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Carol Govari Nunes@carolgnunes

Quem foi até o Stage Music Park, em Florianópolis/SC, para conferir o show de Amy Winehouse, no último sábado, se deparou com alguns problemas de organização do evento, pois a distribuição da plateia não estava de acordo com o que estava no site do Livepass, ponto de venda exclusivo do festival. Na ilustração do mapa que estava no site, o camarote ocupava a área localizada em frente ao palco, enquanto a pista ficava atrás. Entretanto, a pista ocupou a área que estava destinada para o camarote.

Print do site feito pela estudante Carla Ruthes

Os ingressos para o camarote custavam de R$ 300 a R$ 600. Na pista, o valor variava de R$ 100 a R$ 250. No final, quem pagou R$ 100 e R$ 600, acabou ficando no mesmo local.

Devido a esse problema, a estudante Carla Ruthes colocou na internet um texto mostrando sua indignação.

Segue, na íntegra, o que a estudante escreveu:

“Gostaria de ter ajuda da mídia para fazer uma reclamação.
Comprei meu ingresso antecipadamente pelo site LIVEPASS -fiz a compra no dia 25/11, osingressos começaram a ser vendidos no dia 23 – e já no segundo lote, optei pelo camarote, pois segundo o site do LIVEPASS o mapa deixava claro que o camarote era NA FRENTE DO PALCO, separado da pista, que começaria logo atrás… Paguei o equivalente a R$ 575,00, R$ 500 do ingresso e R$ 75 de taxa. O que me levou a adquirir o camarote foi o local privilegiado que ele abarcaria e assim o fiz.

Foto: Charles Guerra

Cheguei ao local às 21h30min, a noite que tinha tudo para ser de pura diversão se tornou uma tragédia, ao menos para mim, que a procura do camarote encontrei uma pista livre, já cheia de gente! Não condizendo com o que eu havia comprado, os camarotes eram laterais e ao fundo, ainda nas laterais, mas na frente dos camarotes das “pessoas comuns” havia uma divisão, que era para VIPs! Nada disto havia sido previsto, muito menos informado. O jeito era optar por ficar empoleirado no fundo de um camarote abarrotado de gente OU partir para a pista.

Fugi para a pista e lá, aqueles que compraram ingressos de última hora, ou mesmo antes, com valores muito abaixo do que eu paguei, por exemplo, ficaram gratos com a surpresa, pois nem eles esperavam a pista liberada. Fiquei furiosa, fiquei indignada, me senti enganada. Ao meu lado haviam pessoas que também estavam se sentindo da mesma maneira, pois também haviam comprado o “tal camarote”, outras pessoas que pagaram R$ 100, R$ 200 estavam felizes por elas mas ao mesmo tempo compadeciam da nossa situação, nos entendiam e davam força. Do mesmo, muitas pessoas no meu twitter manifestaram apoio, abismadas com o acontecido, mesmo as que nem foram ao show.

Outro que me deixou extremamente triste foi que li no verso do ingresso as “regras/instruções” para o espectador do show, entre elas dizia que era proibido qualquer tipo de imagem, sendo ela vídeo ou foto, fosse capturada no evento. Em respeito a isto, não levei minha câmera, companheira de shows. Você deve saber que o que eu encontrei lá foi um festival de câmeras de todos os tipos e tamanhos. Quem vai correr atrás dos “infratores”? Quem vai cobrar multa ou dar punição a quem captou as imagens, quem não fez sua parte? Pode ser que isto seja o de menos, mas regras são regras.

Os shows são compostos sempre do público, dos artistas e daqueles que “organizam a bagunça”… Se um falha, a bola de neve cresce e neste caso eu senti o peso dela me esmagando. Não tenho recordação feita por mim mesma do show, não tive o camarote que eu pensei ter comprado e o dia 8/01/11 vai ficar marcado como o momento em que tive uma grande decepção na minha vida.

