Completando 20 anos, a Arthur de Faria & Seu Conjunto finalmente estreia seu novo show, Música pra Bater de Frente.
O repertório é baseado nas 12 canções inéditas que estarão no sexto disco da banda, em fase de finalização, cheio de convidados especiais e que sai pela Loop Discos ainda este ano.
Depois de quase uma década apresentando o instrumental Música pra Ouvir Sentado, o agora sexteto dá uma nova virada e monta seu espetáculo mais pesado. São exclusivamente canções, com música de Arthur e letras suas e de variados parceiros. Vivos, como o pelotense Luciano Mello, o porto-alegrense Nelson Coelho de Castro, o curitibano Marcelo Sandmann, o paulista/gaúcho Daniel Galera e os argentinos Omar Giammarco e Acho Estol (do grupo La Chicana). Ou mortos (mas vivíssimos), como o inglês seiscentista John Donne, o português Fernando Pessoa (em sua encarnação Álvaro de Campos) e mesmo o poeta provençal Peire Cardenal, que já clamava contra a hipocrisia dos poderosos do século XIII.
Num momento em que o mundo, a cidade e o país passam por tempos difíceis, contraditórios e agressivos, a banda destoa da postura autocomplacente de grande parte da cena nacional num show pé na porta e soco na cara, com videocenário e iluminação pensados junto, valorizando texto e conceito. Mas com pausa até para o lirismo de Trovoa, a belíssima balada de amor maduro de Maurício Pereira (parceiro de Arthur e produtor de Música pra Ouvir Sentado).
Você já ouviu muitas bandas melhores, você já ouviu muitas bandas piores. Mas você nunca ouviu uma banda como a Arthur de Faria & Seu Conjunto. Ainda mais na maturidade de duas décadas de vida, e pela primeira vez experimentando com programações e processamentos eletrônicos ao vivo. Um Maverick envenenado a 120km por hora em direção a um precipício.
Arthur de Faria & Seu Conjunto é: Adolfo Almeida Jr (Fagote, Flauta Doce e Processadores), Julio Rizzo (Trombone com pedais), Marcão Acosta (Guitarras), Arthur de Faria (Voz, Guitarra, Violão, Teclado), Clovis Boca Freire (Baixo, Programações, Ableton Live) e Jorge Matte (Bateria).
Participações Especialíssimas: Vanessa Longoni (voz) e Paulo Inchauspe (guitarra) Luz: Osvaldo Perrenoud Som: Clauber Scholles Videocenário: Janaína Falcão
O duo Música Menor, dos músicos Omar Giammarco e Arthur de Faria, se apresenta no projeto Sons da Cidade, no Teatro Renascença, no dia 05 de maio.
Nos últimos dois anos, o portenho Omar Giammarco e o porto-alegrense Arthur de Faria vêm desenvolvendo a parceria do Música Menor, em que tocam composições assinadas por ambos e influenciadas por vertentes musicais argentinas e brasileiras, com letras em espanhol e português. Quatro dessas canções – Esta Canción, Sobre a Terra, Me Voy Con Los Poetas e Vinte e Sete – já estão disponíveis na internet em áudio e vídeo e serão parte de um álbum a ser lançado no segundo semestre, pelo selo Loop Discos. No palco, Omar e Arthur se revezam em vozes, violões, guitarras, piano, acordeom, piano de brinquedo, glockenspiel e bandolim, com participações de André Paz (baixo e theremin) e Fernando Pezão (bateria e piano).
Arthur de Faria é músico, compositor e arranjador. Produziu 20 discos, escreveu 32 trilhas para cinema e teatro, e, além do Música Menor, integra também a dupla Duo Deno e a tri-nacional Surdomundo Imposible Orchestra. Há 18 anos lidera o Arthur de Faria & Seu Conjunto, com quem lançou cinco dos seus seis discos e tocou pela América do Sul e Europa. O “Música para ouvir sentado”, quinto disco da banda, foi um presente que ganhei do próprio músico, na última apresentação do Nico Tributo, em janeiro deste ano.
Nele, um repertório inteiro sem palavra alguma; apenas temas instrumentais. Arthur e seu conjunto tocam milongas, tangos, modinhas, chamamés e muito, muito mais. Eu, roqueira chinelona, acostumada a “músicas para ouvir em pé”, me deliciei com tanta beleza e mistura.
