Natalia Nissen@_natiiiii

No próximo dia 26 de abril acontece, em Porto Alegre, a solenidade de entrega do Prêmio Açorianos de Música. O prêmio tem o objetivo de certificar a qualidade da produção musical do Rio Grande do Sul, além de divulgar e expandi-la para outras regiões. Marcelo Oliveira, Coordenador de Comunicação da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, e Emerson Tuta, da Coordenação de Música da S. C. de Porto Alegre,  conversaram com o The Backstage e esclareceram algumas questões importantes sobre as indicações e o Prêmio.

A modalidade “música” no Prêmio Açorianos surgiu em 1991, catorze anos depois de instaurada a primeira categoria, de teatro. Hoje o Prêmio Açorianos de Música representa a mais importante “vitrine” de produção artística do Rio Grande do Sul, e na última edição foram entregues 37 estatuetas, enquanto na primeira foram apenas oito, ou seja, isso demonstra a importância e o reconhecimento do prêmio.

A dupla de artistas homenageados (Foto: divulgação)

O Prêmio Açorianos de Música transformou-se em espetáculo e a cada ano o público em geral se mostra mais interessado em assistir à cerimônia. Assim, neste ano a premiação vai acontecer no Teatro do Bourbon Country, e não mais no Theatro São Pedro, como era tradição. Essa mudança deve-se ao espaço limitado no São Pedro, após 19 edições do evento.

Indicação dos homenageados/menções especiais

Os jurados indicam os artistas homenageados e os que vão receber menções especiais considerando nomes que já vinham sendo cogitados, mas não foram premiados nas outras edições. A decisão desse júri é incontestável. Os nomes selecionados devem estar envolvidos com a música há algum tempo e o público deve conhecê-los.

Seleção dos indicados para o Prêmio

O júri é formado por profissionais que trabalham na área musical, jornalistas, produtores, músicos, entre outros. Para não beneficiar determinado veículo de comunicação ou gênero musical, por exemplo, se leva em consideração a “filiação” de cada profissional.

– São escolhidos três jurados por gênero musical e cada um decide na sua área quem são os nomes. No caso dos prêmios que não estão ligados a gêneros musicais, a decisão é conjunta de todos os jurados, explica Marcelo.

A lista dos premiados é feita após três reuniões entre a bancada do júri, na ultima reunião, que acontece poucas horas antes do evento, são definidos os vencedores da categoria “destaques do ano”, a distinção mais importante. Emerson ainda acrescenta: “os jurados podem trazer nomes de trabalho não inscritos. Quando isso ocorre, se entra em contato com o artista verificando se ele quer participar do Prêmio. Alguns artistas não querem participar, pois veem o prêmio como uma mostra competitiva, afinal, tem um ganhador”.

Cartolas concorre na categoria Pop/Rock (Foto: Marcelo Nunes - divulgação)

As categorias deste ano são: Disco Infantil; DVD do Ano; Espetáculo do Ano; Revelação; Arranjador; Produtor Musical; Produtor Executivo; Projeto Gráfico; Gênero Regional, Instrumental, Pop/Rock, MPB, Blues/Jazz, Erudito e Rap: Compositor; Intérprete; Instrumentista; e Disco.

A dupla Kleiton & Kledir será homenageada nesta 20ª edição do Prêmio Açorianos de Música. Nascidos em Pelotas, sul do estado, eles deixam a música popular brasileira com uma pitada de bairrismo. As letras são repletas de “bah”, “tri legal”, entre outras expressões tradicionais do Rio Grande do Sul. Já receberam diversos prêmios, inclusive, o título de “Embaixadores Culturais do RS”. Este ano recebem a homenagem pelo conjunto de sua obra.

A lista completa dos indicados pode ser conferida aqui.

A cerimônia de premiação acontece no dia 26 de abril, no Teatro do Bourbon Country, a partir das 20h30min. Entrada franca.

A seguir o clipe “The Secret of The Recipe” de Fernando Noronha & Black Soul, a banda concorre com indicações nas categorias: Produtor Musical; Disco Blues/Jazz – Compositor, Intérprete, Instrumentista e Disco.