Foto: Hermes Bezerra

Quem deposita quase R$ 600,00 em um show não espera passar pelo apuro que passei. Eu podia ter simplesmente ter comprado a pista por R$ 100, no máximo R$ 200 e teria assistido ao show do mesmo lugar. Isto não é um absurdo?!
Me sinto lesada, já fui ao Stage Music Park e eles não se responsabilizaram por nada, liguei para o Livepass, eram 14h e a pessoa que me atendeu disse que estavam todos em horário de almoço, que eu teria que ligar depois. Liguei para uma tal de Juliana, que pelo que consta vendeu os camarotes reservados, creio que eram aqueles melhor posicionados e cheios de gente da High Society Florianopolitana. Todos estão “tirando o corpo fora”. E eu? Como fico? Se eu quisesse ouvir os shows, comprava o CD ou ficava na porta do local do evento. Eu queria ver os artistas de perto, eu queria vê-los, queria CURTIR o show. No fim das contas, todas as surpresas ruins tomaram conta das boas. Faz 3 dias que estou mergulhada neste mistério do camarote em frente ao palco que não passava de um desenho.

– Não havia por escrito em lugar algum que a imagem era meramente ilustrativa. E mesmo se fosse, pra que mapa local se ele não serviria de orientação ao comprador e não era NEM UM POUCO fiel ao que encontramos no dia do show?!

– Não estavam descritas vantagens como “área coberta e banheiro” na hora da compra, ou seja, o que induziu as pessoas a comprar o camarote foi O LOCAL, O POSICIONAMENTO e não isto que publicaram na nota.

Enfim, a lição está dada: não se pode tentar fazer as coisas de maneira correta em um país onde isto se torna burrice. Porque é assim que me sinto – uma idiota. Como eu já havia mencionado em texto anterior, o jeito é tentar entrar para a High Society ou então bancar a espertinha e viver na malandragem.”

Att., Carla Ruthes
Estudante de Letras-Português na UFSC, 19 anos.

Carol Govari Nunes @carolgnunes

No início de 2011, O Cascadura volta aos palcos em projeto que incentiva a doação de sangue, fazendo shows gratuitos no Pelourinho (Salvador – Bahia) em quatro domingos de janeiro, ao lado de Dubstereo, Vendo 147, Velotroz e Maglore.

A música está em constante movimento. É esta experiência que o Cascadura vive em seus mais de 18 anos de estrada: uma trajetória que se sustenta em compromisso artístico e na atuação firme dentro do cenário independente nacional. Agora, para voltar aos palcos após um ano de reclusão dedicado aos processos de gravação do quinto álbum da carreira, o Cascadura retoma o projeto Sanguinho Novo, que tão bem representa esta conduta.

Cascadura no Largo Tereza Batista/BA (Foto: David Campbell)

Baseado nas ideias de renovação, circulação, troca e parceria, o Sanguinho Novo assume a atitude de compartilhamento tanto no viés artístico quanto no social. Assim, o Cascadura inicia 2011 com uma série de quatro shows gratuitos nos domingos de janeiro (dias 9, 16, 23 e 30), no Largo Tereza Batista (Pelourinho), sempre às 17 horas, dividindo espaço com expoentes da música soteropolitana contemporânea – Dubstereo, Vendo 147, Velotroz e Maglore – e incentivando o ato solidário da doação de sangue entre os jovens. “Da junção dessas duas características, moldamos o conceito de um evento onde música, bem como o sangue em nosso corpo, circula e se renova”, resume Fábio Cascadura, vocalista e guitarrista da banda.

Sempre atento a oferecer ao público boas novidades e a contribuir para que a produção musical local se mantenha atrativa e em atividade constante, o Cascadura lançou este projeto em 2008, convidando a então iniciante banda Vivendo do Ócio – hoje um destaque do rock brasileiro. Formatar esta iniciativa foi consequência da tradição do Cascadura de apresentar nomes promissores: nos idos de 1993, por exemplo, trouxe o inesquecível The Dead Billies para o palco. Depois, o mesmo aconteceu com Dinky Dau, Inkoma, Sangria, Lacme, dentre outras. “Desde a formação da banda, criamos o hábito de somar forças com outros artistas e, depois que atingimos um certo patamar de exposição, passamos a abrir espaço para aqueles que estavam iniciando suas carreiras. Essa é uma política do Cascadura, um compromisso que temos com a nossa ética”, afirma Fábio.

