Archive for the ‘Profissão’ Category

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Em setembro de 2012 uma nova empresa será instalada em Frederico Westphalen: é a Som Maior Pro, que tem o intuito de colaborar com o forte mercado musical da região. A Som Maior Pro tem mais de dez anos no mercado de manutenção e projetos de equipamentos profissionais de Sonorização e Iluminação na região sul do Rio Grande do Sul.

Assistência técnica autorizada em:

Amplificadores de Áudio, Mesas de Áudio Analógicas e Digitais, Cubos, Pedaleiras, Teclados, Moving-Heads, Mesas e Controladoras DMX, Gerenciadores de Sistemas, Crossovers, Equalizadores, Processadores de Áudio, Lasers, Racks Dimmer, entre outros.

Projetos Especiais:

Tais projetos têm como objetivo atender necessidades específicas dos clientes.
Alinhamento de PA’s, Controle de Delay em Passarelas, Phantom-Powers, Testador de Cabos etc….

Marcas Autorizadas:

Acme, Attack, Audio Leader, Avolites, Behringer, Ciclotron , Digitech, Fender, Focusrite, Gallien-Krueger, Gibson, Gretsch, HotSound, Hartke, Ibanez, Koss, KRK, Korg, Laney, Lexsen, Marshall, Martin, Machine, Meteoro, Nashville, PLS, PR, Selenium, Shure, Staner e Studio R, Vox etc…

Atendimento Personalizado

Qualidade e tecnologia em manutenção
Acompanhamento das ordens de serviço pela internet
Orçamento sem compromisso.

Visite o site para conhecer melhor o trabalho da Som Maior Pro e na FanPage da empresa você acompanha o processo de instalação em Frederico Westphalen e outras novidades.

Natalia Nissen@_natiiiii

Gulivers e Acústicos & Valvulados são as bandas convidadas do Amplifica (Fotos: divulgação)

Um festival organizado por estudantes do curso de Formação de Produtores e Músicos de Rock (Unisinos), isso é o Amplifica, que no próximo dia 16 de junho acontece no Beco 203 em Porto Alegre. O Amplifica Indie Rock é organizado pela turma de formandos do curso, e o músico e produtor Cassiano Dal’Ago conta ao The Backstage como funciona o processo de organização do festival.

A ideia do Amplifica surgiu em 2010 durante as aulas da disciplina “Projeto Festival”, é uma maneira de mostrar novos talentos da cena underground. Os alunos devem contratar bandas, providenciar patrocinadores, parceiros, local para realização do evento, e tudo mais que for necessário para o festival funcionar. A primeira edição aconteceu no 8 e ½ Bar, o Amplifica Rock; depois aconteceu o Amplifica Underground, e desde então é realizado no Beco.

A turma define as bandas que devem se apresentar, na próxima edição sobem ao palco as convidadas Acústicos & Valvulados e Gulivers. Ainda fazem parte da programação The Modê e Tabascos – formadas por alunos do curso – e a Doutor Roberto que é conhecida dos estudantes.

Cassiano comenta que sempre há possibilidade de bandas em início de carreira fazerem parte do festival, “as bandas precisam estar sempre em contato com organizadores de festivais e eventos, e claro, precisam estar fazendo shows, mesmo que pequenos. Visibilidade é tudo”. Porém, o evento não deve ter edições fora de Porto Alegre, porque, segundo o produtor, é lá que os shows acontecem, onde as pessoas querem sair para dançar, beber e aproveitar a noite, e fazer um festival nesses moldes fora da capital é algo complicado.

The Modê e Doutor Roberto também sobem ao palco do festival (Fotos: divulgação)

O festival conta com o apoio dos professores do curso, principalmente o da disciplina “Projeto Festival”, mas o objetivo maior é que os próprios alunos organizem todo evento. Os professores auxiliam através dos contatos de casas noturnas, bandas e patrocinadores que passam aos estudantes. “E estamos aptos a organizar eventos de rock sim, o curso é mais voltado para a produção musical (trabalho dentro de estúdio de gravação), mas também temos cadeiras de produção de eventos, marketing, entre outras” acrescenta Cassiano.

O Amplifica Indie Rock será no dia 16 de junho, no Porão do Beco (Independência, 936 – Porto Alegre), a partir das 22 horas. Os ingressos custam R$10 (com nome na lista) e R$12 na hora.

