Archive for the ‘Entrevista’ Category

Bruna Molena@moleeena / Carol Govari Nunes@carolgnunes / Josefina Toniolo@jositoniolo

Sandro Viera em frente a seu estúdio, onde funcionava a antiga rádio Luz e Alegria (Foto: Bruna Molena)

Até que a música chegue a nossos ouvidos, ela passa por um processo de criação e produção que envolve inúmeros profissionais. Uma parte deles nós conhecemos muito bem: a que sobe nos palcos e dá cara à música. Porém existem muitos outros que trabalham com a música antes que ela chegue até nós, na produção e gravação, por exemplo. Um destes profissionais é o erechinense Sandro Vieira, 38 anos e residente em Frederico Westphalen. A equipe do The Backstage foi até seu estúdio conhecê-lo e conversar sobre seu trabalho.

– Na verdade eu comecei com um home studio, de brincadeira. Eu comprei minha primeira placa de som, há uns 10, 12 anos e comecei fazer alguns experimentos. Mas com o passar do tempo fui percebendo que estava gostando daquilo e que tinha mercado, então fui ampliando, evoluindo e percebi que precisava de um espaço maior e equipamentos melhores, pois a demanda pedia por isso – foi assim que Sandro Vieira começou o relato sobre o Conexão Studios, estúdio que ele montou e onde faz boa parte do trabalho sozinho.

Sandro contou que a ideia de montar um estúdio começou quando a banda Conexão Brazil foi formada: eles queriam gravar o que tocavam. Nos anos 90, não havia tanta facilidade de acesso a estúdios e gravadoras como hoje em dia, portanto o jeito era ir gravar em outras cidades. O primeiro disco da banda foi gravado em Porto Alegre no ano de 1994. No segundo disco, em 1998, o pulo foi maior: os integrantes da Conexão Brazil foram para o Rio de Janeiro gravar no Estúdio da banda Roupa Nova. Sandro comentou sobre a importância do Roupa Nova na música brasileira – eles não apenas tocam músicas, mas também produzem, masterizam seus próprios discos, mantendo uma relação de shows, estrada, estúdio, produção e gravação. Depois dessa experiência de conhecer estúdios maiores, Sandro voltou para Frederico Westphalen com a ideia fixa de montar um estúdio para que pudesse viver disso.

Os integrantes da banda Conexão Brazil, que deu início a tudo (Foto: divulgação)

– Foi em 2001, quando voltei a morar em Frederico Westphalen, que eu montei o estúdio e fui ganhando reconhecimento, já que aqui na região não há muitas pessoas que trabalhem com jingles, spots, então comecei a trabalhar principalmente com essa questão publicitária e foi aí que começou a fluir. Eu comecei oferecendo jingles para conhecidos que tinham lojas. De lá para cá, foi uma evolução muito grande porque você precisa estar sempre se atualizando – comentou o músico, que além de produzir jingles, spots, esperas telefônicas e hinos, também cria as letras, melodias, grava e finaliza os produtos que serão comercializados.

De 2001 até hoje houveram muitas mudanças no Conexão Studios: Sandro começou com o estúdio em casa, depois foi para uma sala pequena em uma rua do centro de Frederico Westphalen e,  quando percebeu que a demanda estava aumentando, se mudou para onde está há 4 anos, onde funcionava a rádio frederiquense Luz e Alegria.  A produção do estúdio pode ser dividida em duas fases: antes de instalá-lo na antiga rádio e depois. Lá as salas já estavam pré-definidas (por uma questão lógica do funcionamento da rádio) e assim ele conseguiu se organizar de fato, montando firma e todas as legalidades necessárias.

“Uma vez que você vive disso, não dá para escolher quem vai ou não gravar no seu estúdio, ter preferências musicais. Você se dedica de modo geral para qualquer produção e público”

Sobre a produção de jingles, Sandro comenta que tem clientes em Frederico Westphalen e região, Porto Alegre, Mato Grosso e Recife, mas foi só recentemente que o mercado publicitário se expandiu, até pouco tempo atrás o estúdio sobrevivia basicamente das produções feitas para o município. Para compô-los, o músico conta que cada processo é isolado, pois cada cliente teu seu perfil. Ainda diz que a produção depende muito do seu estado de espírito, que o mais complicado é a ideia inicial: “depois que tiver os acordes, só vai. Uns você entrega no dia seguinte, outros demoram 15 dias. Eu monto primeiro a letra – raramente vem primeiro a melodia – e faço praticamente tudo sozinho. Gravo baixo eletrônico, bateria eletrônica. É difícil chamar uma galera para fazer  isso, até porque envolveria mais gastos, então eu acabo chamando só quando tenho vários para entregar em um período curto”.

