Archive for the ‘Rock’ Category

* Thiago Pimentel

Ouça o novo single do grupo, a música “Limbo”

Formada em 2009, a Mad Sneaks têm suas bases sob um rock sujo, visceral. Apesar da influência no stoner e punk rock, a música da banda mineira reverbera um estilo em particular, o grunge. E, em consonância as suas aproximações com Seattle, o power trio – formado por Agno Dissan (guitarra/vocal), Elton Reis (baixo) e Amaury Dias (bateria) – chegara a Jack Endino: o renomado produtor norte-americano (associado a bandas como Nirvana, Soundgarden e Mudhoney) produziu a estreia da Mad Sneaks, o disco Incógnita (2013).

Como mais um fruto da parceria com Endino, o grupo libera em Incógnita, cinco anos após o debut, seu primeiro single, a faixa ‘Limbo’. Além de consolidar o estilo dos mineiros, a composição traz um novo elemento: o uso do inglês. Divulgando seu nome fora do Brasil, a banda faz um passo significativo para expandir seu trabalho.

Confira, logo abaixo, as novidades da Mad Sneaks e, também, alguns dos planos dos músicos para o futuro – além de, claro, conhecer melhor o grupo que chamou atenção de nomes como Charles Cross (crítico musical) e do próprio Jack Endino.

The Backstage: O lançamento de “Limbo” anuncia algumas mudanças para a Mad Sneaks – mais notadamente o uso do inglês, no aspecto lírico. Cinco anos se passaram desde o debute: o que podemos esperar do próximo álbum? E quais as razões para compor, agora, em inglês?

Agno Dissan: Na verdade, nunca tivemos uma intenção concreta sobre como escreveríamos nossas músicas. Para nossa música, a única regra que seguimos é “não manter regras”, sempre mantivemos a liberdade de deixar a arte falar por si só. As músicas com letras em inglês foram apenas consequências desta liberdade. Mas isso também não significa que nos prenderemos com letras somente em inglês, trabalharemos conforme a arte nos conduzir. Um fato curioso, foi que nosso primeiro álbum (Incógnita) teve uma repercussão muito boa fora do nosso país, principalmente em países onde a língua inglesa predominava. As pessoas nos escreviam dizendo que adoravam as músicas, mesmo não entendendo as letras em português e com o lançamento de Limbo em inglês, também já estamos sendo surpreendidos com as pessoas do Brasil nos dando feedbacks positivos. Esta é a magia da arte!

The Backstage: No passado, Jack Endino fez algumas declarações negativas sobre brasileiros cantando em inglês. Em virtude do seu envolvimento com a banda, de que forma ele vê o trabalho da Mad Sneaks? Aproveitando: como vocês realizaram o contato com Endino?

Dissan: Acreditamos que este ocorrido possa ter sido algum tipo de “comentário infeliz” da parte dele, ou até problemas de interpretação. Ele já produziu bandas brasileiras que cantam em inglês após este ocorrido, através de projetos de incentivo de marcas de tênis. Já vimos algumas entrevistas antigas dele, inclusive que ele afirmava que os americanos tinham muito a aprender com as músicas brasileiras para que não ficassem presos somente na mesmice do tempo de 4×4. Enfim, nós particularmente sempre tivemos um bom relacionamento com ele e não temos nada a se queixar dele tanto como pessoal, quanto profissional. Até mesmo porque, se ele dissesse que não gostou do nosso material em inglês, isso jamais nos impediria de lançarmos mesmo assim. De qualquer forma, nós apresentamos uma das músicas a ele, que será a segunda música a ser lançada como single e ele achou ótima. Ele é um produtor independente e deixa claro que somente trabalha com artistas que ele gosta. Mostramos nossas músicas já mixadas para ele, ele gostou do material e nos escreveu perguntando se queríamos trabalhar com ele.

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Mad Sneaks (Divulgação)

The Backstage: Há, claramente, um grande apelo ligado ao grunge e a Mad Sneaks. De que forma o movimento de Seattle motiva a banda? É notável, também, elementos do stoner no grupo – pessoalmente, esses toques me remeteram as bandas (grunge) que enveredavam para esse lado (Screaming Trees e Soundgarden, por exemplo). Além de Seattle, quais as outras influências da Mad Sneaks?

Amaury Dias: A base de influências de cada membro da banda é bastante vasta, vai desde o punk rock ao heavy metal e cada detalhe pessoal dá uma característica e uma forma específica para cada canção. Com certeza temos uma paixão pelas bandas rotuladas como Grunge, mesmo as de fora de Seattle, mas nunca nos prendemos ao rótulo. Gostamos do estilo de músicas com altos e baixos, partes lentas e rápidas, com vocais suaves e gritados. Acreditamos que seríamos assim, mesmo se Seattle não tivesse revelado este movimento cultural, é claro que influências sempre existiram e sempre existirão, mas tocamos como sabemos e cantamos como conseguimos. Estamos sempre à procura de bandas “novas”, mesmo que sejam novas somente para nós. Sempre ficamos felizes quando conhecemos bandas que gostamos do trabalho. Ouvimos bandas como Social Distortion, Rancid, Ramones, QOTSA, Violent Soho, Airbourne, The Virginmarys, Helmet, Drowning Pool, Downface, Iron Maiden e etc. Dentro do Brasil, temos muitas bandas e artistas que gostamos como Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, Garotos Podres, Vivendo do Ócio, CPM22, Raimundos e artistas do underground de qualidade superior a muitos do mainstream e que somos fãs como Dvrill (precisam ouvir este projeto, é surpreendente!), Rádio Attack (rock brasileiro de dar orgulho!).

The Backstage: A banda também prega um discurso de “rock vivo”. Até que ponto o “rock está morto”? De que maneira vocês acreditam que pode contribuir com este cenário?

Dias: O rock nunca morreu, isso é uma grande besteira! Ele só está com esse papo de morto, porque não está presente no mainstream. Talvez isso seja bom, tudo se renova, este processo não é nada mais do que uma outra renovação. O público de rock sempre foi um dos mais fiéis ao estilo e sem dúvidas, quem gosta de rock jamais deixou de gostar só porque passam uma mensagem de que o rock morreu. Se olharmos para trás…o Rock sempre tomou o mundo de assalto em momentos como esse, quando ninguém mais achava que as coisas poderiam piorar, o Rock aparece com força total e vira todo o jogo. Enquanto não acontece esta revolução, mesmo com público reduzido, por falta de suportes, incentivos e estruturas, o rock segue se purificando e isto significa que cada vez mais o estilo está voltando em sua pureza natural. Se alguém duvida disso, basta frequentar shows de bandas fora do mainstream e comprovar, o rock está ficando cada vez mais sincero e puro, como sempre deveria ter sido. E o que é sincero e real, nada pode segurar! O que sempre fazemos questão em colaborar com a cena é manter nossos trabalhos com a melhor qualidade possível e SEMPRE de forma sincera, sempre buscando apoiar outros artistas que vemos que também trabalham de forma sincera com sua arte, o resto é consequência. Já falamos várias vezes, as coisas estão acontecendo, os olhos mais atentos já conseguem enxergar. Quem viver verá! E feliz será aquele que acreditou e participou desta revolução! A história é escrita de acordo com as atitudes tomadas. Sem atitude, não há história.

 The Backstage: Críticos como Charles Cross já teceram elogios à banda. Como vem sendo a repercussão ao novo single? E ao primeiro álbum do grupo?

Elton Reis: Cross é outro cara que temos uma consideração ímpar, ele sempre foi muito solícito conosco, já nos conhecemos há muitos anos. Somos fãs dos trabalhos dele desde sempre. Um fato curioso é que ele conta que o filho dele tem e usa uma de nossas camisetas até hoje, vai pra todos os lugares com ela. Ele foi um dos primeiros a conhecer nosso trabalho fora do país, antes mesmo de lançarmos o Incógnita. Estamos trabalhando duro na divulgação do novo single e fazendo um bom número de shows para divulgá-lo, temos roteiros prontos para clipes que não tardarão a serem produzidos. Acreditamos nossas vidas em nosso trabalho e vamos seguir em frente, não importa quantos muros tenhamos de derrubar. Rock para nós não é somente entretenimento, é estilo de vida!

The Backstage: Desde Incógnita (2013), muita coisa se mudou no “mundo digitalizado”. De que forma a Mad Sneaks se porta diante desses novos paradigmas? Como veem os serviços de streaming, por exemplo?

Reis: São modernidades que vieram pra ficar, não adianta virar a cara para elas, estão em todos os lugares e em questões de comodidade, são excelentes meios de conhecer novos artistas de qualquer lugar do mundo. Como tudo nessa vida tem seus prós e contras, infelizmente o contra disto é que tudo fica mais banal e descartável com mais rapidez. Enquanto um CD durava até anos sendo tocado por inteiro e ininterruptamente, até mesmo pela dificuldade de acesso a outros materiais, hoje um “hit” via streaming pode durar apenas semanas ou até dias. São os dois lados da mesma moeda. Tentamos acompanhar estas tecnologias, estamos em todas as plataformas digitais e lutamos todos os dias para fazer nossas musica ser ouvida. A forma como seremos ouvidos não importa, o que é realmente prazeroso é chegar nas pessoas e provocar boas reações, bons sentimentos, a música ainda é mágica, independente de como ela será recebida, ela ainda tem poderes de tocar os sentimentos das pessoas.

The Backstage: Por fim, o que podemos esperar da Mad Sneaks a longo prazo? Quais novidades podem ser adiantadas ao público?

Dissan: Sobre os lançamentos futuros, o próximo passo é lançar o segundo single e ele será realmente incrível, lançaremos também Videoclipes legais. A concepção original é de lançar singles isoladamente e ir montando o álbum aos poucos e no final juntar os singles lançados com algumas outras surpresas e fecharmos o disco. As novidades serão divulgadas em nosso instagram (@madsneaksrock), Facebook e Youtube. Segue a gente! Estamos na estrada e com uma agenda realmente boa, venham aos nossos shows! Uma coisa podemos garantir, vamos fazer com que sua noite seja insana! Esperem sempre dos Mad Sneaks a maior dedicação em tudo, seja em redes sociais, seja nos shows ao vivo. É tudo sincero, é tudo feito com a alma, é a nossa entrega! Seja lá como for… a história só é escrita com atitudes! Nos vemos na estrada…

 

 * Thiago Pimentel é jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Atualmente é mestrando em Comunicação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde faz parte do L.A.M.A (Laboratório de Análise de Música e Audiovisual). E-mail: thiagopimentelbl@gmail.com

O primeiro domingo de julho ficou marcado pelo encontro de diferentes gerações do rock gaúcho num local já repleto de histórias: o auditório Araújo Vianna.

Foram 8 horas de muita música e celebração com bandas e artistas consagrados na cena: Taranatiriça, Julio Reny & Os Irish Boys, Defalla, Tenente Cascavel (com integrantes das bandas TNT e Os Cascavelletes), Claudio Veracruz (Bixo da Seda), King Jim (Garotos da Rua), Zé Flávio (Almôndegas), Cokeyne Bluesman, Egisto dal Santo, entre outros.

Entre as bandas da nova cena, selecionadas em um edital, estavam Jota Emme Electroacústico, Le Batilli, Radio Russa, Piratas do Porto, O Mensageiro, Quem é Você Alice?, Adrielle Gauer e Matéria Plástica.  Todas as bandas foram apadrinhadas por algum músico da “velha guarda”, que fez uma participação especial durante os respectivos shows. Por exemplo, Biba Meira tocou bateria durante a canção “Sobre Amanhã”, do Defalla, em uma versão feita por Adrielle Gauer.

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Tenente Cascavel era uma das bandas mais aguardadas do festival (Foto: Carol Govari Nunes)

A plateia, composta em sua grande maioria por adultos, se mostrou muito mais animada durantes os shows de Julio Reny & Os Irish Boys, Taranatiriça e Tenente Cascavel.

Além das atrações musicais, o festival também homenageou nomes importantes para o rock gaúcho, como a produtora Cida Pimentel, atuante na cena desde a década de 1980 e que ajudou a impulsionar bandas como Garotos da Rua, TNT, Os Cascavelletes e Cachorro Grande, e o produtor musical Reinaldo Barriga, responsável pela produção dos primeiros discos das bandas que participaram da coletânea Rock Grande do Sul, lançada em 1986 pelo selo Pug-RCA, que levou o rock gaúcho para todo o Brasil.

Essa promete ser somente a primeira edição do festival. Os organizadores garantiram, ao final da noite, que em 2019 acontecerá uma segunda edição. Fiquemos no aguardo.

Desde que voltei pro RS eu fui atropelada pela minha tese de doutorado. Não escrevo nada por aqui desde o Coquetel Molotov, que rolou em outubro do ano passado, mas achei que essa era uma data especial e não poderia deixar passar em branco.

O Admirável Chip Novo, disco de estreia da Pitty, completou 15 anos no último dia 7 de maio. Há 15 anos eu tinha 14 anos. Uma adolescente virada em hormônios e com uma enorme disposição pra “fazer arte”, como diz minha mãe. Se fosse no sentido de ser artista seria ótimo, mas era no sentido de ser arteira, mesmo. Estava no 1º ano do 2º grau (que nem deve mais ser chamado dessa forma), usando roupas do avesso porque não queria fazer nada que fosse correto (que absurdo roupa ter lado certo pra usar) e era um misto de “Maladragem” (Cássia Eller), “Lithium” (Nirvana), “Arrastão do Amor” (Comunidade Nin-Jitsu), “Queimando Tudo” (Planet Hemp), “Suck My Kiss” (RHCP) e “Rebelde Sem Causa” (Ultraje a Rigor), basicamente.

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Recorte da capa do 2º Caderno da ZH onde anunciava o show da Pitty pela primeira vez no RS. Junho de 2004 (não sei a data exata e a pasta onde guardo tudo isso está na casa dos meus pais)

Na minha casa não tinha TV por assinatura, então a gente não tinha MTV. Não vi quando o clipe de “Máscara” foi lançado, mas logo fiquei sabendo porque uma amiga me contou. Perguntei (no ICQ) o que ela andava escutando, ela disse que gostava de “Máscara”, da Pitty. Abri o Kazaa (!), procurei e baixei. Achei aquilo muito, muito, muito estranho. A música era foda, pesadona, guitarrão, mas não sabia se gostava do timbre da voz da cantora; ela parecia meio afobada, também. Aquilo era estranho, mas também era interessante, então de alguma forma acabou me pegando, me deixando curiosa, porque no final de semana seguinte (os jóvis de hoje nunca vão saber como era conectar internet discada às 14h da tarde do sábado e só desconectar no domingo de madrugada) resolvi baixar outras músicas. Tentei baixar “Emboscada” e veio uma música do Leonardo (ah, as maravilhas do Kazaa). Procurei de novo, baixei “Emboscada”: opa! essa aí é legal. Baixei “O Lobo”, “Do Mesmo Lado”, “Temporal” e quando baixei “I Wanna Be” bateu imediatamente: aquela letra fazia totalmente sentido pra mim. Num Top 3 do ACN, ainda fico com “I Wanna Be”, “Do Mesmo Lado” e “Só de Passagem”. Ao vivo, “Máscara”, “Admirável Chip Novo” e “Equalize”. Aliás, eu só fui gostar de “Máscara” e “Equalize”, por exemplo, um pouco mais tarde, justamente quando vi a execução dessas músicas ao vivo. Pra mim a apresentação-chave foi “Máscara” no VMB de 2003. Ali foi o exato momento em que algo acendeu dentro de mim e nunca mais apagou. Também fiz o download da apresentação, claro, assistia ininterruptamente e ficava pausando pra anotar o nome das bandas baianas que Pitty fala no meio da música, fato que desencadeou minha quase-obsessão pela cena de rock de Salvador, sendo fortemente acentuada com o lançamento do Admirável Vídeo Novo, mas esse é outro longo assunto.

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Recorte também da capa do 2º Caderno da ZH, falando dos shows que rolariam em novembro de 2004. Fui no de POA e no de Portão

No ano seguinte, Pitty se apresentaria pela primeira vez em Porto Alegre. Era junho de 2004, eu já tinha 15 anos, praticamente uma adulta, uma mulher super experiente, e que, mesmo assim, a mãe não deixou viajar porque a passagem era muito cara e nem tinha ônibus direto da minha cidade natal pra POA. Ela veio novamente para o RS ainda naquele ano, e dessa vez eu estava decidida que daria um jeito de viajar pra POA e ver o show. Semana vai, semana vem, eu era a única pessoa que tinha computador com gravador de CD na minha turma, e esse foi o jeito que eu achei de juntar dinheiro pra passagem: comecei a gravar cópias piratas do ACN, com mais algumas músicas aleatórias que a pessoa quisesse, porque tinha espaço no CD-R, e vendia por 5 pila. Além de eu nunca ter comprado o ACN, ainda fazia cópias do disco para as outras pessoas. Um exemplo de fã, diga-se de passagem. Consegui juntar 45 pila, não lembro se esse era o valor exato da passagem, mas mesmo assim a minha mãe decidiu que eu não iria viajar 450 km sozinha de ônibus de linha. Tentou me convencer dizendo que se eu não fosse no show ela compraria um violão elétrico que era meu atual sonho de consumo – um Eagle preto que eu namorava numa Loja Multisom, em Ijuí, onde minha irmã estudava na época –, então eu não tive outra alternativa: precisei chorar copiosamente durante uma tarde inteira (bem rebelde, ela) pra minha mãe deixar eu ir pra POA. De quebra, ainda ganhei o violão, que tenho até hoje.

Sempre lembro que eu mandei um e-mail pra Pitty avisando que eu ia viajar pra POA pra ver o show dela pela primeira vez, porque, né, do alto do meu egocentrismo-adolescente-leonino, aquilo precisava ser comunicado (na verdade, era muito potencializado pelo contato através do Pitty-list, mas esse também é outro assunto e só quem viveu sabe como aquela época foi divertidíssima – e chuto, numa análise muito rápida, essencial pra formar uma rede que perdura até hoje). Ela respondeu dizendo que esperava que aquele fosse um dia especial na minha vida. Foi tão especial que eu ainda estou aqui.

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Turnê do ACN, primeiro show que eu assisti. Bar Opinião – POA, 19/11/04

Seria extremamente repetitivo se eu começasse a falar dos shows da Pitty – tem um arquivo inteiro nesse blog só sobre isso. Mas eu me sinto muito sortuda por ter acompanhado sua carreira desde o primeiro disco, podendo discutir tudo o que permanece, o que mudou, e curiosa com o que ainda vem pela frente. Ficaria horas escrevendo sobre isso, tranquilamente.

Em outra análise muito rápida, acho que a Pitty conseguiu, nesses 15 anos, lidar muito bem com todas as mídias e formatos de consumo musical: CD, vinil, dual disc, streaming, single em vinil, single digital, youtube, agora K7, ou seja, soube explorar a variedade de formatos desde que estreou nesse mundão da indústria fonográfica. Na questão do contato com o público, também: lista de discussão, flogs e todos os sites de redes sociais que foram surgindo pelo caminho, falando diretamente com/para seu público, fortalecendo aquela rede que eu citei anteriormente. Quando eu andei em uma vibe mais digital e surgiu a hipótese de ela ser um dos meus objetos na tese, recuperei todos os arquivos de listas de discussão e materiais entre 2004 e 2017, analisando a tal “coerência expressiva” que a gente tanto discute nos estudos de Comunicação e Performance. Mas esse também é outro assunto e acabou que minha tese não foi por esse caminho, então tudo o que eu analisar sobre ela, no momento, é só por diversão.

Por fim, acho que a comemoração dos 15 anos do ACN vale muito mais pelo projeto do que somente pelo disco. Por mais que eu tenha sentido uma identificação imediata com “I Wanna Be” e na sequência com as outras músicas, olhando pra trás o que me marca mesmo é o conjunto da obra: CD, DVD, identidade visual, postura, comunicação com o público, discurso, site, clipes, turnê. Foi um lançamento cheio de vigor e coerência em uma época já digital, repleta de distrações e superficialidades, fazendo com que Pitty se tornasse o nome mais consistente de sua geração.

Feliz aniversário, Chip Novo

*Ellen Visitário

 E aí, leitores do The Backstage! Tudo bem?

Não sei se vocês sabem, mas além de jornalista, sou também apaixonada por música – principalmente por músicas de alguém tão talentoso quanto o Duca Leindecker. Por causa disso, criei uma campanha na internet para trazê-lo ao Cine Joia, uma casa de show localizada no Centro de São Paulo.

A última apresentação do gaúcho na capital paulista aconteceu em novembro de 2013, ou seja, faz tempo que não temos a chance de reencontrá-lo nos palcos.

Por isso, e com a licença concedida de Carol – moderadora deste espaço –, peço a colaboração de toooooodos vocês para assinarem o abaixo-assinado online.

Preciso de muitas assinaturas para mostrar tanto à gerência do Cine Joia quanto à produção de Duca Leindecker que os fãs paulistas também querem curtir um show do músico ainda este ano.

O link é este e é muito simples o método de colaborar: https://www.change.org/p/cine-joia-queremos-o-duca-leindecker-no-cine-joia-sp

Muito, muito, muito obrigada!

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*Ellen Visitário é formada em jornalismo e além de colaborar no The Backstage Blog, ela faz parte da equipe de redação do site Rock 80 Brasil. Contato: ellenrodriguesvisitario@gmail.com

A 14ª edição do festival Coquetel Molotov aconteceu no dia 21 de outubro, no Caxangá Golf & Country Club, na cidade de Recife/PE. Forram mais de 12 horas de programação – incluindo shows, palestras, aulas de yoga – em 5 espaços diferentes, entre eles o Espaço Uplanet, onde aconteceram as aulas de yoga, palestras com diferentes temas e o Som Na Rural, de Roger de Renor (“cadê Roger? cadê Roger? cadê Roger? ô!”), um dos mais importantes agitadores culturais de Pernambuco, onde discotecaram DJs conhecidos na cidade, além de Lia de Itamaracá (conhecida como a maior cirandeira do país) e os rappers da Batalha da Escadaria (tradicional encontro de MCs do centro do Recife).

Os palcos Aeso, Velvet e Sonic receberam artistas locais, nacionais e internacionais. O palco Aeso ficou responsável por apresentar os novos talentos da cena musical brasileira, investindo muito na cena pernambucana. Os artistas que se apresentaram no Palco Aeso foram Pupila Nervosa (PE), Cellestino (PE), Lady Laay (PE), Gorduratrans (RJ), Soledad (CE) e Romero Ferro (PE), que recebeu Priscila Senna, vocalista da banda Musa, para cantar “Novo Namorado”, resultando em um dos momentos mais animados do palco Aeso (mesmo com a chuva que insistia em cair no Recife).

 

Ao mesmo tempo, no Palco Sonic, aconteciam os shows de Giovani Cidreira (BA), Kalouv (PE), banda instrumental que apresentou o disco Elã, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante (SP), tocando pela primeira vez no Recife, Kiko Dinucci (SP), com o disco Cortes Curtos, Hinds (Espanha), banda composta só por mulheres, uma das mais aguardadas da noite, Curumin (SP), que apresentou o disco Boca, lançado pelo Natural Musical, Alessandra Leão (PE), em turnê com o disco Língua, Afrobapho (BA), nome do show do grupo The Black’s, que tem se destacado no cenário de dança baiano, NoPorn (SP), projeto da artista plástica Liana Padilha, e Mamba Negra (SP).

