Archive for the ‘Rock’ Category

Josefina Toniolo@jositoniolo

Demorei alguns dias para conseguir escrever sobre o show do Ozzy, até agora tudo que passava em minha mente era ele entrando no palco com um sorriso gigante… Ainda não havia encontrado palavras para descrever esse momento, ainda me parece um sonho louco. Se não fossem os hematomas para me lembrar de que foi real, talvez nem eu acreditasse.

Chegada sorridente de Ozzy no palco (Foto: Fábio Mattos - divulgação)

Sim, hematomas, pois ir em um show de metal requer muita força e resistência.  Nenhum playboy “bombado” de academia aguentaria mais que três músicas nos lugares da frente na pista com uns 5 mil headbangers  de 2 metros de altura  tentando te empurrar pra frente. Homens, sim, pois era a grande maioria, as mulheres que estavam lá eram guerreiras, as que sobreviveram até o final na grade são minhas “ídolas” porque, olha, era difícil, eu não aguentei e pedi pra sair.

Chegamos no Gigantinho às 8 da manhã, os portões abriram às 6 da tarde, nem com toda a insistência e gritos das milhares de pessoas que estavam lá, os seguranças abriram os portões antes.  Não é difícil ficar na fila, quando as pessoas têm algo em comum a conversa flui e o dia passa mais rápido. Os “únicos” problemas são a fome, a sede e a vontade de ir ao banheiro (que nesse caso ficava no outro lado daquela maldita rua super movimentada, transformando algo tão simples em uma missão impossível).

Quando os portões abrem e você percebe que conseguiu pegar ótimos lugares, todo o sofrimento vale a pena. Só mais três horas e o Ozzy, uma das maiores lendas vivas do rock, estaria ali na minha frente.

Ozzy comanda a platéia com maestria (Foto: Fábio Mattos - divulgação)

A banda de abertura, Gunport, tinha um som legal, as músicas eram próprias e bem tocadas, tudo nos conformes. Mas entraram mudos e saíram calados do palco, sem nenhum tipo de interação com o público. Alguns gritos de apoio se misturavam a gritos de “OZZY, OZZY” e vaias.  Afinal, ninguém quer saber da banda de abertura, ainda mais quando o som não tem muito a ver com o do show principal, era um rock mais leve, com uma pegada meio pop.

Às 21 horas, pontualmente, Ozzy apareceu no palco honrando sua nacionalidade britânica. Ele foi ovacionado pela platéia que delirava, chorava, gritava e pulava alucinadamente. Depois de um tempo, quando a pedidos, conseguiu diminuir um pouco (um pouco mesmo) da gritaria, falou algumas palavras que se perdiam no meio dos gritos e começou a “Bark at The Moon”, o gigantinho veio abaixo. Sem muitos efeitos especiais, pirotecnias e essas coisas, que definitivamente não fizeram falta nenhuma naquele momento. Um show simples. sem cerimônia. Logo em seguida foi a vez da única música do novo disco que fez parte do show, a Let Me Hear You Scream, que foi muito bem aceita pelos fãs.

A terceira música foi a clássica “Mr. Crowley”, que fez o gigantinho tremer, literalmente. Enquanto o tecladista Adam Wakeman fazia a tão famosa introdução, Ozzy parecia reger um culto satânico com gestos e caras de assustar qualquer criancinha. Maravilhoso, incomparável. A “I Don’t Know” deu continuidade a loucura que tinha se instaurado naquele ginásio, totalmente lotado. A “Fairies  Wear Boots” foi a primeira das cinco,  da sua ex-banda Black Sabbath, que fizeram parte do repertório.  Antes de começar a “Suicide Solution”, o Mr. Madman, muito simpático, incitou um “olê Ozzy” que em instantes virou um gigantesco coro.

Nos primeiros acordes da “Road to Nowhere”, uma das poucas baladas do show, muitas mãos, com alguns isqueiros e câmeras balançavam ritmicamente, em um dos momentos “fofos” do espetáculo. Mas nada supera os maiores clássicos, o  hino do Black Sabbath, “War Pigs”, levou todos a loucura, provando que quem estava ali tinha “conhecimento de causa”. Desde os mais velhos, que acompanharam a carreira da antiga banda, até os mais novos curtiram aquele que foi um dos pontos altos da noite.

