Archive for the ‘Rock’ Category

Quando eu cheguei na Olelê Music para conversar com o Leandro “Lelê” Bortholacci sobre ‘qualquer coisa que ele quisesse me contar sobre a cena musical de Porto Alegre’, já que eu estava procurando algo que me interessasse para pesquisar, jamais imaginei que chegaríamos ao Costa do Marfim. Comentei, sem pretensão alguma, que eu era integrante de um projeto de pesquisa que fazia um mapeamento das cenas musicais de Porto Alegre e Manchester, e então ele me mostrou algumas músicas do novo disco da Cachorro Grande (uns quatro meses antes do lançamento), o qual tinha “uma pegada Manchester”, como ele mesmo disse ao dar play nas músicas.

Este parágrafo acima inicia o artigo Costa do Marfim: a repaginação da banda Cachorro Grande, publicado nos anais do II Congresso Internacional de Estudos do Rock, em 2015. Foi nesse escritório na Lopo Gonçalves, em Porto Alegre, que eu conheci o Lelê. E que também encontrei o meu objeto de dissertação de mestrado. Muito tempo se passou, defendi minha dissertação – que óbvio, foi sobre a Cachorro Grande –, a transformei em um livro, fiz um doutorado e segui meu caminho na área acadêmica. (Nunca pensei em fazer nada fora da academia – tenho este blog por pura necessidade de escrever sobre shows, porque é escrevendo sobre os shows que eu os entendo. Sei lá por que eu preciso entender um show. Se eu não escrevo, parece que o show fica entalado dentro de mim. Inclusive, sem shows, esse blog ficou entregue às moscas, com um textinho ou outro.)

Ainda durante o doutorado, recebi um convite do Lelê para colocar um projeto na rua. O nome? EU QUERO SER SEU AMIGO DE NOVO. Ele explicou a ideia, eu fiquei tri empolgada. O projeto foi tomando diferentes formas, ficou um tempo na gaveta, até que, um dia, durante a primeira temporada da pandemia, recebi uma ligação dele perguntando se eu topava fazer um podcast sobre a história da Olelê, mais ou menos na mesma pegada do que já estávamos conversando. Imediatamente respondi “CLARO!” – afinal, escrevo sobre todas as bandas que a Olelê produziu durante suas quase duas décadas de atuação no mercado. Na hora, não pensei num detalhe: eu escrevo sobre as bandas, eu não falo sobre as bandas. Minha comunicação é totalmente através da escrita, e por mais que eu tenha facilidade em dar aulas, palestras, e apresentar trabalhos, é totalmente diferente de gravar um podcast. Mas tudo bem, né? Afinal, eu já tinha tido algumas experiências na extinta rádio Unisinos, inclusive apresentando programa (o Divã Pop, que depois virou o podcast do Cultpop), então beleza, tranquilo, vamos lá.

Pois bem: fomos na Cubo Filmes, produtora audiovisual responsável pelas gravações do podcast, e aí eu descobri que o programa seria gravado e veiculado também em vídeo, nesses formatos mesacast. Travei, óbvio. Expliquei para o Lelê sobre o meu desconforto em frente às câmeras (não à toa este blog se chama backstage; holofotes – especialmente se forem três, gigantes, me iluminando – me deixam mais introvertida do que eu já sou) e ele foi muito paciente nesse processo. Não que tenha melhorado muito, mas aprendi a lidar com aquela luz toda. Depois de algumas gravações eu consegui fingir naturalidade e até olhar para a câmera. Um avanço e tanto. Mesmo que eu tope fazer tudo e qualquer coisa que envolva música, me peguei pensando se eu era a pessoa indicada pra apresentar o programa com o Lelê. Acho que o Lelê confia no meu trabalho porque sacou um negócio que eu demorei umas oito gravações para sacar: eu sou fã, jornalista e pesquisadora de todas essas bandas – ou seja, vou do afetivo ao profissional, vi milhares de shows, sei todos os discos de trás pra frente, tenho muita proximidade com os músicos, mas também consigo ter um distanciamento na hora de escrever (ops); todas essas instâncias (afetiva, jornalística e científica) são meio misturadas, mas funcionam muito bem.