Josefina Toniolo – @jositoniolo

Apesar de todos os apelos do sertanejo universitário e dos mais variados estilos musicais, o bom e velho rock’n’roll ainda é bem representado em Frederico Westphalen. O cenário underground da cidade é composto por vários amantes do estilo. Bandas de garagem reunem-se para tocar clássicos e ainda há as que buscam ir mais além com composições próprias: esse é o caso da MotorCocks. O The Backstage conversou com o Lucas Widmar Pelisari, vocalista da banda para saber um pouco mais sobre esse projeto.

The Backstage: Quais são as principais influências da banda?

Lucas: Como fundador da banda, e compositor de todas as músicas, posso dizer que a maior influencia vem de bandas do rock da Noruega. De um estilo, originado em 2002, que se chama Dirty Rock N Roll (Rock Sujo), pela banda The Carburetors, muito conhecida lá. Alguns especialistas afirmam que seria o “retorno” do rock n roll com atitude e energia, onde a presença de palco vale mais que a técnica propriamente dita.

Logomarca da banda.

TB: Para quem não conhece, como é esse estilo?

Lucas: O Dirty Rock mistura Punk Rock, Rockabilly e Heavy Metal… Aí sai esse som louco. (risos)

TB: Quem são os integrantes da banda? Você já os conhecia antes de vir para cá?

Lucas: Eu sou vocalista e guitarrista solo, Éber Peretto, no contra baixo, Elvis Siqueira, na guitarra base e estamos em busca do “baterista dourado”. Não conhecia ninguém, tive que correr atrás.

TB: Como foi a gravação das músicas?

Lucas: Por não conhecer muito bem as pessoas da cidade ainda, tive que gravar os instrumentos das duas músicas sozinho. E por conta disso, o restante do CD será gravado por mim novamente, para não ficar com sonoridade muito diferente. O produtor, Marcos Vinícius Manzoni, gravou a bateria e eu coloquei as duas guitarras (base e solo), depois o baixo e por último o vocal. Só que o produtor acabou se mudando para Santiago, atrasando o restante das gravações para junho. Por enquanto conversamos por Skype, para acertar os detalhes das próximas músicas, para ele ter uma idéia do que será feito para que em uma semana consigamos gravar tudo.

TB: Não há conflito na banda por você fazer toda essa parte sozinho?

Lucas: Bom, quando eles chegaram os “dados” do futuro da banda já estavam lançados. Eu tive uma conversa com eles, e expliquei a situação, nós não deixamos de nos divertir bastante nos ensaios, já tentamos compor para um próximo álbum, que sairá provavelmente no final do ano que vem, para não perdermos o ritmo. Quando se tem um objetivo profissional, as pessoas têm que deixar um pouco seu ego de lado, para não prejudicar o trabalho como um todo.

TB: Quanto ao álbum, quantas músicas serão? O nome já está definido?

Lucas: Serão 10 músicas, o nome do álbum é Badass Rock N Roll, a nossa faixa no purevolume. Essa será a faixa de abertura, porém vamos tirar aquele começo com o Restart, porque não queremos ser processados. (risos) Dessas 10 músicas, teremos dois covers, um será Nice Boys (Don’t Play Rock’n’Roll), da banda Rose Tattoo e o outro, bem, surpresinha… Posso garantir que será no mínimo engraçado, é tipo o que a banda Children of Bodon fez da Britney Spears, só que não será dela o cover.

TB: As duas músicas que já estão disponíveis no PureVolume.com (Speeding On The Road e Bad Ass Rock’n’Roll) são em inglês. Vocês têm alguma composição em português?

Lucas:Temos sim, Terra Sem Lei, o baixo dela será gravado pelo Adyson Vieira, considerado um dos melhores baixistas brasileiros, fazer merchan da banda é sempre bom (risos). Essa música será a nossa promessa de hit, pois é rápida, direta, refrão legal e, particularmente, minha obra prima em termos de composição. A letra fala sobre correr na estrada com um carro, em busca dos prazeres, adrenalina, sexo, e rock’n’roll. Tocamos com minha antiga banda (F.G.U) uma vez, em um show, no segundo refrão as pessoas já cantavam conosco, o feedback foi maravilhoso, mas só lançaremos com o CD em junho.

