Carol Govari Nunes@carolgnunes

Na última sexta-feira, dia 3, depois de um longo jejum de músicas novas, Rita Lee nos presenteou com “Reza”, parceria sua com seu guitarrista/marido Roberto de Carvalho.

“Reza”, como a cantora explica no início do vídeo, “é reza de proteção, coisa de benzedeira, invejas, pragas, raivas” e não poderia ter surgido em melhor hora, já que dia 29 de janeiro a cantora foi detida na delegacia de Barra dos Coqueiros, Aracaju, onde fazia o último show de sua carreira no “Festival Verão Sergipe”. Confusão vai, polêmica vem e Rita Lee foi solta após prestar duas horas de esclarecimento sobre o mau comportamento (chamando a polícia de FDP e etc) durante o show – mau comportamento incitado após ver policiais agredindo parte do público. Beto Lee, no dia seguinte, escreveu no Twitter a seguinte frase: “Aqui vai a pergunta: Quando você fica perto de um policial, você se sente protegido ou aflito?”. Claro que é muito fácil todo mundo se rebelar contra a polícia e ficar ao lado da Rita Lee, mas diga aí se esse questionamento de Beto não faz sentido. Eu, por exemplo, nunca me senti protegida perto da polícia, e olha que nem sou tão mau elemento assim.

Não é para falar sobre a polícia, esse post, apesar de eu ter entrado no assunto, mas para ratificar a brilhante carreira que Rita Lee solidificou nos seus 64 anos de vida. A genialidade de sua composição, polícia queira ou não, jamais poderá ser questionada, temos aí mais de 30 álbuns incríveis para provar isso.

Se este foi realmente o último show ou não, nos resta esperar pra saber. O que fica mais que evidente é que ela é, sem dúvida alguma, uma das maiores artistas brasileiras do universo. “Reza” veio para dar um gostinho de “quero mais” e fazermos orar “por favor, Rita, fique viva por mais uns 200 anos e incomode muita gente”. Amém.

Natalia Nissen@_natiiiii

Na próxima terça-feira, 07 de fevereiro, acontece o lançamento oficial do novo álbum de Paul McCartney. “Kisses On The Bottom” é um disco doce e reúne músicas que inspiraram a dupla Lennon/McCartney nas principais composições dos Beatles. Apesar de não ser uma grande produção cheia de músicas inéditas vale ouvir e se deixar levar pela leveza das 14 canções, releituras de sucessos das décadas de 30 e 40 e  duas composições próprias.

McCartney não brinca em serviço, o álbum conta com duas inéditas “Only Our Hearts” e “My Valentine” e a participação mais que especial dos mestres Stevie Wonder e Eric Clapton. Diana Krall também participa tocando piano. No último domingo, em entrevista ao programa Fantástico, o cantor disse que o disco deve ser ouvido depois de um dia de trabalho, “esse tipo de música é daquele que você coloca quando chega em casa, senta, pega uma taça de vinho e relaxa”.

“Kisses On The Bottom” não é um disco para entrar na lista dos mais vendidos, ou com as músicas mais pedidas nas rádios. O novo álbum do ex-beatle é leve e pode fazer companhia nos momentos mais íntimos. Músicas típicas de som-ambiente de um certo supermercado que faz as propagandas mais bonitas da televisão.

Ainda na semana que vem Paul receberá uma estrela na calçada da fama em Hollywood, a estrela ficará ao lado das homenagens aos companheiros da banda The Beatles, em frente à gravadora Capitol Records. Paul McCartney promete um disco de inéditas para 2012, mas não falou mais sobre o assunto, a divulgação de “Kisses On The Bottom” é a prioridade.

Natalia Nissen@_natiiiii

A dupla que faz sucesso no exterior (Foto: Erik Weiss – divulgação)

Em dezembro de 2010 fiz minha segunda entrevista com a Canja Rave, pro The Backstage; a primeira entrevista rolou em julho de 2008 quando eu ainda estudava em Canoas e fazia uma oficina de Jornalismo Cultural na faculdade, essas duas foram feitas por e-mail. Agora volto a falar do duo formado pela Paula Nozzari e pelo Chris Kochenborger, mas dessa vez é o que eu penso sobre eles.

Quando a Paula ainda tocava na Cidadão Quem a banda foi fazer um show em Teutônia (em 2001) e visitou a loja de CDs da minha mãe. Lá pelas tantas descobri a Canja e fiquei viciada nas músicas com batida marcante e letras engraçadinhas.