A troca entre anfitriões, convidados e público, um fator motivador e positivo para todos eles, se alia à campanha de doação de sangue, numa parceria entre o projeto e a Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (HEMOBA). Com stand montado no local, o HEMOBA estará disponível para esclarecimentos e fazendo pré-cadastro para interessados em se voluntariar. “A ideia de realizar um projeto que lembrasse às pessoas da necessidade constante do ato de doar sangue veio até nós através das frequentes mensagens encaminhadas pela internet de solicitação de sangue para amigos, parentes, conhecidos”, explica Fábio Cascadura, que estimula: “Já doei sangue algumas vezes e sei que este é um procedimento simples, praticamente indolor, que toma pouco tempo e que pode salvar vidas. É um ato de cidadania, de respeito à vida”.

Batizado de “Sanguinho Novo” também em referência a um disco lançado nos anos 1990 em tributo ao músico, compositor e cantor Arnaldo Baptista, o projeto, nesta edição, se realiza com apoio concedido pelo edital “Tô no Pelô – Apoio à Dinamização Artístico-Cultural do Pelourinho”, parte do programa Pelourinho Cultural, do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).

Fábio Cascadura comanda a plateia como um talentoso frontman (Foto: David Campbell)

Cascadura em novo show

Afastado dos palcos desde janeiro de 2010, quando encerrou a turnê do disco “Bogary”, o Cascadura apresenta os novos caminhos em que sua música vai se inserir, numa mostra prévia do que será o “Aleluia”, quinto álbum da banda, a ser lançado em 2011. “Vamos ligar aquilo que já temos como marca a possibilidades ainda não usadas, referências à música e à cultura soteropolitanas traduzidas pela argumentação da banda”, adianta Fábio Cascadura, que indica que, além de canções e sucessos da carreira, o CASCADURA irá apresentar, em primeira mão, músicas inéditas do novo trabalho.

A concepção do “Aleluia”, cujos bastidores de produção e gravação estão sendo compartilhados no blog “A Ponte” (em www.bandacascadura.com), busca o conceito viável que justaponha a personalidade artística do grupo e um discurso novo, que dialoga com as mais diversas esferas da cultura da cidade de Salvador. Coproduzido pela mesma dupla do disco anterior – andré t e Jô Estrada –, o “Aleluia” trará novas possibilidades sonoras, novos timbres, novos temas e abordagens, tanto líricas quanto rítmicas, melódicas e harmônicas. Esta produção conta com financiamento conquistado através do edital “Apoio à Produção de Conteúdo em Música”, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB).

SERVIÇO

Sanguinho Novo: Cascadura + 4 bandas baianas pela doação de sangue

Domingos de janeiro, 17 horas

Largo Tereza Batista – Pelourinho

Gratuito

09/01 – Cascadura e Dubstereo

16/01 – Cascadura e Vendo 147

23/01 – Cascadura e Velotroz

30/01 – Cascadura e Maglore

Realização: Piano Forte | Murilo Fróes Produções

Apoio: Hemoba | Pelourinho Cultural

Apoio financeiro: IPAC | Fundo de Cultura da Bahia | Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia | Secretaria de Cultura do Estado da Bahia

Informações:

www.sanguinhonovo.com

71 9127-7803

Flyer do evento circula por todas as redes sociais (Divulgação)

Conheça um pouco das bandas convidadas:

Dubstereo: Analógico e digital, moderno e vintage, groovado e sintético, local e global. Esses são os adjetivos que traduzem o som que o Dubstereo, coletivo baiano fundado há três anos, vem produzindo. No canto falado dos vocalistas, a cadência do rap e do repente, a originalidade das letras que falam da vida vivida nas ruas através de crônicas do cotidiano. Na batida pulsam sons como o afrobeat, o drum’n’bass e o hip hop. No grave, o groove fervente do funk, encaixado como um mantra nas melodias. A harmonia dos teclados traz o som industrial dos anos 1990 jamaicanos. O Dubstereo com toda a certeza tem a Jamaica como fonte de inspiração. Não apenas no nome, que faz menção à mais orgânica das músicas eletrônicas [o Dub], mas na base de todo o seu instrumental. Tomando como referência clássicos riddims [bases instrumentais], o grupo descobriu a fórmula para misturar o bom e velho reggae com uma porção de outras coisas.

