Carol Govari Nunes@carolgnunes

Eu deveria estar escrevendo uma síntese sobre a midiatização como processo interacional de referência, mas acontece que quando eu me perco, eu me perco. E agora eu me perdi com o “Out Among the Stars”, álbum póstumo do Johnny Cash. A primeira música lançada foi “She used to love me a lot”: letra incrível, melodia impecável. Simples assim. De chorar. Noto um exagero emocional todas as vezes que recorro ao blog para falar sobre um álbum, um clipe ou uma música. Acredito que isso se deva ao fato de eu estar ouvindo pouquíssima música, geralmente só no caminho de casa até a universidade e em alguns momentos do final de semana, então quando ouço fico assim – choro, me descabelo, sorrio, danço, sento no canto abraçando os joelhos – enfim, aproveito cada 3 minutos como se não houvesse midiatização e processos sociais. Na verdade, isso tem sido muito recorrente desde que iniciei no mestrado e me mudei: tudo é um exagero. Ando à flor da pele, desconstruindo teorias, questionando autores e questionando a mim mesma. Confesso que estou uma bagunça emocional ambulante. Tudo ganha uma proporção gigantesca. O disco do Johnny Cash é o melhor do ano no universo inteiro. “She used to love me a lot” é uma facada no meu coração. Eu não vou sobreviver a essa semana de aula. Minha tendinopatia atacou e nunca mais vou conseguir digitar na vida.

Sinceramente, estou esperando, inclusive, o dia em que a Natalia vai fazer uma intervenção e dizer: tu acha que o blog é pra isso? Minha vida pessoal tem se misturado com os textos que escrevo aqui mais do que o comum. Eu sei. Eu não devia. Não estou sendo profissional. Mas me permitir enlouquecer nesses caracteres é quase necessário para que eu não enlouqueça de verdade. Enlouquecer. Acho que tenho usado essa palavra com muita frequência.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Venho para lançar o assunto “memória”. Não sei se vocês sabem, mas meu projeto de dissertação de mestrado sugere pensar a música como objeto de memória afetiva dentro do documentário. Entretanto, aqui-agora (no blog, não no programa do SBT), a música aparece como objeto de memória (das minhas, no caso) dentro de um videoclipe. Não vou ser didática porque uso essa plataforma justamente para fugir do texto acadêmico, embora perceba que ando ficando engessada no quesito “leve”. A começar pelo título, que mais parece de artigo científico do que de um texto em blog (H-E-L-P!).

Pois bem, o clipe a que me refiro foi lançado há 20 anos, mas até hoje está na minha lista de Top 5 dos videoclipes. Na real, gosto muito dos videoclipes do Aerosmith, principalmente dos do “Get a Grip”, um dos meus álbuns preferidos, de 1993.

Os acordes de “Cryin’” me vieram noite passada em um sonho, despertando uma série de sentimentos até então adormecidos. Acho incrível a capacidade que a música tem, pelo menos em mim, de desestabilizar emocionalmente. Ouço, sonho, acordo, fico toda errada – exatamente nessa ordem. Acordar com um gosto de passado na boca me incomoda e me deixa durante todo o dia com aquela sensação amarga do que poderia ter sido e não foi. O Mark Twain que diz que “daqui a 20 anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez”. Pois é. Geralmente brinco dizendo que sou uma “ex-viciada em arrependimentos emocionais”, mas em noites de sonhos assim, volto a querer ser uma viciada em arrependimentos emocionais, não me economizando em frases esdrúxulas e atitudes exageradas.

Posso, inclusive, fazer uma ligação com outros dois clipes do mesmo álbum: “Crazy” e “Amazing”, músicas que me deixam tão doída (e doida) quanto “Cryin’”. Será culpa da Alicia Silverstone? Não sei, mas a voz rasgada do Steven Tyler e as guitarras do Joe Perry me destroem. Enfatizo também as letras, com seus versos dizendo “That kinda lovin’, now I’m never gonna be the same / I go crazy”; “All I want is someone I can’t resist”; “There were times in my life when I was goin’ insane”: digaí, meu amigo, é mais poético ou não que piripipiripipiripiripiradinha? E olha que quem tá fora da casinha hoje sou eu.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Tenho um constante choro engasgado desde a morte do Nico Nicolaiewsky. Na verdade, desde a morte do Coutinho, a morte do Nico só intensificou isso e me deixou imobilizada a ponto de não conseguir escolher as palavras pra me manifestar. Desde então, fico ensaiando mentalmente para escrever sobre “A vida é confusão”, música que ficou martelando na minha cabeça no dia 7 de fevereiro, e como a Fernanda Takai a deixou mais bela, mais triste, mais profunda e mais delicada. Me permito fazer uma mistura de canções nesse texto, já que o que me impulsionou a escrever foi “Seu Tipo”, novo single da Fernanda Takai, que foi disponibilizado para download ontem à tarde. Como de costume, uma música leva à outra e “Seu tipo” me levou a “A vida é confusão”, ou seria o contrário?

