Carol Govari Nunes@carolgnunes

A edição de 2015 do Discografia Pop Rock Gaúcho aconteceu nos dias 19, 20 e 21 de junho de 2015. Antes, o evento se chamava Discografia Rock Gaúcho, mas a mudança do nome foi feita para que mais bandas pudessem fazer parte. Assim, tem Graforréia Xilarmônica, mas também tem Chimarruts. Ultramen, Comunidade Nin-Jitsu, Esteban e Da Guedes também se apresentaram na edição deste ano.

Em 2013 conversei com o Lelê (quando ainda era só Discografia Rock Gaúcho) sobre a organização do evento. Se quiser ler a entrevista, é só clicar aqui.

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A Comunidade Nin-Jitsu tocou o Maicou Douglas Syndrome, disco repleto de sucessos (Foto: Carol G. Nunes)

Na primeira noite, o Da Guedes tocou na íntegra o disco “Morro seco mas não me entrego”, lançado em 2002. Nele, os sucessos Dr. Destino e Bem nessa. Na verdade, era basicamente o que eu conhecia dos rappers. Fiquei muito surpresa com o show – achei interessantíssimo. Os caras mandam bem, têm postura firme no palco e um discurso bem racional. Inclusive, comentaram que o disco era de 2002, mas muitos problemas da cidade (e do país) ainda eram muito atuais.

Depois do Da Guedes, quem entrou no palco foi a Comunidade Nin-Jitsu, com o disco Maicou Douglas Syndrome. O show foi ótimo! Cheio de hits, muito peso nas guitarras, Mano Changes extremamente comunicativo com o público, que em todas as oportunidades abriam rodas no meio da pista.

Quem abriu a segunda noite foi a Graforréia Xilarmônica, tocando o Chapinhas de Ouro, de 1998. Quando terminou o disco, Frank Jorge disse: “então ta, esse foi o Chapinhas de Ouro, mas a gente tem mais umas músicas pra tocar pra vocês”. Além das 12 faixas do Chapinhas de Ouro, a Graforréia Xilarmônica tocou Literatura Brasileira, Bagaceiro chinelão, Minha picardia, Patê, Twist, Amigo punk, Nunca diga e Rancho. Amigo punk foi pedida durante todo o show, inclusive enquanto a banda ainda tocava o Chapinhas de Ouro. Perto de mim, dois guris dizem que “bem capaz que a banda vai embora sem tocar Amigo Punk”, entoada como um hino quando finalmente foi tocada.

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Luciano Malásia empunhou o microfone e pulou no meio da galera durante “Peleia” (Foto: Carol G. Nunes)

Depois da Graforréia Xilarmônica, veio a Ultramen. A banda tocou o disco Olelê, de 2000, que está debutando este ano. O show foi sensacional. A banda muito bem sintonizada, o som ótimo. E o “Olelê” é um baita disco, convenhamos. Não tinha como não ser um baita show.

Na terceira noite, eu fui um peixe fora d’água. Esteban e Chimarruts. Esteban tocou o disco ¡Adiós, Esteban!, de 2012, e o Chimarruts tocou o disco homônimo, de 2002. Fiquei dias pensando se ia ou não, mas resolvi ir e ver qual era. Achei uma noite muito curiosa. O que me chamou muito a atenção foi o público das bandas: muito mais famintos do que os públicos das noites anteriores. Do Esteban eu até esperava, sabia que era um pessoal mais novo, mas fiquei surpresa com os fãs do Chimarruts, que fizeram com que o show se tornasse praticamente uma missa.

Foram três noites interessantíssimas. Se quiserem saber mais, no site do POA Music Scenes tem o relato completo dos shows.

Vídeos do Discografia Pop Rock Gaúcho:

Da Guedes – Bem Nessa

Comunidade Nin-Jitsu – Cowboy

Graforréia Xilarmônica – Eu

Ultramen – Ultramanos

Esteban – Sophia 

Outras fotos na fanpage do The Backstage.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A Bidê ou Balde, que começou 2015 com uma grande apresentação no Planeta Atlântida, aproveitou o final do ano passado para fazer uma turnê pela América do Sul, com shows no Uruguai, no Peru e na Argentina. Na terra do Maradona, os gaúchos subiram ao palco do Festival Nuestro, diante de mais de 15 mil hermanos, e aproveitaram para estreitar os laços com diversos grupos locais. Tanto é verdade que Carlinhos Carneiro & Cia. vão iniciar agora o projeto “Bidê ou Balde convida”, trazendo para Porto Alegre as bandas mais legais que eles conheceram por lá. No dia 1º de julho, a Bidê vai ser a hóspede do Las Pastillas del Abuelo, no Opinião, grande sensação do rock latino que se apresentará pela primeira vez no Brasil. Os caras, que possuem uma carreira com mais de dez anos de estrada e shows realizados em diferentes estádios de futebol da Argentina, mostrarão aos gaúchos toda a animação contagiante da sua música, que funde elementos do jazz, do country, da chacarera e de ritmos africanos.

BIDÊ OU BALDE                              

Lá se vão 16 anos desde o surgimento da Bidê ou Balde, em Porto Alegre, nos idos de 1998. Desde então, a banda formada por Carlinhos Carneiro (vocal), Vivi Peçaibes (vocal e teclado), Leandro Sá (guitarra) e Rodrigo Pilla (guitarra) coleciona elogios e prêmios da imprensa, dos fãs e da crítica especializada.

Bidê ou Balde Foto CJ 1 Christian Jung

Foto: Christian Jung

Em 2000, a Bidê lançou seu disco de estreia, “Se sexo é o que importa, só o rock é sobre amor”. O segundo CD, “Outubro ou Nada!”, chegou em 2002 e trouxe ainda mais musicalidade ao trabalho da banda, através de arranjos e novos instrumentos. Dois anos depois, chegava o terceiro: “É preciso Dar Vazão Aos Sentimentos!”. Em 2005, aconteceu o até então inédito “Acústico MTV – Bandas Gaúchas”.

Depois de um jejum de cinco anos sem lançar material inédito, em 2010 o quarteto disparou as canções “Me Deixa Desafinar” e “Tudo é Preza”, que foram precursoras do EP “Adeus, Segunda-feira triste”, lançado em 2011. No ano passado, comemorando os 15 anos de carreira, a Bidê ou Balde colocou na roda mais um disco de inéditas, intitulado “Eles são assim. E assim por diante”. Em março de 2014, foi lançado o single “À La Minuta”, que vai fazer parte de um novo EP, a sair em breve.

Na bagagem, a banda coleciona várias indicações ao VMB, inclusive vencendo na categoria artista revelação, no ano de 2001. Também já se apresentou em todas as regiões do Brasil, passando por festivais renomados, como UpLoad, Move That JukeBox e Virada Cultural (SP), Bananada e Goiânia Noise (GO), Demosul e Curitiba Pop Festival (PR), Planeta Atlântida (RS), Se Rasgum (PA), Maionese (AL), Porão do Rock (DF), RecBeat (PE), entre outros. No final de 2014, realizou uma turnê internacional passando por Argentina, Uruguai e Peru.

 LAS PASTILLAS DEL ABUELO         

A banda Las Pastillas del Abuelo foi formada em 2002 e, logo após algumas mudanças de formação, encontrou o seu line-up que segue junto até hoje. No mesmo ano, gravaram a sua primeira demo e mostraram o seu lado mais artístico. “El Sensei” foi o single de maior sucesso nesse começo de trajetória e fez parte da lista de músicas mais baixadas na Argentina em 2002.

Foto:  Jose Luis Garcia

Foto: Jose Luis Garcia

Em setembro de 2005, o grupo gravou o seu primeiro disco, chamado “Por Colectora”. Com doze faixas, o álbum foi uma demonstração da variedade de estilos que o Los Pastillas oferece: rock, country, jazz, reggae, chacareira e candombe. Graças a um concurso numa rádio local, tiveram a oportunidade de se apresentarem no Pepsi Music, em 2005, e no Gessell Rock, no ano seguinte.

Com públicos cada vez maiores e ingressos esgotados por onde passava, o Los Pastillas del Abuelo gravou o seu segundo álbum, autointitulado, no Circo Beat, famoso estúdio de Fito Paez. “Tantas Escaleras” e “Candombe de Resacas” foram as canções que despontaram e levaram o grupo a excursionar por toda a América do Sul, em 2007. Em 2008, a banda confirmou o seu crescimento com uma apresentação no Luna Park, em Buenos Aires, para cerca de 10 mil hermanos.