Mais informações no Orkut e Twitter.

Ouça a música “Sorte” da banda Gulivers:

Natalia Nissen@_natiiiii 

Yanto trabalha imagem e som nas apresentações ao vivo (Foto: divulgação)

Procurando uma interação maior com seu público o artista Yanto Laitano se afastou da música erudita e agora está dedicando-se ao rock para transmitir suas ideias. O álbum “Horizontes e Precipícios” é seu instrumento de comunicação e garantiu-lhe o prêmio de “Instrumentista” na categoria Pop/Rock da última edição do Prêmio Açorianos de Música. O cantor e pianista respondeu às perguntas do The Backstage e você confere a seguir um pouco sobre esse trabalho.

Yanto explicou que a mistura bem sucedida de rock e piano é resultado de uma vontade que surgiu desde a adolescência, na década de 80, quando ele morava numa cidade do interior e queria tocar em uma banda. Ouvia Pink Floyd, Led Zeppelin, The Doors, Deep Purple, entre outras bandas já consagradas que utilizavam o teclado. “Um dia, depois de muitos anos, muitas bandas e influências, vi que a coisa soava legal também sem guitarras e resolvi explorar esse caminho”, as referências musicais foram, além das citadas anteriormente, Mutantes, Arnaldo Baptista, Beatles, Charly Garcia e Bem Folds, e também influências não-musicais.

O músico já participou de vários projetos e fez trilhas sonoras para filmes e documentários. O “Horizontes e Precipícios” tem doze faixas, cada uma com suas peculiaridades. Yanto falou porque algumas têm versões diferentes do estúdio quando executadas em shows, cada local permite o uso de recursos específicos. No estúdio é possível fazer sobreposição (overdub) e gravar mais de dez instrumentos, já no palco a apresentação é feita por apenas um trio, assim, os arranjos são adaptados. A grande vantagem de um espetáculo ao vivo é a parte visual, um casamento entre música e cenário, quando as luzes entram em ação e se misturam ao show.

“Um dia, depois de muitos anos, muitas bandas e influências, vi que a coisa soava legal também sem guitarras e resolvi explorar esse caminho”

O processo de composição das doze músicas não seguiu um padrão, algumas surgiram naturalmente no caos do dia a dia, e outras foram detalhadamente pensadas. O cantor não define um momento para compor, a não ser que tenha um prazo para isso, mas afirmou que aquelas que “surgem despretenciosamente” dão mais prazer ao serem criadas. A canção “A flor que nasce” surgiu em vinte minutos, como ele declarou em seu blog, ao contrário de “Promessas” que tinha uma melodia, mas não a letra perfeita.

E falando em letra, as músicas são simples e falam de várias questões, desde a solidão até uma explicação de como nascem os bebês. “Porto Alegre Blues” levou um certo tempo até ser concluída, “por isso ela me parece tratar de uma visão e de um sentimento mais elaborado e racional que mistura uma ode à cidade com uma autobiografia”, declarou Yanto. O disco retrata fases diferentes da vida do cantor, como na canção “Eu não sou daqui” que soa como um desabafo de quem se sente sozinho e pende muito mais para o lado emocional ao racional das coisas.

Yanto disponibilizou para download todas as músicas do novo trabalho, e ao contrário de muitos artistas, é a favor do Movimento Música Para Baixar (MPB). Ele falou que cada artista deve escolher o que fazer com sua música, mas essa escolha tem um preço, e ele entende que assim a divulgação e o acesso à sua música será maior, independente da venda dos discos; e quanto mais as pessoas conhecerem seu trabalho, a divulgação será revertida em venda de cds e de shows. “Mas eu entendo que existam pessoas que não queiram liberar seu material para download. Me parece que esse grupo é formado principalmente por artistas, ou representantes de artistas, que vendiam muito no velho esquema e que perderam bastante com a Era Digital”.

Aos poucos a cultura da sociedade muda e ainda é necessário muito debate para construir novas percepções a respeito dessa relação entre música e internet. “Mas pra isso todo mundo tem que ser ouvido, artistas, produtores, distribuidores, divulgadores, imprensa, governo e quem mais fizer parte da cadeia produtiva de música. Além disso, temos que ficar ligados para que as regras do jogo sejam justas”, Yanto ainda afirma que o problema é o sistema, também não se pode colocar a culpa na pirataria “o buraco é bem mais embaixo”.