Vendo 147: Primeira banda brasileira a apresentar o “clone drum” – ou seja, ter dois bateristas dividindo o mesmo bumbo, simultaneamente –, a Vendo 147 faz som instrumental, tocado pelo quinteto Glauco Neves e Dimmy ‘O Demolidor’ Drummer – os “bateristas-clones” –, Pedro Itan e Duardo Costa nas guitarras e Caio Parish no baixo. Apesar de não querer ser rotulada, é inegável dizer, pelo menos, que a banda toca rock. Rock de verdade, como dizem alguns roqueiros velhos, órfãos, saudosistas. Rock bem tocado. Atual, mas com um leve toque de ontem. Virtuoso, sem ser chato. Rock pra quem odeia e pra quem adora rock. Pra suíços e baianos. Criada em 2009, a Vendo 147 já tem um produtivo histórico e vem se destacando em festivais e eventos em todo o país.

Velotroz: Surgida no início de 2007, a banda Velotroz tem influência de diversos ritmos, inclusive o Axé. Chama atenção do público tanto pela performance explosiva do vocalista Giovani Cidreira quanto pela alegria das músicas. Com guitarras assumindo papel relevante e fazendo o peso nas composições, violão construindo clima melódico e intimista e elementos percussivos incorporados em algumas canções, as apresentações da Velotroz são sinônimo de diversão. A boa aceitação só incentiva seus componentes – ao lado de Giovani no vocal e no violão, estão Tássio Carneiro (guitarra e teclados), Danilo Anes (guitarra), Caio Araújo (baixo) e Jeferson Dantas (bateria) – a serem ainda mais criativos. “Parque da Cidade”, o EP de estreia da Velotroz, mostra em oito faixas um trabalho que soa único e universal ao mesmo tempo.

Maglore: Em agosto de 2009, nascia a banda que logo se tornaria um expoente do cenário independente baiano. A Maglore propõe a sinestesia musical entre cores e sons, trazendo elementos musicais de vários cantos do mundo: da espontaneidade da música popular brasileira à classe do rock britânico, aliadas a letras sinceras. O resultado disso é um rock tropical. Formada por Nery Castro (contrabaixo), Igor Andrade (bateria), Leo Brandão (guitarra, teclado e vocais) e Teago Oliveira (guitarra, voz) – este também responsável pelas composições –, a Maglore começou a sua carreira com “Cores do Vento”, seu primeiro EP, produzido por Jorge Solovera. Em menos de um ano de estrada, a banda conseguiu acumular vitórias em concursos de música, como o Festival FUN MUSIC (SP), o Desafio das Bandas (BA) e o iBahia Garage Band, através de votação popular, que rendeu uma apresentação no Festival de Verão Salvador 2010.

Fonte: Assessoria de Imprensa – Banda Cascadura
Paula Berbert
(71) 9127-7803
paula@marcatexto.com.br
noticia@bandacascadura.com
www.marcatexto.com.br

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Carol Govari Nunes – @carolgnunes

Quem esteve na Green Lounge na última sexta-feira conferiu em um clima e temperatura de 666ºC o show da Bidê ou Balde. Com um set list bem elaborado e distribuído, a banda apresentou 22 músicas, incluindo as novas “Me deixa desafinar” e “Tudo é preza”, além de sucessos anteriores, como “Bromélias”, “Melissa”, “Cores bonitas”, “É preciso dar vazão aos sentimentos”, entre outras.

Linha de frente durante o show (Foto: Carol Govari Nunes)

Apesar da temperatura absurdamente elevada na Casa de Shows (devido aos climatizadores estarem desligados por causa do temporal que afetou as redes elétricas de Frederico), o calor não impediu que a banda pulasse de um lado para o outro no palco. O público também não ficou com medo do calor – todos fizeram coro e dançaram durante o show inteiro, fazendo jus ao espírito de qualquer roqueiro que se preze.

Intercalando músicas dos 3 ábuns, a Bidê ou Balde apresentou um show de aproximadamente 01h30min. Alguns covers surgiram no meio das músicas próprias: “Hoje”, do Camisa de Vênus (música que faz parte do disco “É preciso dar vazão aos sentimentos”); “Molly’s lips”, do Nirvana; “Blister in the sun”, do Violent Femmes, e no encerramento do show apareceu um negócio muito louco que foi uma mistura de Nirvana com Jorge Ben.