“Crisis”, o terceiro disco do grupo, saiu em 2008 e teve a sua estreia ao vivo no estádio Malvinas Argentinas, do Argentino Juniors. Depois de um disco de versões acústicas, chamado “Versiones”, o Los Pastillas del Abuelo lançou “Desafios”, em 2011. O álbum com temas polêmicos e com uma pegada bastante social foi o último registro do grupo antes do álbum gravado em 2012, no Luna Park, em comemoração aos dez anos de estrada da banda. A apresentação virou um álbum “10 años – Estadio Luna Park en vivo”.

“El Barrio em Sus Puños” é o nome do álbum mais recente da banda, lançado em 2014. O Los Pastillas del Abuelo é formado por Alejandro Mondelo (teclado e sintetizadores), Diego Bozzalla (guitarra), Joel Barbeito (sax), Juan Comas (bateria), Juan Fernández (vocal), Santiago Bogisich (baixo) e Fernando Vecchio (guitarra).

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 SERVIÇO

Onde: Opinião (Rua José do Patrocínio, 834)

Quando: 1º de julho, quarta-feira, a partir das 22h

Classificação: 16 anos

Ingressos online: www.minhaentrada.com.br/opiniao

Pontos de venda:

Bilheteria oficial (sem taxa de conveniência): Youcom Bourbon Wallig

Demais pontos de venda (sujeito à cobrança de R$ 3 de taxa de conveniência): Youcom Shopping Praia de Belas, Bourbon Ipiranga e Barra Shopping Sul

Multisom Andradas 1001, Canoas Shopping, Bourbon Novo Hamburgo e Bourbon São Leopoldo

Me arrepio sempre que assisto aos vídeos de 2Cellos, a dupla Sulic & Hauser. Mesmo que seja a décima oitava vez que assisto ao mesmo vídeo. Acho uma coisa lindadeviver. Hoje me deparei com o último vídeo postado no canal da dupla (com umas quatro semanas de atraso, pelo que vi): They Don’t Care About Us.

Acho incrível como eles conseguem transmitir uma verdade em cada uma das músicas. Claro que tem todo o lance de interpretação, mas acho demais essa história de transformar pop, rock e até música eletrônica em algo tão diferente. Diferente porque não é o tipo de música que todo mundo gosta, mas de forma ou outra, desperta uma certa curiosidade para ver o que pode sair daqueles dois violoncelos. E toda essa mistura me encanta.

Aqui no The Backstage é unanimidade. Lá em 2011 a Carol fez um post no Set List indicando um vídeo deles (quando a música do dia era o Set List, rerere). Na época eles recém tinham lançado o canal no Youtube e já tinham alguns milhões de acessos.

Agora, só esse vídeo já passou de três milhões de views. E é um vídeo cheio de efeitos especiais e tal. Pra quem interessar, eu ainda indico outros clipes. O de The Trooper Overture é todo cheio de graça. Também vale assistir a Wake Me Up – Avicii e Thunderstruck – AC/DC.

E se alguém quiser me dar um presente, pode mandar um CD ou DVD deles aqui pra casa. #ficadica

Carol Govari Nunes@carolgnunes

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Ótima iluminação de palco e som impecável foram alguns dos pontos altos do show (Foto: Carol G. Nunes)

O local é o mesmo onde eu a vi pela primeira vez, em 2004. Onze anos depois, muita coisa mudou. Na verdade, desde o show de lançamento do SETEVIDAS, em 2014, muita coisa mudou.

O segundo show da turnê SETEVIDAS em solo portoalegrense começou às 23h do dia 21, quinta-feira passada, e durou quase duas horas. Mais uma vez, com ingressos esgotados e o Opinião abarrotado de gente. Um público mais heterogêneo do que no ano passado se unia em coro para cantar todas as músicas. Se o som não estivesse ótimo, quase não teria dado pra ouvir a voz de Pitty em nenhuma canção. Perto de mim, mesmo um pouco mais para o fundo do bar, pessoas cantavam até terminarem com o ar de seus pulmões.

Aquele telão que eu comentei no ano passado está ainda mais interessante. Muitas imagens mudaram, transformando o show em uma experiência sensorial muito maior – quase que nos sugando pra dentro dele – e fazendo com que a fruição deste seja ainda mais intensa. Agora, durante Um Leão, o que rola no telão é o videoclipe da música.

