Archive for the ‘Lançamentos’ Category

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Com referências que bebem das melhores fontes do rock clássico e do que podemos chamar de rock moderno, Ikke Flesch é o mais novo projeto do músico e compositor gaúcho. Influenciado por The Faces, Rolling Stones, Black Crowes e  bandas contemporâneas como Jet, a sonoridade de Ikke remonta uma estética característica dos anos 70 e consegue reciclar os clichês do rock’n’roll em uma linguagem essencialmente moderna que tem como a energia positiva das composições sua maior marca.

Radicado em Bombinhas, Santa Catarina, Ikke Flesch (guitarra e voz) volta à sua cidade natal para apresentar músicas como “Efeitos Especiais”, “Aonde você está” e “Tão Perto”, presentes no novo disco, além da faixa-título. Então na próxima sexta-feira, 27 de junho, Ikke Flesch faz show de lançamento de seu disco de estreia, Bem Mais Alto que o Céu, no Rock N Roll Sinuca Bar 3, em Novo Hamburgo. O CD, que será lançado em julho, conta com o guitarrista Wagner Vallim (guitarra), seu braço direito nesse projeto, o baixista Rodolfo Krieger (Cachorro Grande) e o baterista Duda Machado (Pitty). O álbum também tem participações especiais de Beto Bruno, Marcelo Gross e Pedro Pelotas (Cachorro Grande), entre outros.

Da esquerda para a direita: Wagner Vallim, Rodolfo krieger, Ikke Flesch e Duda Machado (Foto: divulgação)

Da esquerda para a direita: Wagner Vallim, Rodolfo Krieger, Ikke Flesch e Duda Machado (Foto: divulgação)

SERVIÇO

Ikke Flesch em Novo Hamburgo

Local: Rock N Roll Sinuca Bar 3 (Av. Coronel Frederico Linck, 621 – Rio Branco)

Data: 27 de junho

Horário: 22h

Ingressos: R$ 25 (R$ 20 com nome no evento do Facebook)

Informações: (51) 3035-7161

Nheengatu, o novo disco dos Titãs

Posted: 25/05/2014 in Lançamentos, Rock
Etiquetas:

Natalia Nissen@_natalices

Meu último texto aqui foi há mais de um mês. Nesse hiato pensei em escrever sobre uma porrada de coisas e desisti. Porque eu passo a semana toda pensando nisso, aí chega o final de semana e eu esqueço tudo. Nesse período de transição (“casa-nova”-emprego-novo-cidade-nova), tenho ouvido coisas que há muito não ouvia. E também perco um monte de coisas boas que têm aparecido.

nheengatuAí que uma dessas, foi o novo CD dos Titãs – Nheengatu. A capa é uma imagem da Torre de Babel. Que oportuno! Porque nosso mundo tá uma zona e naquele meu último post escrevi sobre.

Quando uma banda dessas lança um disco as pessoas criam uma baita expectativa, certo? Poxa, Titãs! E tive que ouvir algumas vezes as músicas para decidir se gostei ou não. Ficou bruto! E parece que a ideia da banda foi justamente esta, deixar o disco bem rock and roll e sem frescura. E os caras fizeram canções que falam das mazelas de hoje sem soar clichê.

E pra mim, falar de música é como explicar para uma pessoa o cheiro de um perfume. Você fala mil coisas, mas o nariz de cada um é que sabe. Então, escutem o disco e tirem suas próprias conclusões.

Que bom que eles voltaram com tudo. Minhas expectativas foram atendidas. Titãs veio com um disco cheio de bagunça e realidade. E ainda está tudo disponível no Youtube.

Vai ter Copa na República dos Bananas.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Se o título desse post fosse “Pitty surge com hematomas e sem blusa em novo clipe” tenho certeza que eu teria mais visualizações. Às vezes fico curiosa/furiosa pra saber de onde alguns jornalistas tiram esse tipo de chamada, porque, na boa, deve ter curso pra isso. Mas deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem? (ah, Jair Rodrigues, que triste), e vamos ao que realmente interessa.

Capa do disco. Pitty e sua relação com a maçã, o fruto proibido, que vem desde o Admirável Chip Novo. (Imagem: divulgação)

Capa do disco (divulgação)

Viver parece mesmo coisa de insistente. No rock, então, nem se fala. Pitty voltou. Na verdade, pra mim, ela nunca foi a lugar algum. A diferença é que na última quarta-feira, 7 de maio, ela deu uma paulada na cabeça dos fãs adormecidos. Aqueles, os que ficaram lá por 2005, acordaram ensandecidos. Eu mesma, que me julgo das mais tranquilas, parecia uma testemunha de Jeová compartilhando o clipe e pregando insistentemente de timeline em timeline. “Posso te mostrar esse clipe? Posso te mostrar esse clipe?”. Chaaaaaaata. Logo eu, a maior defensora da discrição humana – a que prefere emails, DM’s e inbox – a que faz pose de má e é somente observadora na maioria das ocasiões, estava visivelmente alterada. A real é que eu não me sentia assim há anos, mas a arte faz essas coisas com a gente, né? Ainda bem. (Pra completar, no mesmo dia, Imelda May lança o clipe de Wild Woman. Tudojuntoaomeusmotempo foi sacanagem. Mas outra hora eu comento esse assunto).

E isso que foi só um clipe. Claro, o clipe.  Raul Machado, o qual tem um portfólio gigantesco (mais de 130 clipes incluindo Nação Zumbi, Planet Hemp, Raimundos, Sepultura, Camisa de Vênus e outros vários), dirigiu “SETEVIDAS”, contabilizando mais de 150 mil visualizações até o momento desse post.

Em uma conversa com o diretor, falei que a primeira coisa que me chamou a atenção foi que o clipe se diferencia um pouco de sua própria estética fílmica. Dá pra identificar que o clipe é dele porque Raul tem uma assinatura visual muito forte. Ele tem aquele lance dos músicos enfrentando a câmera, alguns enquadramentos contra-plongée, câmera recuando (veja tudo isso e muito mais aqui) e outros detalhes que não vou me deter. Comentei de seus cortes agressivos, secos, e disse que em “SETEVIDAS” os cortes e os movimentos de câmera estavam “sensuais”. Raul me disse que queria fazer takes longos, cortar menos e queria que tivesse o espírito de show, daí os movimentos felinos e  câmera flutuando como bola de sabão. Lógico, movimentos felinos. Não só os movimentos de câmera, mas todo o videoclipe. Pitty parece um gato escaldado, de beco, que cai, se machuca, fica detonado, mas volta. Com algumas vidas a menos, mas volta. E, vá lá, Pitty nunca fez o tipo gato domesticado.

Casa do Povo, uma associação judia comunista dos anos 50, que fica no Bom Retiro, em São Paulo (SP), serviu de locação para o videoclipe. Segundo o diretor, o local tem um “puta charme decadente” e está meio detonado. Raul, que nem sempre usa roteiros (nesse dia, inclusive, o roteiro ficou em casa), disse que a tomada em que Pitty segue a câmera, por exemplo, foi feita porque ele gostou da sala. “Como a locação era legal demais, eu quis aproveitar todos os ambientes, desde salas ao teatro meio abandonado que fica no subsolo”.

O clipe de “SETEVIDAS” foi gravado no dia do Levante de Varsóvia (google it), o que diminuiu um pouco o tempo de gravação, já que alguns sobreviventes de Auschwitz iam se encontrar no local. As filmagens duraram das 9h às 19h, e o primeiro corte aconteceu poucos dias depois, em uma edição psicografada de cinco horas. Depois disso, só lapidações. Há outros vários detalhes nonsense, mas conversas da madrugada a gente edita na hora de publicar.

Sobre o retorno da cantora, pensemos na cena nacional de 2003 pra cá: Pitty é uma das artistas mais importantes do país. Não é segredo pra ninguém a admiração que eu tenho por ela. Sei que é chover no molhado, mas Pitty é ótima compositora, tem uma presença de palco absurda, suscita indagações e alimenta somente o necessário – principalmente no próprio público. Acreditem, eu sei o que eu estou falando. Sim, meu texto está todo contaminado do olhar de alguém que se identifica com tudo o que ela produziu até hoje, mas justamente por causa disso eu vejo coisas que muitas vezes a grande mídia deixa passar batido, replicando somente o que a assessoria de imprensa envia.

Sem falar no lance do mistério que envolveu todo o lançamento do single e do clipe, me identifico horrores com isso e inclusive já escrevi algumas linhas sobre o assunto (não necessariamente sobre Pitty, mas sobre artistas e mistério em geral). A curiosidade agora é pelo resto das músicas. Dia 3 de junho o disco físico chega às lojas. Em breve, no site, vai rolar a pré-venda.  Eu que não sou boba de perder.

E dia 21 de agosto tem show no Opinião, vou comemorar meu aniversário lá. Aí, sim, o bicho vai pegar.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Eu deveria estar escrevendo uma síntese sobre a midiatização como processo interacional de referência, mas acontece que quando eu me perco, eu me perco. E agora eu me perdi com o “Out Among the Stars”, álbum póstumo do Johnny Cash. A primeira música lançada foi “She used to love me a lot”: letra incrível, melodia impecável. Simples assim. De chorar. Noto um exagero emocional todas as vezes que recorro ao blog para falar sobre um álbum, um clipe ou uma música. Acredito que isso se deva ao fato de eu estar ouvindo pouquíssima música, geralmente só no caminho de casa até a universidade e em alguns momentos do final de semana, então quando ouço fico assim – choro, me descabelo, sorrio, danço, sento no canto abraçando os joelhos – enfim, aproveito cada 3 minutos como se não houvesse midiatização e processos sociais. Na verdade, isso tem sido muito recorrente desde que iniciei no mestrado e me mudei: tudo é um exagero. Ando à flor da pele, desconstruindo teorias, questionando autores e questionando a mim mesma. Confesso que estou uma bagunça emocional ambulante. Tudo ganha uma proporção gigantesca. O disco do Johnny Cash é o melhor do ano no universo inteiro. “She used to love me a lot” é uma facada no meu coração. Eu não vou sobreviver a essa semana de aula. Minha tendinopatia atacou e nunca mais vou conseguir digitar na vida.

Sinceramente, estou esperando, inclusive, o dia em que a Natalia vai fazer uma intervenção e dizer: tu acha que o blog é pra isso? Minha vida pessoal tem se misturado com os textos que escrevo aqui mais do que o comum. Eu sei. Eu não devia. Não estou sendo profissional. Mas me permitir enlouquecer nesses caracteres é quase necessário para que eu não enlouqueça de verdade. Enlouquecer. Acho que tenho usado essa palavra com muita frequência.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Tenho um constante choro engasgado desde a morte do Nico Nicolaiewsky. Na verdade, desde a morte do Coutinho, a morte do Nico só intensificou isso e me deixou imobilizada a ponto de não conseguir escolher as palavras pra me manifestar. Desde então, fico ensaiando mentalmente para escrever sobre “A vida é confusão”, música que ficou martelando na minha cabeça no dia 7 de fevereiro, e como a Fernanda Takai a deixou mais bela, mais triste, mais profunda e mais delicada. Me permito fazer uma mistura de canções nesse texto, já que o que me impulsionou a escrever foi “Seu Tipo”, novo single da Fernanda Takai, que foi disponibilizado para download ontem à tarde. Como de costume, uma música leva à outra e “Seu tipo” me levou a “A vida é confusão”, ou seria o contrário?

Não sei, só sei que as duas foram feitas para a voz da Fernanda. Talvez seja uma heresia da minha parte e Nico que me perdoe, mas “A vida é confusão” fica perfeita e encaixa tanto na voz da Fernanda que chega a doer. Já “Seu tipo”, parceria de Fernanda e Pitty, não poderia ser cantada senão por Fernanda. A delicadeza, a suavidade, a doçura; a melodia, o timbre, os elementos sonoros (ouça no fone de ouvido), a métrica, a afinação.

Como às vezes a verdade dói demais e eu sou do tipo que pergunta o signo, esse texto pode não fazer sentido algum para quem está lendo. Eu entendo. A vida é mesmo confusão e eu sou do tipo que ainda tem memória, que não sabe se foi por ti ou por mim, que guarda sigilo e que não sabe de nada. Só que a vida vai seguir e que os deuses vão dançar.