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Arnaldo Baptista e seu “Sarau o Benedito?” (Foto: Carol Govari Nunes)

Os shows no Palco Velvet começaram às 18h com ninguém menos que Arnaldo Baptista, acompanhado apenas de um piano de cauda, onde apresentou o show Sarau o Benedito?. Músicas marcantes de toda a carreira do mutante, como “Balada do Louco”, “Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?” e “Não Estou Nem Aí”, não podiam faltar no longo repertório, o qual ele cantou sem nenhuma pausa e quase sem interações com o público. No telão, projeções de desenhos e pinturas de Arnaldo colaboravam com o clima totalmente intimista e subjetivo da apresentação.

Na sequência, O Terno, acompanhado de um trio de metais, fez um show pesado ao apresentar o novo disco Melhor Do Que Parece (também lançado pelo Natura Musical). Vindo dos EUA, o grupo DIIV, liderado pelo vocalista e guitarrista Zachary Cole Smith, apresentou suas influências de shoegaze, krautrock e dream pop.

Luiza Lian trouxe um espetáculo multimídia para o Palco Velvet. A cantora paulistana apresentou o show “Oyá Tempo, que se destaca por suas composições que evocam divindades divinas de religiões afrobrasileiras. Um show esteticamente muito bonito, diga-se de passagem.

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Linn da Quebrada apresentou o disco Pajubá (Foto: Carol Govari Nunes)

Uma das atrações mais aguardadas dessa edição do Coquetel Molotov era Linn da Quebrada, MC que sacudiu o cenário brasileiro com o hit “Enviadecer”. Seu novo disco Pajubá, produzido com financiamento coletivo na internet, foi entoado por uma multidão de fãs que se aglomeravam desde cedo no Palco Velvet à espera da apresentação da artista. Foi, de longe, o público que mais me chamou a atenção – mais emocionado, mais animado, mais ativo, mais vivo. A artista conversou com sua audiência durante toda a apresentação, falando da importância da diversidade, da resistência, da união, da luta e, claro, muita diversão. Certamente uma das performances mais marcantes da noite, Linn da Quebrada é a prova de que representatividade importa. Para fechar com chave de ouro, Nega do Babado, cantora muito importante na cena do brega recifense, fez uma participação no show de Linn com o que foi apresentado como sendo o “hino de Recife”, a canção Milk Shake.

Depois de Linn foi a vez de Rincon Sapiência, artista da cena de hip hop paulistana e que dialoga com ritmos que vão desde a capoeira até o blues, passando pelo coco e afrobeat. O rapper também convidou uma artista local para participar de seu show: Lia de Itamaracá, ciranceira que já tinha se apresentado no Som Na Rural. Rincon apresentou o disco Galanga Livre, lançado neste ano, que foi inspirado, entre outras coisas, na literatura de cordel e na MPB.

 

Fechando o Palco Velvet, os baianos do Attooxxa misturaram ritmos baianos com diferentes remixes e batidas eletrônicas, uma verdadeira convergência de sons para não deixar ninguém parado. Muito do “pagodão”, ritmo periférico soteropolitano, aparece nas composições do grupo.

Assim terminou a edição de 2017 do Coquetel Molotov, a primeira que presenciei e fiquei muito bem impressionada com a organização, line up e ótima estrutura oferecida ao público.

Uma dica pra quem perdeu o festival no dia 21 é ficar ligado nos shows que acontecerão  no dia 28:

O Instituto Conceição Moura apresenta No Ar Coquetel Molotov 2017 – etapa Belo Jardim.
Local: Parque do Bambu – R. Antônino Gonzaga, 363 – São Pedro
Data: 28.10
Horário: Shows a partir das 16h.
EVENTO GRATUITO

Outras informações: http://coquetelmolotov.com.br/novo/anunciados-os-grupos-selecionados-da-convocatoria-2017-do-no-ar-etapa-belo-jardim/