A “Shot in the Dark” e a “Rat Salad” (outra do Black Sabbath) mantiveram a euforia e a energia que corria nas veias de todos ali presentes. A faixa instrumental, da ex-banda do Príncipe das Trevas, contou com mais de 10 minutos de solos de guitarra e bateria que, incrivelmente, alucinaram a platéia.

Parte da multidão que lotava o Gigantinho (Foto: Paz Fotos - divulgação)

A interação do baterista Tommy Clufetos em uma espécie de brincadeira com as baquetas transformou aquilo que poderia ser muito chato, como costumam ser os solos desse instrumento, em algo muito divertido. Esse momento serviu de descanso para o Ozzy que voltou para executar a “Iron Man”, clássico setentista do Black Sabbath, que transformou o gigantinho em um verdadeiro caldeirão humano, tamanha paixão pela música.

Dando continuidade, a “I Don’t Wanna Change the World” manteve o clima que encerrou o show com a “Crazy Train”, na minha humilde opinião, a música mais fantástica da noite. A performance dela ao vivo é coisa de louco, não tem como explicar a sensação e a vontade absurda de pular que essa música provoca. Nesse momento o show teve, aquele já conhecido, falso final. O pessoal meio confuso sobre o que gritar, chamava pelo Ozzy em meio a pedidos de mais um, uma zoada sonora se constituiu no ginásio. Foi quando Madman voltou ao palco e ensinou a todos como pedir mais música, puxando um coro de “one more song”.

Foi então que a música mais emocionante do show começou, gente chorando enquanto isqueiros, celulares e câmeras iluminavam o ambiente, criando uma imagem linda. Não era de se esperar menos para a clássica da sua carreira solo “Mama I’m Coming Home”.

A já tradicional espuma jogada por Ozzy no público (Foto: Paz Fotos - divulgação)

Sua voz quase desaparecia no meio das 13 mil outras vozes que cantavam a plenos pulmões essa música. Foi lindo, foi surreal, era impossível não se emocionar, também porque, quem tivesse olhado a set list dos outros shows da turnê saberia que essa era a penúltima música.

Eis então que começa a “Paranoid”, que causou um misto de felicidade absurda e tristeza, pois eu sabia que seria a última, ela encerraria aquela que foi a melhor noite da minha vida. Ninguém ficou parado. Não tinha ninguém sem pular, erguer os braços ou “bater cabelo”. Foi realmente um encerramento com chave de ouro.

Os poderes (quase mágicos) do Príncipe das Trevas

O Ozzy é lindo, magnífico, um gentleman. Mesmo com seus 62 anos e problemas de saúde causados pelos excessos do passado, comandou as quase duas horas de show como ninguém. Regia o público como um maestro, batia palmas, corria, jogava espuma e água nele mesmo e na platéia e até dava alguns pulinhos. Quem vê aquele tiozinho, meio curvado e com passinhos curtos, chegando no palco não acredita que ele se consiga durar o show todo, e ele o fez, melhor que muito gurizão de 20 anos por aí.

Ozzy causando euforia na torcida tricolor (Foto: Paz Fotos - divulgação)

Ele é uma simpatia, pegou o morcego de pano que atiraram e fingiu que ia comer a cabeça, satirizando o episódio tão famoso da sua história. Usou a bandeira do Grêmio como manto, para delírio dos gremistas, como eu, e tristeza dos colorados. Mas os tímidos gritos de desaprovação que surgiram, logo desapareceram novamente. O Ozzy é superior a tudo, até a essa rivalidade histórica.

Ao sair do local, ouvi alguém comentando algo que resume tudo: o Ozzy é um showman perfeito. É exatamente isso. Ele é ótimo e faz tudo com amor a camiseta, enchendo o palco com sua vontade de dar o melhor de si. Os músicos eram excelentes, mas quem mais me chamou atenção foi o baterista Tommy Clufetos, que destruía, literalmente, a bateria com muita força e habilidade. O medo dos fãs era a ausência do Zakk Wylde, substituído por Gus G. que agora ocupa seu posto de guitarrista. Mas, para a agradável surpresa de todos, o cara é realmente bom.

Saí de lá com a alma lavada, me sentindo no paraíso do Deus do Metal. Em novembro, quando comprei o ingresso fiquei com medo de que o desempenho dele ao vivo me decepcionasse. Mas não, para mim, o Ozzy agora garantiu seu posto de melhor do mundo, ele é O cara e duvido que alguém conteste a qualidade do seu show.