Além de músico, Arthur é também jornalista e mestre em Literatura Brasileira. Ele trabalha há 20 anos na rádio Pop-Rock e publicou dezenas de ensaios, artigos, livros e fascículos sobre música – de uma biografia de Carlos Gardel ao e-book “Uma História da Música de Porto Alegre” (www.sul21.com.br). Ministra há década e meia oficinas sobre história da música popular brasileira no Brasil, Argentina e Uruguai.
Sobre Omar, um castelhano de quem eu nunca ouvi falar (ih, rimou), você vai ter que descobrir amanhã. Mas pelo que vi no youtube, sai bastante coisa boa desse duo.
Música Menor no Sons da Cidade:
Data: 5 de maio (terça-feira) Horário: 20h Local: Teatro Renascença (Avenida Erico Verissimo, 307, fone 51 3289-80) Ingresso: um quilo de alimento não perecível. A retirada de senhas, na bilheteria do teatro, começa às 19h
A internet é uma explosão de possibilidades para o reconhecimento no meio artístico, seja você um comediante nato, um crítico de cinema, ou um acidente dessa rede popular. Para todos os casos, os vídeos postados pelos internautas no YouTube ganharam uma consolidação e visibilidade midiática tão grande quanto aparecer na televisão. O que bomba na internet torna-se mais do que conhecido, torna-se popular.
Possuímos uma visão arcaica sobre músicas clássicas, ou estereotipamos um conceito em que ela geralmente está embasada se for relacionada a massagens relaxantes. Evoluímos tanto durante os anos, porém, continuamos com preconceito com gêneros que não são habituais aos nossos ouvidos. Vamos desmistificar esse conceito e mostrar que existe espaço para todos.
A música instrumental vem ganhando um lugar na internet, não que seja o processo mais fácil para aceitação popular, mas o meio virtual vem cedendo espaço para os interessados de plantão em conhecer coisas boas, diferentes e abrangentes ao olhar, ou melhor, dizendo, aos ouvidos.
Marcelo Costa (Foto: Liliane Callegari)
É dessa forma diversificada que o jornalista e editor do Scream & Yell, Marcelo Costa, destaca a sua visão crítica sobre esse determinado gênero.
Em um bate-papo virtual, Marcelo aborda que o preconceito não surge pelo fato de reconhecermos o espaço que está sendo adquirido pela música instrumental, e sim, pela falta de percepção em permitir que a música nos envolva como qualquer outra, mesmo não contendo verbos. Inclui, também, em sua ressalva, que esse gênero tem mudado com o passar do tempo graças ao acesso à internet que ganhamos há um pouco mais de duas décadas, embora tenha a música associada em outros meios para que ocorra o interesse crescente do público. “A dificuldade está na cabeça das pessoas, e não na música”.
Além do mais, Marcelo Costa nos escreve com um olhar apurado sobre a repercussão dos internautas que acessam o Scream & Yell – um espaço dedicado, sobretudo, ao jornalismo cultural e que está no ar há 15 anos – ao se depararem com a música instrumental. Ele acredita que, cada vez mais, os leitores não se interessam, diretamente, se a música é ou não instrumental, mas sim, o que essa mesma música transmite a eles. E defende que, desse modo, as bandas instrumentais mais famosas sempre causam bastante burburinho, mas ninguém exclama se essa ou aquela faixa instrumental é boa, e sim, por exemplo, que a música do Mogwai é sensacional. Contudo, conclui que mesmo que o site tenha se consolidado com o passar dos anos, o público já atravessou – e atravessa – pontes de amadurecimento. Complementa que o leitor está mais atencioso com as nuances da música, e não se tem alguém cantando por de trás de uma interpretação.
Para exemplificarmos com melhor intensidade esta relação entre o artista e o público, convidamos o guitarrista da banda instrumental CamaronesOrquestra Guitarrística para nos contar sobre a sua experiência na estrada com a arte que ele conduz. Objetivo e transparente com as palavras escritas em um corpo de e-mail, Anderson Foca afirma que o grupo de rock instrumental tem vários feedbacks sobre os shows e os CDs já lançados, principalmente de pessoas comuns não ligadas a determinada cena musical ou conceitual. Mesmo que a internet esteja disponível para qualquer tipo de divulgação, a banda prioriza os shows das turnês que duram em média de 120 a 150 dias no ano, e, a seu ver, continua sendo o único jeito de aproximar fãs de músicas reais à sua banda, tornando o projeto viável do ponto de vista financeiro.