F.G.U. Antiga banda do vocalista (Foto: arquivo pessoal)

TB: As bandas influentes de vocês não são muito conhecidas na grande mídia. Tem algum motivo especial ou é só questão de gosto mesmo?

Lucas:Na verdade, isso eu posso responder não apenas com minha opinião, no caso. O fato é que The Carburetors e Chrome Division são as bandas de rock mais conhecidas da Noruega, tipo Sepultura, Angra e Matanza aqui pra nós. Tanto é que o clipe Rock’n’Roll 4 Ever, da banda The Carburetors, entrou em primeiro lugar no top 10 da MTV da Noruega na época que foi lançado, coisa que aqui não acontece com nenhuma banda de metal.  A Nashville Pussy e a Rose Tattoo também são conhecidas lá fora. Por exemplo, a Nashville Pussy tem 2 DVDs ao vivo lançados e mais de 5 álbuns de estúdio. As informações é que não chegam no Brasil…. Mas posso garantir que no exterior essas bandas são muito renomadas. Por exemplo, Angra, faz mais sucesso no Japão do que no Brasil, então já da pra se ter uma idéia onde a música brasileira é valorizada.

TB: O objetivo da banda é esse? Uma carreira voltada principalmente para o público internacional?

Lucas: O objetivo da banda, por incrível que pareça, é ajudar pessoas. Buscamos a fama apenas para isso, em suma, então, nosso objetivo não é fazer sucesso fora ou dentro do país, é fazer o nosso melhor. No caso, queremos atingir o coração do Brasil, ajudar esse povo que sofre com políticos, temos um projeto, que eu apadrinhei, se chama Rock Salva. Queremos uma revolução, abrir os olhos das pessoas, mas para isso precisamos ter fama.

TB: E para finalizar, algum recado para os leitores do blog?

Lucas: Tenho um convite: Bora participar do Projeto Rock Salva e livrar esse país da desonestidade dos políticos!

A banda ainda não tem agenda de shows confirmada, mas se você ficou interessado, encontra o som dos caras no PureVolume. E no blog do vocalista você encontra mais informações sobre o projeto, como participar e colaborar.

Twitter da banda: @themotorcocks

Twitter do projeto: @procksalva

Bruna Molena@moleeena

Como vocês já devem ter visto por aqui, sexta-feira, 08/04, foi comemorado o quarto aniversário do Vinil Rock Café, com um tributo aos clássicos do rock no Clube Harmonia, e a equipe do The Backstage esteve lá para conferir tudo o que rolou. A princípio o clube estava meio vazio, até pensamos até que não ia dar em nada… ledo engano! Aos poucos o pessoal foi chegando, se aglomerando em frente ao palco, pronto pra curtir o melhor do rock. A casa não estava cheia, mas quem compareceu fez valer o ingresso: cantavam, pulavam e batiam cabelo como qualquer fã de rock que se preze faria.

A banda frederiquense The Elizabeth's abre a noite de shows, com cover de bandas punk como The Clash, Ramones e Sex Pistols (Foto: Josefina Toniolo)

A noite começou com a apresentação da única banda local do evento: The Elizabeth’s (já leu sobre o ensaio deles?). E, por ser sua primeira vez, mandou muito bem. Dava pra sentir a energia dos integrantes saindo dos instrumentos e atingindo o público na cara: ninguém ficava parado! O punk rock contagiou a todos, até que alguém grita “roda punk!” e salve-se quem puder. Eles se apresentaram por cerca de meia hora, com um repertório já definido, porém não resistiram ao coro de “mais um” e nos presentearam com a ótima “Should I Stay Or Should I Go”, da britânica The Clash.