Quanto à parte fonográfica, o músico nos conta que há uma grande diferença entre tocar ao vivo e no estúdio: uma palhetada errada na guitarra, por exemplo, fica muito perceptível quando é captada dentro de um estúdio. Tanto é que muitas bandas só chegam no estúdio depois que já está tudo pronto, apenas para gravar as vozes, tornando tudo mais prático para todos os envolvidos – os próprios músicos do estúdio gravam com os instrumentos e dessa maneira não precisam ficar orientando bandas que na maioria das vezes não estão acostumadas com o ambiente profissional.

A banda frederiquense Datavenia durante gravação de sua música de trabalho (Foto: arquivo pessoal)

Como em qualquer outro ramo, a sobrevivência de uma gravadora também depende de dinheiro, e este é um dos pontos mais complicados para quem trabalha com música. Hoje em dia as pessoas acabam gravando músicas em seus próprios computadores, não prezando pela qualidade, o que dificulta a vida de quem tem estrutura para desenvolver este trabalho, como Sandro. Já as bandas que querem um trabalho mais qualificado ganham em qualidade e proteção à sua música, pois todos os discos gravados são documentados, possuem código de barra e tudo que é preciso para que o músico não tenha problemas com plágio.

Em relação à produção fonográfica no Conexão Studios, Sandro finaliza dizendo que a circulação de músicos no estúdio é muito diversificada: ele já gravou discos de bandas evangélicas, gauchescas, duplas sertanejas e de rock’n’roll. Porém frisa que o pessoal do rock é o que menos aparece no estúdio, pois geralmente são rapazes novos, que não possuem muito dinheiro para investir.

– Uma vez que você vive disso, não dá pra escolher quem vai ou não gravar no seu estúdio, ter preferências musicais. Você se dedica de modo geral pra qualquer produção e público. O mais complexo é que é tudo muito diferente. Aí então você precisa ter muito discernimento na hora de finalizar o trabalho.

Fliperama: um resgate da década de 80

“Hoje eu estou conseguindo botar em prática uma coisa que eu sempre tive o sonho, sempre tive o desejo de fazer.” É assim que Sandro começa contar ao The Backstage como surgiu sua banda Fliperama. Apaixonado pelos anos 80, queria montar uma banda que fizesse um tributo a essa época. Junto com seu filho Moises na bateria, Mathiel nos teclados, Lelo no baixo e Alemão na guitarra conseguiu colocar em prática mais esse plano.  Dos componentes da banda, Sandro é o único que realmente viveu os anos 80, mas garante que todos são grandes apreciadores da época: “hoje não existe roqueiro, por mais novo que seja, que não conheça isso”.

A banda promete reviver uma das décadas mais marcantes para o rock, principalmente o nacional (Foto: divulgação)

Com sucessos oitentistas como: Van Halen, Bon Jovi, Europe, Dire Straits, Barão Vermelho, Titãs, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana, a banda promete não deixar ninguém parado. Os mais novos irão aprender a gostar e os mais velhos matarão as saudades. Por enquanto, o set list será apenas de covers, pois, segundo Sandro, no Brasil há mercado para esse tipo de som, já para composições próprias o negócio é mais competitivo. Ele não descartou a possibilidade de, no futuro, gravarem músicas com a Fliperama, mas acredita que agora não é o momento.

O show de estreia da banda Fliperama será dia 23 de abril, na Green Lounge e no dia 5 de maio eles irão tocar no Mendonças Bar e Pizzaria no lançamento do projeto Quinta Retrô. Toda primeira quinta-feira do mês a banda sobe no palco com um set list totalmente voltado para os anos 80.

– O pessoal achou a questão da quinta-feira interessante, assim o pessoal da faculdade poderá participar. Vai ser uma coisa bem light. A ideia é a banda subir no palco às 22h30min e o show ter em torno de uma hora e meia. Depois disso, mais uma hora e meia com o DJ, também com o repertório voltado para os anos 80 – comenta Sandro.

O tradicional Baile dos Anos 60 foi o que inspirou Sandro e os demais organizadores do projeto a investirem nessa ideia, que busca resgatar uma década tão importante para o cenário do rock, principalmente para o brasileiro.