Site oficial.

Vídeo oficial da música “Meu Amor“.

Bruna Molena@moleeena / Carol Govari Nunes@carolgnunes / Josefina Toniolo@jositoniolo

Sandro Viera em frente a seu estúdio, onde funcionava a antiga rádio Luz e Alegria (Foto: Bruna Molena)

Até que a música chegue a nossos ouvidos, ela passa por um processo de criação e produção que envolve inúmeros profissionais. Uma parte deles nós conhecemos muito bem: a que sobe nos palcos e dá cara à música. Porém existem muitos outros que trabalham com a música antes que ela chegue até nós, na produção e gravação, por exemplo. Um destes profissionais é o erechinense Sandro Vieira, 38 anos e residente em Frederico Westphalen. A equipe do The Backstage foi até seu estúdio conhecê-lo e conversar sobre seu trabalho.

– Na verdade eu comecei com um home studio, de brincadeira. Eu comprei minha primeira placa de som, há uns 10, 12 anos e comecei fazer alguns experimentos. Mas com o passar do tempo fui percebendo que estava gostando daquilo e que tinha mercado, então fui ampliando, evoluindo e percebi que precisava de um espaço maior e equipamentos melhores, pois a demanda pedia por isso – foi assim que Sandro Vieira começou o relato sobre o Conexão Studios, estúdio que ele montou e onde faz boa parte do trabalho sozinho.

Sandro contou que a ideia de montar um estúdio começou quando a banda Conexão Brazil foi formada: eles queriam gravar o que tocavam. Nos anos 90, não havia tanta facilidade de acesso a estúdios e gravadoras como hoje em dia, portanto o jeito era ir gravar em outras cidades. O primeiro disco da banda foi gravado em Porto Alegre no ano de 1994. No segundo disco, em 1998, o pulo foi maior: os integrantes da Conexão Brazil foram para o Rio de Janeiro gravar no Estúdio da banda Roupa Nova. Sandro comentou sobre a importância do Roupa Nova na música brasileira – eles não apenas tocam músicas, mas também produzem, masterizam seus próprios discos, mantendo uma relação de shows, estrada, estúdio, produção e gravação. Depois dessa experiência de conhecer estúdios maiores, Sandro voltou para Frederico Westphalen com a ideia fixa de montar um estúdio para que pudesse viver disso.

Os integrantes da banda Conexão Brazil, que deu início a tudo (Foto: divulgação)

– Foi em 2001, quando voltei a morar em Frederico Westphalen, que eu montei o estúdio e fui ganhando reconhecimento, já que aqui na região não há muitas pessoas que trabalhem com jingles, spots, então comecei a trabalhar principalmente com essa questão publicitária e foi aí que começou a fluir. Eu comecei oferecendo jingles para conhecidos que tinham lojas. De lá para cá, foi uma evolução muito grande porque você precisa estar sempre se atualizando – comentou o músico, que além de produzir jingles, spots, esperas telefônicas e hinos, também cria as letras, melodias, grava e finaliza os produtos que serão comercializados.

De 2001 até hoje houveram muitas mudanças no Conexão Studios: Sandro começou com o estúdio em casa, depois foi para uma sala pequena em uma rua do centro de Frederico Westphalen e,  quando percebeu que a demanda estava aumentando, se mudou para onde está há 4 anos, onde funcionava a rádio frederiquense Luz e Alegria.  A produção do estúdio pode ser dividida em duas fases: antes de instalá-lo na antiga rádio e depois. Lá as salas já estavam pré-definidas (por uma questão lógica do funcionamento da rádio) e assim ele conseguiu se organizar de fato, montando firma e todas as legalidades necessárias.