Entre uma apresentação e outra, fomos no camarim ver o que estava acontecendo por lá. Os guris da The Elizabeth’s tinham acabado de chegar, extasiados após sua primeira performance ao vivo. Os integrantes da Back Doors Band, última banda a se apresentar, também estavam por lá, relaxando e se concentrando para quando fosse sua vez de subir no palco. Conversamos com alguns deles, todos pela primeira vez em Frederico Westphalen, e afirmaram estar ansiosos para tocar e muito satisfeitos com a energia que viram o público transmitir.

O baixista Fernando Ferreira e o guitarrista Marcos Buschmann (Foto: Bruna Molena)

Logo após foi a vez da banda catarinense, de Joinville, Sexy Pearl e, para quem tinha recém enfrentado 12h de estrada, eles estavam muito bem, obrigado. Com um repertório forte e recheado de clássicos, eles praticamente botaram a casa abaixo. Também tocaram composições próprias, como “Ela Está em Chamas” e “Meu Ouro, Seu Medo” que, mesmo desconhecidas para o público local, fizeram todos sair do chão. A iluminação do palco contribuiu bastante para o efeito dramático de algumas músicas, era tudo muito envolvente. A performance do vocalista Dinho é contagiante e sua voz casa perfeitamente com músicas legendárias, como “Man in The Box”, “Paradise City” e “Hound Dog”. O show estava tão quente que o baterista, Juliano, e o guitarrista, Marcos, não se aguentaram e tiraram as camisetas, incendiando a mulherada! Mas não era para menos, quando o Marcos e o Fernando, no baixo, vinham solar na frente do palco, não havia nem homem que se controlava, o hard rock da Sexy Pearl envolvia todo mundo. A melhor apresentação da noite, na opinião dessa humilde repórter que vos fala, pois o set list abrangia diversas facetas diferentes do rock que eles conseguiram harmonizar tudo em um conjunto só, encaixando-se no estilo deles e assim tornando única cada versão.

Depois do show, acompanhamos a Sexy Pearl até o camarim a fim de conversamos sobre a história da banda e a relação deles com a música. O vocalista Dinho passou a palavra para Marcos que, sendo o fundador da banda, saberia explicar melhor o começo de tudo. Ele nos conta que a Sexy Pearl nasceu em 2005 e que sua ideia era de alcançar um lugar de destaque tocando rock’n’roll, mas com composições próprias. A proposta não convenceu os integrantes que acabaram deixando a banda, dando espaço para os músicos que a compõe atualmente: o vocalista Dinho, o baterista Juliano Stumm e o baixista Fernando Ferreira, além do próprio Marcos. A partir de então eles começaram a investir em composições e em 2008 gravaram seu primeiro EP em um estúdio em Joinville. Após participar do 9° Festival Coletânea de Bandas, do qual saiu vencedora da etapa Sul, a banda se apresentou no Hard Rock Café Rio, onde foi gravado o DVD do Festival.

Sexy Pearl durante a conversa no camarim (Foto: Bruna Molena)

Dinho admite que, para ele, tudo começou com o sonho de ser rockstar. Ele já tocava antes, porém na Sexy Pearl todos evoluíram muito como músicos. O cover foi só uma maneira de conseguir um espaço no cenário musical, porque o interesse deles realmente é tocar suas próprias músicas, tanto que já estão gravando um disco.

Quando tocamos no assunto do lado negro do rock’n’roll – o lucro, Dinho desabafa: “O pessoal acaba abandonando o rock’n’roll por não ter retorno financeiro imediato, é como uma faculdade, tu gasta muito, mas depois tem a recompensa, é um investimento”. Mas garante que não há dinheiro que pague tocar uma música e ver a galera pulando.

Sobre o show daquela noite, disseram que vai ficar marcado, porque era um lugar pequeno, não tão cheio, mas quem estava ali era porque curtia. Segundo eles, os shows no interior sempre surpreendem de um modo positivo, já que nas capitais o público costuma ser mais frio. Respondendo à clássica pergunta “o que vocês acharam de tocar aqui?”, Dinho é enfático: “animal, a gente quer voltar quando vezes puder”.