Quando perguntado sobre como administra seu tempo entre a banda Conexão Brazil e a novíssima Fliperama, ele afirmou: “É legal porque dá pra eu ir mesclando as duas coisas, nas pausas da Conexão Brazil a gente vai fazendo shows com a Fliperama. A ideia é basicamente essa, vamos ver o que acontece”. As pausas a que Sandro se refere são os momentos no ano em que menos eventos acontecem como, por exemplo, bailes de formaturas.

O músico e produtor Sandro Vieira com seus instrumentos de trabalhos: teclado, computador e aparelhagem sonora (Foto: Carol Govari Nunes)

Ainda nessa relação entre as duas bandas, o músico fala que há uma grande diferença entre os tipos de público que assistem aos shows e compara seu trabalho em bailes ao de um garçom: “Lá vai ter o roqueiro, o cara que gosta de sertanejo, vai ter quem goste de dançar música gaudéria, vai ter aquele que não gosta de nada que está lá só para encher o saco e o ‘garçom musical’ que tem que dar conta de tudo isso”. Já com a Fliperama, ele acredita que será diferente, pois as pessoas vão para o local com uma ideia do que irão ouvir, então a postura do público é outra, possibilitando maior liberdade para os músicos.

No final da conversa com o The Backstage, Sandro, em algumas palavras, deixou claro o motivo de seu trabalho dar certo ao longo desses anos:

“É desgastante, mas é nosso ofício. Só sei fazer música, vivo da música, criei dois filhos só da música. Claro que tem os pontos positivos e os negativos, mas acho que lá no ‘fritar das batatinhas’ a gente é apaixonado pelo que faz, acima de qualquer coisa. Quem faz o que gosta está de férias, não é tanto assim, mas é melhor se esforçar um pouco fazendo o que você gosta do que em algo que você não se identifica.”

Com certeza o segredo dos bons resultados é a dedicação que fica evidente nesse último trecho da nossa conversa e que sintetiza toda nossa entrevista. Se você gosta dos anos 80, ou apenas aprecia boa música e quer conhecer o trabalho da Fliperama, fica ligado na agenda dos caras. O convite está feito em nome da banda e do The Backstage.

Natalia Nissen@_natiiiii

O vocalista da A&V durante show em Frederico Westphalen (Foto: Bruna Molena)

A banda Acústicos & Valvulados retorna a Frederico Westphalen neste sábado, 09 de abril, apresentando seu novo disco, o “Grande Presença”. No ano passado eles fizeram um show que foi considerado “o melhor de 2010”, e por isso estão de volta. Diego Lopes, o baixista da banda, respondeu à entrevista feita pelo The Backstage e você confere os detalhes nesta reportagem.

Muitas bandas consagradas passaram por aqui no ano passado, e ser considerada a melhor do ano tem seu valor. O Diego nos contou que esse “título” faz valer a viagem até aqui, e a expectativa pela animação do público é grande. Isso dá mais ânimo para a banda vir e fazer um grande espetáculo para animar a plateia.

Luana Caron, 22 anos, comprou o ingresso para ir ao show no ano passado, mas de última hora imprevistos aconteceram e ela não pôde ir. Ela ainda ressalta que a iniciativa dos promotores de eventos em trazer grandes espetáculos para a região é muito motivante e espera que continuem assim.

– Espero me divertir muito no sábado, vai ser a primeira vez que vou ao show deles e tenho certeza que o A&V não irá decepcionar o público. Uma ótima vibe para todos! – Conclui a estudante.

O “Grande Presença” transmite a essência do rock’n’roll ao longo das 11 músicas que o compõem. No ano passado, quando a A&V fez um show em Frederico, no dia 09 de julho, já deu pra ter noção do que estava por vir.  Neste sábado os fãs vão conferir uma apresentação com músicas do novo CD e os clássicos que fazem parte da história de 20 anos da banda. E, ainda, pode acontecer algumas homenagens, como em 2010, quando a banda tocou músicas de outros artistas.

Unir rock’n’roll aos sons de instrumentos como piano e gaita é uma ousadia da A&V que dá certo. Perguntamos ao Diego se isso é de caso pensado e ele respondeu que faz parte de um processo natural, “apesar de todos nós curtirmos coisas diferentes, é no rock´n´roll que a gente se encontra, pois é onde todos começamos. Por mais loucuramas que a gente faça, no fim das contas acabamos sempre voltando ao rock”.