“Uma vez que você vive disso, não dá para escolher quem vai ou não gravar no seu estúdio, ter preferências musicais. Você se dedica de modo geral para qualquer produção e público”

Sobre a produção de jingles, Sandro comenta que tem clientes em Frederico Westphalen e região, Porto Alegre, Mato Grosso e Recife, mas foi só recentemente que o mercado publicitário se expandiu, até pouco tempo atrás o estúdio sobrevivia basicamente das produções feitas para o município. Para compô-los, o músico conta que cada processo é isolado, pois cada cliente teu seu perfil. Ainda diz que a produção depende muito do seu estado de espírito, que o mais complicado é a ideia inicial: “depois que tiver os acordes, só vai. Uns você entrega no dia seguinte, outros demoram 15 dias. Eu monto primeiro a letra – raramente vem primeiro a melodia – e faço praticamente tudo sozinho. Gravo baixo eletrônico, bateria eletrônica. É difícil chamar uma galera para fazer  isso, até porque envolveria mais gastos, então eu acabo chamando só quando tenho vários para entregar em um período curto”.

Quanto à parte fonográfica, o músico nos conta que há uma grande diferença entre tocar ao vivo e no estúdio: uma palhetada errada na guitarra, por exemplo, fica muito perceptível quando é captada dentro de um estúdio. Tanto é que muitas bandas só chegam no estúdio depois que já está tudo pronto, apenas para gravar as vozes, tornando tudo mais prático para todos os envolvidos – os próprios músicos do estúdio gravam com os instrumentos e dessa maneira não precisam ficar orientando bandas que na maioria das vezes não estão acostumadas com o ambiente profissional.

A banda frederiquense Datavenia durante gravação de sua música de trabalho (Foto: arquivo pessoal)

Como em qualquer outro ramo, a sobrevivência de uma gravadora também depende de dinheiro, e este é um dos pontos mais complicados para quem trabalha com música. Hoje em dia as pessoas acabam gravando músicas em seus próprios computadores, não prezando pela qualidade, o que dificulta a vida de quem tem estrutura para desenvolver este trabalho, como Sandro. Já as bandas que querem um trabalho mais qualificado ganham em qualidade e proteção à sua música, pois todos os discos gravados são documentados, possuem código de barra e tudo que é preciso para que o músico não tenha problemas com plágio.

Em relação à produção fonográfica no Conexão Studios, Sandro finaliza dizendo que a circulação de músicos no estúdio é muito diversificada: ele já gravou discos de bandas evangélicas, gauchescas, duplas sertanejas e de rock’n’roll. Porém frisa que o pessoal do rock é o que menos aparece no estúdio, pois geralmente são rapazes novos, que não possuem muito dinheiro para investir.

– Uma vez que você vive disso, não dá pra escolher quem vai ou não gravar no seu estúdio, ter preferências musicais. Você se dedica de modo geral pra qualquer produção e público. O mais complexo é que é tudo muito diferente. Aí então você precisa ter muito discernimento na hora de finalizar o trabalho.

Fliperama: um resgate da década de 80

“Hoje eu estou conseguindo botar em prática uma coisa que eu sempre tive o sonho, sempre tive o desejo de fazer.” É assim que Sandro começa contar ao The Backstage como surgiu sua banda Fliperama. Apaixonado pelos anos 80, queria montar uma banda que fizesse um tributo a essa época. Junto com seu filho Moises na bateria, Mathiel nos teclados, Lelo no baixo e Alemão na guitarra conseguiu colocar em prática mais esse plano.  Dos componentes da banda, Sandro é o único que realmente viveu os anos 80, mas garante que todos são grandes apreciadores da época: “hoje não existe roqueiro, por mais novo que seja, que não conheça isso”.

A banda promete reviver uma das décadas mais marcantes para o rock, principalmente o nacional (Foto: divulgação)

Com sucessos oitentistas como: Van Halen, Bon Jovi, Europe, Dire Straits, Barão Vermelho, Titãs, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, a banda promete não deixar ninguém parado. Os mais novos irão aprender a gostar e os mais velhos matarão as saudades. Por enquanto, o set list será apenas de covers, pois, segundo Sandro, no Brasil há mercado para esse tipo de som, já para composições próprias o negócio é mais competitivo. Ele não descartou a possibilidade de, no futuro, gravarem músicas com a Fliperama, mas acredita que agora não é o momento.

O show de estreia da banda Fliperama será dia 23 de abril, na Green Lounge e no dia 5 de maio eles irão tocar no Mendonças Bar e Pizzaria no lançamento do projeto Quinta Retrô. Toda primeira quinta-feira do mês a banda sobe no palco com um set list totalmente voltado para os anos 80.

