco Ocidente, Tributo a Tim Maia (com Tonho Crocco no vocal).

O restante da agenda do projeto você confere clicando aqui.

Na última quinta-feira, 24 de novembro, a banda Ultramen subiu ao palco do Opinião para lançar o DVD Máquina do Tempo, gravado 8 anos atrás naquele mesmo palco.

Além do lançamento do DVD, o show marcou a comemoração dos 25 anos da banda, que tem 4 discos de estúdio lançados e intercalou sucessos de todos os álbuns, além de “Robot Baby”, composição inédita do grupo. Pouco antes do show começar, o público assistiu a um vídeo do Mestre Guitarreiro Luis Vagner contra o fechamento da TVE e FM Cultura, movimento que a Ultramen também faz parte e endossou essa posição durante boa parte do show, principalmente no bis, quando todos os músicos voltaram com a camiseta “Salve salve a TVE e a FM Cultura” e Tonho Crocco disse que o medo dele – e da banda – não é perder espaço na mídia, mas sim perder a Fundação Piratini, essencial para bandas independentes, artes cênicas e cultura em geral.

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Interação entre banda e público foi intensa durante toda a noite (Foto: Carol G. Nunes)

Mas retomando o início do show, que começou com “Tubarãozinho” (depois da “Intro”, seguindo a mesma ordem do DVD), e seguiu com clássicos da banda como “Grama Verde”, “Bico de Luz”, “Dívida”, “General”, “Preserve”, “Máquina do Tempo” e outras várias faixas que estão no DVD, tivemos uma noite com uma energia incrível e público super presente. Aliás, o público era bem mais diversificado do que o do último show que eu tinha visto da Ultramen, no ano passado. Gente de todas as faixas etárias e cores e sabores e amores lotaram o Opinião. Sem cotoveladas e sem empurra-empurra. Andei umas 5 vezes pelo bar, de ponta a ponta, e apesar de estar bem difícil de se locomover por causa da quantidade de pessoas, ninguém trancava a passagem ou te olhava de cara feia. Acho que um público também faz o show. Eu sou jornalista, mas eu também sou público. Eu gosto de circular, de observar – ainda não perdi isso da etnografia, confesso –, e shows da Ultramen são sempre interessantes – do ponto de vista jornalístico e também do ponto de vista etnográfico.

Várias participações também rolaram durante a noite: Buiu em “Esse é o Meu Compromisso”, Manos do Rap (rapper Du e Curumano) em “Erga Suas Mãos”, PX em “Peleia” e o Gibão, batera da Comunidade Nin-Jitsu entrou em “Hip Hop Beatbox com vocal e James Brown”.

O DVD Máquina do Tempo está disponível no youtube e você também pode comprá-lo no site da HBB Store.

A Galáxia de Tonho Crocco

Antes tarde do que mais tarde:

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BNegão participou em “Baobá” e “Dívida” (Foto: Carol G. Nunes)

No dia 20 de outubro, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, Tonho Crocco lançou o baita disco Das Galáxias. Com participação de BNegão em “Baobá” e acompanhado da in-crí-vel banda Partenon 80, Tonho tocou todas as faixas do disco Das Galáxias e faixas d’O lado brilhante da lua, além de algumas músicas da Ultramen. Além de BNegão, PX também fez uma participação especial em “Peleia”, junto com o mini-sobrinho de Tonho, que estava de aniversário, e matou a pau na coreografia de “Peleia” 🙂

O projeto foi contemplado pelo edital Natura Musical Rio Grande do Sul e já teve seus shows de lançamento por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Vi na agenda que em dezembro eles vão tocar de novo em Porto Alegre e a dica é: vale conferir, pois o show é incrível, muito bem produzido e formatado.

Você pode baixar o Das Galáxias no site da Natura. O disco também está disponível em CD e vinil (comprei o vinil e o som é uma beleza, vale o investimento!).

 

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A edição de 2015 do Discografia Pop Rock Gaúcho aconteceu nos dias 19, 20 e 21 de junho de 2015. Antes, o evento se chamava Discografia Rock Gaúcho, mas a mudança do nome foi feita para que mais bandas pudessem fazer parte. Assim, tem Graforréia Xilarmônica, mas também tem Chimarruts. Ultramen, Comunidade Nin-Jitsu, Esteban e Da Guedes também se apresentaram na edição deste ano.

Em 2013 conversei com o Lelê (quando ainda era só Discografia Rock Gaúcho) sobre a organização do evento. Se quiser ler a entrevista, é só clicar aqui.

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A Comunidade Nin-Jitsu tocou o Maicou Douglas Syndrome, disco repleto de sucessos (Foto: Carol G. Nunes)

Na primeira noite, o Da Guedes tocou na íntegra o disco “Morro seco mas não me entrego”, lançado em 2002. Nele, os sucessos Dr. Destino e Bem nessa. Na verdade, era basicamente o que eu conhecia dos rappers. Fiquei muito surpresa com o show – achei interessantíssimo. Os caras mandam bem, têm postura firme no palco e um discurso bem racional. Inclusive, comentaram que o disco era de 2002, mas muitos problemas da cidade (e do país) ainda eram muito atuais.