Ao ser questionado sobre a iniciativa de lançar determinado conteúdo artístico na internet, podendo – ou não – quebrar os paradigmas de preconceito popular, o integrante da banda nascida no Rio Grande do Norte não hesita em afirmar que as bandas instrumentais não saídas do erudito ou das escolas de música, contribuem com um papel fundamental na popularização da música instrumental no país afora. E retrata que até seis ou sete anos atrás era impossível encontrar uma banda instrumental num LineUp de um festival; mas que, nos dias atuais, isso vem se realçando em um modo positivo à sua crítica.
Chuck Hipolitho no Estúdio Costella (Foto: Ellen Visitário)
Quem nos dá a chance de perceber os lados emblemáticos desse gênero é o produtor musical e vocalista da banda Vespas Mandarinas, Chuck Hipolitho. Em seu Estúdio Costella, localizado no bairro Vila Madalena, em São Paulo, Chuck nos recepciona e demonstra com a sua lábia que não há “regras” que determinem a arte de exercer e cumprir com o seu papel em emocionar o seu espectador. “A música é linda por si só. As pessoas não precisam ficar se preocupando com vocal ou instrumental”, completa. O produtor, que busca em sua memória a única experiência que teve ao produzir uma das obras da banda instrumental Camarones Orquestra Guitarrística em seu estúdio com cores abstratas, relata que, conhecendo o Foca, tem a convicção de que ele iniciou a banda porque sabia que a dificuldade de lidar com a parte vocal, no circuito underground, é complexa e assim ele podia dar razão às melodias dele de maneira instrumental e intuitiva.
Ainda com a total certeza, Chuck realça que o Camarones é uma banda que basta chegar e se apresentar em qualquer lugar, porque não precisa de determinado sistema técnico para conduzi-la, pois a banda pode até mesmo se apresentar com um equipamento de ensaio, por exemplo. Mesmo que aparente ser algo “mais fácil” ao vivo, Chuck Hipolitho emplaca que o importante é a música emocionar e interagir entre o artista e o público. Mas, pontua, especificadamente na música instrumental, que a internet é uma ferramenta fundamental para propagar a sua sonoridade. Se não houvesse esse meio de divulgar um determinado material, o músico, em si, voltaria no tempo e promoveria a sua obra da forma clássica como em revistas especializadas, emissoras de rádio e de televisão. Já os riscos que a internet causa no meio de uma geração conectada é o formato da pirataria, que desconstrói o conteúdo cultural.
Mesmo que a internet seja considerada uma “faca de dois gumes” no mundo dos espertos, Chuck Hipolitho retrata o modo como músico, independente do segmento, chega ao Estúdio Costella: é através da internet. Construído em 2008, o Costella é considerado um espaço democrático, onde o artista tem a total liberdade de fazer o que ele bem entender, porque, até mesmo, como diz o seu criador: “O que importa é sentir a música”.
E retratando-se da importância de sentir, quem nos conta sobre o início de seu interesse com a música instrumental é o Márcio Viana. Formado em jornalismo na Universidade Bandeirante de São Paulo, o morador do bairro de Santa Cecília recorda-se de que seu gosto por esse determinado estilo musical começou, involuntariamente, com os LPs que o seu pai, à época trabalhava como prensista, trazia mensalmente da RCA-Victor; e ainda assim, relembra de seu primeiro disco de música instrumental que comprou já na adolescência, um do The Dave Brubeck Quartet, “Time out”, mas confessa que só recentemente, pela internet, se interessou em ouvir mais e produzir a sua própria música instrumental. No papo intimista, o jornalista nos detalha que não foi uma situação muito planejada ao perguntarmos o que o fez escolher o caminho da internet para a divulgação dos seus trabalhos artísticos, e, na verdade, ele começa a criar música com loops e divulgar para os amigos na plataforma Soundcloud. Porém, ele admite que a empolgação aumentou com os resultados e, então, resolveu montar uns álbuns virtuais para organizar o conteúdo. Já sobre o retorno esperado com essa divulgação, o Márcio replica: “Na real, não crio expectativa, porque é um viés do meu trabalho. A ideia é manter como um projeto paralelo, e divulgar por meio das redes sociais. Acho que é uma forma de manter o público fiel, de certo modo”.
Quando perguntamos sobre o futuro, Marcio Viana prioriza aos estudos de produzir melhor o que já está encaminhado além desse projeto, mas que investir em um CD físico não seria a sua prioridade no momento em relação aos custos, embora, pontua que se sente confortável com o esquema atual de divulgação e disponibilidade das suas músicas instrumentais.