Além disso, somos de gerações diferentes, temos experiências diferentes, e consequentemente temos visões diferentes sobre essas décadas de história. E é sobre isso que o Eu Quero Ser Seu Amigo de Novo vai falar: histórias. Causos, tretas, separações, reconciliações, tudo sendo contado por quem vivenciou esses acontecimentos. Eu ali, ouvindo, cavocando nos arquivos do Lelê – porque, sim, peguei todo o arquivo físico dele para digitalizar, e, para quem pesquisa memória, isso é um parque de diversões! –, relembrando coisas antigas e descobrindo muuuuitas coisas novas, também.

Foto: Tatyane Larrubia / Amora Imagem

O programa vai estrear em março, na Cubo Play, plataforma da Cubo Filmes, e também nas principais plataformas de streaming.

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Na noite da última quinta-feira, 25 de fevereiro, Martin Mendonça fez uma ocupação no canal da Pitty na Twitch. O guitarrista contou histórias, tocou e comentou as faixas do álbum Matriz. Ao final, sugeriu que quem tivesse curtido o papo, ouvisse novamente o álbum e prestasse atenção em tudo que ele havia contado. E foi o que eu fiz. Na verdade, mais do que isso: voltei ao Matriz – Arquivos Completos, DVD duplo que registra o mais recente álbum da cantora, com o show que rolou da Concha Acústica, em Salvador, com direção de Daniel Ferro, o filme MATRIZ.doc, dirigido por Otavio Sousa, além de extras, making of, Videotrackz e videoclipes.

Martin reforçou o que Pitty vem falando desde que lançou o álbum: Matriz é um divisor de águas. É um disco que utiliza diferentes referências musicais, que foi gravado em diferentes estúdios, em diferentes estados, com diferentes músicos, e tudo isso converge para que ele seja, em suma, um disco de rock, pois essa é a essência da artista.

Gosto muito de como Pitty trata com leveza e segurança a questão sempre levantada sobre se “é rock ou não é mais rock”, abandonando a normatividade e a estagnação das definições de gêneros musicais. Ainda mais quando o Matriz – em especial o doc – deixa evidente a relação entre música e sociedade, mostrando que há um diálogo inerente entre formações musicais e formações identitárias. A música é fruto de um contexto cultural, social, econômico, afetivo e político, e é a partir daí que a gente consegue observar como a música pode ser didática para pensarmos as identidades, abrindo novas perspectivas para enxergarmos as características que extrapolam as barreiras da sonoridade. A música é um elo, como o próprio Russo Passapusso comenta; um elo que conecta o rock, o reggae, o samba de recôncavo, a raiz, o regional; oportuniza a discussão sobre posições, privilégios, comunidades: um elo que tem a finalidade de falar, de se expressar.

O caminho que Pitty percorre entre Lazzo Matumbi (seus elementos musicais e culturais), Larissa Luz e BaianaSystem (a nova cena e os novos ritmos), Peu Sousa (o afeto, fazendo muito mais do que uma homenagem) e Teago Oliveira (que vem da linha evolutiva de grandes compositores como Fábio Cascadura e Ronei Jorge) é de alguém que busca se (re)conhecer; e é na memória que encontra subsídio para entender quem ela é, como ela é, de onde ela é e por que ela é.

Vale apontar algo que está bastante claro em MATRIZ.doc: memória é diferente de nostalgia. Pitty não vive em um tempo de recordação total, não apresenta um tom saudosista ao olhar para o passado. Muito pelo contrário: com o apoio da memória, busca uma constituição identitária que destaca os vínculos entre o passado, o presente e o futuro, algo que é comentado pela artista em vários trechos do filme. A montagem do filme, aliás, é excelente ao reconstruir toda essa história, pois é ali, através das interações que ocorrem nas ruas, nos bares, com outras pessoas e com outros sons, que conseguimos entender como o Matriz se tornou o Matriz.