A interação com o público foi algo que muitos comentaram após a apresentação. Existe uma grande diferença entre músicos que se divertem sozinhos no palco e músicos que se divertem e divertem os que estão assistindo. A plateia ficava ensandecida todas as vezes que o vocalista Carlinhos Carneiro (que me deu uma entrevista aqui) se dirigia a ela, fosse para dar um recado da Casa, dar boa noite, falar do Inter ou do Grêmio ou qualquer coisa que ele pensasse naquele momento.

Laura e Edilson Zanardi puderam ver o show do camarim (Foto: Carol Govari Nunes)

Um fato peculiar que aconteceu neste show foi a vinda de duas pessoas de Araras, interior de São Paulo. A estudante Laura Zanardi, 15 anos, conta que ficouu sabendo do show no site da Bidê ou Balde e convenceu seu pai, o Engenheiro Edilson Zanardi, a trazê-la até Frederico para ver o show da banda. Laura também conta que há mais de 6 anos que ela esperava por esse dia – diz que sempre gostou muito da Bidê. Seu pai também é fã dos músicos. Os dois chegaram em Chapecó (SC) por volta da 1h da manhã da sexta-feira, dia 10, conheceram a cidade, alugaram um carro para se dirigir até Frederico Westphalen, chegando às 16h30min na cidade. Eles tiveram a oportunidade de conversar com a banda no micro-ônibus e conferir o show do camarim que a Green Lounge oferece aos músicos.

Por e-mail, Edilson me contou que eles chegaram em Chapecó 30 minutos antes do voo e não queriam deixar que eles embarcassem por causa da chuva. Depois de muita insistência, ele e a filha embarcaram num voo até Floripa e depois em outro até São Paulo (com duas horas de atraso). O resultado foi que eles passaram mais de 30 horas sem dormir. Mas nada disso abalou o engenheiro, que finalizou o email com um “espero vê-los num próximo show”. É o rock, né.

Se liga no vídeo de “Tudo Bem”, gravado aqui em Frederico Westphalen:

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Na última sexta-feira, dia 10, a Bidê ou Balde esteve em Frederico Westphalen apresentando seus antigos e novos sucessos. Por volta das 23h30min da mesma sexta-feira, Chico Bretanha, produtor da banda, entrou em contato comigo (quase que por engano, mas isso não vem ao caso) e depois de 3 minutos de ligação recebi o convite para ir com a banda até o local do show. Muito além da minha ideia inicial, já que o que eu tinha em mente era conversar com eles somente na casa. Em um clima de total descontração, nos dirigimos até a Green Louge cerca de 45 minutos antes do começo do show.

Dentro do micro-ônibus que banda e equipe estavam, eu conversei com Carlinhos Carneiro, vocalista da banda. Trocamos muitas ideias sobre os tipos de arte, censura, projetos e tudo o que surgiu em nossas mentes durante aqueles 30 minutos.

Você confere, a seguir, esse papo maluco e cheio de informações que tivemos (e que o meu gravador conseguiu captar).

Carlinhos Carneiro brinca durante o trajeto Hotel - Green Lounge (Foto: Carol Govari Nunes)

The Backstage: Vocês tiveram algum projeto paralelo durante esses anos sem gravar disco? Porque hoje é bem comum os músicos terem mais de uma banda…

Carlinhos Carneiro: A gente sempre teve essa coisa de não ter. Tivemos algumas outras brincadeiras aí, mas não há o que convém, o papo agora é sobre a Bidê. (risos)

TB: E o que vocês ficaram fazendo nesses 6 anos, então?

CC: Em 2007 a gente fez uma pré-produção, gravamos um grupo de músicas para apresentar para uma gavadora. Apresentamos, não rolou, aí nesse mesmo ano a gente gravou o Som Brasil, da Globo. Depois em 2008, 2009 nós fizemos uns desfiles da Converse no Donna Fashion, no Iguatemi. Também em 2008 a gente fez outra pré-produção com mais músicas para o disco.

Agora nós trabalhamos com um número X de 20, 22 músicas que a gente tá lançando aos poucos que são dessas pré-produções de 2007 e 2008, além de coisas novas, emocionantes. Em 2009 a gente passou tentando fazer esse disco virar verdade, então no final de 2009 surgiu essa parceria com o Beco.

TB: Como surgiu isso? O Beco tem um Selo?

CC: Tem um Selo, sim. A agente tava precisando de alguém pra bancar as nossas loucuras e fechou essa. O Beco tem uma característica de ser da noite, de ser boate e mostrar bastante coisa dessa cena rock dançante. A Bidê sempre deu importância pro rock ser dançante, moderno. A gente nunca se preocupou em parecer com algo antigo, mas sim ser contemporâneo.