O “Carrossel Valvulado”. Como somos seis integrantes e quase todos tem seus respectivos trabalhos solo, às vezes algumas datas dão problema. Assim, já teve show de quinteto, quarteto e se precisar, acho que rola até de trio. Dupla acho que rola também, mas não sei se sai um sertanejo universitário, tá mais pra sertanejo presidiário.

Alexandre Móica - integrante da Acústicos & Valvulados (Foto: Natalia Nissen)

Acústicos & Valvulados já lançou discos com selos de importantes gravadoras, mas optou por retornar ao cenário da música independente, assim fica mais fácil conciliar os compromissos da banda com os projetos paralelos e, ainda, evita a burocracia envolvida com trabalhos associados às gravadoras. A banda criou a produtora “Mico & Jegue Falc.”, responsável pelos projetos da A&V. O nome é inspirado no Mick Jagger – vocalista dos Rolling Stones – que também cuida de tudo que envolve o grupo. O baixista só disse que não pode nos contar quem seria o “mico” e o “jegue” da história, então fica o mistério.

Para 2011 a banda está programando o lançamento do “Grande Presença” em vinil, a promoção do clipe “Agora”, um show de comemoração aos 20 anos de carreira, uma turnê em Minas Gerais, além de “dominar o mundo… e outros projetos mirabolantes” finalizou Diego.

O show da Acústicos & Valvulados acontece neste sábado, a partir das 23 horas, na Green Lounge. Os ingressos podem ser adquiridos com os promoters Green, ou nos pontos de venda.

Bruna Molena – @moleeena

Se essa semana alguém me procurar / E eu não estiver e eu não voltar / Eu fui viajar, fui pra Guarulhos / Em uma turnê com ônibus leito / E duas tv, carro importado / Hotel cinco estrelas, fiz por merecer / Cem toalhas brancas e dez pau de cachêTurnê para Guarulhos – Vera Loca (Mumu/Hernán González)

Elenco do filme Quase Famosos (Foto: divulgação)

Como vocês já devem saber, a proposta deste blog é falar sobre o universo da música, desde quem a faz até quem a escuta. Porém, entre estas duas pontas, existe o processo de produção, no qual há muita gente envolvida que acaba não sendo conhecida, fica só no backstage, entre eles: produtores, roadies e jornalistas, que muitas vezes são também fãs realizando o sonho de conhecer seus ídolos.  São esses profissionais que fazem o que podem para realizar, da melhor maneira possível, o momento único entre banda e fãs: o show.  Só quem faz, vê ou está por trás de um show sabe qual é a emoção que ele transmite e, para conhecermos um pouco mais sobre a vida nos bastidores, ao longo desta matéria conversamos com músico e empresário Eigon Pirolo, que nos conta sobre sua experiência atrás dos palcos, na organização e direção de shows.

Pois quem nunca teve vontade de largar tudo e todos e se agregar a uma banda, saindo mundo afora em uma turnê? Esquecer do mundo real, só viver a base de rock’n’roll e tudo que ele lhe permite? Pode ser a trabalho ou só tietando mesmo… são infinitas as oportunidades de realizar o sonho de conhecer de perto e acompanhar os ídolos. O longa-metragem “Quase Famosos” (Almost Famous), situado na década de 70 e inspirado na vida do diretor Cameron Crowe, conta a história de um garoto de 15 anos, aspirante a jornalista e apaixonado por rock, que é convidado pela Rolling Stone para acompanhar a turnê de uma de suas bandas favoritas. O trabalho, que mais parecia diversão, acaba se complicando quando ele se envolve emocionalmente com a banda (e especialmente com uma de suas “groupies”) e ameaça deixar de lado sua esperada imparcialidade jornalística.

Falando nelas, quem melhor do que as groupies para representar o sonho de viver ao lado de sua banda favorita? Traduzindo a grosso modo, as Marias-guitarra (ou baqueta, microfone e demais instrumentos) são fãs incondicionais que acompanham sua banda favorita onde quer que seja. Em Quase Famosos, Penny Lane, uma das personagens principais, não se define como groupie, pois estas só se interessam pelos homens, não pela música. Ela é uma “band-aid”, em suas palavras:  “nós estamos aqui pela música. Nós inspiramos a música”.

