Rio Grande do Paul

Posted: 08/11/2010 in Agenda, Rock, Shows
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Natalia Nissen@_natiiiii

Porto Alegre respirava Paul McCartney nas vésperas do show na capital gaúcha. O ex-beatle fez um espetáculo histórico de três horas de duração para mais de 50 mil pessoas, entre elas jovens que aprenderam a gostar do artista com os pais e também, aqueles que ouviram os sucessos dos Beatles durante sua juventude nas décadas de 60, 70 e 80. Foi a primeira apresentação do astro no Rio Grande do Sul.

Os fãs começaram a formar a fila para entrar no estádio Beira-Rio já na quinta-feira, 04, em frente ao hotel no qual o artista e sua equipe se hospedaram centenas de pessoas se uniram na esperança de ver um pouco mais de perto o ex-beatle. Paul McCartney desembarcou no terminal velho do Aeroporto Internacional Salgado Filho em Porto Alegre no final da manhã de sábado, 06.

Trinta e seis músicas fizeram parte do repertório do primeiro show da turnê Up and Coming no Brasil. Durante o show o ídolo surpreendeu os fãs, um legítimo gentleman, chamando duas garotas ao palco, elas tinham cartazes pedindo um autógrafo no braço para ser gravado com uma tatuagem.

Paul levou o público ao delírio quando falou “mas bah, tchê!” e provou que o o Rio Grande deixou de ser “do Sul” para ser “Rio Grande do Paul” na noite de domingo. Além de conquistar ainda mais o público com seu “gauchês”, Macca mostrou que mesmo aos 68 anos de idade ainda tem energia suficiente para retribuir o carinho e a dedicação dos fãs. No final do show agradeceu “Obrigado, Porto Alegre. Até a próxima”.

O contabilista Diego Dias, 22 anos, declarou emocionado:

Paul McCartney fez um show histórico em Porto Alegre. Eu olhava para um lado, via uma senhora de uns 50 anos chorando, do outro, um rapaz jovem também com lágrimas nos olhos. Famílias inteiras celebrando um momento único em suas vidas. Com tantas celebridades descartáveis hoje em dia, que show conseguiria reunir tantas gerações para prestigiar um ídolo? Como prometido, foram três horas de belas canções e uma energia inacreditável em todo o estádio. E se eu disser que essas três horas ainda foi pouco, você acredita? Só Paul McCartney consegue isso. Dificilmente Porto Alegre verá um show melhor que esse nas próximas décadas. Memorável! Um daqueles dias em que nos orgulharemos de contar para nossos netos.

Diego registrou momentos do show, como a música “Live and Let Die” que encantou o público com os efeitos pirotécnicos. 

Após a apoteose provocada por McCartney no estádio Beira-Rio os fãs deixaram o local cansados, porém satisfeitos. O ex-beatle faz show em Buenos Aires nos dias 10 e 11 e depois volta ao Brasil para as apresentações em São Paulo nos dias 21 e 22 de novembro.

Débora Giese @dee_boraa

Da esquerda para a direita: Jeca, Chuck, Tonho e Rodrigo (Foto: divulgação)

Inspirada na velocidade característica dos anos 80, a banda de thrash metal Hell Bullet já está na estrada há 4 anos. Formada na cidade de Marechal Cândido Rondon, no oeste paranaense, ela é composta por Jeca, 22 anos, no vocal, Rodrigo, 19, na bateria, Tonho, 21, na guitarra e Chuck, 25, também na guitarra.

Os caras entraram no estúdio pela primeira vez em 2008, quase um ano e meio depois de começar a banda. Segundo o vocalista, eles aprenderam muito sobre a própria música e evoluíram bastante enquanto estavam gravando. A demo, com 4 músicas, intitulada “Kill for beer”, foi lançada no Brasil de modo independente. Selos de outros países os procuraram, e a demo virou CD na Rússia e na Tailândia, onde também ficou disponível em formato de fita K7. Já na Hungria, ganhou o formato de vinil 7’.

Hell Bullet em apresentação no Lounge Bar, em Cascavel/PR (Foto: Evelyn Dalmina)

Em 2009, eles foram tocar pela primeira vez em São Paulo, nas cidades de Mogi Guaçú e São Caetano. Embarcaram num “ônibus de sacoleiro” e partiram ansiosos para divulgar seu som. Durante a madrugada a polícia parou o ônibus para uma revista que durou duas horas. Mas os garotos não se importaram e, para passar o tempo, beberam e comeram pão com mortadela. “Foi um role muito bom” disse o Jeca.

A banda tem planos para voltar ao estúdio e gravar um EP com novas músicas no mês de dezembro ou janeiro. Enquanto a hora não chega, eles seguem agendando e fazendo shows pela região.

* Para ouvir o som dos caras, é só acessar o myspace deles.