Ozzy na reta final do show (Foto: Paz Fotos - divulgação)

As pessoas saiam do Gigantinho praticamente flutuando de tanta satisfação. Foi onde um amigo meu perguntou: Josefina, agora já dá pra morrer tranqüila? Minha resposta não poderia ser outra além de “com certeza”. Se essa pergunta fosse feita para qualquer um no local, aposto que a resposta seria a mesma.

Existe vida pré e pós show do Ozzy e só quem teve a honra de conhecer esse segundo lado poderá entender o que estou dizendo.

Natalia Nissen@_natiiiii

O evento Magical Mystery Meeting vai acontecer em quatro cidades simultaneamente – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre – no próximo dia 7 de maio. A ideia é reunir fãs dos Beatles para trocar opiniões, experiências e informações, beatlemaníacos que não viveram o auge do quarteto nos anos 60, mas mesmo assim sabem de tudo sobre a banda. Larah Camargo, estudante, 13 anos, é a idealizadora do Magical Mystery Meeting e nos contou mais sobre o encontro.

– Há quase um mês eu sugeri a ideia no twitter dos Beatles, e recebi muitos comentários positivos. O nome foi sugestão de um dos nossos seguidores, é uma brincadeira com o filme “Magical Mystery Tour” – comenta Larah.

O evento foi inspirado no filme dos Beatles (Foto: divulgação)

A princípio o evento deveria acontecer em todas as capitais do Brasil, mas por questões de organização foram definidas quatro, e cada uma deve ter até cinco responsáveis pelo encontro. Esses representantes têm a função de organizar, divulgar e informar os participantes. O Magical Mystery Meeting vai acontecer em locais públicos, de fácil acesso, no dia 7 de maio a partir das 15 horas. Em Porto Alegre a reunião deve acontecer no Parque da Redenção.

A representante do Magical Mystery Meeting em Porto Alegre, Gabriela Quadros, 16 anos, diz que ainda está pensando nas atividades, “porque ficar lá todo mundo parado se olhando não dá, né?”. Quem tiver sugestões pode entrar em contato com ela pelo Twitter.

Se a ideia der certo e o público comparecer e aprovar o evento, outra edição deve acontecer ainda no segundo semestre deste ano.

Para mais informações acesse os links:

Comunidade no Orkut

Twitter

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A banda carioca Canastra apresenta em seus discos e shows uma mistura de surf music, rock, rockabilly, samba, jazz e MPB – uma mistura inusitada que vem dando certo desde 2004, ano em que a banda foi formada. Com dois discos lançados (“Traz a Pessoa Amada Em Três Dias” – 2004 e “Chega de Falsas Promessas” – 2007), o sexteto composto por Renato Martins – voz e guitarra; Rodrigo Barba – bateria; Eduardo Vilamaior – baixo acústico e voz; Fernando Oliveira – guitarra e trompete; Daniel Vasques- saxofone; Marco Serra Grande – trombone, encerrou há algumas semanas uma turnê pelo Nordeste brasileiro, mais precisamente Salvador, Camaçari, Vitória da Conquista, Natal, João Pessoa e Campina Grande.

A banda Canastra prepara novo disco para 2011 (Foto: João Gabriel Salomão)

Por e-mail, Daniel Vasques, saxofonista, me contou como foi tocar no Nordeste, além de falar sobre o cenário musical independente do Rio de Janeiro e os shows que fizeram no Rio Grande do Sul.

Confira, abaixo, nossa conversa:

The Backstage – Como foi a recepção do público em locais que vocês não tinham tocado antes?

Daniel Vasques – Muita gente conhecia as músicas e isso foi bem impressionante. Mas quem não conhecia gostou muito. Foi ótima a recepção do público em todos os lugares, vindo parabenizar depois dos shows e dançando durante.

TB – Como foi tocar com as bandas Camarones Orquestra Guitarristica, Vendo 147 e Maglore?

DV – A Camarones a gente já conhecia da Feira da Música de Fortaleza ano passado. É sempre bom tocar com eles. O som deles é excelente, de um peso maravilhoso. A Maglore e Vendo 147 a gente conheceu em Salvador e adoramos os sons. O clima das canções da Maglore é muito interessante, e a formação e a ideia musical da Vendo 147 são inusitadas e muito boas.