Saindo do backstage e voltando à frente do palco, era a vez da porto-alegrense Back Doors Band se apresentar. A incrível semelhança do vocalista, Piá de Lucce, com Jim Morrison só contribuiu para fazer o publico se sentir realmente em um show do The Doors. Ricardo Farfisa mandava muito bem no teclado, que substituía o baixo também, enquanto Geovane Benedet comandava a bateria e Ellias Pedra ficava na guitarra. Mesmo nunca tendo visto um show do The Doors ao vivo, garantimos que o show vale muito à pena, eles incorporam as músicas e as executam com maestria. Um cover excelente que recomendamos, nem que seja só para conferir performance perfeita do vocalista.  O estudante Diesmen Luís, 22 anos, diz que não esperava que a noite fosse tão boa: “fui preparado pra sair fazendo críticas negativas sobre o show dos caras. Raramente saio aqui em Frederico, os shows quase nunca me despertam vontade, mas eu sabia que ia encontrar amigos lá e resolvi ir. Mordi a língua! Os caras são uma banda cover decente, cumprem direitinho o papel de banda cover. A calça de couro estava lá, a psicodelia estava lá”.

Giovane, Piá e Ricardo, da Back Doors Band, no camarim enquanto aguardam sua vez de tocar (Foto: Bruna Molena)

Sobre a festa como um todo, ele acrescenta que curtiu tudo: “não teve briga, não teve poser bêbado enchendo os caras pra tocar Raul. Gosto quando o show começa tarde e acaba tarde, é assim que um show de rock deve ser, pelo menos pra mim”. Ele ainda finaliza com um pedido: “que venham mais shows assim para essas bandas”.

No final da noite, latas vazias e corpos cansados compunham o cenário do clube quase vazio, porém a satisfação era visível. As luzes foram acessas, o lixo estava sendo recolhido e, mesmo assim, as pessoas insistiam em ficar, em beber mais uma cerveja, conversar mais um pouco, talvez para que aquele momento não acabasse. O que prometia ser uma noite de clássicos foi além do combinado e acabou se tornando clássica, uma festa memorável que vai deixar saudades.

Veja todos as fotos da cobertura do The Backstage em nossa página no Flickr.

A música auxilia a publicidade

Posted: 12/04/2011 in Filme
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Débora Giese@dee_boraa

“I’m free to be whatever I / Whatever I choose / And I’ll sing the blues if I want / I’m free to say whatever I / Whatever I like / If it’s wrong or right it’s alrigh” (Whatever – Oasis)

Apesar dos jingles (aquelas músicas curtas e repetitivas que ficam na cabeça por horas) serem mais populares na propaganda, é cada vez mais comum ligarmos a televisão e nos depararmos com um comercial que possui uma música como trilha sonora. Provavelmente você já ouviu a canção cujo trecho da letra está no início deste post: talvez na tv, no rádio ou em alguma página na internet. “Whatever”, da banda britânica Oasis, é a trilha sonora da nova propaganda da mundialmente famosa fábrica de refrigerantes Coca-cola.

A canção, entoada na voz das crianças, empresta sua suavidade às imagens que motivam os espectadores a lutar por um mundo melhor: “Existem razões para acreditar. Os bons são maioria”, diz a mensagem da campanha.

A escolha certa da música aumenta o impacto da propaganda. Algumas são tão bem escolhidas que se tornam “marca registrada” de determinados produtos. Quando isso acontece, a associação da música ao produto é feita automaticamente pelos consumidores. A grande maioria vai buscar descobrir o autor e nome da música de determinado comercial, mas acaba identificando o som como “aquele do comercial de tal coisa”.

O empresário Julian Ortiz Gonçalves, 25 anos, comenta que é preciso muito investimento para fazer uma propaganda assim. O custo de um comercial com música é absurdo: tem direito autoral, e isso inclui se a música é própria da banda ou se é de outra, se a letra é igual, se é paródia, quantas vezes o comercial vai ser veiculado, enfim, muita burocracia. Um grande risco financeiro, pois a campanha sempre tem a chance de não dar certo, de não emplacar como o esperado.