Não sei, só sei que as duas foram feitas para a voz da Fernanda. Talvez seja uma heresia da minha parte e Nico que me perdoe, mas “A vida é confusão” fica perfeita e encaixa tanto na voz da Fernanda que chega a doer. Já “Seu tipo”, parceria de Fernanda e Pitty, não poderia ser cantada senão por Fernanda. A delicadeza, a suavidade, a doçura; a melodia, o timbre, os elementos sonoros (ouça no fone de ouvido), a métrica, a afinação.

Como às vezes a verdade dói demais e eu sou do tipo que pergunta o signo, esse texto pode não fazer sentido algum para quem está lendo. Eu entendo. A vida é mesmo confusão e eu sou do tipo que ainda tem memória, que não sabe se foi por ti ou por mim, que guarda sigilo e que não sabe de nada. Só que a vida vai seguir e que os deuses vão dançar.

Natalia Nissen@_natalices

Vou mudar de cidade.  Se não me engano é a quinta vez e sempre é diferente. Dessa vez vou para ficar pertinho da Carol Nunes que tb foi embora de Frederico Westphalen. Hahaha, mentirinha. Não é por causa dela, mas digamos que uma feliz coincidência vai fazer com que estejamos separadas por uma linha de trem entre a região metropolitana de Porto Alegre e o Vale dos Sinos.

Toda essa função de mudança mexe comigo porque na hora de colocar algumas coisas nas caixas e outras no lixo, vão sentimentos e histórias também – pro lixo e pras caixas. A possibilidade do novo e do incerto me anima em meio a tanta rotina. E nessas horas em que só se vê caixas e tralhas espalhadas pela casa, meu gato estressado com pessoas vindo olhar meus móveis quase todos os dias, quase não dá tempo de descobrir coisas novas na música.

Eis que uma moça cruza meu caminho nessa internet. Que coisa linda! Fiquei invejando a voz dessa britânica de 19 anos porque eu tenho 23 e uma voz de taquara rachada que fica ainda pior no rádio. Enfim, os vídeos da Ella Eyre no Youtube são do ano passado, de quando ela lançou o primeiro EP, mas só “descobri” hoje.  Os vídeos dela cantando ao vivo são muito melhores que os clipes oficiais (pelo menos os que eu vi).

Posso ser mais feliz se encontrar uma boa música nova a cada intervalo de arrumação da mudança. (Minha obsessão por felinos ainda destaca o “rei leão” da capa do EP).

Natalia Nissen@_natalices

Promessa dada, é promessa cumprida. E assim como a internet facilitou o contato entre Nenhum de Nós e fãs, facilitou da imprensa com os artistas. O Carlos Stein, um dos guitarristas da banda, respondeu a algumas perguntas do The Backstage Blog por e-mail. A banda já tem 27 anos de estrada, mais de um milhão de discos vendidos e turnês Brasil afora. E no dia 2 de maio, no Parque de Exposições de Frederico Westphalen, a NDN vai tocar seus principais sucessos e canções do último disco de inéditas.

The Backstage – São quase três décadas de Nenhum de Nós. Que momento foi mais marcante na carreira, até agora?

Carlos Stein – Foram, como era de se esperar, muitos momentos marcantes nesses anos todos. A primeira música a tocar no rádio (People Are), o absurdo sucesso de Camila, que revolucionou não só a história da banda, como a nossa vida. Logo depois o sucesso de Astronauta, que nos levou ainda mais longe. Logo depois tocamos no Rock in Rio II. Teve também o prêmio da MTV do melhor clipe nacional de 93. O nosso primeiro acústico nos mostrou um novo caminho. Nosso primeiro Planeta Atlântida foi inesquecível. Foram muitos os momentos marcantes que fizeram do Nenhum o que ele é hoje.

TB – Como é a relação das bandas com os fãs? Muita coisa mudou desde os primeiros passos da Nenhum de Nós, e agora com a internet é possível ficar mais próximo do público?

Stein – É mais fácil de manter contato, sim. O Nenhum sempre procurou ficar próximo aos fãs. Eles são uma referência para nós. Temos até algumas canções que contam histórias desse relacionamento. A internet tornou toda a nossa comunicação mais fácil e ágil.

TB – E como foi a recepção do público com o novo DVD Contos Acústicos de Água e Fogo?

Stein – As pessoas ficaram surpresas com o formato, mas todo mundo falou que a ideia de fazer um não-show foi muito boa. Além disso, é um trabalho de muita qualidade.

TB – No último disco de inéditas há participações de Duca Leindecker e Leoni. Como acontecem essas parcerias?

Stein – São amizades que fazemos durante nossas jornadas. Gostamos muito desse intercâmbio. É uma grande forma de aprender.

TB – Vocês estão produzindo alguma novidade ou apenas fazendo shows e divulgando o DVD?

Stein – Temos planos de lançar algo ainda esse ano.

TB – O que o público frederiquense deve esperar do show da NDN?

Stein – Uma grande festa. Estamos lançando o DVD, mas no show podem esperar ouvir as músicas que fizeram o Nenhum ser conhecido. Os sucessos estarão lá.