Canastra em Vitória da Conquista (Foto: divulgação)

TB – Foram quantos dias fora de casa, rodando e fazendo shows?

DV – 13 dias fora de casa o que, normalmente, já é bastante cansativo. E dessa vez não foi diferente. Por sorte, fomos muito bem recebidos onde chegávamos, e isso facilitou a viagem.

TB – Como está o cenário de bandas independentes no Rio de Janeiro?

DV – Do jeito que a gente tem viajado no ano passado, e enfurnados em estúdio como estamos esse ano pra gravar o terceiro disco, é difícil dar muita atenção ao cenário independente do Rio. Eventualmente a gente esbarra com uns amigos de casa na estrada e é sempre muito divertido.

TB – Falando em bandas e músicas independentes, a internet tem sido o melhor meio de divulgação, atualmente. Como vocês utilizam essa ferramenta? Vi que agora o Twitter e Facebook estão linkados… O que aparece em um, aparece no outro…

DV – Foi difícil fazer a operação de linkar o twitter com o facebook porque o QI de internet da banda é bem baixo. Mas finalmente conseguimos. A internet é o maior e mais eficiente meio de divulgação de qualquer coisa. Bandas, trabalhos executivos, produções artísticas. A melhor forma de se exibir é através da internet. A gente ainda está engatinhando nesse processo, mas estamos correndo atrás porque sem internet, hoje em dia, não se consegue muito.

Canastra em jogo que deu nome à banda (Foto: divulgação)

TB – Soube que vocês estão gravando disco novo. Pode nos adiantar alguma coisa? Tem previsão para lançamento?

DV – Estamos tocando algumas músicas do disco novo já em shows. No nordeste fizemos sempre “Ensimesmado”, que é uma das músicas que mais faz sucesso, antes mesmo do lançamento do disco. A previsão de lançamento é para o segundo semestre desse ano. O disco, por enquanto, só tem um mote: “Confie em Mim”.

TB – Já tocaram no Rio Grande do Sul? Alguma possibilidade de turnê passar por aqui em 2011?

DV – Tocamos no Rio Grande do Sul em 2009. POA e Santa Maria. Viagem longa… Muitas horas de ônibus… Mas adoramos e, claro, temos muita vontade de voltar para lançar o disco novo aí. Estamos na torcida e na batalha pra isso acontecer.

Canastra no MySpace

Natalia Nissen@_natiiiii

Para início de conversa, o termo “universitário” é usado porque os cantores desse movimento começaram suas carreiras, na maioria, cantando em bares frequentados por estudantes de ensino superior, e não falam da vida no sertão como as músicas do sertanejo de raiz. Com o passar do tempo o estilo atingiu todas as camadas da sociedade e hoje não apenas os estudantes admiram, mas também crianças e adultos.

The Backstage foi criado para expressar as opiniões das autoras e dos leitores sobre música nacional e internacional e, principalmente, o rock’n’roll e suas vertentes. No entanto, não podemos fechar os olhos diante da febre que tem sido o sertanejo universitário – e digo febre porque foi algo que surgiu repentinamente e contagiou milhares de pessoas Brasil afora.

O fenômeno da música sertaneja, Luan Santana (Foto: divulgação)

Exemplos de artistas solo e duplas de sertanejo universitário não faltam. Por mais adepto do rock’n’roll que o indivíduo possa ser, já deve ter ouvido, com certeza, o refrão de alguma canção romântico-sertaneja: “chora, me liga, implora meu beijo de novo, me pede socorro, quem sabe eu vou te salvar”. Luan Santana, João Bosco e Vinícius, Victor e Leo, e a representante feminina, Paula Fernandes, são ícones de uma geração que idolatra uma série de artistas que muitas vezes são severamente criticados por pessoas que preferem outros estilos musicais. Durante muito tempo o sertanejo foi um estilo predominante em regiões do interior do país, mas a difusão da cultura por meio da internet, rádio e televisão, contribuiu para a disseminação por todo o Brasil.

Luiza Kerber, 20 anos, faz faculdade em Rio Grande e comenta sobre a escassez de festas com estilos mais variados. O pagode e o sertanejo predominam, “o sertanejo universitário tem letras com as quais os jovens se identificam, além de ter um ritmo contagiante. Não é um estilo para escutar sempre, mas o ideal é saber aproveitar a parte boa de cada música”.