Depois do Da Guedes, quem entrou no palco foi a Comunidade Nin-Jitsu, com o disco Maicou Douglas Syndrome. O show foi ótimo! Cheio de hits, muito peso nas guitarras, Mano Changes extremamente comunicativo com o público, que em todas as oportunidades abriam rodas no meio da pista.

Quem abriu a segunda noite foi a Graforréia Xilarmônica, tocando o Chapinhas de Ouro, de 1998. Quando terminou o disco, Frank Jorge disse: “então ta, esse foi o Chapinhas de Ouro, mas a gente tem mais umas músicas pra tocar pra vocês”. Além das 12 faixas do Chapinhas de Ouro, a Graforréia Xilarmônica tocou Literatura Brasileira, Bagaceiro chinelão, Minha picardia, Patê, Twist, Amigo punk, Nunca diga e Rancho. Amigo punk foi pedida durante todo o show, inclusive enquanto a banda ainda tocava o Chapinhas de Ouro. Perto de mim, dois guris dizem que “bem capaz que a banda vai embora sem tocar Amigo Punk”, entoada como um hino quando finalmente foi tocada.

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Luciano Malásia empunhou o microfone e pulou no meio da galera durante “Peleia” (Foto: Carol G. Nunes)

Depois da Graforréia Xilarmônica, veio a Ultramen. A banda tocou o disco Olelê, de 2000, que está debutando este ano. O show foi sensacional. A banda muito bem sintonizada, o som ótimo. E o “Olelê” é um baita disco, convenhamos. Não tinha como não ser um baita show.

Na terceira noite, eu fui um peixe fora d’água. Esteban e Chimarruts. Esteban tocou o disco ¡Adiós, Esteban!, de 2012, e o Chimarruts tocou o disco homônimo, de 2002. Fiquei dias pensando se ia ou não, mas resolvi ir e ver qual era. Achei uma noite muito curiosa. O que me chamou muito a atenção foi o público das bandas: muito mais famintos do que os públicos das noites anteriores. Do Esteban eu até esperava, sabia que era um pessoal mais novo, mas fiquei surpresa com os fãs do Chimarruts, que fizeram com que o show se tornasse praticamente uma missa.

Foram três noites interessantíssimas. Se quiserem saber mais, no site do POA Music Scenes tem o relato completo dos shows.

Vídeos do Discografia Pop Rock Gaúcho:

Da Guedes – Bem Nessa

Comunidade Nin-Jitsu – Cowboy

Graforréia Xilarmônica – Eu

Ultramen – Ultramanos

Esteban – Sophia 

Outras fotos na fanpage do The Backstage.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Quem esteve no Opinião no último sábado, dia 21, pode presenciar o show de duas consagradas bandas gaúchas: Ultramen e Comunidade Nin-Jitsu.

O palco do bar quase ficou pequeno para tanta energia presente naquela noite. As bandas já haviam se unido para encerrar a primeira noite do Planeta Atlântida, em fevereiro deste ano, e parece que deu tão certo que eles resolveram repetir.

A Ultramen, pelas palavras de Luciano Malásia, percussionista, “é de uma geração influenciada pela MTV e pelo Galpão Crioulo”. Eles circulam, entre outros estilos, pelo hip hop, heavy metal e nativismo. Já a Comunidade Nin-Jitsu é do miami-bass, funk carioca e hard core. Ambas foram formadas em Porto Alegre durante uma grande movimentação na cena musical da cidade, a qual originou, além delas, bandas como, por exemplo, Tequila Baby, Acústicos e Valvulados, e mais para o final dos anos 90, Bidê ou Balde e Cachorro Grande.

Por serem bandas com estilos diferentes, mas parecidas (as duas usam vocabulário interno; nenhuma se encaixa no estereótipo do “rock gaúcho”) e, além disso, frutos da mesma cena, achei que seria interessante ver a junção destes elementos no palco. Não deu outra: foi uma ótima noite com um repertório repleto de hits.

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Juntas, as bandas animaram o público durante uma hora e meia (Foto: Carol Govari Nunes)

O setlist ficou assim:

  1. Merda de bar
  2. Tubarãozinho
  3. Cowboy
  4. Não aguento mais
  5. Bico de luz
  6. Dívida
  7. Toda molhada
  8. Arrastão do amor
  9. Compromisso
  10. Erga suas mãos
  11. Detetive
  12. Popozuda (com participação de Edu K)
  13. General
  14. Hip Hop Beatbox com vocal e James Brown
  15. Tudo que ela gosta de escutar (Charlie Brown Jr)
  16. Ah, eu to sem erva
  17. Peleia (com PX, da Revolução RS)
  18. Bis: Cosmic Slop (Funkadelic)

 

Do início ao fim, o público respondeu de forma muito positiva: pulou, cantou, gritou, dançou, se divertiu muito. Os músicos estavam inspiradíssimos, animados. Foi um show memorável e eu espero que ele se repita em breve.

* No site do POA Music Scenes, projeto que faz um mapeamento da cena musical de Porto Alegre, tendo como parâmetros algumas iniciativas realizadas em Manchester, você encontra um relato detalhado da noite.