TB: Pois é, é uma coisa meio que contracultura o que vocês fazem hoje em dia, em comparação com o que é feito por outras bandas. Por exemplo, vocês fazem letras bem diferentes, divertidas, o que não é muito comum nas bandas atuais. Acho que isso nem é uma pergunta. Mas você entendeu, né? Música para se divertir. Hoje em dia é tudo muito sério…

CC: É, na verdade a gente viajou nisso recentemente porque nesse primeiro EP, que vai ser lançado em março, provavelmente, tem essas duas músicas “Me deixa desafinar” e “Tudo é preza” (que já estão na internet) que ainda têm o nosso senso de humor, a nossa ironia, mas elas são um pouco mais sérias. Para as outras músicas que vão entrar nesse EP a gente se soltou, tipo “ah, agora vamos soltar a bobageira porque deu. Tá todo mundo muito sério, todas as bandas estão sérias, até quem tá se divertindo tá sendo sério, então vamos falar bobagem!” Pode ver lá que vai ter música falando bobagem sobre a Madonna, bobagem sobre a vida de diplomatas em Budapeste… E graças a Deus a gente conseguiu se refrescar a ponto de se permitir fazer isso. E isso mostra bem essa época que a gente tá agora de curtir a banda como no começo, sabe? Achar um ponto cético e explorar ele e se divertir como quando surgiu a banda: “ah, vamos nos vestir de terno e gravata que nem executivo saindo pro almoço”, e a gente se divertia com essa coisa dos anos 80, Blitz, B 52’s, com letras que sejam crônicas bizarras. Essas opções estéticas que no começo a gente teve e curtiu muito. Durante os outros 3 discos a gente foi firmando aquela coisa que toda banda fala: “ah, vamos firmar nossa identidade”, mas na real isso é palha, porque a pessoa perde a iniciativa de ser criativo que tinha no começo da banda. Então para agora, acho que a gente tá conseguindo apertar de novo esse botão de “soltar”, fazer a coisa mais leve.

Galera no micro-ônibus, antes do show (Foto: Carol Govari Nunes)

TB: E isso que a gente tá falando de as coisas serem muito certinhas, censura e tal, que por mais que falem em liberdade de expressão, tem muita censura por aí. Rádio, TV, todos os meios de comunicação dão um jeito de barrar o que eles acham que não pode ser veiculado…

CC: É a ditadura do politicamente correto. A gente vê no Vale Tudo, no canal Viva (que passa coisas antigas da Globo), toda hora o pessoal da novela tá fumando cigarro, e hoje não pode aparecer ninguém fumando um cigarro na novela, nem tomando chopp…

TB: E você acha que isso atinge a arte?

CC: Claro que sim. A nossa liberdade tá completamente cerceada porque a forma de nos atingir não é mais simplesmente prender e dar choque nas bolas do cara – agora eles te tiram o dinheiro, te impossibilitam de trabalhar em um lugar A, B ou C. Essas formas mais inescrupulosas de cercear tua liberdade são mais perigosas. Na real, os tempos atuais são mais perigosos porque eles são aparentemente mais livres, porém a nossa liberdade tá diminuindo. O que mais? Perguntas…

TB: Deixa eu pensar…. Por que vocês dão tantas versões para o nome da banda? Por diversão, lógico! (Risos)

CC: É, porque é divertido. É um saco ter que ficar explicando. Responder sempre a mesma coisa acaba virando um negócio automático.

TB: E ainda perguntam o porquê do nome da banda? Vocês já tem 10 anos de carreira…

CC: Perguntam, perguntam toda hora. Mesmo quando não é entrevista – me perguntam no shopping!

Com a casa de shows lotada, Bidê ou Balde comandou a plateia por mais de uma hora (Foto: Carol Govari Nunes)

TB: Aí a criatividade rola solta na hora de responder…

CC: As vezes, sim. As vezes eu já tô de saco cheio e falo a verdade ou qualquer coisa. Na verdade, a gente tem banda pra não ter Alzheimer, Parkinson, então a gente fez uma banda de rock. Então a gente tem músicas e fica encaixando letras nessas músicas para desenvolver partes do cérebro que estavam paradas e assim evitar que tenhamos Alzheimer. (Risos)

TB: Tudo pela saúde!