Matriz – Arquivos Completos (divulgação)

Em relação ao show, me perco dentro das minhas próprias emoções e não sei muito bem o que escrever. Nada substitui a experiência de um show ao vivo, mas, por ora, a única coisa que podemos fazer é revisitar essas experiências através de shows gravados. Um show também transmite memórias e manifesta o entendimento de identidade de um grupo. As performances, como salientam pesquisadoras como Diana Taylor, transmitem conhecimento. A partir do momento em que me coloco como ator social neste grupo, trago toda a minha carga pessoal, que se mistura com minhas referências de escrita; assim, a performance de Pitty funciona também como um modo de tentar conhecê-la profundamente – ela nunca foi somente um objeto de análise neste blog; é muito mais intenso que isso. Tudo que escrevo sobre ela tem um pouco (muito?) do eu sou, do que eu sinto e do que eu faço.

Em função disso, o Matriz não confunde somente os tempos da artista, mas também os meus e os de muitos/as fãs que a acompanham desde o início de sua carreira. Ele nos leva para um lugar que faz com que tenhamos vontade de investigar e compreender aquilo que habita em todos/as nós. Enquanto artista, Pitty sempre questionou mais do que respondeu. Usa a dúvida como benefício; pesquisa antes de afirmar. Faz o movimento de entrada e de saída de campo – o mesmo que a gente faz quando precisa se afastar de um objeto para renovar um olhar impregnado de nós mesmos. O Matriz – Arquivos Completos mexe muito comigo. Acho que por isso eu me enrolei tanto para escrever sobre ele. Aparentemente, eu precisava de um empurrãozinho do Martin 🙂

Como apreender as corporalidades e facetas performáticas de Elvis Presley, Poison Ivy, Lemmy Kilmister, Kate Bush e Kurt Cobain? Quais são as percepções possíveis sobre o feminino/feminismo a partir da vida e da obra de Sister Rosetta Tharpe, Patti Smith, Rita Lee e Pitty? Onde as dimensões políticas presentes nas letras de Pussy Riot, Bob Dylan, Charly Garcia, L7, Raul Seixas e Ratos de Porão se cruzam com seus compositores e intérpretes? O que as performances de Jimi Hendrix, Ma Rainey, Phil Lynott, Bad Brains e Clemente nos falam sobre a negritude? De que maneiras Cássia Eller, David Bowie, Laura Jane Grace, Joan Jett, Secos & Molhados e Little Richards provocam tensionamentos de gênero? Como manifestações e alinhamentos recentes ou recuperados do passado ressignificam biografias de Courtney Love, Johnny Rotten, Lobão ou Morrissey? Quais desdobramentos são vistos hoje das iniciativas de U2, Alanis Morissette, Metallica e Radiohead sobre a indústria musical?

Presença marcante da paisagem global de mídia e consumo, visceralmente conectado à indústria fonográfica como uma de suas commodities centrais, o rock’n’roll, em suas dimensões transculturais, apresenta impactos histórico-sociais e constitui-se em uma importante linguagem específica dentro do contexto da cultura pop. Mais do que isso, também marca a partilha de princípios identitários e sensíveis de amantes do gênero musical no mundo inteiro. Fundamental para a popularização da música pop desde a década de 1950, ao se misturar às transformações e agendas comportamentais sociais e políticas e às novas possibilidades de performances artísticas desde então, vem se recriando como um organismo vivo: desmembrou-se para diferentes subgêneros como glam rock, hard rock, indie rock, e incitou movimentos musicais e culturais como o punk rock, além de ter incorporado influências de gêneros como a soul music e o funk.

Empenhando-se em gerar um levantamento expressivo de pesquisas que interseccionam comunicação, música, história, sociologia e demais áreas das Ciências Humanas e Sociais, a organização do dossiê ESSE TAL DE ROQUE ENROW: perfis que amplificam o gênero musical em suas dimensões midiáticas, sociais, políticas e performáticas convida autoras e autores para a submissão de artigos que reflitam, através de um(a) artista (singular ou coletivo) com aderência no rock, sobre os tensionamentos, atravessamentos, problematizações e transformações que estas e estes produziram ou ainda produzem em questões sociais e culturais que extrapolam o gênero musical.

A baliza para este dossiê tem inspiração em uma prática típica do jornalismo: o perfil biográfico. Nesta direção, a proposta da chamada reside em um olhar microanalítico, como exercício de percepção e sensibilidade para determinados aspectos das vivências de uma ou um artista/grupo, que se concatenam com discussões a respeito de gênero, raça, nacionalidade, etarismo, consumo etc. A partir da visibilidade exclusiva sobre determinados artistas e seus episódios específicos (sejam eles discos, músicas, apresentações, indumentárias, acontecimentos, eras, declarações, liderança de movimentos), vislumbra-se a possibilidade para a composição de um quadro instigante de análise sobre o gênero musical em si. 

Nessa direção, o objetivo é jogar luz sobre possíveis protagonistas destas conexões arteriais entre o gênero musical e as ressonâncias culturais e engajamentos subjetivos das mais diversas ordens que, literalmente, fazem o mundo rolar, quando filtrados pelos discursos e performances do rock. Assim, a noção de perfil serve para sugestionar que, focalizando exames em certos protagonistas, é possível reunir um corpus de objetos que, perfilados, apresentem um breve inventário do rock na sociedade a partir de alguns de seus atores.

O dossiê será composto de artigos que, delimitados em uma personalidade roqueira, explorem de que modos os eventos e marcas notáveis de sua construção lírica, sônica ou imagética, suas performances ou suas carreiras por inteiro se impregnaram a determinadas macro narrativas. Assim, diferentes reflexões e abordagens teórico-metodológicas são bem-vindas. 

Os tópicos sugeridos incluem, especialmente:

BIOGRAFIAS: exames que contemplem fatos históricos (movimentos por direitos civis das minorias, a libertação sexual, o anti establishment, o conservadorismo), relativos à memória (individual e social) e a vivência de artistas; cinebiografias (como elas ressignificam entendimentos, imaginários e afetos); biografias literárias (como elas desenvolvem — ou não — a figura da e do protagonista, por exemplo); formações identitárias e estruturas de sentimento (como compreendemos a experiência dos indivíduos e grupos com as disposições sociais em determinado contexto);

PERFORMANCES: compreensão dos comportamentos de atores sociais em diferentes situações; análises de performances como uma forma de conhecer, através das encenações, as culturas, suas teatralidades e corporalidades; reflexões a partir de álbuns, turnês, revivals, videoclipes, shows, redes sociais;

MATERIALIDADES: experiências estéticas potencializadas por usos de elementos tecnológicos e midiáticos; produção de presença a partir da execução de uma canção, em eventos musicais, entre outras possibilidades; ensaios sobre capas de discos, artefatos técnicos, descrição de objetos, vestuário, instrumentos musicais etc.

O dossiê aceitará propostas entre 12-25 páginas, em português ou inglês. Para submeter a sua proposta, acesse o link: https://tinyurl.com/troposrock 

Dúvidas e outras questões podem ser enviadas à organização através do e-mail oficial deste dossiê: troposrock@gmail.com

Organização: Caroline Govari Nunes (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), Jonas Pilz (Universidade Federal Fluminense) e Thiago Pereira Alberto (Universidade Federal Fluminense)

Data limite para envio dos trabalhos: 20 de julho de 2021

Lançamento do dossiê: dezembro de 2021

Agosto veio com tudo para a cantora Pitty: um mês inteiro celebrando os 15 anos do Anacrônico, seu segundo disco, lançado em 21 de agosto de 2005. Como escrevi sobre os 15 anos do Admirável Chip Novo, achei que seria um interessante exercício de memória escrever também sobre os 15 anos do Anacrônico.