O terceiro album, “Dirty Shoes, Balls & Old Songs”, será lançado em breve e algumas músicas já estão disponíveis para audição no SoundCloud (vamos aproveitar enquanto não bloqueiam o site dizendo que é pirataria!). Tem até uma participação linda do Hique Gomez tocando violino! Dessa vez as músicas são em inglês, mas não menos viciantes que as do “Da Canja à Rave” (“Ariana” é minha preferida) e “Badango” (“Johnny Canja Rave” e “Xerife de Xangri-lá” são as melhores) e a identidade da Canja continua vibrando nas canções.

Se eu tiver conseguido despertar a curiosidade de alguém é só acessar o blog, acho super interessante porque sempre tem novidade e fotos dos lugares em que a dupla se apresenta. Além da boa música é um convite de passeio pela Europa, paisagens, pubs, e tudo o que se pode imaginar em relação à música. A parte ruim disso tudo é ver como a banda (assim como tantas outras) faz sucesso lá fora e aqui são poucas as pessoas que conhecem, é uma pena o som deles não ser tão valorizado e respeitado nas terras tupiniquins quanto nos EUA e Europa.

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Natalia Nissen@_natiiiii

Difícil encontrar algum jovem que more no Rio Grande do Sul e nunca tenha escutado hits como “Detetive” e “Ejaculação Precoce”. A banda “Comunidade Nin-Jitsu” mistura elementos do rock, reggae e funk, há quase vinte anos e já abriu show até para os californianos do Red Hot Chili Peppers. Em novembro a Comunidade gravou o primeiro DVD com a participação de Chorão (Charlie Brown Jr.), Serginho Moah e Léo Henkin (Papas da Língua), entre outras figuras importantes da música.

Foto: divulgação

E engana-se quem pensa que carnaval é só axé e micareta! Entre os dias 17 e 21 de fevereiro acontece no Parque de Exposições em Frederico Westphalen a 5ª edição do “Park Folia”, a comemoração do carnaval no município. Uma das atrações da festa é a “Comunidade Nin-Jitsu” que se apresenta no dia 18 a partir da meia-noite, uma oportunidade para aqueles que já estavam quase sem esperança de ter boas atrações em Frederico aproveitarem.

A banda é diversão garantida para quem curte um som irreverente com uma presença de palco importante, também vale para relembrar os grandes sucessos. A formação atual é composta por Mano Changes (vocal), Fredi Endres (guitarra), Nando Endres (baixo) e Gibão Bertolucci (bateria).

A organização do evento afirma que não será permitida a entrada de menores de 16 anos no local mesmo que estejam acompanhados dos responsáveis. Os ingressos custam R$10 por noite (antecipados) e R$15 na hora, pessoas inscritas em blocos podem comprar um passaporte para os 4 dias de festa por R$25. A programação completa está disponível aqui.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Eles foram surgindo devagar: com um Myspace, algumas demos, um Twitter  e só em novembro lançaram o primeiro disco. “Música doce para pessoas amargas”, dizem os músicos sobre o conceito do disco. Estamos falando do Agridoce, projeto de Pitty Leone e Martin Mendezz, o qual foi criando vida na sala da casa da cantora em idos de 2009.

Influenciados por Nick Drake, Iron&Wine, Elliott Smith e tantos outros artistas, Pitty e Martin, acompanhados do produtor Rafael Ramos, do  engenheiro de som Jorge Guerreiro e do fotógrafo/cinegrafista Otavio Sousa, se isolaram na Serra da Cantareira, onde lá permaneceram durante 22 dias do mês de agosto do ano passado para produzir o disco no qual Martin abusa dos violões e Pitty se relaciona carinhosamente com o piano.

Foto: Caroline Bittencourt

Cantando quase todas as faixas do disco, Pitty entona sua voz com uma incrível doçura, mas não se engane: a aparência doce das músicas reveste letras e contextos azedos.

Para dar vida ao disco no palco eles chamaram outros dois músicos: Luciano Malásia (na percussão) e Loco Sosa (que vai soltar os samples “de tudo que não é violão, nem piano, nem percussão”, explica Martin). “O resultado é intimista, mas o sentimento é rock’n’roll. No fundo sinto a mesma coisa que quando estou tocando uma bateria, só que com um pouco mais de inteligência”, diz Loco Sosa, o cara dos samples. Malásia também comenta que “é muito legal tocar e conviver com eles, as músicas são ótimas e é sempre um desafio, estamos começando a fazer shows. Por mais que a gente ensaie nunca sabemos muito bem o que vai rolar e isso é muito estimulante”.