CC: Tudo para evitar doenças degenerativas do cérebro. Bah, e eu tô tao dona de casa (alguém atrás, nessa hora, grita: “gorda de casa”), é, tô tão gorda de casa que eu descobri que tenho alergia a detergente de louça. Meus poros da mão ficam “desse tamanho”!

Carol, a gente já chegou na parte da entrevista em que a gente fala sobre traveco?

TB: Não, mas podemos chegar!

CC: Vamos parar de hipocrisia, né? Afinal, quem não gosta de um travequinho? Hoje a gente fez uma música assim: “puta que pariu, tava escuro, era traveco e ninguém viu” (Risos)

(Pausa para devaneios sobre detergente de louça e travestis….)

TB: E sobre clipes, internet, lançamentos?

CC: Então, agora a gente tá organizando tudo isso aí para a partir de março atacar massivamente, aí estamos pensando em um clipe, orçando e, se Deus quiser, vamos gravar até o fim do ano. Já estamos vendo clipe até das outras músicas, gravando também músicas do próximo EP…

Mesmo com o calor, a banda não deixou de dançar durante todo o show (Foto: Carol Govari Nunes)

TB: Vão ser quantas músicas no EP?

CC: O primeiro tem 5 músicas. O segundo ainda não sabemos. Mas estamos gravando uma que já tá demais! Não é nossa, é um cover de Plato Dvorak, ídolo nosso, um malucão lá de Porto Alegre. O cara faz músicas psicodélicas há muito tempo.

TB: E esse lance de divulgar as músicas na internet funciona bem, né?

CC: Claro, funciona muito bem. Agora com esse lançamento de “Me deixa desafinar” na rádio Atlântida, só de a gente colocar a música no site o pessoal do interior de São Paulo ligava pedindo pra ouvir a música online, quer dizer, lugar onde nem passa a rádio! Aí os caras da rádio mesmo vieram me falar: “bah, meu, tem pessoal de Goiânia, São Paulo, gente que nem é do Estado pedindo a música!”. Inclusive esse pessoal que veio de Araras (SP). Tudo isso é possibilitado pela maravilha da tecnologia.

TB: Cara, acho que é isso. Tem considerações finais? (risos)

CC: É legal que o pessoal fique ligado no nosso Twitter, também Facebook, onde a gente coloca as músicas para serem ouvidas. Vão ter uns botõezinhos diferenciados lá no Facebook, Myspace. No Youtube também a gente anda colocando (e filmando) vários vídeos divertidos, soltos. Tem o Mosquito que viaja com a gente, filma e tal, além de cuidar do site e redes sociais. A gente tá com uma visão meio executiva, empresarial, bem num clima de terceirizações. A gente pensa meio sério: “ah, vamos tentar fazer projetos para tentar um DVD, documentário sobre sei lá o que, sabe? Inventando umas ideias tipo essas coisas que a gente grava na estrada de repente não vão para o Youtube, mas viram algo para DVD, para making of. O importante é ir documentando.

E também outras coisas – a gente tem aí uns projetos para serem aprovados ou negados, tudo que envolve esse lance de imagem, internet e fazer música alucinadamente.

TB: Que tipo de projeto?

CC: Tipo esse projeto para DVD, imagens da gente na estrada, projeto para clipe feito com o pessoal do Twitter, tudo dependo de apoio de empresa, patrocínio etc. Sempre pensando em coisas para conseguir dinheiro para providenciar isso aí. Acho que é uma tendência mundial, né, assim como o Black Eyed Peas faz, só que em menor escala. Estamos estudando repertório para um próximo show que vai ter, por exemplo, projeções, iluminações muito loucas e depois passar para um outro com danças, e depois para outro com teatro. Ir crescendo, fazendo misturas e inventando, e a forma de conseguir isso é arrumando dinheiro de outras pessoas. Então quando tu perguntou “ah, o que vocês ficaram fazendo nesses 6 anos sem gravar”, foi isso. A gente ficou pensando “como vamos arranjar dinheiro para patrocinar loucuras?”, porque a graça hoje em ter uma banda não é ser de uma grande gravadora, tocar música na novela, ter música em primeiro lugar nas rádios do Brasil, claro que isso também é legal, mas além disso você consegue ganhar muita grana sendo criativo, louco, explorando o lado mais improvável da tua música. E a gente sempre teve essa característica extremamente fechada no lance de estar fazendo música. A gente quer tentar explorar essas loucuras de outros meios, e graças a Deus a gente tem facilidade para explorar insanidades de uma forma pop, bem digerida pelo público, então todo mundo se diverte. 3 ou 4 velhinhas reclamam, mas elas que vão tomar no cu delas!