Pra mim, o show de Pitty está muito mais combustão lenta do que explosão total em músicas específicas. Claro, tem seus ápices, mas há algo ali que incendeia o tempo todo; um fogo que nunca termina ou sequer diminui. A crueza do baixo-guitarra-bateria, que deu lugar a novos timbres e texturas, faz com que o público desfrute de uma experiência como um todo e com o corpo todo – do cérebro aos pés –, seja você da galera dos headbanguers, dos que cantam todas as músicas ou mesmo dos que ficam parados/hipnotizados/mudos sem tirar os olhos do palco. Talvez seja exatamente isso que faça com que o público esteja mais heterogêneo, de diversas idades e estilos, pelo menos aqui na capital gaúcha.

Definitivamente, a turnê SETEVIDAS traz uma artista renovada e sem amarras. A turnê acabou de completar um ano e se você ainda não viu, repito: vá ao show e presencie esse retorno brutal, pois é ali onde Pitty se desnuda emocionalmente – onde a vemos forte e com o que de mais genuíno a arte tem a oferecer.

PS: Rolou Be My Baby (acompanhada somente de palmas) durante Me Adora. O trechinho que consegui pegar ta aqui.

Martin – Quando Um Não Quer

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O show acústico de Martin traz arranjos lindíssimos para novas e antigas músicas (Foto: Carol G. Nunes)

O esquenta pro show de quinta rolou no La Estación Pub, no dia anterior, num show acústico do novo (e belíssimo) disco do Martin. Quem acompanhou Martin foi Guilherme, parceiro de sempre, e Fernanda Mocellin, que ahazou no cajón. De quebra, ainda rolou uma participação do Carlinhos Carneiro cantando Bromélias, clássico da Bidê ou Balde.

Martin tá com um repertório incrível, que mistura músicas do QUNQ e do Dezenove Vezes Amor, além de versões de discos que eles gostam. Dessa vez, rolou Bom Brasileiro (Cachorro Grande), Nostalgia (Vivendo do Ócio) e Contra-luz (Cascadura). Foi uma noite ótima com muito amor, música boa e diversão.

Além de estar em diversas plataformas de streaming, soube que o disco físico tá vindo aí. Fiquemos ligados!

Vídeo de Outra História, do disco QUNQ, aqui.

Natalia Nissen@_natalices

Queria ter escrito há mais tempo, mas as férias só chegaram agora. No início do mês vi uma postagem do Cagê Lisboa dizendo que estava desempregado. Era o fim da Ipanema FM – com a desculpa de continuar na web. Eu não ouvia todos os dias, mas era uma das rádios que ouvimos em casa na “hora do chimarrão”. “Apesar dos ótimos resultados nos últimos meses, a Band São Paulo decidiu colocar a AM nos 94.9. Foi o fim de um trabalho bonito que mudou a cena cultural e comportamental do RS”, publicou o Cagê.

A Ipanema também fez parte dos meus estudos para o TCC e fez parte da vida de muita gente que gosta do bom e velho rock’n’roll, desde os anos oitenta. Nas ondas do rádio lançaram uma pá de banda do rock gaúcho. E é uma pena que o rock perca, a cada dia mais, o espaço no FM. Porque sempre haverá alguém disposto a apertar o botãozinho do rádio para ouvir a programação sem ter que ligar o botãozinho do computador. Ainda assim, sorte a nossa que a internet está aí para nos mostrar boas opções de entretenimento.

on_airO rock não vai morrer. O rádio, o vinil, o jornal impresso ou os livros em papel também não. Mas é lamentável como o segmento perde espaço mesmo tendo público, só porque não “vende”. E naquela semana do comunicado sobre o fim da rádio, também vi um texto na Putzgrila. Os órfãos da Ipanema não ficarão sem ouvir as músicas e notícias que gostam.

A Ipanema FM acabou, mas o rock não. Nem o rádio. “À guisa de exemplo, as antigas rádios AM que pareciam fadadas à extinção com o advento das FM, ganharam novos formatos. Algumas delas se tornaram mais regionalizadas e outras foram ampliadas através da melhoria de qualidade dos sinais, transformando-se, inclusive, em veículos centrados basicamente no radiojornalismo. A transmissão via satélite transformou várias rádios FM em redes radiofônicas, ao mesmo tempo em que a mídia rádio é repensada pela veiculação através da Internet” – Jeder Janotti em ‘Aumenta que isso aí é Rock and Roll’.