* Botto Killer sobre a Hell Bullet

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Vinil 69 é uma banda de “rock/rock com pitadas de rock”. Essa é a autodefinição da banda soteropolitana que vive no underground bahiano há cerca de 5 anos. Eles já participaram de festivais no Nordeste do Brasil, tocaram em capitais nordestinas, lançaram EP’s e dizem ser uma banda de show. Atualmente as coisas estão meio paradas para a Vinil 69, mas por e-mail, o vocalista Leandro Araújo, vulgo Pardal, nos conta um pouco sobre o mundo virtual e as ferramentas que a banda já usou para divulgar o seu trabalho.

A Vinil 69 afirma que ter um bom material para apresentar ao público é indispensável (Foto: divulgação)

The Backstage: Como é a divulgação da banda na internet? Como atingir o público?

 

Pardal: A internet hoje é uma ferramenta imprescindível, facilita muito a comunicação. Reduz a nada as fronteiras geográficas, facilita a divulgação de novos registros ou agenda de shows. Quando minha banda tocou pela primeira vez em Recife, tinha gente (minoria) cantando algumas músicas. Ano passado fui a São Paulo, onde nunca tocamos, conheci por acaso pessoas que conheciam a banda. Em 2006 fechamos uma turnê por quatro capitais nordestinas (Aracaju, Recife, Natal e João Pessoa) sem dar um telefonema, só por mail e msn.
Porém, se facilita a vida, está longe de resolver todos os problemas. Tanta facilidade é uma faca de dois gumes: a democracia cria um vasto mar de informação de onde é difícil tirar bom pescado. Isso confunde o público, ouve-se tanta coisa que muita gente já vai no link com disposição de não gostar. Pra sobressair, é preciso criar um ambiente (orkut, myspace, site próprio) que seja atrativo e tenha a cara do seu som. Além de ter um som, se não de qualidade, ao menos atrativo. Não adianta estar disponível pra milhões se só os seus amigos tiverem motivos pra acessar. Um bom material é indispensável.

TB: Quais as ferramentas utilizadas?

Pardal: Orkut, fotolog, myspace, youtube e um bom mailing!

TB: Como é lançar um disco através de um selo independente?

Pardal: A definição de selo independente é difícil. Pode ser um grupo profissional que trabalhe certo, agilize contatos, marque shows, prense cd, ponha a música pra tocar na rádio e o clip na TV. Pode ser só um garoto que bota seu cd e camiseta na banquinha do festival da cidade. Ou, cada vez mais comum, pode ser uma estrutura montada pelo próprio artista, que vai lutar contra a maré e ficar com os louros. Não tenho experiência com a primeira opção, mas as duas últimas são ótimas!

TB: Quais os benefícios da internet para a banda?

Pardal: Divulgação das atividades e facilidade de manter contato com selos, produtores, gravadoras e bandas de praças onde a banda não circula.

TB: Como era (anos atrás) antes dessa possibilidade de veiculação online?

Pardal: A Vinil 69 sempre foi uma banda de show. Começamos de brincadeira, em 2001, tocando um repertório cover na casa do baterista. O trabalho autoral fluiu, os shows começaram, o retorno do público foi bom e não paramos mais. Nessa época, divulgação era, se desse, cartaz e panfleto, senão, boca a boca. Não existia orkut, youtube, myspace, fotolog. Adepto tardio da tecnologia, eu não tinha nem e-mail. Mais tarde a internet facilitou a vida, deu alguma visibilidade fora do estado. Mas não mudou tanto assim as coisas dentro da nossa praça (Salvador). É inegável que a net dá uma acelerada no processo, mas o boca a boca continua a principal forma de divulgação, turbinado pelo tecla a tecla. Myspace, orkut, fotolog, isso tudo é ótimo, mas a maioria só baixa o seu disco se alguém falou bem, só paga pelo show se o amigo já viu e elogiou.
A internet é também um celeiro de quase bandas. Antes de se preocupar em compor, ensaiar, fechar um conceito ou mesmo aprender a tocar algum instrumento, o pessoal já tem myspace e fotolog. O cara é designer, faz uma marquinha, põe um nome legal, mas cadê a música? Mais água no mar de informação. Sem internet dava mais trabalho “aparecer”, então o sujeito só investia se acreditasse. E o boca a boca fazia o resto.

Capa do EP "Dentro de você"

TB: E a produção de videoclipe para circulação online, chega perto do efeito causado, caso passasse na TV?

Pardal: Não chega perto, mas ajuda na medida em que a internet libera o artista da necessidade do crivo do produtor, da emissora, gravadora ou quem quer que decida o que passa ou não na TV. Ali você posta o que quiser, e em muitos casos a repercussão gera exposição na mídia tradicional. Mas todo clipe ainda sonha em passar na MTV. Vai chegar o dia em que a net vai engolir a TV, mas ainda não estamos nele.  

