Archive for the ‘Set List’ Category

Natalia Nissen@_natalices

Vou mudar de cidade.  Se não me engano é a quinta vez e sempre é diferente. Dessa vez vou para ficar pertinho da Carol Nunes que tb foi embora de Frederico Westphalen. Hahaha, mentirinha. Não é por causa dela, mas digamos que uma feliz coincidência vai fazer com que estejamos separadas por uma linha de trem entre a região metropolitana de Porto Alegre e o Vale dos Sinos.

Toda essa função de mudança mexe comigo porque na hora de colocar algumas coisas nas caixas e outras no lixo, vão sentimentos e histórias também – pro lixo e pras caixas. A possibilidade do novo e do incerto me anima em meio a tanta rotina. E nessas horas em que só se vê caixas e tralhas espalhadas pela casa, meu gato estressado com pessoas vindo olhar meus móveis quase todos os dias, quase não dá tempo de descobrir coisas novas na música.

Eis que uma moça cruza meu caminho nessa internet. Que coisa linda! Fiquei invejando a voz dessa britânica de 19 anos porque eu tenho 23 e uma voz de taquara rachada que fica ainda pior no rádio. Enfim, os vídeos da Ella Eyre no Youtube são do ano passado, de quando ela lançou o primeiro EP, mas só “descobri” hoje.  Os vídeos dela cantando ao vivo são muito melhores que os clipes oficiais (pelo menos os que eu vi).

Posso ser mais feliz se encontrar uma boa música nova a cada intervalo de arrumação da mudança. (Minha obsessão por felinos ainda destaca o “rei leão” da capa do EP).

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A música do dia vem direto de 2002, do álbum “Outubro ou nada”, da banda Bidê ou Balde. Com essa chuvinha, quem é que quer sair da cama? A letra da música é praticamente minha biografia: “E eu sempre acordo tarde, então não me chama / que tal passa a vida inteira dormindo mais que a cama?”. Ultimamente tenho sido uma pessoa mais diurna, mas durante muitos anos cultivei o (feliz) hábito de dormir até (bem) tarde – com chuva ou sem chuva.

A música cita o clima inglês e é completada pela coerência presente nas letras de todos os álbuns da Bidê ou Balde. Aliás, me identifico muito com o “Outubro ou nada”. “O antipático”, por exemplo, com sua agradável melodia e afetuosa letra dizendo “Eu não vou ficar sorrindo só pra ganhar a sua atenção / pare de tentar vencer do jeito mais prático” sempre disse muito sobre minha discreta personalidade.

Na verdade, minha identificação com a Bidê ou Balde vem desde “Se sexo é o que importa, só o rock é sobre amor”, de 2000, até “Eles são assim. E assim por diante”, de 2012. Já falei isso aqui umas mil vezes, mas em dias tão chatos do politicamente correto, de mensagens melosas, harmonias batidas, bandas palatáveis e completamente sem irreverência, letras que rimam “conselho” com “joelho” (ouça “Não adianta chorar”) são sempre bem vindas.

“Hollywood”, “É preciso dar vazão aos sentimentos”, “Back to quinze”, “Senhor promotor”, “Madonna”, “Lucinha”, “A-há”, “Tudo é preza”, “Coisinhas nojentas de amor”, “(Eu te amo) Lucinda” são as que me vem na cabeça, agora. Então a “música do dia” praticamente passou a ser a “banda do dia”, mas foi impossível colocar pra tocar só “Adoro quando chove”, a discografia inteira veio de brinde. É que hoje acordei meio Bidê ou Balde.