Não importa qual for a definição, muitas garotas e garotos, de diversas gerações, já desejaram viver somente em função da música e de seus ídolos. Mas e quando o desejo de fã se transforma em profissão? O curitibano Eigon Pirolo é um dos que trabalham e vivem em função da música. Desde pequeno já preferia Raul Seixas à Xuxa e acredita que o rock foi simplesmente o caminho natural que sua vida tinha que seguir. Começou em uma banda punk local chamada ORCS, com a qual tocou em alguns festivais no Rio e em São Paulo, mas a coisa ficou séria quando entrou para a We Are Just, em 2003.

O músico e empresário Eigon Pirolo, nos bastidores de um show produzido por sua empresa (Foto: arquivo pessoal)

“Fizemos duas tours de médio porte e a vontade de viver do rock enraizou totalmente. Acredite, se você tem a oportunidade de fazer um tour com banda nunca mais nenhum trabalho vai ser interessante na sua vida, cada dia uma cidade diferente, conhecendo pessoas novas e vivenciando experiências intensas, não tem igual”.

Porém, como nem só de rock vive o homem, o guitarrista, que já não ganhava muito como tal, resolveu fazer um curso básico de áudio profissional e a partir desse momento decidiu trabalhar na área técnica. Em 2009 ele fundou a Eigon Rock Backline Rentals, uma empresa especializada em locação de backline (amplificadores de guitarra, baixo e bateria). O cara continua fazendo música, só que por detrás dos palcos agora, e já trabalhou com grandes nomes do rock, como Bad Religion, Nazareth, Goldfinger e Millecolin. O The Backstage conversou com ele sobre como é trabalhar com e viver o rock’n’roll, o espaço que o gênero tem em Curitiba e algumas peculiaridades de sua profissão:

The Backstage: Da onde surgiu a idéia de entrar no ramo dos “serviços prestados à música”? Não é qualquer um que de um dia para o outro acorda com vontade de ter empresa de locação de backline para shows e serviços de roadie…

Eigon Pirolo: Em 2004, trabalhando somente como guitarrista não estava dando conta de suprir as necessidades básicas então resolvi iniciar meus estudos em áudio profissional fazendo um curso básico de 40 horas. A partir desse momento eu decidi trabalhar na área técnica, foi um processo longo e muito exaustivo, lembro de ficar uns três anos

Logomarca - Eigon Rock Backline Rentals

ganhando R$ 50,00 por show mas sabia que era um período necessário. Eu exerço a função de guitartech (técnico de guitarra) e basstech (técnico de baixo). Vivenciando essa rotina de shows e tendo que trabalhar muitas vezes com equipamentos sucateados surgiu a idéia de montar uma empresa especializada em locação de backline (amplificadores de guitarra, baixo e bateria) com a preocupação e zelo que só um músico teria. Com essa “missão” em mente, em 2009 fundei a Eigon Rock Backline Rentals, desde então já atendi as seguintes bandas: A Wilhelm Scream (USA), Anti-Flag (USA), Bad Religion (USA), Death Angel (USA), Eluveitie (CH), Nazareth (UK), Epica (NL), Fish Bone (USA), Goldfinger (USA), Millencolin (SE), No Fun At All (SE), Pennywise (USA), Petra (USA), Real Big Fish (USA), This Is A Standoff (CAN), Marcelo D2, Raimundos e Seu Jorge.

TB: E trabalhar ali, do lado de grandes bandas como Nazareth, Bad Religion, Goldfinger, acompanhar os shows praticamente em cima do palco, como é? O profissionalismo comanda ou o lado fã pode ter um espaçozinho?

EP: A emoção é grande, eu particularmente disfarço muito bem (risos), mas realmente é emocionante ver as bandas que eu cresci escutando ali na minha frente e ainda contando comigo desempenhando uma função técnica.  O lado fã nessa hora é o combustível para me esforçar em fazer o melhor trabalho possível com a banda, respeitando a sua história e ciente que ela um dia foi importante para minha formação musical e pessoal.

TB: Morando em uma capital dita tão alternativa como Curitiba, o espaço do rock é bem garantido, vendo a situação como músico?

EP: Garantido financeiramente não é! Existem muitos lugares para tocar rock’n’roll, a cidade é inspiradora e as pessoas são antenadas em som alternativo, se você procura uma cidade que respira rock alternativo é aqui em Curitiba. Em respeito ao mercado, acredito que o Brasil esteja vivendo um período negro, tem pouco rock de qualidade na mídia, tem muita banda sendo lançada com prazo de validade vencido que são literalmente enfiadas goela abaixo no consumidor. A única válvula de escape continua sendo a internet, se você se dispuser a ficar uma hora por dia na frente do PC procurando bandas novas vai acabar encontrando muita coisa legal. Ah, vale como terapia também!