TB: A disponibilização de EP’s e CD’s inteiros na internet ajuda realmente na divulgação? Como é o retorno? Há retorno financeiro?


Pardal:
Ajuda. Pra uma banda independente alcançar praças onde não atua é a única maneira. Mas ganhar dinheiro com CD hoje é difícil até pras gravadoras. Internet, gravadora, MTV, rádio, carro de som, tudo é ótimo, mas ou você tem um show interessante, que mobilize o cidadão a coçar o bolso numa noite de sexta-feira, ou nada de grana.

Josefina Toniolo – @jositoniolo/ Natalia Nissen – @_natiiiii

Quem disse que a música não pode auxiliar na educação dos jovens? A professora de inglês do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, de Frederico Westphalen, Juliana Andrighe, fez um projeto com os alunos da 8ª série. Ela quis resgatar o rock’n’roll clássico e deixar de lado as bandas atuais, mostrando aos alunos as origens do gênero musical. A turma foi divida em grupos e cada um escolheu uma banda, dentre uma lista, para pesquisar. As opções foram várias, Rolling Stones, The Beatles, Aerosmith, Guns N’ Roses e até Abba. Os alunos tiveram palestras sobre o assunto e puderam desmitificar o rock e perceber que o estilo vai muito além do estereótipo “sexo, drogas e rock’n’roll”.

Aluna do Colégio Auxiliadora (Foto: Di Luis)

O vendedor e comunicador, Luis Carlos Nunes (Fuga), deu uma palestra aos alunos falando da história, traçando um paralelo entre o rock antigo e o atual, passando por Chuck Berry, Jerry Lee Lewis e o rock “comercializado” atualmente. Ele comentou fatos e discos polêmicos, contou dos festivais de música e das bandas que mudaram a história do gênero. O palestrante percebeu que poucos alunos já tinham uma base a respeito do assunto, mas que muitos se interessaram em buscar novas informações sobre as tradicionais bandas de rock.

Lyan Celuppy, 14 anos, achou muito interessante o projeto e afirma que já conhecia o estilo e gosta de bandas como Led Zeppelin, Black Label Society e também de Ozzy. Outros já gostavam das músicas, mas não tinham contato com essas bandas clássicas, e mesmo assim pesquisaram sobre, como é o caso da estudante Eloisa Sampaio, 14 anos.

O projeto foi apresentado na Feira de Ciências do colégio e na última quinta-feira, 21, a banda Áudio Etílico fez uma apresentação cantando algumas das músicas estudadas pela turma, “uma grande iniciativa fazer com que os jovens tenham contato com o rock’n’roll, o projeto trouxe muita coisa da história do rock com a palestra do Fuga.  Foi uma honra ser lembrado pra esse tipo de evento, foi tudo bem no improviso, bem itinerante mesmo, me diverti muito” declarou Eocares, vocalista da Áudio Etílico. Juliana fez contato com a banda por meio de um colega de trabalho e os alunos aprovaram a ideia.

Áudio Etílico (Foto: Di Luis)

 

Josefina Toniolo@jositoniolo

Slash, ex- Guns N’ Roses e atual Velvet Revolver, é mestre no que faz e quanto a isso não há dúvidas. Neste ano mostrou mais uma vez sua genialidade ao lançar seu primeiro trabalho solo. Nomeado de “Slash”, o álbum, lançado em abril nos Estados Unidos, conta com várias participações pra lá de especiais. Com 14 faixas dignas de repeat, pode ser considerado um dos grandes lançamentos do ano.

Arte da capa do disco (Divulgação)

Há coisas que só o gosto pela boa música pode explicar. Quem diria que Ozzy Osbourne, Fergie e Adam Levine, com características tão distintas, fariam parte de um mesmo CD? E pior, quem diria que isso ficaria realmente bom? Pois é, o Slash merece esses créditos.

Depois de ouvi-lo dezenas de vezes e ler algumas críticas cheguei a conclusão de que, talvez, o único defeito do disco seja a falta de identidade. Isso acontece pela troca de vocalista a cada faixa, mas não chega a ser algo tão grave que diminua a genialidade dessa obra.

O CD possui desde músicas agitadas até baladas, passando pelo clima característico dos trabalhos do Ozzy e por uma faixa instrumental super bacana. As composições são muito interessantes e os riffs e solos são geniais. Não era de se esperar menos do Slash, o cara sabe o que faz. E pelo que parece se esforçou para dar o melhor de si nesse disco e conseguiu!