“Quem escuta sertanejo universitário tem uma cicatriz no cerebelo, você nunca mais vai se livrar dessa mazela”

No dia dois de março, Lobão, um dos mais importantes artistas do rock nacional, deu uma entrevista a uma rádio e fez declarações pejorativas a respeito dos novos ídolos jovens Fiuk, Restart, e do cantor Luan Santana. Para Lobão, quem escuta sertanejo universitário “tem uma cicatriz no cerebelo, você nunca mais vai se livrar dessa mazela”. Apelando ou não, muita gente compartilha da opinião do cantor, afinal, o tópico #falalobao foi o mais comentado do Twitter depois da divulgação da entrevista. Lobão falou aquilo que muita gente tem vontade, mas não tem oportunidade. Admiradores do bom e velho rock’n’roll tem uma certa dificuldade em entender como e por que a febre do sertanejo tem se espalhado tão rápido e contagiado as pessoas como um golpe certeiro.

Na semana passada o ECAD – órgão brasileiro responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais de músicas aos seus autores – divulgou a lista dos autores que mais receberam pelos direitos autorais no Brasil. O compositor Victor Chaves (da dupla Victor e Leo) ficou em primeiro lugar, e depois dele aparecem Sorocaba, Nando Reis, Roberto Carlos, Dorgival Dantas, Euler Coelho, Paul McCartney, Lulu Santos, Erasmo Carlos e Djavan ocupando as outras nove posições, respectivamente. Na região Sul a música sertaneja também é a que mais rende em direitos autorais: o representante do tradicionalismo, Teixeirinha, fica em 11º lugar. Renato Russo, o líder da banda Legião Urbana ocupa o último lugar da lista, 50º.

A estudante Jaqueline Vanessa da S. Domingues tem 14 anos e não gosta muito de rock, mas adora o sertanejo universitário, identifica-se com o gênero. Além da música, ela gosta dos cantores e diz: “o sertanejo universitário veio com tudo, mais romântico, agradando os jovens. Sertanejo romântico da forma como os jovens veem. Transmite palavras que preciso ouvir”.

O roqueiro Lobão alfinetou os ídolos da nova geração (Foto:divulgação)

Existem tantas bandas que passam longos anos tentando um lugar ao sol e, de repente, nos deparamos com a ascensão “meteórica” de jovens com seus violões cantando músicas que falam de amores não correspondidos e traições. Talvez mais carisma que as caras amarradas de alguns rockstars, mas, ainda, menos talento que a poesia da MPB. Mais recursos para investir em divulgação também pode contribuir para o sucesso de um artista, assim como uma marca que contrata a modelo mais bonita para estrelar as fotos da campanha. Para uma música tornar-se “a mais pedida” na rádio influente pode haver muito mais por trás da história que um público fanático e talento propriamente dito.

Mateus Zanolla Chaves é estudante de Música na UPF e, como bom entendedor do assunto, diz que a música sertaneja é simples, por isso as pessoas gostam tanto. É um som para dançar, aproveitar e não para “ouvir” e pensar a respeito, além de ser composto de versos simples e melodias clichês. “Não é ruim, só é simples. Beatles também tem seus discos simples e é a maior banda do mundo. Música não é complexidade”, finaliza Mateus.

Em Frederico Westphalen a situação não é diferente. Mesmo estando longe dos pólos da música sertaneja, os habitantes do município já demonstram afinidade com o estilo e essa característica está refletida nos eventos que as pessoas frequentam. Algumas festas e estabelecimentos têm como atração apenas, ou na maioria das vezes, o sertanejo universitário.

Site do ECAD.

Entrevista com o Lobão.

Débora Giese@dee_boraa

O excêntrico Alice Cooper confirmou em seu site oficial que fará três shows no Brasil este ano: dia 31 de maio em Porto Alegre, no Pepsi On Stage, dia 2 de junho em São Paulo, no Credicard Hall, e dia 3 de junho em Curitiba, no Master Hall. O pai do rock horror show desembarca em terras tupiniquins com a turnê “No More Mr. Nice Guy – The Original Evil Returns”.