Eigon faz os ajustes finais antes do show da Leeloo (Foto: Vitor Augusto)

TB: As groupies são comentadas na matéria também como pessoas que vivem em função da música, pois estão sempre atrás de seus ídolos. Mas aí tu, trabalhando como profissional junto com a banda, o que pensa sobre elas? Elas chegam a atrapalhar na organização do show, causar muito fuzuê e irritar a direção de palco?

EP: ELAS SEMPRE ATRAPALHAM E MUITO!!  Já aconteceram “n” situações de groupies fazendo de tudo para ter acesso aos músicos. Em SP uma vez na saída do show todos já estavam dentro da van para seguir viagem quando três meninas abriram a porta, pularam literalmente dentro da van, escolheram os músicos preferidos e trocaram beijos calorosos por uns cinco minutos sem desgrudar, após o beijo deram tchau e na mesma velocidade que chegaram foram embora, todo mundo ficou pasmo, inclusive os músicos, foi o tema da conversa a viagem toda é claro. Em Curitiba no show de um rapper famoso eu estava na saída do palco orientando o carregamento do backline no caminhão quando duas meninas perguntaram se eu podia liberar elas para entrar no camarim do músico, eu disse que não tinha como fazer isso, estava trabalhando e também não tinha esse tipo de poder (roadie sempre tem esse poder, mas a gente diz que não para não ficarem atormentando). Quando comuniquei que não podia fazer isso ela ficou revoltada dizendo que há pouco tinha deixado um segurança ficar passando a mão nela por 20 minutos e em troca ele a levaria no camarim, mas ele tinha sumido sem dar explicação. Eu tive um mega ataque de riso quando ela me contou isso! Coisas do rock…

E a empreitada tem dado certo! No próximo mês a empresa do Eigon vai trabalhar nos shows de duas lendas do rock: Slash e Motörhead, ambos em Curitiba. Quando o questionei sobre como ele lidará com a emoção na hora, ele não poderia ter sido mais profissional:

“Acho que é a mesma coisa que fotografar mulheres nuas, é uma delícia, mas você não esta ali para desfrutar, tem que se concentrar no trabalho e procurar a excelência, mesmo sendo difícil”.

No site dele você tem acesso a todas informações referentes a seus serviços, vê fotos de shows e alguns vídeos sobre seu trabalho, como esse aqui, que mostra a ralação dos bastidores do show do Pennywise em Curitiba:

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A banda carioca Canastra apresenta em seus discos e shows uma mistura de surf music, rock, rockabilly, samba, jazz e MPB – uma mistura inusitada que vem dando certo desde 2004, ano em que a banda foi formada. Com dois discos lançados (“Traz a Pessoa Amada Em Três Dias” – 2004 e “Chega de Falsas Promessas” – 2007), o sexteto composto por Renato Martins – voz e guitarra; Rodrigo Barba – bateria; Eduardo Vilamaior – baixo acústico e voz; Fernando Oliveira – guitarra e trompete; Daniel Vasques- saxofone; Marco Serra Grande – trombone, encerrou há algumas semanas uma turnê pelo Nordeste brasileiro, mais precisamente Salvador, Camaçari, Vitória da Conquista, Natal, João Pessoa e Campina Grande.

A banda Canastra prepara novo disco para 2011 (Foto: João Gabriel Salomão)

Por e-mail, Daniel Vasques, saxofonista, me contou como foi tocar no Nordeste, além de falar sobre o cenário musical independente do Rio de Janeiro e os shows que fizeram no Rio Grande do Sul.

Confira, abaixo, nossa conversa:

The Backstage – Como foi a recepção do público em locais que vocês não tinham tocado antes?

Daniel Vasques – Muita gente conhecia as músicas e isso foi bem impressionante. Mas quem não conhecia gostou muito. Foi ótima a recepção do público em todos os lugares, vindo parabenizar depois dos shows e dançando durante.

TB – Como foi tocar com as bandas Camarones Orquestra Guitarristica, Vendo 147 e Maglore?

DV – A Camarones a gente já conhecia da Feira da Música de Fortaleza ano passado. É sempre bom tocar com eles. O som deles é excelente, de um peso maravilhoso. A Maglore e Vendo 147 a gente conheceu em Salvador e adoramos os sons. O clima das canções da Maglore é muito interessante, e a formação e a ideia musical da Vendo 147 são inusitadas e muito boas.