* Isso é só a primeira parte: amanhã, aqui no The Backstage, eu vou contar um pouco sobre o show, set list da banda e também sobre pai e filha que vieram do interior de São Paulo para assistir o show aqui em Frederico.

Carol Govari Nunes @carolgnunes

Eu conheci Bidê ou Balde em 2000. Lembro de fazer uma seleção musical e levar para uma loja em uma cidade vizinha para gravar. “Melissa”, “E por que não?” e “Buddy Holly” estavam no CD, que também tinha Hanson e… er, deixa pra lá. Essas músicas tocavam muito na rádio e então eu, com 12 anos, queria ter “Bideobalde” (eu achava que esse era o nome da banda) tocando o tempo todo no meu som. Eu nem lembrava mais da existência do tal CD, até meu namorado achá-lo há umas duas semanas na casa dos meus pais.

Bidê ou Balde é uma banda que tem no seu set list aquela música cínica, irreverente, bem humorada e divertida, a qual comentei no post sobre o bom humor dos anos 80 e 90. Não é pra menos, já que eles têm influência das bandas norte-americanas The B 52s (década de 80) e Weezer (década de 90).

Suas letras são melodramáticas e inusitadas, e a sonoridade abrange o rock n’ roll com uma boa pitada de Jovem Guarda, misturando uma levada meio psicodélica e encorpando com punk-pop-rock. Concluindo, é  música para se divertir.

Pilla, Leandro, Carlinhos e Vivi: a volta depois de anos sem gravar disco (Foto: divulgação)

A banda é formada por Carlinhos Carneiro (vocal), Rodrigo Pilla (guitarra), Vivi Peçaibes (vocal secundário e teclado) e Leandro Sá (também guitarra). Já passaram pela banda Rossato, Kátia, André e Pedro.

O disco de estreia foi lançado em 2000 e intitulado “Se sexo é o que importa só o rock é sobre amor”. Em 2001 a Bidê ou Balde ganhou o prêmio Artista Revelação no VMB, um ano depois do primeiro disco ser lançado, incluindo o grande sucesso “Melissa”. Outra música bastante conhecida deste primeiro disco é “E por que não?”, música que causou processo contra a banda por incentivo à pedofilia e incesto.

Capa do "É preciso dar vazão aos sentimentos"

Seu último disco “É Preciso dar Vazão Aos Sentimentos” foi o terceiro disco de estúdio, lançado em 2004 (os anteriores são “Se sexo é o que importa só o rock é sobre amor”, o qual citei antes, e “Outubro ou nada”). A sonoridade da banda mudou um pouco neste trabalho. As guitarras tiveram sua presença intensificada e o som ficou mais pesado. Em 2005 aconteceu a saída de Pedro Hahn e a partir daí a Bidê ou Balde deixou de ter um baterista fixo.

“É Preciso dar Vazão Aos Sentimentos” teve duas versões do álbum. A primeira, com dez músicas, de capa prata e com a participação de Marcelo Nova em “Hoje”, cover do Camisa de Vênus.

A segunda tem a capa branca e não tem a participação de Marcelo Nova, mas conta com quatro faixas bônus remixadas. Esta última foi vendida nas bancas de jornais, distribuída pela revista Outracoisa (a qual também lançou o disco “Bogary”, do Cascadura).

No dia 10 de dezembro, a Bidê ou Balde se apresentará na casa de shows Green Lounge, em Frederico Westphalen. Os fãs poderão curtir seus maiores sucessos desses 10 anos de atividade, além da música nova “Me deixa desafinar”, que anda tocando em todas as rádios do Rio Grande do Sul.

No site da banda você encontra músicas, informações, biografia e tudo o que a banda já produziu.

No Track 25 do nosso Set List você pode assistir o videoclipe de “É preciso dar vazão aos sentimentos”.