Um pouco do que aconteceu desde o surgimento das  músicas até o lançamento do disco você confere nessa entrevista feita por e-mail para a Revista do Opinião, agora também no The Backstage – sem edições. Enjoy the trip, porque aqui você lê a original (um pouco maior).

Carol – O Agridoce surgiu na sala de Pitty, tomou uma grande proporção e agora está aí, chamando tanta atenção quanto a banda principal. Podem nos contar um pouco sobre como foi desde o nascimento do projeto até a ideia de gravar o disco?

Martin – Quando o repertório cresceu e começamos a nos sentir mais a vontade com esse novo formato a idéia de gravar um disco e fazer shows foi se tornando cada vez mais um desafio atraente e se mostrando um desdobramento natural do projeto. Rafael acabou sendo o grande catalisador desse disco, ele acompanhou o Agridoce a distância desde o começo e sempre manifestou a intenção de se juntar a nós nessa empreitada e de fazer um registro mais cuidadoso das canções.

Pitty – Demorou bastante desde as jam sessions caseiras até o disco. Já estamos há uns dois anos nessa de compor, maturar as ideias, resolver finalmente transformar o projeto num álbum. No começo, nem sabíamos que seria um projeto e muito menos que viraria disco. A coisa foi indo, foi indo…

C – O Agridoce é fruto de encontros descompromissados entre os dois. Demorou até vocês resolverem disponibilizar “Dançando” na internet, já que inicialmente era algo muito particular, ou foi uma consequência natural?

M – Disponibilizamos “Dançando” na internet no exato momento em que ela ficou pronta. Apesar do caráter particular e pessoal não resistimos ao desejo de compartilhar aquilo que tínhamos acabado de realizar e que tinha nos empolgado tanto.

P – Não lembro exatamente quanto tempo demorou entre só tocar em casa e termos uma música de verdade, pronta. Mas lembro que se passou um certo tempo antes disso.

Foto: Otavio Sousa

C – Se isolar em uma casa no meio do mato deve ter sido uma experiência muito interessante, artisticamente e pessoalmente falando. Dá pra perceber que as músicas saíram de uma casa e foram para outra, sem horário marcado em um estúdio. Isso foi pensado para não perder o caráter intimista?

M – Totalmente. Além disso estávamos atrás da aventura de gravar num ambiente que não foi previamente preparado pra isso, o que acaba gerando ótimos desafios e resultados surpreendentes. A maneira peculiar como os instrumentos soavam lá e os ruídos naturais da casa estão presentes em todo o disco e conferem a ele muita personalidade, essas interferências eram elementos que estávamos buscando quando fomos gravar lá.

P – E a imersão total e completa na coisa, sem interferência externa, sem telefone, internet ou televisão. Só a música e criação, 24h por dia.

C – 22 músicas em 22 dias. Existia alguma rotina na casa ou vocês gravavam, dormiam e jantavam na hora em que sentissem vontade?

M – Respeitamos acima de tudo o ritmo natural do disco, tínhamos um prazo e um trabalho a concluir mas tentamos fazer tudo no seu melhor tempo. Essa prolificidade acabou sendo fruto do clima agradável criado por essa rotina.

P – E acabamos criando um fuso horário completamente particular. Café da manhã às duas da tarde, almoço às sete da noite e dormir só quando o último pedia arrego, rsrs. E gravar e tocar o tempo todo que desse vontade.

C – É perceptível que até mesmo as músicas que vocês tinham disponibilizado no Myspace acabaram tomando novos rumos, ficando mais sofisticadas. Ficar apenas entre 5 pessoas ajudou nessa composição, já que vocês não sofriam influências exteriores?

M – Sim. Realizar esse disco em parceria com Rafael Ramos foi um fator crucial pro trabalho tomar esses novos rumos. Temos uma relação muito boa com ele, tanto profissional quanto pessoal, e sabíamos que permitir essa interferência seria muito proveitoso e enriquecedor.

P – É a questão da confiança e da sincronicidade de ideias que permite essa interferência. Desde o começo sabíamos que queríamos o mínimo de gente possível, porque cada um que chega vem com uma energia a mais. E sabíamos que as energias tinham que combinar, então cada um ali foi escolhido a dedo.