Canastra em Vitória da Conquista (Foto: divulgação)

TB – Foram quantos dias fora de casa, rodando e fazendo shows?

DV – 13 dias fora de casa o que, normalmente, já é bastante cansativo. E dessa vez não foi diferente. Por sorte, fomos muito bem recebidos onde chegávamos, e isso facilitou a viagem.

TB – Como está o cenário de bandas independentes no Rio de Janeiro?

DV – Do jeito que a gente tem viajado no ano passado, e enfurnados em estúdio como estamos esse ano pra gravar o terceiro disco, é difícil dar muita atenção ao cenário independente do Rio. Eventualmente a gente esbarra com uns amigos de casa na estrada e é sempre muito divertido.

TB – Falando em bandas e músicas independentes, a internet tem sido o melhor meio de divulgação, atualmente. Como vocês utilizam essa ferramenta? Vi que agora o Twitter e Facebook estão linkados… O que aparece em um, aparece no outro…

DV – Foi difícil fazer a operação de linkar o twitter com o facebook porque o QI de internet da banda é bem baixo. Mas finalmente conseguimos. A internet é o maior e mais eficiente meio de divulgação de qualquer coisa. Bandas, trabalhos executivos, produções artísticas. A melhor forma de se exibir é através da internet. A gente ainda está engatinhando nesse processo, mas estamos correndo atrás porque sem internet, hoje em dia, não se consegue muito.

Canastra em jogo que deu nome à banda (Foto: divulgação)

TB – Soube que vocês estão gravando disco novo. Pode nos adiantar alguma coisa? Tem previsão para lançamento?

DV – Estamos tocando algumas músicas do disco novo já em shows. No nordeste fizemos sempre “Ensimesmado”, que é uma das músicas que mais faz sucesso, antes mesmo do lançamento do disco. A previsão de lançamento é para o segundo semestre desse ano. O disco, por enquanto, só tem um mote: “Confie em Mim”.

TB – Já tocaram no Rio Grande do Sul? Alguma possibilidade de turnê passar por aqui em 2011?

DV – Tocamos no Rio Grande do Sul em 2009. POA e Santa Maria. Viagem longa… Muitas horas de ônibus… Mas adoramos e, claro, temos muita vontade de voltar para lançar o disco novo aí. Estamos na torcida e na batalha pra isso acontecer.

Canastra no MySpace

Natalia Nissen @_natiiiii

O Tierramystica – integrado por Gui Antonioli, Alexandre Tellini, Fabiano Müller, Rafael Martinelli, Luciano Thumé, Duca Gomes, e Ricardo (Chileno) Durán – se apresenta neste sábado, 19, no Opus 10 Hall Pub em Frederico Westphalen. O grupo de folk metal formado em 2008 já é destaque nacional no gênero e dividiu o palco de shows com diversos artistas importantes do metal, como Paul Di’Anno (aqui mesmo em FW), Scorpions, Angra, Epica, entre outros. O vocalista Ricardo (Chileno) Durán respondeu uma entrevista exclusiva para o The Backstage e você confere a seguir.

The Backstage – O Tierramystica já dividiu o palco com Paul Di’Anno, Scorpions, Angra, e há alguns dias com a cantora Tarja Turunen. O grupo formou-se em 2008 e já alcançou um reconhecimento considerável; como vocês lidam com isso, já era esperado ou foi algo que aconteceu de repente?

O folk metal do Tierramystica em Frederico Westphalen (Foto: divulgação)

Ricardo – Bem, desde o início da formação da banda tentamos ter o máximo de cuidado com a nossa programação, estratégia, etc. Sabemos que isso faz muita diferença, pois queremos fazer um trabalho sólido e bem estruturado tanto em termos musicais quanto em termos de carreira. Então, é de certa forma esperado alcançar esses resultados, pois afinal estamos lutando pra isso! (Risos). E isso vem acontecendo naturalmente, claro que junto a muito trabalho! Ou seja, estamos fazendo a nossa parte. Lidamos com isso na boa, pois fazem parte das nossas metas: levar o Tierramystica junto à nomes de grande peso, e é claro que isso nos deixa muito felizes e satisfeitos!

TB – Como surgiram as oportunidades de tocar com esses artistas?