Rafael Malenotti durante o show na FEICAP (foto: Carol G. Nunes)
No último sábado, dia 18 de abril, ocorreu na cidade de Três Passos/RS a 13ª FEICAP (Feira Exposição Industrial, Comercial e Agropecuária) e duas bandas gaúchas de rock estavam na programação: Acústicos & Valvulados e Bidê ou Balde. Marcado para iniciar às 23h, o primeiro show foi dos Acústicos & Valvulados.
No setlist, todos os hits das mais de duas décadas de carreira, incluindo “Até a hora de parar”, “Remédio”, “Fim da tarde com você”, “O dia D é hoje” e tantas outras. Poucas músicas do disco novo, o que fez com que o público soubesse cantar praticamente tudo. Rafael Malenotti sabe muito bem o que está fazendo: cativa o público o tempo todo, que responde carinhosamente às chamadas do vocalista para cantar bem alto e bater palmas.
Em determinado momento do show, Rafael passa a bola para Luciano Leães, Alexandre Móica e Diego Lopes. São eles que assumem o vocal e comandam o show. Enquanto isso, Rafael estava no fundo do palco fazendo fotos com as soberanas da 13ª FEICAP. Aliás, outra particularidade deste show de rock foi a presença das soberanas no palco. Elas (eram três: rainha e duas princesas, provavelmente) entraram desfilando e se posicionaram junto com Rafael, bem na frente do palco (que tinha uma passarela, a qual foi muito aproveitada por ele). Bem neste momento eu estava filmando, então vocês podem conferir as soberanas no meio de “Fim da tarde com você” aqui.
Com pouco mais de 1h20min, o show terminou. Não teve bis, afinal, o palco tinha que ser trocado, pois em seguida a Bidê ou Balde era quem estaria ali.
Neste momento, fãs já aguardavam na grade que impedia o acesso aos camarins. Pouco a pouco, eles foram entrando e os músicos ficaram durante muito tempo conversando com todos, inclusive do lado de fora, na área aberta. Muitas fotos, muitos elogios, muita atenção mútua.
Não demorou muito para que a Bidê ou Balde chegasse. Eles saíram do camarim com jalecos brancos e óculos de proteção. Logo, já estavam no palco arrancando os jalecos e assumindo suas “reais identidades” de terno e gravata. No setlist, músicas como “Microondas”, “Me deixa desafinar”, “Melissa” e “É preciso dar vazão aos sentimentos” fizeram o público cantar e pular.
Carlinhos Carneiro comandou muito bem os sobreviventes no final do show. Pedia para que eles levantassem a mão direita, depois a mão esquerda, trocassem, levantassem as duas, ficassem com elas para cima. Todos que ali estavam obedeciam prontamente. Vivi também usou a passarela e foi lá para frente com Carlinhos, fazendo com que todos batessem palma e cantassem junto.
O show terminou com “Mesmo que mude”, uma das canções mais aclamadas da banda. Alguns cansados, outros emocionados e cantando muito.
Hoje, 21 de abril, Vaness lança o single “Shooting Star”. A música está disponível no iTunes e Spotify, dentre outros serviços de streaming e lojas virtuais. O single é o primeiro trabalho de Vaness pelo selo do Estúdio Soma.
No sábado, dia 25, a artista gaúcha fecha a semana fazendo a abertura do show da cantora americana Christina Perri, famosa pela música “A Thousand Years”, trilha sonora do filme Crepúsculo. O show acontece em Porto Alegre, no Auditório Araújo Vianna, às 20h.
Sobre a artista
Imagem: divulgação
Com uma mistura refrescante de “Folk” me “Dream Pop”, Vaness vem criando um burburinho onde quer que apareça. Seja com o videoclipe de “Shooting Star” apresentado no website da banda Coldplay, ou com pocket shows em bares no famoso bairro Greenwich Village, em Nova York.
Em 2011, a cantora e compositora chamou a atenção de Leo Henkin, produtor musical e guitarrista do Papas da Língua. Desde então, suas músicas têm sido destaque em vários filmes e séries brasileiras – incluindo a canção “I Don’t Belong Here” para o filme “Insônia”, dirigido por Beto Souza.
É provável que a cantora lance um EP pelo selo do Estúdio Soma ainda em 2015.