Cena da propaganda do Banco Itaú (Frame de vídeo)

Exemplos de filmes publicitários que tiveram sucesso nessa parceria entre música já consagrada e propaganda não faltam. O Banco Itaú, no ano passado, utilizou a “Imagine” do John Lenon para fazer seus clientes sonharem. Em 2008, a Ford fazia todo mundo cantar junto “Happy Together” do The Turtles durante a apresentação do novo Focus. Em 2009, enquanto a Claro perguntava “Should I Stay or Should I Go?” (do The Clash), a Coca-cola dizia “what a wonderful world”, numa versão cantada por Joey Ramone.

“Essas propagandas, como a da Coca-cola, trabalham só o institucional. A marca tá tão impregnada na cultura do mundo inteiro que os caras só trabalham a imagem, conceitos” diz o assistente de marketing, Thierry Nowacki Moura, de 23 anos. Os publicitários aproveitam a chance de “escapar” de jingles juntando a consagração da música com uma marca de sucesso e, voilà! Surge um comercial genial com grandes chances de permanecer na memória dos consumidores por bastante tempo.

Não há dúvida sobre a capacidade de a música salvar uma produção ou destruí-la de vez. A sensação que ela provoca nas pessoas é algo único. E a publicidade, assim como o cinema, sabe explorá-la como ninguém. Ou vai dizer que quando você ouve “we will rock you” não lembra da Pepsi e de suas gladiadoras?

Bruna Molena@moleeena / Carol Govari Nunes@carolgnunes / Josefina Toniolo@jositoniolo

Sandro Viera em frente a seu estúdio, onde funcionava a antiga rádio Luz e Alegria (Foto: Bruna Molena)

Até que a música chegue a nossos ouvidos, ela passa por um processo de criação e produção que envolve inúmeros profissionais. Uma parte deles nós conhecemos muito bem: a que sobe nos palcos e dá cara à música. Porém existem muitos outros que trabalham com a música antes que ela chegue até nós, na produção e gravação, por exemplo. Um destes profissionais é o erechinense Sandro Vieira, 38 anos e residente em Frederico Westphalen. A equipe do The Backstage foi até seu estúdio conhecê-lo e conversar sobre seu trabalho.

– Na verdade eu comecei com um home studio, de brincadeira. Eu comprei minha primeira placa de som, há uns 10, 12 anos e comecei fazer alguns experimentos. Mas com o passar do tempo fui percebendo que estava gostando daquilo e que tinha mercado, então fui ampliando, evoluindo e percebi que precisava de um espaço maior e equipamentos melhores, pois a demanda pedia por isso – foi assim que Sandro Vieira começou o relato sobre o Conexão Studios, estúdio que ele montou e onde faz boa parte do trabalho sozinho.

Sandro contou que a ideia de montar um estúdio começou quando a banda Conexão Brazil foi formada: eles queriam gravar o que tocavam. Nos anos 90, não havia tanta facilidade de acesso a estúdios e gravadoras como hoje em dia, portanto o jeito era ir gravar em outras cidades. O primeiro disco da banda foi gravado em Porto Alegre no ano de 1994. No segundo disco, em 1998, o pulo foi maior: os integrantes da Conexão Brazil foram para o Rio de Janeiro gravar no Estúdio da banda Roupa Nova. Sandro comentou sobre a importância do Roupa Nova na música brasileira – eles não apenas tocam músicas, mas também produzem, masterizam seus próprios discos, mantendo uma relação de shows, estrada, estúdio, produção e gravação. Depois dessa experiência de conhecer estúdios maiores, Sandro voltou para Frederico Westphalen com a ideia fixa de montar um estúdio para que pudesse viver disso.

Os integrantes da banda Conexão Brazil, que deu início a tudo (Foto: divulgação)

– Foi em 2001, quando voltei a morar em Frederico Westphalen, que eu montei o estúdio e fui ganhando reconhecimento, já que aqui na região não há muitas pessoas que trabalhem com jingles, spots, então comecei a trabalhar principalmente com essa questão publicitária e foi aí que começou a fluir. Eu comecei oferecendo jingles para conhecidos que tinham lojas. De lá para cá, foi uma evolução muito grande porque você precisa estar sempre se atualizando – comentou o músico, que além de produzir jingles, spots, esperas telefônicas e hinos, também cria as letras, melodias, grava e finaliza os produtos que serão comercializados.