– O pessoal achou a questão da quinta-feira interessante, assim o pessoal da faculdade poderá participar. Vai ser uma coisa bem light. A ideia é a banda subir no palco às 22h30min e o show ter em torno de uma hora e meia. Depois disso, mais uma hora e meia com o DJ, também com o repertório voltado para os anos 80 – comenta Sandro.

O tradicional Baile dos Anos 60 foi o que inspirou Sandro e os demais organizadores do projeto a investirem nessa ideia, que busca resgatar uma década tão importante para o cenário do rock, principalmente para o brasileiro.

Quando perguntado sobre como administra seu tempo entre a banda Conexão Brazil e a novíssima Fliperama, ele afirmou: “É legal porque dá pra eu ir mesclando as duas coisas, nas pausas da Conexão Brazil a gente vai fazendo shows com a Fliperama. A ideia é basicamente essa, vamos ver o que acontece”. As pausas a que Sandro se refere são os momentos no ano em que menos eventos acontecem como, por exemplo, bailes de formaturas.

O músico e produtor Sandro Vieira com seus instrumentos de trabalhos: teclado, computador e aparelhagem sonora (Foto: Carol Govari Nunes)

Ainda nessa relação entre as duas bandas, o músico fala que há uma grande diferença entre os tipos de público que assistem aos shows e compara seu trabalho em bailes ao de um garçom: “Lá vai ter o roqueiro, o cara que gosta de sertanejo, vai ter quem goste de dançar música gaudéria, vai ter aquele que não gosta de nada que está lá só para encher o saco e o ‘garçom musical’ que tem que dar conta de tudo isso”. Já com a Fliperama, ele acredita que será diferente, pois as pessoas vão para o local com uma ideia do que irão ouvir, então a postura do público é outra, possibilitando maior liberdade para os músicos.

No final da conversa com o The Backstage, Sandro, em algumas palavras, deixou claro o motivo de seu trabalho dar certo ao longo desses anos:

“É desgastante, mas é nosso ofício. Só sei fazer música, vivo da música, criei dois filhos só da música. Claro que tem os pontos positivos e os negativos, mas acho que lá no ‘fritar das batatinhas’ a gente é apaixonado pelo que faz, acima de qualquer coisa. Quem faz o que gosta está de férias, não é tanto assim, mas é melhor se esforçar um pouco fazendo o que você gosta do que em algo que você não se identifica.”

Com certeza o segredo dos bons resultados é a dedicação que fica evidente nesse último trecho da nossa conversa e que sintetiza toda nossa entrevista. Se você gosta dos anos 80, ou apenas aprecia boa música e quer conhecer o trabalho da Fliperama, fica ligado na agenda dos caras. O convite está feito em nome da banda e do The Backstage.

Bruna Molena – @moleeena

Se essa semana alguém me procurar / E eu não estiver e eu não voltar / Eu fui viajar, fui pra Guarulhos / Em uma turnê com ônibus leito / E duas tv, carro importado / Hotel cinco estrelas, fiz por merecer / Cem toalhas brancas e dez pau de cachêTurnê para Guarulhos – Vera Loca (Mumu/Hernán González)

Elenco do filme Quase Famosos (Foto: divulgação)

Como vocês já devem saber, a proposta deste blog é falar sobre o universo da música, desde quem a faz até quem a escuta. Porém, entre estas duas pontas, existe o processo de produção, no qual há muita gente envolvida que acaba não sendo conhecida, fica só no backstage, entre eles: produtores, roadies e jornalistas, que muitas vezes são também fãs realizando o sonho de conhecer seus ídolos.  São esses profissionais que fazem o que podem para realizar, da melhor maneira possível, o momento único entre banda e fãs: o show.  Só quem faz, vê ou está por trás de um show sabe qual é a emoção que ele transmite e, para conhecermos um pouco mais sobre a vida nos bastidores, ao longo desta matéria conversamos com músico e empresário Eigon Pirolo, que nos conta sobre sua experiência atrás dos palcos, na organização e direção de shows.