Foto: Caroline Bittencourt

C – Alguma ideia sobre o que fazer com as músicas que não entraram no disco, ou ainda é cedo para pensar nisso?

M – Ao seu tempo algumas delas vão tomando seu rumo, por exemplo “La Javanaise”, versão de Serge Gainsbourg que gravamos, entrou como bônus track na venda do disco pelo iTunes.

P – “BDay” apesar de não ter entrado no disco está no repertório do show, e por aí vai. Conteúdo nunca se perde.

C – Martin é guitarrista e no seu projeto com Duda (Martin e Eduardo) apareceu como letrista e vocalista. Como é dividir as composições? Vocês dividiram também as letras, ou um chegava com a letra e o outro com a melodia?

M – Essa divisão é uma característica do projeto, já tínhamos colaborado em composições anteriormente, mas o Agridoce é baseado nessa parceria. Não temos um método para compor, geralmente alguém chega com uma idéia e vamos desenvolvendo, mas temos casos de canções que já chegaram quase prontas e outras em que fizemos tudo juntos partindo do zero.

P – Eu tenho mais costume de fazer as letras/melodias e ele as harmonias por ser mais o terreno de cada um, mesmo. No Agridoce rolaram outros processos além desse, mas ainda prevaleceu a coisa de “cada um canta sua letra”. A tendência é misturar cada vez mais, acho eu, até o ponto de ninguém mais saber quem fez o quê.

C – “Upside down”, só para exemplificar, ratifica a cumplicidade entre a dupla. A letra é natural, bonita e simples, além de uma amargura no refrão. Aquele “I don’t belong here” não vem de hoje, acredito eu. Pensando nisso e na música brasileira, parece que estamos todos em uma geração que foi perdendo a sua personalidade… Infelizmente existe a necessidade de se encaixar para ter espaço. Como vocês enxergam essa adaptação das bandas à modinha atual?

M – Acho que isso se deve a uma “preguiça” que foi inoculada no grande público pelos meios de comunicação em massa, as pessoas esperam que a mensagem venha facilmente digerível e numa embalagem familiar. Apesar dessa estética predominar ainda existem bons exemplos de artistas na contramão dessa tendência, e como tudo é tão volátil quando se fala de mercado acredito que essa mesa, mais cedo ou mais tarde, vai virar.

P – A gente não pensa nem em se encaixar nem em desencaixar. A gente gosta de fazer as coisas que a gente gosta, e depois fica torcendo para que haja um nicho pra ela em algum lugar do mundo. Eu não acredito nessas bandas ou artistas que buscam “se encaixar”. É o que você falou, não tem personalidade e fica evidente a farsa. Só engana quem não tem um pouco de senso crítico- o que, infelizmente, pode ser a maioria.

Foto: Otavio Sousa

C – Você assinam todas as músicas do disco, exceto “Say” e “Please, please, please, let me get what I want”, uma versão do The Smiths. Quem também assina “Say” é Ricardo Spencer, diretor/roteirista que já fez vários trabalhos com vocês. Como foi a composição dessa música? 

M – A música nasceu na varanda da casa de Pitty entre algumas cervejas enquanto nos preparávamos pra ir a um show. Spencer tinha a idéia de uma melodia, peguei o violão e fomos encaixando as coisas. Gravamos toscamente no celular e depois num ensaio eu e ela finalizamos o arranjo enquanto Spencer terminava a letra, foi tudo muito rápido e divertido, essa música foi um presente pra nós.

C – O videoclipe de “Dançando” já tem mais de 320 mil visualizações no Youtube, e sabemos que o Otavio Sousa registrou todo o período em que vocês ficaram na casa. Há previsão de um novo clipe por aí ou um possível DVD?

M – Ainda não sabemos o que vai se tornar o material, mas já assistimos alguns trechos e temos muita vontade de mostrar isso pras pessoas.

P – Eu acho que pode virar alguma coisa; não sei se documentário, filme ou tudo misturado. Mas tem todo o processo de gravação documentado, e acho que pode ser interessante dividir isso em algum momento.

* Nos dias 20 e 21 de abril o Agridoce tocará no Opinião. Como citado no início do texto, essa entrevista está na Revista do Opinião e você pode encontrá-la na própria casa de shows e também no Pepsi On Stage, UFRGS, PUC, ESPM, Lojas Vivo, Lancheria do Parque, Zeppelin CD’s, A Place e Casa da Traça, em Porto Alegre.