De 2001 até hoje houveram muitas mudanças no Conexão Studios: Sandro começou com o estúdio em casa, depois foi para uma sala pequena em uma rua do centro de Frederico Westphalen e,  quando percebeu que a demanda estava aumentando, se mudou para onde está há 4 anos, onde funcionava a rádio frederiquense Luz e Alegria.  A produção do estúdio pode ser dividida em duas fases: antes de instalá-lo na antiga rádio e depois. Lá as salas já estavam pré-definidas (por uma questão lógica do funcionamento da rádio) e assim ele conseguiu se organizar de fato, montando firma e todas as legalidades necessárias.

“Uma vez que você vive disso, não dá para escolher quem vai ou não gravar no seu estúdio, ter preferências musicais. Você se dedica de modo geral para qualquer produção e público”

Sobre a produção de jingles, Sandro comenta que tem clientes em Frederico Westphalen e região, Porto Alegre, Mato Grosso e Recife, mas foi só recentemente que o mercado publicitário se expandiu, até pouco tempo atrás o estúdio sobrevivia basicamente das produções feitas para o município. Para compô-los, o músico conta que cada processo é isolado, pois cada cliente teu seu perfil. Ainda diz que a produção depende muito do seu estado de espírito, que o mais complicado é a ideia inicial: “depois que tiver os acordes, só vai. Uns você entrega no dia seguinte, outros demoram 15 dias. Eu monto primeiro a letra – raramente vem primeiro a melodia – e faço praticamente tudo sozinho. Gravo baixo eletrônico, bateria eletrônica. É difícil chamar uma galera para fazer  isso, até porque envolveria mais gastos, então eu acabo chamando só quando tenho vários para entregar em um período curto”.

Quanto à parte fonográfica, o músico nos conta que há uma grande diferença entre tocar ao vivo e no estúdio: uma palhetada errada na guitarra, por exemplo, fica muito perceptível quando é captada dentro de um estúdio. Tanto é que muitas bandas só chegam no estúdio depois que já está tudo pronto, apenas para gravar as vozes, tornando tudo mais prático para todos os envolvidos – os próprios músicos do estúdio gravam com os instrumentos e dessa maneira não precisam ficar orientando bandas que na maioria das vezes não estão acostumadas com o ambiente profissional.

A banda frederiquense Datavenia durante gravação de sua música de trabalho (Foto: arquivo pessoal)

Como em qualquer outro ramo, a sobrevivência de uma gravadora também depende de dinheiro, e este é um dos pontos mais complicados para quem trabalha com música. Hoje em dia as pessoas acabam gravando músicas em seus próprios computadores, não prezando pela qualidade, o que dificulta a vida de quem tem estrutura para desenvolver este trabalho, como Sandro. Já as bandas que querem um trabalho mais qualificado ganham em qualidade e proteção à sua música, pois todos os discos gravados são documentados, possuem código de barra e tudo que é preciso para que o músico não tenha problemas com plágio.

Em relação à produção fonográfica no Conexão Studios, Sandro finaliza dizendo que a circulação de músicos no estúdio é muito diversificada: ele já gravou discos de bandas evangélicas, gauchescas, duplas sertanejas e de rock’n’roll. Porém frisa que o pessoal do rock é o que menos aparece no estúdio, pois geralmente são rapazes novos, que não possuem muito dinheiro para investir.

– Uma vez que você vive disso, não dá pra escolher quem vai ou não gravar no seu estúdio, ter preferências musicais. Você se dedica de modo geral pra qualquer produção e público. O mais complexo é que é tudo muito diferente. Aí então você precisa ter muito discernimento na hora de finalizar o trabalho.