Pois quem nunca teve vontade de largar tudo e todos e se agregar a uma banda, saindo mundo afora em uma turnê? Esquecer do mundo real, só viver a base de rock’n’roll e tudo que ele lhe permite? Pode ser a trabalho ou só tietando mesmo… são infinitas as oportunidades de realizar o sonho de conhecer de perto e acompanhar os ídolos. O longa-metragem “Quase Famosos” (Almost Famous), situado na década de 70 e inspirado na vida do diretor Cameron Crowe, conta a história de um garoto de 15 anos, aspirante a jornalista e apaixonado por rock, que é convidado pela Rolling Stone para acompanhar a turnê de uma de suas bandas favoritas. O trabalho, que mais parecia diversão, acaba se complicando quando ele se envolve emocionalmente com a banda (e especialmente com uma de suas “groupies”) e ameaça deixar de lado sua esperada imparcialidade jornalística.

Falando nelas, quem melhor do que as groupies para representar o sonho de viver ao lado de sua banda favorita? Traduzindo a grosso modo, as Marias-guitarra (ou baqueta, microfone e demais instrumentos) são fãs incondicionais que acompanham sua banda favorita onde quer que seja. Em Quase Famosos, Penny Lane, uma das personagens principais, não se define como groupie, pois estas só se interessam pelos homens, não pela música. Ela é uma “band-aid”, em suas palavras:  “nós estamos aqui pela música. Nós inspiramos a música”.

Não importa qual for a definição, muitas garotas e garotos, de diversas gerações, já desejaram viver somente em função da música e de seus ídolos. Mas e quando o desejo de fã se transforma em profissão? O curitibano Eigon Pirolo é um dos que trabalham e vivem em função da música. Desde pequeno já preferia Raul Seixas à Xuxa e acredita que o rock foi simplesmente o caminho natural que sua vida tinha que seguir. Começou em uma banda punk local chamada ORCS, com a qual tocou em alguns festivais no Rio e em São Paulo, mas a coisa ficou séria quando entrou para a We Are Just, em 2003.

O músico e empresário Eigon Pirolo, nos bastidores de um show produzido por sua empresa (Foto: arquivo pessoal)

“Fizemos duas tours de médio porte e a vontade de viver do rock enraizou totalmente. Acredite, se você tem a oportunidade de fazer um tour com banda nunca mais nenhum trabalho vai ser interessante na sua vida, cada dia uma cidade diferente, conhecendo pessoas novas e vivenciando experiências intensas, não tem igual”.

Porém, como nem só de rock vive o homem, o guitarrista, que já não ganhava muito como tal, resolveu fazer um curso básico de áudio profissional e a partir desse momento decidiu trabalhar na área técnica. Em 2009 ele fundou a Eigon Rock Backline Rentals, uma empresa especializada em locação de backline (amplificadores de guitarra, baixo e bateria). O cara continua fazendo música, só que por detrás dos palcos agora, e já trabalhou com grandes nomes do rock, como Bad Religion, Nazareth, Goldfinger e Millecolin. O The Backstage conversou com ele sobre como é trabalhar com e viver o rock’n’roll, o espaço que o gênero tem em Curitiba e algumas peculiaridades de sua profissão:

The Backstage: Da onde surgiu a idéia de entrar no ramo dos “serviços prestados à música”? Não é qualquer um que de um dia para o outro acorda com vontade de ter empresa de locação de backline para shows e serviços de roadie…

Eigon Pirolo: Em 2004, trabalhando somente como guitarrista não estava dando conta de suprir as necessidades básicas então resolvi iniciar meus estudos em áudio profissional fazendo um curso básico de 40 horas. A partir desse momento eu decidi trabalhar na área técnica, foi um processo longo e muito exaustivo, lembro de ficar uns três anos

Logomarca - Eigon Rock Backline Rentals

ganhando R$ 50,00 por show mas sabia que era um período necessário. Eu exerço a função de guitartech (técnico de guitarra) e basstech (técnico de baixo). Vivenciando essa rotina de shows e tendo que trabalhar muitas vezes com equipamentos sucateados surgiu a idéia de montar uma empresa especializada em locação de backline (amplificadores de guitarra, baixo e bateria) com a preocupação e zelo que só um músico teria. Com essa “missão” em mente, em 2009 fundei a Eigon Rock Backline Rentals, desde então já atendi as seguintes bandas: A Wilhelm Scream (USA), Anti-Flag (USA), Bad Religion (USA), Death Angel (USA), Eluveitie (CH), Nazareth (UK), Epica (NL), Fish Bone (USA), Goldfinger (USA), Millencolin (SE), No Fun At All (SE), Pennywise (USA), Petra (USA), Real Big Fish (USA), This Is A Standoff (CAN), Marcelo D2, Raimundos e Seu Jorge.

