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Bruna Molena@moleeena

The Backstage Blog com Márcio Rangel no estúdio da rádio Luz e Alegria (Foto: Catiane Medeiros)

Na última segunda-feira, 23/05, a equipe do The Backstage foi convidada pelo comunicador Márcio Rangel para participar do programa Balada 95, da radio frederiquense Luz e Alegria FM. Lá conversamos sobre música, rock’n’roll, jornalismo, vida de universitário e muitas outras coisas que surgiram no meio do bate-papo.

Foi cerca de uma hora de conversa descontraída, um papo entre amigos. Márcio, sobre o convite, disse-nos que gosta de dar espaço para quem faz algo novo e diferente e que a proposta do The Backstage Blog havia lhe chamado a atenção pela orginalidade.

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

Carol Govari Nunes@carolgnunes

O Jota Quest vem para apresentar um show diferente e especial, feito para celebrar os 15 anos de banda (Foto: divulgação)

O final do mês de maio será marcado por um grande show em Frederico Westphalen: Os mineiros do Jota Quest aparecerão na cidade dando início à sua turnê de comemoração dos 15 anos de carreira. O show será na Ecco Eventos dia 20 de maio, próxima sexta-feira, a partir das 23 horas.

Antes do Jota Quest, os curitibanos da banda Sabonetes sobem ao palco para dar abertura aos shows da noite. A banda começou em 2004 como uma brincadeira entre quatro amigos na faculdade de Comunicação Social da UFPR. Esses amigos são Alexandre “Cajinha” Guedes (bateria), Artur Roman (vocal e guitarra), Wonder Bettim (guitarra) e João Davi (baixo). Sete anos depois, eles lançaram o álbum “Sabonetes” através dos selos Cornucópia Discos e Midas Music, do renomado produtor Rick Bonadio.

Por email, o guitarrista Wonder respondeu algumas perguntas, as quais que você confere a seguir:

The Backstage: O Jota Quest está comemorando 15 anos de carreira e fazendo turnê com um show de comemoração. Como rolou essa parceria entre vocês?

Wonder Bettim: O Rogério de alguma forma já tinha escutado nossa banda e foi ao lançamento do nosso disco em São Paulo. Alguns dias depois fomos a um show do Jota Quest no parque do Ipiranga aqui em São Paulo. Batemos um papo no backstage e descobrimos que, como todos os mineiros, diga-se de passagem, são muito gente boa. Nos vimos em alguns outros shows, inclusive um nosso em Curitiba e desde aí foi amadurecendo a idéia de tocarmos juntos. Vai acontecer agora no Rio Grande do Sul. Incrível.

TB: Quanto tempo vocês têm de estrada? A banda (profissionalmente) é relativamente nova, não é? Vi que vocês são paranaenses e todos faziam faculdade de Comunicação Social…

Os Sabonetes acompanharão o Jota Quest por essa mini turnê no Rio Grande do Sul (Foto: Diego Cagnato)

WB: Sim. Eu, o Artur e o Alexandre entramos no curso de Comunicação Social em 2004 e montamos a banda na primeira semana de aula, em meio aos trotes e as promessas dos veteranos de muita festa no curso. Promessas que se concretizaram, tocamos demais nessas festas! Então são sete anos de banda. O João entrou há dois anos e esse nosso primeiro disco foi lançado em janeiro do ano passado.

TB: Soube que vocês já estão compondo um novo disco. Tem previsão de lançamento?

WB: Montamos um mini estúdio na sala de casa aqui em São Paulo, mas estamos fazendo músicas sem nenhuma pressa, nos dias livres entre os shows. Ainda não temos a menor previsão de lançamento.

TB:  E a participação no MTV no Circo? Tocar com toda aquela galera deve ter sido algo muito massa…

WB: Foi incrível! Tem um vídeo que conta tudo: http://www.youtube.com/watch?v=I6dqKPKJrEY

TB:  Tocar por todo o Brasil é o que todas as bandas de rock desejam. A agenda da banda está movimentada neste mês de maio, o que é muito legal. Alguma vez vocês já tocaram aqui no RS? 

WB: Sim, já tocamos no Opinião em Porto Alegre e no festival Macondo Circus. Mas a gente sabe que tem tanto mais a conhecer aí no RS, por isso estamos muito contentes com essa mini turnê com o Jota Quest.

A Fliperama encerra a festa e recebe a Santo Graau em uma participação especial (Foto: divulgação)

Quem dá continuidade à festa é a banda Fliperama. O vocalista Sandro Vieira, ao ser perguntado sobre a participação no evento, respondeu que com certeza esta será uma noite inesquecível para a banda. Além de dividir a noite com uma das maiores bandas do pop brasileiro, tem uma atração que vai dividir o palco com a Fliperama: é a banda catarinense Santo Graau.

“Nossos irmãozinhos da Santo Graau vão marcar grande presença no nosso show, então você que está em duvida, não cometa a loucura de não aproveitar ao máximo essa noite de muito rock. Vai ser inesquecível! Nos encontramos lá e vida longa ao rock’n’roll!” Finaliza o vocalista, deixando um convite para o público.

Então é sexta-feira, dia 20, na Ecco Eventos e o The Backstage vai estar por lá para depois contar tudo o que aconteceu.

Bruna Molena@moleeena

Uma cidade interiorana com menos de 30 mil habitantes, essa é Frederico Westphalen. Há exatos 433 km da capital Porto Alegre, Frederico encontra-se isolada no mapa. Longe de grandes centros e, consequentemente, longe de grandes gravadoras, estúdios e alternativas de público. Mas o que isso tem a ver com o The Backstage? Tudo! Se não há público consumidor, de que adianta produzir?

O público prestigia uma banda local em um dos poucos eventos voltados ao rock em Frederico Westphalen (Foto: Bruna Molena)

As bandas de rock locais enfrentam um sério problema: falta de espaço no mercado. E não digo que isso é recente, pois em cidades pequenas aquelas nunca ocuparam o nicho central, porém, desde que o sertanejo universitário conseguiu instaurar seu monopólio nas gravadoras e rádios, o espaço do rock, que já era pequeno, praticamente sumiu. Arnaldo Requia, comunicador da rádio Atlântida de Santa Maria nos conta que em cidades de maior porte a situação é muito diferente:

– Na programação da Atlântida não rola sertanejo universitário. Simples assim, é uma decisão que vem de cima. O problema é o cenário da noite, as casas noturnas são as grandes “aliadas” desse nicho musical. Se o sertanejo hoje é forte, não é por causa de rádios FM jovens como Atlântida, Pop Rock e Jovem Pan, que são as maiores no RS, mas sim pelos eventos em que tocam esse estilo musical – comenta o radialista, que já morou em Frederico Westphalen e conhece a situação local.

Ele explica que há, sim, espaço nas rádios para bandas de rock que estão começando agora, porém eles seguem um critério muito especifico em sua emissora: ter a sede/origem na região de cobertura da emissora, portanto não adianta uma banda de Frederico Westphalen querer tocar na Atlântida de lá. E é aí que, mais uma vez, as bandas perdem a chance de ter alguém para conferir seu talento, pois, como disse o jornalista Arnaldo, essa situação é a realidade da rede Atlântida, nas rádios locais frederiquenses  é bem diferente.

“Ainda há espaço para o rock nas rádios. É menor que os anos 80, mas o rock é bem vindo. Mas a verdade é: existe uma carência de boas bandas de rock”

Cada vez mais surgem bandas novas em Frederico Westphalen e na região, mas, na contramão, brotam duplas sertanejas de diversos lugares do país que tomam o espaço de bandas de qualidade que tinham grande chance de ter um futuro no mercado musical. Um exemplo entre as inúmeras bandas de rock que nadam contra a corrente e lutam para abrir seu caminho entre botinas e chapéus é a Muhamba Aly, de Ametista do Sul, cidade próxima a Frederico Westphalen. Formada por Gianni no vocal, Pedro Jorge no baixo, Neny na guitarra e Rafael na bateria, é nova na estrada ainda, porém está aí para mostrar o que sabem e gostam de fazer. Conversamos com o baixista, Pedro Jorge, sobre a Muhamba Aly. Nesta conversa, ele contou quais dificuldades que enfrentam no início da carreira e o que os motiva a continuar.

Os quatro integrantes da Muhamba Aly no Motoseb, em Seberi - RS (Foto: arquivo pessoal)

The Backstage: Como a banda foi criada? Começou na brincadeira, em uma garagem ou vocês já pensavam em tocar para valer, trabalhar com isso?

Muhamba Aly: A banda no começo era formada por mim, o Rafael e o Gianni, nós tocávamos em casa, na brincadeira, nada muito sério. Em 2010 eu e o Rafa fomos convidados para tocar uma música de entrada na festa de 15 anos de uma amiga nossa, e o Nenny que ia tocar guitarra e cantar. Conhecemos o Nenny pelo Orkut, nos comunicamos para ver o que iríamos tocar. No dia da festa começamos a ensaiar a música e tocar outras para descontrair e acabou que nosso estilo de som era o mesmo e sabíamos quase as mesmas músicas. Um cara que estava lá curtiu nosso som e nos convidou para tocar no Motoseb, um encontro de motos que aconteceem Seberi. Isso foi uns dois meses antes do evento, mas nós não tínhamos um vocal, então aproveitamos a oportunidade e convidamos o nosso amigo Gianni que fazia parte da brincadeira antes. Ensaiamos umas duas vezes para tocar nesse encontro de motos. Escolhemos o repertório e fomos tocar. Me lembro que tinha pouca gente nos vendo tocar, o som estava horrível, muitas bandas haviam desistido de tocar naquele dia, mas como era nossa primeira vez, grudamos fogo! Foi legal pra nós, nos empolgou.

Depois disso começamos a ensaiar seguido e ir atrás de lugares para tocar, aí surgiu a idéia do Opus 10 Pub Hall, de Frederico Westphalen. Preparamos cinco músicas apenas pra demonstração do som da banda, já que era noite de Palco Aberto. A galera curtiu tanto que acabamos tocando duas horas com as músicas que tínhamos preparado caso isso acontecesse! Na semana seguinte fomos convidados para tocar de novo, rolando um cachê bom. Depois disso começamos a ensaiar seguido e ir atrás de lugares para tocar. No fim, acabou dando certo e o nome da banda continuou psicodélico como sempre: Muhamba Aly.

TB: Quais são as influências de vocês? Quem lhes inspira o rock’n roll?

MA: Nossa inspiração vem do rock gaúcho: Cascavelltes e etc. e também do rock’n’roll clássico americano e britânico: Beatles, Jimmy Hendrix, Led Zeppelin, The Doors, Creedence, Who, etc.

TB: Como é a rotina de ensaios da banda? E o set list, como vocês definem?

MA: Entre “morguiadeiras” rola algum ensaio… nosso repertório vem de cada um, quando um resolve de tocar um som, nós analisamos e se for do caralho nós colocamos na lista, sempre colocando algumas de nossas composições.

TB: A realidade que vemos em Frederico é que bandas de rock locais têm pouquíssimo espaço, principalmente depois dessa “invasão” do sertanejo universitário. Há muitas bandas e público para elas, porém poucos que invistam nesse nicho. Como é em Ametista? Também há esse “monopólio” do sertanejo que acaba excluindo os que não entram na dança?

MA: Sim, nós resolvemos correr da nossa cidade, lá a gente é bem excluído, nunca rolou muito rock’n’roll, ainda mais com essa invasão do sertanejo universitário…

A banda durante apresentação no Opus 10 Hall Pub (Foto: arquivo pessoal)

TB: Começar uma banda de rock não deve ser fácil, quais foram as maiores dificuldades que vocês enfrentaram?

MA: Era não ter em que ensaiar no começo, era tudo velho ou emprestado. O pessoal nos olhava e dizia: não vou emprestar pra esses guris de merda, não costumam cuidar das coisas! (risos). E ainda é difícil pra nos não ter onde gravar: ou é caro ou longe. Aí acabamos não tendo um material bom para mostrar o que a gente faz. Nossos vídeos são gravados com as piores câmeras possíveis, resultando em uma má qualidade.

TB: E mesmo com todas essas dificuldades que vocês tiveram no começo nos ensaios e agora, pela falta de espaço da cidade que vieram, o que faz o rock ainda valer a pena?

MA: Eu acho porque nós fomos criados escutando rock, sempre tivemos influências de familiares também, que mostraram coisas boas. Isso fez que nós nos criássemos escutando rock, gostando mais do que qualquer outro gênero musical. Lembro do meu pai sempre cantando e assoviando músicas do Raul Seixas, é de berço! (risos) Foi a nossa criação, por isso vale a pena, fazer o que gostamos mesmo, não se deixar levar pela moda de hoje, o sertanejo.

TB: Vocês já tocaram algumas vezes aqui em Frederico, é um objetivo expandir as apresentações para a região? Como é a recepção do público fora da cidade de vocês?

MA: Claro, nossa vontade é tocar em toda região,em todo Rio Grande do Sul e  Brasil! (risos) A gente gosta muito do que faz, o público sempre nos elogia, dizendo que agitamos muitos, fazemos a galera vibrar com as músicas. E isso dá cada vez mais vontade de tocar pra fora, mostrar o que a gente sabe mesmo fazer.

TB: Quais são os futuros planos da banda?

MA: Uma Limusine! (risos) Em primeiro momento, gravar nossas composições e seguir fazendo a única coisa que fazemos bem, o rock’n’roll.

Contato para shows:

Orkut  – comunidade Muhamba Aly

Josefina Toniolo – @jositoniolo

Apesar de todos os apelos do sertanejo universitário e dos mais variados estilos musicais, o bom e velho rock’n’roll ainda é bem representado em Frederico Westphalen. O cenário underground da cidade é composto por vários amantes do estilo. Bandas de garagem reunem-se para tocar clássicos e ainda há as que buscam ir mais além com composições próprias: esse é o caso da MotorCocks. O The Backstage conversou com o Lucas Widmar Pelisari, vocalista da banda para saber um pouco mais sobre esse projeto.

The Backstage: Quais são as principais influências da banda?

Lucas: Como fundador da banda, e compositor de todas as músicas, posso dizer que a maior influencia vem de bandas do rock da Noruega. De um estilo, originado em 2002, que se chama Dirty Rock N Roll (Rock Sujo), pela banda The Carburetors, muito conhecida lá. Alguns especialistas afirmam que seria o “retorno” do rock n roll com atitude e energia, onde a presença de palco vale mais que a técnica propriamente dita.

Logomarca da banda.

TB: Para quem não conhece, como é esse estilo?

Lucas: O Dirty Rock mistura Punk Rock, Rockabilly e Heavy Metal… Aí sai esse som louco. (risos)

TB: Quem são os integrantes da banda? Você já os conhecia antes de vir para cá?

Lucas: Eu sou vocalista e guitarrista solo, Éber Peretto, no contra baixo, Elvis Siqueira, na guitarra base e estamos em busca do “baterista dourado”. Não conhecia ninguém, tive que correr atrás.

TB: Como foi a gravação das músicas?

Lucas: Por não conhecer muito bem as pessoas da cidade ainda, tive que gravar os instrumentos das duas músicas sozinho. E por conta disso, o restante do CD será gravado por mim novamente, para não ficar com sonoridade muito diferente. O produtor, Marcos Vinícius Manzoni, gravou a bateria e eu coloquei as duas guitarras (base e solo), depois o baixo e por último o vocal. Só que o produtor acabou se mudando para Santiago, atrasando o restante das gravações para junho. Por enquanto conversamos por Skype, para acertar os detalhes das próximas músicas, para ele ter uma idéia do que será feito para que em uma semana consigamos gravar tudo.

TB: Não há conflito na banda por você fazer toda essa parte sozinho?

Lucas: Bom, quando eles chegaram os “dados” do futuro da banda já estavam lançados. Eu tive uma conversa com eles, e expliquei a situação, nós não deixamos de nos divertir bastante nos ensaios, já tentamos compor para um próximo álbum, que sairá provavelmente no final do ano que vem, para não perdermos o ritmo. Quando se tem um objetivo profissional, as pessoas têm que deixar um pouco seu ego de lado, para não prejudicar o trabalho como um todo.

TB: Quanto ao álbum, quantas músicas serão? O nome já está definido?

Lucas: Serão 10 músicas, o nome do álbum é Badass Rock N Roll, a nossa faixa no purevolume. Essa será a faixa de abertura, porém vamos tirar aquele começo com o Restart, porque não queremos ser processados. (risos) Dessas 10 músicas, teremos dois covers, um será Nice Boys (Don’t Play Rock’n’Roll), da banda Rose Tattoo e o outro, bem, surpresinha… Posso garantir que será no mínimo engraçado, é tipo o que a banda Children of Bodon fez da Britney Spears, só que não será dela o cover.

TB: As duas músicas que já estão disponíveis no PureVolume.com (Speeding On The Road e Bad Ass Rock’n’Roll) são em inglês. Vocês têm alguma composição em português?

Lucas:Temos sim, Terra Sem Lei, o baixo dela será gravado pelo Adyson Vieira, considerado um dos melhores baixistas brasileiros, fazer merchan da banda é sempre bom (risos). Essa música será a nossa promessa de hit, pois é rápida, direta, refrão legal e, particularmente, minha obra prima em termos de composição. A letra fala sobre correr na estrada com um carro, em busca dos prazeres, adrenalina, sexo, e rock’n’roll. Tocamos com minha antiga banda (F.G.U) uma vez, em um show, no segundo refrão as pessoas já cantavam conosco, o feedback foi maravilhoso, mas só lançaremos com o CD em junho.

F.G.U. Antiga banda do vocalista (Foto: arquivo pessoal)

TB: As bandas influentes de vocês não são muito conhecidas na grande mídia. Tem algum motivo especial ou é só questão de gosto mesmo?

Lucas:Na verdade, isso eu posso responder não apenas com minha opinião, no caso. O fato é que The Carburetors e Chrome Division são as bandas de rock mais conhecidas da Noruega, tipo Sepultura, Angra e Matanza aqui pra nós. Tanto é que o clipe Rock’n’Roll 4 Ever, da banda The Carburetors, entrou em primeiro lugar no top 10 da MTV da Noruega na época que foi lançado, coisa que aqui não acontece com nenhuma banda de metal.  A Nashville Pussy e a Rose Tattoo também são conhecidas lá fora. Por exemplo, a Nashville Pussy tem 2 DVDs ao vivo lançados e mais de 5 álbuns de estúdio. As informações é que não chegam no Brasil…. Mas posso garantir que no exterior essas bandas são muito renomadas. Por exemplo, Angra, faz mais sucesso no Japão do que no Brasil, então já da pra se ter uma idéia onde a música brasileira é valorizada.

TB: O objetivo da banda é esse? Uma carreira voltada principalmente para o público internacional?

Lucas: O objetivo da banda, por incrível que pareça, é ajudar pessoas. Buscamos a fama apenas para isso, em suma, então, nosso objetivo não é fazer sucesso fora ou dentro do país, é fazer o nosso melhor. No caso, queremos atingir o coração do Brasil, ajudar esse povo que sofre com políticos, temos um projeto, que eu apadrinhei, se chama Rock Salva. Queremos uma revolução, abrir os olhos das pessoas, mas para isso precisamos ter fama.

TB: E para finalizar, algum recado para os leitores do blog?

Lucas: Tenho um convite: Bora participar do Projeto Rock Salva e livrar esse país da desonestidade dos políticos!

A banda ainda não tem agenda de shows confirmada, mas se você ficou interessado, encontra o som dos caras no PureVolume. E no blog do vocalista você encontra mais informações sobre o projeto, como participar e colaborar.

Twitter da banda: @themotorcocks

Twitter do projeto: @procksalva

Bruna Molena@moleeena

Como vocês já devem ter visto por aqui, sexta-feira, 08/04, foi comemorado o quarto aniversário do Vinil Rock Café, com um tributo aos clássicos do rock no Clube Harmonia, e a equipe do The Backstage esteve lá para conferir tudo o que rolou. A princípio o clube estava meio vazio, até pensamos até que não ia dar em nada… ledo engano! Aos poucos o pessoal foi chegando, se aglomerando em frente ao palco, pronto pra curtir o melhor do rock. A casa não estava cheia, mas quem compareceu fez valer o ingresso: cantavam, pulavam e batiam cabelo como qualquer fã de rock que se preze faria.

A banda frederiquense The Elizabeth's abre a noite de shows, com cover de bandas punk como The Clash, Ramones e Sex Pistols (Foto: Josefina Toniolo)

A noite começou com a apresentação da única banda local do evento: The Elizabeth’s (já leu sobre o ensaio deles?). E, por ser sua primeira vez, mandou muito bem. Dava pra sentir a energia dos integrantes saindo dos instrumentos e atingindo o público na cara: ninguém ficava parado! O punk rock contagiou a todos, até que alguém grita “roda punk!” e salve-se quem puder. Eles se apresentaram por cerca de meia hora, com um repertório já definido, porém não resistiram ao coro de “mais um” e nos presentearam com a ótima “Should I Stay Or Should I Go”, da britânica The Clash.

Entre uma apresentação e outra, fomos no camarim ver o que estava acontecendo por lá. Os guris da The Elizabeth’s tinham acabado de chegar, extasiados após sua primeira performance ao vivo. Os integrantes da Back Doors Band, última banda a se apresentar, também estavam por lá, relaxando e se concentrando para quando fosse sua vez de subir no palco. Conversamos com alguns deles, todos pela primeira vez em Frederico Westphalen, e afirmaram estar ansiosos para tocar e muito satisfeitos com a energia que viram o público transmitir.

O baixista Fernando Ferreira e o guitarrista Marcos Buschmann (Foto: Bruna Molena)

Logo após foi a vez da banda catarinense, de Joinville, Sexy Pearl e, para quem tinha recém enfrentado 12h de estrada, eles estavam muito bem, obrigado. Com um repertório forte e recheado de clássicos, eles praticamente botaram a casa abaixo. Também tocaram composições próprias, como “Ela Está em Chamas” e “Meu Ouro, Seu Medo” que, mesmo desconhecidas para o público local, fizeram todos sair do chão. A iluminação do palco contribuiu bastante para o efeito dramático de algumas músicas, era tudo muito envolvente. A performance do vocalista Dinho é contagiante e sua voz casa perfeitamente com músicas legendárias, como “Man in The Box”, “Paradise City” e “Hound Dog”. O show estava tão quente que o baterista, Juliano, e o guitarrista, Marcos, não se aguentaram e tiraram as camisetas, incendiando a mulherada! Mas não era para menos, quando o Marcos e o Fernando, no baixo, vinham solar na frente do palco, não havia nem homem que se controlava, o hard rock da Sexy Pearl envolvia todo mundo. A melhor apresentação da noite, na opinião dessa humilde repórter que vos fala, pois o set list abrangia diversas facetas diferentes do rock que eles conseguiram harmonizar tudo em um conjunto só, encaixando-se no estilo deles e assim tornando única cada versão.

Depois do show, acompanhamos a Sexy Pearl até o camarim a fim de conversamos sobre a história da banda e a relação deles com a música. O vocalista Dinho passou a palavra para Marcos que, sendo o fundador da banda, saberia explicar melhor o começo de tudo. Ele nos conta que a Sexy Pearl nasceu em 2005 e que sua ideia era de alcançar um lugar de destaque tocando rock’n’roll, mas com composições próprias. A proposta não convenceu os integrantes que acabaram deixando a banda, dando espaço para os músicos que a compõe atualmente: o vocalista Dinho, o baterista Juliano Stumm e o baixista Fernando Ferreira, além do próprio Marcos. A partir de então eles começaram a investir em composições e em 2008 gravaram seu primeiro EP em um estúdio em Joinville. Após participar do 9° Festival Coletânea de Bandas, do qual saiu vencedora da etapa Sul, a banda se apresentou no Hard Rock Café Rio, onde foi gravado o DVD do Festival.

Sexy Pearl durante a conversa no camarim (Foto: Bruna Molena)

Dinho admite que, para ele, tudo começou com o sonho de ser rockstar. Ele já tocava antes, porém na Sexy Pearl todos evoluíram muito como músicos. O cover foi só uma maneira de conseguir um espaço no cenário musical, porque o interesse deles realmente é tocar suas próprias músicas, tanto que já estão gravando um disco.

Quando tocamos no assunto do lado negro do rock’n’roll – o lucro, Dinho desabafa: “O pessoal acaba abandonando o rock’n’roll por não ter retorno financeiro imediato, é como uma faculdade, tu gasta muito, mas depois tem a recompensa, é um investimento”. Mas garante que não há dinheiro que pague tocar uma música e ver a galera pulando.

Sobre o show daquela noite, disseram que vai ficar marcado, porque era um lugar pequeno, não tão cheio, mas quem estava ali era porque curtia. Segundo eles, os shows no interior sempre surpreendem de um modo positivo, já que nas capitais o público costuma ser mais frio. Respondendo à clássica pergunta “o que vocês acharam de tocar aqui?”, Dinho é enfático: “animal, a gente quer voltar quando vezes puder”.

Saindo do backstage e voltando à frente do palco, era a vez da porto-alegrense Back Doors Band se apresentar. A incrível semelhança do vocalista, Piá de Lucce, com Jim Morrison só contribuiu para fazer o publico se sentir realmente em um show do The Doors. Ricardo Farfisa mandava muito bem no teclado, que substituía o baixo também, enquanto Geovane Benedet comandava a bateria e Ellias Pedra ficava na guitarra. Mesmo nunca tendo visto um show do The Doors ao vivo, garantimos que o show vale muito à pena, eles incorporam as músicas e as executam com maestria. Um cover excelente que recomendamos, nem que seja só para conferir performance perfeita do vocalista.  O estudante Diesmen Luís, 22 anos, diz que não esperava que a noite fosse tão boa: “fui preparado pra sair fazendo críticas negativas sobre o show dos caras. Raramente saio aqui em Frederico, os shows quase nunca me despertam vontade, mas eu sabia que ia encontrar amigos lá e resolvi ir. Mordi a língua! Os caras são uma banda cover decente, cumprem direitinho o papel de banda cover. A calça de couro estava lá, a psicodelia estava lá”.

Giovane, Piá e Ricardo, da Back Doors Band, no camarim enquanto aguardam sua vez de tocar (Foto: Bruna Molena)

Sobre a festa como um todo, ele acrescenta que curtiu tudo: “não teve briga, não teve poser bêbado enchendo os caras pra tocar Raul. Gosto quando o show começa tarde e acaba tarde, é assim que um show de rock deve ser, pelo menos pra mim”. Ele ainda finaliza com um pedido: “que venham mais shows assim para essas bandas”.

No final da noite, latas vazias e corpos cansados compunham o cenário do clube quase vazio, porém a satisfação era visível. As luzes foram acessas, o lixo estava sendo recolhido e, mesmo assim, as pessoas insistiam em ficar, em beber mais uma cerveja, conversar mais um pouco, talvez para que aquele momento não acabasse. O que prometia ser uma noite de clássicos foi além do combinado e acabou se tornando clássica, uma festa memorável que vai deixar saudades.

Veja todos as fotos da cobertura do The Backstage em nossa página no Flickr.