As apresentações prometem ser históricas. Além das performances diabólicas já características da Tia Alice, como é carinhosamente chamado pelos fãs, o guitarrista Steve Hunter (que tocou nos álbuns de 73, 75 e 76) estará de volta aos palcos.

O senhor de 63 anos Vincent Damon Furnier, que em meados dos anos 70 adotou para si o nome de Alice Cooper, é uma lenda viva do rock. Ele sobe aos palcos desde 1964 e trouxe para o mundo da música o teatro, os temas de horror, efeitos e maquiagem, criando um estilo único, que influenciou várias bandas como Marilin Mason, Robie Zombie e King Diamond.

O guitarrista Slash, parceria de Cooper na música “Vengeance Is Mine”, declarou que “Alice foi o primeiro de todos a casar o rock ‘n’roll com a teatralidade dramática e o horror. Por 40 anos ele fez discos fantásticos e performances ao vivo igualmente fantásticas. E ainda nos dias de hoje ele é o melhor de sua linhagem. Muito imitado, mas nunca duplicado”.

Consta que o primeiro megashow de rock internacional no Brasil foi protagonizado pela Titia e superou as expectativas de público. Alice declarou na época: “De todos os shows que fizemos aquele (no Anhembi/SP)  foi o mais bizarro. Tinha muita gente e faziam mais barulho que nós, nem conseguíamos ouvir o que estávamos tocando. Colocaram 120 mil pessoas lá dentro”. Mas pelo visto ele gostou, ou se acostumou, com o “calor” da plateia brasileira, porque será a quarta vinda para o Brasil.

Tia Alice está nos palcos desde os anos 60 (Foto: divulgação)

O baterista Edson Rosa conta que quase foi nesse show histórico de 1974. “Na época tinha 14 anos e já curtia meus primeiros rocks, principalmente Alice Cooper, Grand Funk Railroad, Deep Purple e Led Zeppelin. Vivíamos sob a repressão da ditadura militar. Fui praticamente proibido por minha mãe, preocupada com a cobertura alarmista das rádios e TVs alertando os pais sobre os riscos do evento. E, de fato, houve realmente muita confusão e várias pessoas pisoteadas, feridas e que desmaiaram em meio à multidão que afluiu para o Anhembi, que teve um público muito maior do que o previsto e que não tinha infraestrutura e segurança adequada para um evento desse porte. Acabei ficando em casa, mas meu irmão de som Nivaldo foi ao show e depois me contou todos os detalhes, inclusive a abertura do show feita pelo Som Nosso de Cada Dia”.

O legado de Cooper embalou e embala diversas gerações. Clássicos como “Poison”, “Vengeance Is Mine”, “Hey Stoopid” e “School’s Out” estão vivos na memória e playlists dos fãs. E uma das provas disso foi a recente entrada dele, em 14 de março de 2011, ao lado de Tom Waits, Leon Russel, Darlene Love e Dr. John para o “Rock And Roll Hall Of Fame”.

O professor de História Carlos Botto, 25 anos, ficou entusiasmado com a confirmação dos shows: “Alice Cooper no Brasil?! Uma das melhores notícias da semana. Apesar do nosso país receber grandes shows esse ano. Penso que o show da Tia Alice é um dos que você deveria anotar na agenda! Na estrada desde os anos 60, com várias passagens pelo Brasil, incluindo uma lendária em 1974, os shows teatrais são saboreados de muita energia e grandes clássicos como “School’s Out” e “Billion Dollar Babies”, “I’m Eighteen” entre outros que não costumam faltar! E agora são 3 oportunidades para ver a Tia mais velha do rock and roll. Go away bad mother fucker”.

Os ingressos estarão à venda a partir do dia 4 de abril. Os preços ainda não foram divulgados.

Novo álbum

Capa do primeiro álbum solo de Alice Cooper (Foto: divulgação)

Em fevereiro, no seu programa de rádio, o “Nights with Alice Cooper”, a Tia mais velha do rock anunciou que terminaram as gravações do seu novo trabalho, o “Welcome 2 my nightmare”.

O álbum será a continuação do disco de estreia da carreira solo de Cooper, o “Welcome to my nightmare”, de 1975. Assim como o primeiro, esse também será produzido por Bob Ezrin.

O fã Marcus Schulten manifestou-se: “estou curioso para ouvir, depois de tantos anos, esse encontro com Ezrin e os membros da banda original”.

Serão 13 faixas e o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2011.