Fliperama: um resgate da década de 80

“Hoje eu estou conseguindo botar em prática uma coisa que eu sempre tive o sonho, sempre tive o desejo de fazer.” É assim que Sandro começa contar ao The Backstage como surgiu sua banda Fliperama. Apaixonado pelos anos 80, queria montar uma banda que fizesse um tributo a essa época. Junto com seu filho Moises na bateria, Mathiel nos teclados, Lelo no baixo e Alemão na guitarra conseguiu colocar em prática mais esse plano.  Dos componentes da banda, Sandro é o único que realmente viveu os anos 80, mas garante que todos são grandes apreciadores da época: “hoje não existe roqueiro, por mais novo que seja, que não conheça isso”.

A banda promete reviver uma das décadas mais marcantes para o rock, principalmente o nacional (Foto: divulgação)

Com sucessos oitentistas como: Van Halen, Bon Jovi, Europe, Dire Straits, Barão Vermelho, Titãs, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, a banda promete não deixar ninguém parado. Os mais novos irão aprender a gostar e os mais velhos matarão as saudades. Por enquanto, o set list será apenas de covers, pois, segundo Sandro, no Brasil há mercado para esse tipo de som, já para composições próprias o negócio é mais competitivo. Ele não descartou a possibilidade de, no futuro, gravarem músicas com a Fliperama, mas acredita que agora não é o momento.

O show de estreia da banda Fliperama será dia 23 de abril, na Green Lounge e no dia 5 de maio eles irão tocar no Mendonças Bar e Pizzaria no lançamento do projeto Quinta Retrô. Toda primeira quinta-feira do mês a banda sobe no palco com um set list totalmente voltado para os anos 80.

– O pessoal achou a questão da quinta-feira interessante, assim o pessoal da faculdade poderá participar. Vai ser uma coisa bem light. A ideia é a banda subir no palco às 22h30min e o show ter em torno de uma hora e meia. Depois disso, mais uma hora e meia com o DJ, também com o repertório voltado para os anos 80 – comenta Sandro.

O tradicional Baile dos Anos 60 foi o que inspirou Sandro e os demais organizadores do projeto a investirem nessa ideia, que busca resgatar uma década tão importante para o cenário do rock, principalmente para o brasileiro.

Quando perguntado sobre como administra seu tempo entre a banda Conexão Brazil e a novíssima Fliperama, ele afirmou: “É legal porque dá pra eu ir mesclando as duas coisas, nas pausas da Conexão Brazil a gente vai fazendo shows com a Fliperama. A ideia é basicamente essa, vamos ver o que acontece”. As pausas a que Sandro se refere são os momentos no ano em que menos eventos acontecem como, por exemplo, bailes de formaturas.

O músico e produtor Sandro Vieira com seus instrumentos de trabalhos: teclado, computador e aparelhagem sonora (Foto: Carol Govari Nunes)

Ainda nessa relação entre as duas bandas, o músico fala que há uma grande diferença entre os tipos de público que assistem aos shows e compara seu trabalho em bailes ao de um garçom: “Lá vai ter o roqueiro, o cara que gosta de sertanejo, vai ter quem goste de dançar música gaudéria, vai ter aquele que não gosta de nada que está lá só para encher o saco e o ‘garçom musical’ que tem que dar conta de tudo isso”. Já com a Fliperama, ele acredita que será diferente, pois as pessoas vão para o local com uma ideia do que irão ouvir, então a postura do público é outra, possibilitando maior liberdade para os músicos.

No final da conversa com o The Backstage, Sandro, em algumas palavras, deixou claro o motivo de seu trabalho dar certo ao longo desses anos:

“É desgastante, mas é nosso ofício. Só sei fazer música, vivo da música, criei dois filhos só da música. Claro que tem os pontos positivos e os negativos, mas acho que lá no ‘fritar das batatinhas’ a gente é apaixonado pelo que faz, acima de qualquer coisa. Quem faz o que gosta está de férias, não é tanto assim, mas é melhor se esforçar um pouco fazendo o que você gosta do que em algo que você não se identifica.”

Com certeza o segredo dos bons resultados é a dedicação que fica evidente nesse último trecho da nossa conversa e que sintetiza toda nossa entrevista. Se você gosta dos anos 80, ou apenas aprecia boa música e quer conhecer o trabalho da Fliperama, fica ligado na agenda dos caras. O convite está feito em nome da banda e do The Backstage.