O guitarrista com o vocalista Adam Levine (Foto: Divulgação)

Se você curte baladas, daquelas de apenas ouvir com os olhos fechados, curtindo toda a calmaria, “Gotten”, “Promise”, “Starlight” e “Saint is a Sinner Too” são boas opções. Mas não se engane, não se tratam de melodias iguais, com vocais chorosos e enjoados. Cada uma traz alguma singularidade e esse é um dos méritos do disco. Adam Levine (Maroon 5), Chris Cornell (Soundgarden), Myles Kennedy (Alter Bridge) e Rocco Deluca emprestaram suas vozes e um pouco dos seus estilos para essas canções.

A “Promise” é a mais agitada, quase foge a minha “pseudo-classificação”, a “Saint is a Sinner Too” é a mais tranquila, praticamente um Rivotril 2mg. Já a “Gotten” gruda na mente, como todas as músicas do Adam Levine, mas é gostosa de se ouvir e a “Starlight” é daquelas de chorar, gritar e afogar as mágoas em um pote de sorvete.

Agora, se você quer música para bater cabelo e pular a noite inteira tem também: “Doctor Alibi”, “I Hold On”, “We’re All Gonna Die”. Com Lemmy Kilmister (Motörhead) , Kid Rock e Iggy Pop, respectivamente, dão conta do recado. E não era pra menos, com nomes de peso como esses não há como ficar parado. Nem que seja apenas batendo o pézinho, mesmo que involuntariamente, seu corpo vai fazer-lhe entrar no clima.

Desse trio eu destacaria uma simplesmente por seu refrão incrivelmente fácil de decorar e cantar: “Doctor Alibi” na voz poderosa de Lemmy fica na cabeça o resto do dia: “Doctor, there’s nothin’ wrong with me! Doctor, doctor, can’t you see? Doctor, I ain’t gonna die. Just write me an alibi!

Com um clima quase que de faroeste, daqueles que nos fazem querer apenas um conversível, uma estrada e um bom rock, “Ghost”, “By the Sword” e “Back from Cali” acariciam os ouvidos. Gravadas em parceria com Ian Astbury (The Cult), Andrew Stockdale (Wolfmother) e Myles Kennedy (Alter Bridge) em sua segunda participação no álbum, são aquelas músicas típicas para viajar com o som a todo volume, sem pressa alguma de chegar.

Encontro de mestres: Slash e Ozzy Osbourne (Foto: Divulgação)

A parte mais pesada e obscura fica por conta de Ozzy Osbourne e M. Shadows (Avenged Sevenfold).  A “Crucify the Dead” começa calminha e logo todo o poder da voz inconfundível de Ozzy toma conta do ambiente. Não há muito o que falar sobre ela, são “apenas” dois dos maiores mestres do rock em uma música envolvente, dessas que dá vontade de apenas fechar os olhos, acender um cigarro e ouvir. Curtindo cada nota, cada sílaba…

A “Nothing to Say” também tem um pouco desse clima “das trevas”, mas é mais acelerada e o M. Shadows com seu vocal meio rouco e ritmado, gritado em algumas partes dá um charme a mais para a música. Se você está meio estressado, ouça e sinta o poder das guitarras tomando conta do seu ser.

Entre todas essas obras fonográficas há uma surpresa: uma música totalmente instrumental. Ótima, diga-se de passagem e que não é cansativa como esse tipo de som costuma ser. “What This Dave” foi feita em parceria com o Dave Grhol (Foo Fighters) e com, o ex-colega de Guns, Duff Mckagan. A música é intensa e em momento nenhum sente-se a falta de vocais, pois apenas os instrumentos já bastam para torná-la irresistível.

Por último, mas não menos importante, vem a maior polêmica do álbum: Fergie (Black Eyed Peas). Imaginá-la cantando rock era algo impossível, pelo menos para mim. E não é que ela dá conta do serviço? E olha que sou meio preconceituosa com vocal feminino… Na Beautiful Dangerousa cantora conseguiu deixar muita vocalista de rock no chinelo. Ela tem a manha, sabe o que faz. Ouso dizer que entende mais do negócio que o Fiuk. O resultado, é claro, foi excelente.

Slash e Fergie: a dupla polêmica (Foto: Divulgação)

E com esse álbum, o Slash provou que não há fronteiras para a boa música. E também, que mesmo muitos anos depois do auge da sua carreira, ele continua sendo mestre no que faz e servindo de inspiração para muitos iniciantes, apreciadores e até veteranos do rock.

Depois de toda essa apresentação, trago uma notícia “fresquinha” para vocês. Essa madrugada,  há 2 horas atrás, o Slash divulgou em seu twitter que o clipe da “Beautiful Dangerous” será lançado no canal Veevo do site YouTube, dia 28 de outubro. Então, se você curtiu a proposta e as músicas do novo trabalho do cara, fica ligado! E vamos esperar para ver quais as surpresas do vídeo dessa mistura inusitada de um disco pra lá de diversificado.