R – Bem, creio que as oportunidades surgem quando se está pronto para apostar, ousar e quando já se têm uma certa vivência no meio. No caso do Tierramystica, como acabou sendo a continuidade de um trabalho que eu (Ricardo Chileno) e o Fabiano (Muller, guitarra) já havíamos iniciado há quase dez anos atrás, não éramos de todo desconhecidos dos produtores que trazem os grandes grupos para o Brasil e dos fomentadores que realizam os festivais e etc. enfim daqueles que criam e dão espaço para as bandas mostrarem seu trabalho, então já tínhamos diversas parcerias “engatilhadas”, assim, de certa forma o Tierramystica não começou totalmente do “zero” e muitos já esperavam e nos cobravam a continuidade dessa mistura tão fascinante que é a da música latina/andina com o som pesado!

TB – Vocês curtem várias bandas, do rock clássico ao heavy metal, quais delas mais influenciam a música do Tierramystica?

R – Hmm, na realidade cada componente – e olha que são sete! – traz a sua bagagem de influências para o grupo. Eu, por exemplo, trabalho também com música clássica/erudita na OSPA, o Alexandre e o Fabiano, por serem professores, lidam com muita informação musical diferenciada devido aos seus alunos, o Gui também tem outros trabalhos diferenciados assim como o Duca; o Luciano é o que mais tem a ver com a tecnologia da música, o Rafa é bem eclético; enfim todos temos em comum essa paixão pelo som pesado. É claro que as bandas clássicas do rock são as que mais nos influenciam, desde Beatles até Rush ou Iron Maiden só pra citar alguns exemplos, pois se eu fosse para pra citar, certamente ficaria faltando alguma!

TB – Os integrantes já tinham uma bagagem musical relacionada aos sons latinos? Por isso incorporaram instrumentos tão diferentes daqueles que estamos acostumados a ouvir em outras bandas?

R – Creio que os mais “familiarizados” éramos eu e o Fabiano, devido justamente ao projeto anterior que tínhamos, onde esse “caldeirão” de influências andinas, com esse instrumentos todos – charango, ocarina, zampoñas, quenas, toyos e etc. – teve a sua primeira oportunidade de acontecer. Fiquei muito surpreso uma vez ao consultar a Wikipédia e perceber que o estilo “andean metal” tinha como representante o Tierramystica! He He, mesmo não dando muita importância a rótulos, certamente é muito gratificante ver algo que você criou na vanguarda. Quando formado o Tierramystica, todos os integrantes acabaram por aderir definitivamente a esse tipo de sonoridade, já que essa é a proposta principal do grupo.

TB – O grupo dividiu o palco com a Datavenia  no festival Na Mira do Rock em 2009; vocês acompanham o trabalho deles? Eles estarão na plateia do show no próximo sábado.

R – Muito legal! É sempre bom encontrar o pessoal com o qual a gente divide a experiência de tocar, seja num festival, numa abertura de show, nos backstages de algum outro de show e etc. Sempre procuramos acompanhar as bandas com as quais já compartilhamos algum momento da nossa carreira, e posso dizer que a música Devil´s Game está muito boa!!!

TB – E o que o público de Frederico Westphalen pode esperar desta apresentação?

R – Com certeza podem esperar uma apresentação com muita paixão, pois o que mais gostamos de fazer é tocar ao vivo, com certeza! Certamente tocaremos as músicas do álbum “A New Horizon” que é o nosso CD début e que, aliás, apesar da primeira prensagem já estar esgotada, reservamos algumas cópias para o público de FW, pois sem dúvida é um dos lugares que melhor têm nos recepcionado desde o início do grupo!

O The Backstage agradece a atenção de vocês e deseja um ótimo show, e voltem sempre a Frederico Westphalen.

R – Muito obrigado! Nós é que agradecemos o apoio de vocês! Por nós, faríamos shows com muito mais frequência em FW! Gostaríamos de agradecer também aos nossos parceiros que apóiam a nossa proposta musical: Espaço Cultural Zeppelin, Loja A Place, Escola Thalentos, Loja Made In Brazil, Guitarras Walczak. Esperamos todos lá! Que Wiracocha e Inti iluminem a todos nós! E viva à América latina!

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O Tierramystica divide o palco do pub com os gaúchos do Venus Attack, a partir das 23 horas. Os ingressos estão a venda na Vitrola ou pelo telefone (55) 91363131 – com Catarina. O evento é uma promoção do Na Mira do Rock – 7 anos.