TB: E trabalhar ali, do lado de grandes bandas como Nazareth, Bad Religion, Goldfinger, acompanhar os shows praticamente em cima do palco, como é? O profissionalismo comanda ou o lado fã pode ter um espaçozinho?

EP: A emoção é grande, eu particularmente disfarço muito bem (risos), mas realmente é emocionante ver as bandas que eu cresci escutando ali na minha frente e ainda contando comigo desempenhando uma função técnica.  O lado fã nessa hora é o combustível para me esforçar em fazer o melhor trabalho possível com a banda, respeitando a sua história e ciente que ela um dia foi importante para minha formação musical e pessoal.

TB: Morando em uma capital dita tão alternativa como Curitiba, o espaço do rock é bem garantido, vendo a situação como músico?

EP: Garantido financeiramente não é! Existem muitos lugares para tocar rock’n’roll, a cidade é inspiradora e as pessoas são antenadas em som alternativo, se você procura uma cidade que respira rock alternativo é aqui em Curitiba. Em respeito ao mercado, acredito que o Brasil esteja vivendo um período negro, tem pouco rock de qualidade na mídia, tem muita banda sendo lançada com prazo de validade vencido que são literalmente enfiadas goela abaixo no consumidor. A única válvula de escape continua sendo a internet, se você se dispuser a ficar uma hora por dia na frente do PC procurando bandas novas vai acabar encontrando muita coisa legal. Ah, vale como terapia também!

Eigon faz os ajustes finais antes do show da Leeloo (Foto: Vitor Augusto)

TB: As groupies são comentadas na matéria também como pessoas que vivem em função da música, pois estão sempre atrás de seus ídolos. Mas aí tu, trabalhando como profissional junto com a banda, o que pensa sobre elas? Elas chegam a atrapalhar na organização do show, causar muito fuzuê e irritar a direção de palco?

EP: ELAS SEMPRE ATRAPALHAM E MUITO!!  Já aconteceram “n” situações de groupies fazendo de tudo para ter acesso aos músicos. Em SP uma vez na saída do show todos já estavam dentro da van para seguir viagem quando três meninas abriram a porta, pularam literalmente dentro da van, escolheram os músicos preferidos e trocaram beijos calorosos por uns cinco minutos sem desgrudar, após o beijo deram tchau e na mesma velocidade que chegaram foram embora, todo mundo ficou pasmo, inclusive os músicos, foi o tema da conversa a viagem toda é claro. Em Curitiba no show de um rapper famoso eu estava na saída do palco orientando o carregamento do backline no caminhão quando duas meninas perguntaram se eu podia liberar elas para entrar no camarim do músico, eu disse que não tinha como fazer isso, estava trabalhando e também não tinha esse tipo de poder (roadie sempre tem esse poder, mas a gente diz que não para não ficarem atormentando). Quando comuniquei que não podia fazer isso ela ficou revoltada dizendo que há pouco tinha deixado um segurança ficar passando a mão nela por 20 minutos e em troca ele a levaria no camarim, mas ele tinha sumido sem dar explicação. Eu tive um mega ataque de riso quando ela me contou isso! Coisas do rock…

E a empreitada tem dado certo! No próximo mês a empresa do Eigon vai trabalhar nos shows de duas lendas do rock: Slash e Motörhead, ambos em Curitiba. Quando o questionei sobre como ele lidará com a emoção na hora, ele não poderia ter sido mais profissional:

“Acho que é a mesma coisa que fotografar mulheres nuas, é uma delícia, mas você não esta ali para desfrutar, tem que se concentrar no trabalho e procurar a excelência, mesmo sendo difícil”.

No site dele você tem acesso a todas informações referentes a seus serviços, vê fotos de shows e alguns vídeos sobre seu trabalho, como esse aqui, que mostra a ralação dos bastidores do show do Pennywise em Curitiba: