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Carol Govari Nunes@carolgnunes

O “Crowdfunding” é um conceito que, em português, significa “fundo colaborativo”. A cooperação coletiva de pessoas que, por meio de seus recursos e rede de contatos, viabiliza a realização de uma iniciativa. De forma resumida, são pessoas que se unem com um objetivo em comum; realizar um evento. Seja ele qual for, pois a internet, através das redes sociais, acabou facilitando o encontro de pessoas com os mesmos interesses e, consequentemente, identificando as possibilidades de realizar um evento.

Baseado no modelo de “Ingresso-Benefício” Leonardo Leone, 24 anos, idealizou o “Budweiser Indie Festival” com a casa de shows Upper Club, em São Paulo. Abaixo, você entende um pouco melhor sobre do que se trata o evento e como pode participar para que ele ocorra.

The Backstage – Como e quando surgiu a ideia pra fazer o “Vamos realizar?”

Leonardo Leone – A “Vamos Realizar” é uma plataforma de vendas on-line. É preciso recursos financeiros, organização e contato e é aí que a “Vamos Realizar” entra negociando com as pessoas, fornecedores e divulgando a iniciativa nas redes sociais. É uma parceira no evento e eu não tenho vinculo com a empresa.

TB – Pode explicar um pouco o que é o “Crowdfunding”?

LL – O Crowdfunding ou Fundo Colaborativo é uma espécie de evento que é garantido pelos fãs. Existem vários modelos e o que criamos para o Budweiser Indie Festival foi o modelo baseado no Ingresso-Benefício: Precisamos vender 650 ingressos através da nossa plataforma online até o dia 20 de Abril para garantir o acontecimento do festival.

Divulgação

TB – Como funciona a venda dos ingressos e o que acontece caso o evento não se realize?

LL – As pessoas que comprarem esses ingressos ganham automaticamente 4 cervejas Budweiser para consumir no dia do evento além de ganhar direito a participar de sorteios de brindes nos intervalos dos shows. Entre os prêmios sorteados, estão 2 letreiros luminosos de neon da Budweiser. É importante falar que caso a meta de ingressos não seja alcançada, o dinheiro de quem comprou o ingresso é automaticamente estornado sem custos para o comprador. Todas as formas de pagamento são aceitas e é possível dividir o valor do ingresso no cartão de crédito.

TB – É a tua primeira experiência com isso?

LL – Trabalho com produção de eventos desde os 14  anos. O Fundo Colaborativo é um conceito novo no Brasil e ainda não é muito conhecido, mas é uma forma de realizar eventos com boa estrutura, boas atrações e segurança para os contratantes.

TB – Qual é a casa de show? Por que a escolha dela?

LL – O evento será no Upper Club (Próximo ao Credicard Hall). Essa casa tem uma estrutura impressionante, mas sempre foi voltada para o corporativo e social (formaturas e casamentos). Os donos do local decidiram tornar uma casa de shows e me chamaram para dirigir os projetos da casa e o Budweiser Indie Festival é o primeiro que vamos realizar.

TB – As bandas que compõe o lineup são todas independentes e estão crescendo muito no cenário atual. Como foi a seleção e o contato com elas?

 LL – Quando se fala em Indie Rock no Brasil todo mundo pensa em Cachorro Grande, em Vanguart. Eu frequento assiduamente os shows de rock independente e decidi o line-up baseado na qualidade das bandas, profissionalismo e mídia. São todos meus amigos pessoais há anos, mas o que realmente contou foi o feed back que tive desses shows que vou. Todas as bandas desse line além de terem gravados excelentes discos, são muito boas ao vivo. Quero que o festival seja um Start up para que o indie rock do Brasil cresça e se espalhe. A cena em São Paulo é muito forte e acho que tem potencial para se espalhar para o Brasil inteiro.

 TB – A divulgação na internet é a principal ferramenta de divulgação para o evento. Além deste meio, há algum outro tipo de contato ou informação que você queira deixar para os leitores do blog?

LL – O site www.vamosrealizar.com é o completo. Tem todas as informações do evento além de e-mails e telefones para tirar dúvidas. Estamos divulgando em parceria com as bandas na internet. Converso com os integrantes e todos sempre falam empolgados com o festival, estão ajudando bastante a mostrar que o evento precisa de venda antecipada para ser concretizado.

A estrutura de som e iluminação é excelente e isso também conta, pois a ideia é que o público enxergue as bandas como grandes bandas de rock nacional que são. Ser Indie não quer dizer tocar em pequenos bares para pequenos públicos sempre. É continuar fazendo um som visceral, sincero e impactante. Quanto mais apoio e estrutura as bandas tiverem, melhor o resultado do trabalho deles. A nossa parte, de trabalhar para fazer o evento acontecer, está sendo feita da melhor forma possível. Quem comprar o ingresso-beneficio, além das 4 Budweisers e dos sorteios, não vai se arrepender do que vai ver no dia 11 de maio. Após a venda dos 650 ingressos, será aberto o segundo lote. O valor do ingresso será maior que o lote inicial e não terá direito a consumação ou participação no sorteio. Quem comprar os primeiros ingressos, além de apoiar o evento terá vantagens. Isso não existe em nenhum modelo de Fundo Colaborativo. Criei exclusivamente para o Budweiser Indie Festival.

Natalia Nissen@_natiiiii

No último sábado, 18, Frederico Westphalen recebeu a banda Comunidade Nin-Jitsu para mais um show da programação de carnaval do município. Pela quarta vez na cidade a banda iniciou a apresentação, com quase uma hora de atraso, entoando o clássico “Cowboy”, música lançada em 2001 no álbum “Maicou Douglas Syndrome” e em seguida uma sequência de músicas já conhecidas pela platéia.

O público de foliões, apesar de ser muito menor ao esperado, não deixou a desejar na empolgação com o show que durou aproximadamente 50 minutos. No repertório ainda teve homenagem ao cantor Wando com a música “Chuva nas calcinha”, e as canções “Ah, eu tô sem erva!”, “Casa do sol” – tema do Planeta Atlântida 2005, “Não aguento mais” e “Detetive”, entre outras.

Fredi Endres, o guitarrista, tocou o tema do desenho animado “Bob Esponja” em homenagem ao bloco de carnaval que leva o nome da animação. O vocalista, Mano Changes, convidou a Rainha do Carnaval e o Rei Momo de Frederico Westphalen para subirem ao palco e mostrar a ginga ao lado da Comunidade e, então, outras garotas também atenderam ao convite e participaram da apresentação.

Ao final do show o vocalista manifestou-se a favor do carnaval, da música, das festas e alertou ao público para aproveitar as comemorações sem o uso de violência. Também elogiou a platéia e disse que a banda estava muito satisfeita com mais uma apresentação na cidade e que os integrantes da banda iriam aproveitar a festa até o final antes de retornar ao hotel.

A previsão era de que a banda se apresentasse à meia-noite, no entanto, o atraso de quase uma hora no show não foi justificado. Outros problemas em relação à organização do evento foram a cobrança dos ingressos, muitos espectadores que estavam de carro nem tiveram seus ingressos antecipados solicitados ao entrar no Parque de Exposições e, ao contrário do que foi divulgado com muita ênfase, a comprovação de maioridade para a compra de bebida alcoólica não foi cobrada como deveria.

Obs.: o The Backstage Blog deixa aberto o espaço para a manifestação da organização do evento em relação aos problemas citados.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Eles foram surgindo devagar: com um Myspace, algumas demos, um Twitter  e só em novembro lançaram o primeiro disco. “Música doce para pessoas amargas”, dizem os músicos sobre o conceito do disco. Estamos falando do Agridoce, projeto de Pitty Leone e Martin Mendezz, o qual foi criando vida na sala da casa da cantora em idos de 2009.

Influenciados por Nick Drake, Iron&Wine, Elliott Smith e tantos outros artistas, Pitty e Martin, acompanhados do produtor Rafael Ramos, do  engenheiro de som Jorge Guerreiro e do fotógrafo/cinegrafista Otavio Sousa, se isolaram na Serra da Cantareira, onde lá permaneceram durante 22 dias do mês de agosto do ano passado para produzir o disco no qual Martin abusa dos violões e Pitty se relaciona carinhosamente com o piano.

Foto: Caroline Bittencourt

Cantando quase todas as faixas do disco, Pitty entona sua voz com uma incrível doçura, mas não se engane: a aparência doce das músicas reveste letras e contextos azedos.

Para dar vida ao disco no palco eles chamaram outros dois músicos: Luciano Malásia (na percussão) e Loco Sosa (que vai soltar os samples “de tudo que não é violão, nem piano, nem percussão”, explica Martin). “O resultado é intimista, mas o sentimento é rock’n’roll. No fundo sinto a mesma coisa que quando estou tocando uma bateria, só que com um pouco mais de inteligência”, diz Loco Sosa, o cara dos samples. Malásia também comenta que “é muito legal tocar e conviver com eles, as músicas são ótimas e é sempre um desafio, estamos começando a fazer shows. Por mais que a gente ensaie nunca sabemos muito bem o que vai rolar e isso é muito estimulante”.

Um pouco do que aconteceu desde o surgimento das  músicas até o lançamento do disco você confere nessa entrevista feita por e-mail para a Revista do Opinião, agora também no The Backstage – sem edições. Enjoy the trip, porque aqui você lê a original (um pouco maior).

Carol – O Agridoce surgiu na sala de Pitty, tomou uma grande proporção e agora está aí, chamando tanta atenção quanto a banda principal. Podem nos contar um pouco sobre como foi desde o nascimento do projeto até a ideia de gravar o disco?

Martin – Quando o repertório cresceu e começamos a nos sentir mais a vontade com esse novo formato a idéia de gravar um disco e fazer shows foi se tornando cada vez mais um desafio atraente e se mostrando um desdobramento natural do projeto. Rafael acabou sendo o grande catalisador desse disco, ele acompanhou o Agridoce a distância desde o começo e sempre manifestou a intenção de se juntar a nós nessa empreitada e de fazer um registro mais cuidadoso das canções.

Pitty – Demorou bastante desde as jam sessions caseiras até o disco. Já estamos há uns dois anos nessa de compor, maturar as ideias, resolver finalmente transformar o projeto num álbum. No começo, nem sabíamos que seria um projeto e muito menos que viraria disco. A coisa foi indo, foi indo…

C – O Agridoce é fruto de encontros descompromissados entre os dois. Demorou até vocês resolverem disponibilizar “Dançando” na internet, já que inicialmente era algo muito particular, ou foi uma consequência natural?

M – Disponibilizamos “Dançando” na internet no exato momento em que ela ficou pronta. Apesar do caráter particular e pessoal não resistimos ao desejo de compartilhar aquilo que tínhamos acabado de realizar e que tinha nos empolgado tanto.

P – Não lembro exatamente quanto tempo demorou entre só tocar em casa e termos uma música de verdade, pronta. Mas lembro que se passou um certo tempo antes disso.

Foto: Otavio Sousa

C – Se isolar em uma casa no meio do mato deve ter sido uma experiência muito interessante, artisticamente e pessoalmente falando. Dá pra perceber que as músicas saíram de uma casa e foram para outra, sem horário marcado em um estúdio. Isso foi pensado para não perder o caráter intimista?

M – Totalmente. Além disso estávamos atrás da aventura de gravar num ambiente que não foi previamente preparado pra isso, o que acaba gerando ótimos desafios e resultados surpreendentes. A maneira peculiar como os instrumentos soavam lá e os ruídos naturais da casa estão presentes em todo o disco e conferem a ele muita personalidade, essas interferências eram elementos que estávamos buscando quando fomos gravar lá.

P – E a imersão total e completa na coisa, sem interferência externa, sem telefone, internet ou televisão. Só a música e criação, 24h por dia.

C – 22 músicas em 22 dias. Existia alguma rotina na casa ou vocês gravavam, dormiam e jantavam na hora em que sentissem vontade?

M – Respeitamos acima de tudo o ritmo natural do disco, tínhamos um prazo e um trabalho a concluir mas tentamos fazer tudo no seu melhor tempo. Essa prolificidade acabou sendo fruto do clima agradável criado por essa rotina.

P – E acabamos criando um fuso horário completamente particular. Café da manhã às duas da tarde, almoço às sete da noite e dormir só quando o último pedia arrego, rsrs. E gravar e tocar o tempo todo que desse vontade.

C – É perceptível que até mesmo as músicas que vocês tinham disponibilizado no Myspace acabaram tomando novos rumos, ficando mais sofisticadas. Ficar apenas entre 5 pessoas ajudou nessa composição, já que vocês não sofriam influências exteriores?

M – Sim. Realizar esse disco em parceria com Rafael Ramos foi um fator crucial pro trabalho tomar esses novos rumos. Temos uma relação muito boa com ele, tanto profissional quanto pessoal, e sabíamos que permitir essa interferência seria muito proveitoso e enriquecedor.

P – É a questão da confiança e da sincronicidade de ideias que permite essa interferência. Desde o começo sabíamos que queríamos o mínimo de gente possível, porque cada um que chega vem com uma energia a mais. E sabíamos que as energias tinham que combinar, então cada um ali foi escolhido a dedo.

Foto: Caroline Bittencourt

C – Alguma ideia sobre o que fazer com as músicas que não entraram no disco, ou ainda é cedo para pensar nisso?

M – Ao seu tempo algumas delas vão tomando seu rumo, por exemplo “La Javanaise”, versão de Serge Gainsbourg que gravamos, entrou como bônus track na venda do disco pelo iTunes.

P – “BDay” apesar de não ter entrado no disco está no repertório do show, e por aí vai. Conteúdo nunca se perde.

C – Martin é guitarrista e no seu projeto com Duda (Martin e Eduardo) apareceu como letrista e vocalista. Como é dividir as composições? Vocês dividiram também as letras, ou um chegava com a letra e o outro com a melodia?

M – Essa divisão é uma característica do projeto, já tínhamos colaborado em composições anteriormente, mas o Agridoce é baseado nessa parceria. Não temos um método para compor, geralmente alguém chega com uma idéia e vamos desenvolvendo, mas temos casos de canções que já chegaram quase prontas e outras em que fizemos tudo juntos partindo do zero.

P – Eu tenho mais costume de fazer as letras/melodias e ele as harmonias por ser mais o terreno de cada um, mesmo. No Agridoce rolaram outros processos além desse, mas ainda prevaleceu a coisa de “cada um canta sua letra”. A tendência é misturar cada vez mais, acho eu, até o ponto de ninguém mais saber quem fez o quê.

C – “Upside down”, só para exemplificar, ratifica a cumplicidade entre a dupla. A letra é natural, bonita e simples, além de uma amargura no refrão. Aquele “I don’t belong here” não vem de hoje, acredito eu. Pensando nisso e na música brasileira, parece que estamos todos em uma geração que foi perdendo a sua personalidade… Infelizmente existe a necessidade de se encaixar para ter espaço. Como vocês enxergam essa adaptação das bandas à modinha atual?

M – Acho que isso se deve a uma “preguiça” que foi inoculada no grande público pelos meios de comunicação em massa, as pessoas esperam que a mensagem venha facilmente digerível e numa embalagem familiar. Apesar dessa estética predominar ainda existem bons exemplos de artistas na contramão dessa tendência, e como tudo é tão volátil quando se fala de mercado acredito que essa mesa, mais cedo ou mais tarde, vai virar.

P – A gente não pensa nem em se encaixar nem em desencaixar. A gente gosta de fazer as coisas que a gente gosta, e depois fica torcendo para que haja um nicho pra ela em algum lugar do mundo. Eu não acredito nessas bandas ou artistas que buscam “se encaixar”. É o que você falou, não tem personalidade e fica evidente a farsa. Só engana quem não tem um pouco de senso crítico- o que, infelizmente, pode ser a maioria.

Foto: Otavio Sousa

C – Você assinam todas as músicas do disco, exceto “Say” e “Please, please, please, let me get what I want”, uma versão do The Smiths. Quem também assina “Say” é Ricardo Spencer, diretor/roteirista que já fez vários trabalhos com vocês. Como foi a composição dessa música? 

M – A música nasceu na varanda da casa de Pitty entre algumas cervejas enquanto nos preparávamos pra ir a um show. Spencer tinha a idéia de uma melodia, peguei o violão e fomos encaixando as coisas. Gravamos toscamente no celular e depois num ensaio eu e ela finalizamos o arranjo enquanto Spencer terminava a letra, foi tudo muito rápido e divertido, essa música foi um presente pra nós.

C – O videoclipe de “Dançando” já tem mais de 320 mil visualizações no Youtube, e sabemos que o Otavio Sousa registrou todo o período em que vocês ficaram na casa. Há previsão de um novo clipe por aí ou um possível DVD?

M – Ainda não sabemos o que vai se tornar o material, mas já assistimos alguns trechos e temos muita vontade de mostrar isso pras pessoas.

P – Eu acho que pode virar alguma coisa; não sei se documentário, filme ou tudo misturado. Mas tem todo o processo de gravação documentado, e acho que pode ser interessante dividir isso em algum momento.

* Nos dias 20 e 21 de abril o Agridoce tocará no Opinião. Como citado no início do texto, essa entrevista está na Revista do Opinião e você pode encontrá-la na própria casa de shows e também no Pepsi On Stage, UFRGS, PUC, ESPM, Lojas Vivo, Lancheria do Parque, Zeppelin CD’s, A Place e Casa da Traça, em Porto Alegre.

Natalia Nissen@_natiiiii

Esse post veio para relembrar os textos mais populares do ano aqui no The Backstage, segundo as estatísticas do WordPress. Selecionamos os 10 mais visitados e a seguir você confere a lista. Em 2012 o blog continua a todo vapor e você, leitor, pode nos enviar sugestões através dos comentários, Twitter Facebook.

1. “Caixa de surpresas do rock: a parceria entre Pitty e Ricardo Spencer”: uma parceria de sucesso entre o diretor Ricardo Spencer e a cantora Pitty, originalidade e o despertar de sentimentos em quem assiste aos vídeos.

2. “Agridoce e a diferença entre o abajur e a luminária”: pura subjetividade e o lançamento das músicas do projeto Agridoce.

3. “Maria Lúcia: novo pub em Frederico Westphalen”: uma nova opção de lazer e entretenimento para agradar todos os públicos.

4. “Planeta Atlântida 2012 já tem atrações confirmadas”: o “planeta de todas as tribos” rende-se ao axé, sertanejo e perde a essência do rock.

5. “You got a love tattoo, you got a love tattoo”: personalidade e a influência da música nas tatuagens.

A trupe delirando no Opinião (Foto: Carol Govari Nunes)

6. “Opinião delira com Pitty e Acústicos & Valvulados marcam grande presença no Beco”: uma noite de rock, ” Trupe Delirante no Circo Voador” no Opinião e  o festival Amplifica Indie Rock no Beco, em Porto Alegre.

7. “Bem-vindos ao Magical Mystery Meeting”: quatro cidades unem fãs para lembrar os Beatles.

8. “Mas afinal, o que é que o sertanejo universitário tem?”: a febre da música sertaneja e uma possível explicação para isso.

9. “Mariana Diniz deixa a banda Matiz e prossegue com projeto solo”: Mariana Diniz se afasta da banda Matiz depois de 5 anos como vocalista e pretende lançar suas músicas no MySpace.

10. “Red Curry: meninas também podem ter banda de rock!”: quatro garotas fazendo rock no oeste paranaense.

Carol Govari Nunes – @carolgnunes

Foto: Carol Govari Nunes

Quando eu fui selecionada para o intercambio a primeira coisa que veio na minha cabeca foi a possibilidade de ver um show da Imelda May. Logo comecei a cuidar a agenda dela e procurar passagens. O primeiro show que pensei em ir foi em Paris, mas ainda nao tinha o meu cartao de residencia. Ok, passa. Depois resolvi esperar para fevereiro ou marco, que eh quando meu namorado vem pra ca, mas a agenda da cantora pulou de dezembro para maio. Entao minha unica oportunidade seria quando ela estivesse tocando em Dublin, dia 16 ou 17 de dezembro. Ingresso caro, lugar muito grande e uma semana a mais de hostel, entao como eu ia estar em Dublin quando ela estaria fazendo shows na Irlanda, resolvi ir pra outra cidade. Atravessei a Irlanda e fui parar em Killarney no dia 22 de dezembro: Bingo. Acertei em cheio.

Show em hotel, publico perto do palco, cidade pequena. Fiz reserva em um hostel onde eu era a unica hospedada. Na verdade, parecia que eu era uma das unicas estrangeiras naquela cidade de 14 mil habitantes. Sotaque do interior, eu brigando com o dito sotaque e morrendo de curiosidade pro show. O pessoal daqui eh bem diferente. O inverno na Irlanda eh complicado. Amanhece as 9 da manha e anoitece as 16h (pelo menos nos dias em que estive no pais). Nao me aguentei e fui as 17h pro hotel, ou seja, 2 horas antes de o teatro abrir. Lógico que me perdi no caminho e cheguei la umas 18h15min. O show estava marcado pras 20h30min. Cheguei la, conheci o hotel e fiquei passeando, ate que vejo a Imelda May vindo na direcao do teatro. Pensei sem pensar e a chamei. Me apresentei, disse que eu era do Brasil e que gostava muito dela. Tiramos uma foto e ela entrou. Foi tudo muito rápido.

Pouco tempo depois o teatro abriu e o púbico comecou a entrar. Fiquei perto do palco e de repente um homem (o que tirou nossa foto) veio falar comigo, perguntando se eu era mesmo do Brasil. Eu falei que sim e ele disse algo que não entendi muito bem, mas terminou com um “15 minutes after the show”. Ok.

Foto: Carol Govari Nunes

O show comecou e foi a coisa mais linda que eu ja vi na minha vida. A Imelda tem um dominio absurdo de palco e envolve o publico completamente. Durante todo o show ela conversou com a plateia, agradeceu quem montou o palco, brincou, contou historias, explicou musicas novas e fazia todos ficarem em total silencio para ouvi-la. Darrel Higham, guitarrista e marido de Imelda, eh um show a parte (ja ouviu Darrel Higham and the Enforcers? Ouça tudo dele o que cair em suas maos, por favor). Com sua gretch laranja, ele tocou e cantou junto com a esposa “Temptation”, dos Everly Brothers. Sem firula, guitarra cheiona, crua, rockabilly pra dancar. Dave Priseman, Steve Rushton e Al Gare tambem sao extremamente talentosos e carismaticos, arrasando em seus respectivos instrumentos.

Intercalando cancoes do Love Tattoo, Mayhem e More Mayhem, a banda tocou nada menos que 28 musicas. O bis foi todo natalino, incluindo “Christmas (Baby Please Come Home)”, pra morrer um pouquinho mais. A primeira musica foi apenas com Imelda e Al Gare sentados no rabeco, ele tocando ukulele e ela cantando. Depois a banda entrou, eles tocaram mais duas musicas e o show chegou ao final.

Entao o show acabou e eu fiquei por la, ja que aquele cara tinha dito algo sobre “after the show”. Eu ja estava quase indo embora quando um outro cara veio e fez praticamente a mesma pergunta: “are you the girl from Brazil?” – “yes” – “so come here with me”. Vou, desco uma escada e chego no corredor dos camarins. Neste instante a Imelda estava conversando com um pessoal da California que tambem tinha viajado para ver o show. Passou por mim, olhou no fundo nos meus olhos, segurou nas minhas maos e disse: “YOU! I’LL BE BACK FOR YOU” (isso deve ter durado 2 segundos, mas, por favor, entre no clima romantico da minha narracao/imaginacao). Quando a galera da California foi embora ela veio neste corredor me buscar e fomos para o camarim.

Foto: Carol Govari Nunes

A essas alturas ela ja sabia meu nome, pois o produtor dela, com quem eu havia conversado, ja havia dito. Sentamos, ela perguntou como eu tinha ido parar na Irlanda e como conhecia ela no Brasil. Contei que meu namorado comprou o Love Tattoo em 2009 e foi amor a primeira audicao. Continuamos falando sobre qualquer coisa semelhante a isso e que meu ingles permitisse. A Imelda eh aquele tipo de pessoa que fala te tocando (bem friendly, como aquelas pessoas que tu encontra nos pubs em Dublin querendo brindar com uma guinness). Receptiva, espontanea e muito curiosa (ainda querendo entender como ela tinha fas no Brasil), disse que a unica palavra que sabia em portugues era “obligado”. Sim, com L. Foi tudo muito divertido. Muitas das frases que eu comecava ela terminava, tentando me dar uma mao no ingles. Acabou que eu nao fiquei nervosa em nenhum momento, pois ela foi tao carinhosa que nao tinha como nao ficar a vontade. No camarim ela continuou sorridente e charmosa, tanto como no palco, mas parece que quando ela tirou o salto alto e o vestido, colocou uma babylook e uma calça jeans ficou mais humana, if you know what I mean. No palco era assustador. Logico que isso pode ser coisa da minha cabeca e ela eh soh mais uma cantora de rockabilly, mas era desconcertante encarar aquele mulherao cantando. E ela olha muito nos olhos das pessoas. Eu não conseguia, confesso, sempre que os olhos dela voltavam para mim eu derretia e desviava. E no camarim era mais acolhedor, longe da persona cantora-fodona-no-palco.

Chegou a hora de ir embora, tiramos outra foto e agradeci muito ao produtor dela e ja nem sabia mais o que falar. Ela extremamente querida e eu mais encantada. Fui completamente rendida no Love Tattoo. Conto nos dedos de uma mao os artistas que fazem isso comigo, e a Imelda eh daqueles que eu ainda nao encontrei uma explicacao plausivel pra tamanha gana que ela me causa. Eu sou muito chata, ou morro de amores por uma banda ou to me lixando pra ela. Nunca soube gostar um bocadinho, como dizem os portugueses. Sem falso nacionalismo, dizer que eu era do Brasil nunca foi tao bem dito. Nao acredito em sonho e fico um bocadinho irritada quando falam em realizacao de um sonho. Eu nunca “sonhei” nada disso. Acredito em oportunidade (poder viajar), persistencia (nem a pau eu nao ia pra Irlanda) e sorte. E, porra, eu tenho sido sortuda pra caralho.

Desculpem a falta de acentuacao, mas estou sem notebook e na Belgica, ou seja, sofrendo com um teclado frances. Ia esperar ate voltar pra Faro pra escrever, mas nao me aguentei. Quando eu voltar posto todas as fotos e videos no nosso Youtube e Flickr.