Três dias antes do lançamento, no dia 18, eu completava 17 anos; então um disco novo da minha cantora favorita foi um bom presente de aniversário. Em abril daquele ano, vi um show em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul, onde Pitty tocou “Brinquedo Torto” e talvez “A Saideira” e/ou “Anacrônico” (“Brinquedo Torto” é a única que tenho certeza, pois já sabia de cor e porque segue sendo uma das minhas preferidas do disco); uma versão muito mal gravada de algum show circulava na internet, provavelmente na comunidade Viciados em MP3 da Pitty, no Orkut, onde tinha de tudo – menos os discos oficiais, regra primordial da Comunidade. Lá eu também devo ter feito o download de “Déjà Vu”, “Claritin D” (que virou “Aahhh…!”) e “Seu Mestre Mandou”, todos áudios extraídos de algum show, e “O Muro”, só para citar algumas.

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Pôster do disco, que veio em algum caderno (Acervo pessoal)

Depois, vi o show de lançamento da turnê em Chapecó, no oeste de Santa Catarina, porque arrumei uma carona até a cidade, o que acabou me fazendo abrir mão da viagem para o show em Porto Alegre. Foi a pior troca que eu poderia fazer, pois quase não tenho lembranças deste show – o que me leva a crer que muito das nossas memórias se associam aos locais onde estas ocorrem; no caso, pra mim, o bar Opinião, palco da maioria dos shows que vi da Pitty. Por exemplo, lembro perfeitamente de outro show, ainda da turnê Anacrônico, que vi no Opinião, em 2006. Essas viagens me renderam um prêmio: na época, a Na Moral, antiga produtora que cuidava da carreira da cantora, fez uma promoção chamada “Mochileiros Pitty”, que premiava pessoas com as melhores histórias de viagens para shows. Ganhei uma mochila vermelha do Anacrônico, que usei até desmanchar, literalmente. Levei várias vezes em um sapateiro para consertar, até que ela se despediu deste plano, sem registros fotográficos, mas com muitas histórias que ficam para outro momento – inclusive a que eu contei para ganhar a mochila.

2005 foi um ano movimentado na banda: a saída de Peu Sousa e a entrada de Martin Mendonça, vindo da excelente Cascadura, deu uma encorpada nas guitarras do segundo disco. No primeiro show que eu vi com o Martin (aquele em Santa Maria, ainda do ACN, mas já com spoilers do Anacrônico), ele tocava praticamente o show inteiro com uma Fender Stratocaster amarela/branca-encardida, muito diferente das performances que eu tinha visto com Peu, onde ele trocava de guitarra várias vezes ao longo do show. A guitarra amarela/branca-encardida de Martin, de onde saíram muitos riffs que até hoje ecoam em nossas cabeças (e o solo de “No Escuro”, que ele gravou bêbado após uma desvairada epopeia em um brinquedo que te derruba em um colchão), aparece no Sessões Anacrônicas, que documenta as gravações do disco e vai ser disponibilizado em breve. Se não me engano (me corrijam se eu estiver errada), o lançamento do Sessões Anacrônicas foi no formato DualDisc, onde de um lado tínhamos o áudio do disco e do outro lado o documentário, o clipe da faixa-título e uma galeria de fotos. Ganhei o DualDisc de presente de formatura do Ensino Médio, onde entrei justamente com “Anacrônico”, que naquele ano continha o riff de introdução MAIS AFUDÊ da história das entradas em solenidades de formaturas do Ensino Médio.

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Recortes e revistas sobre a divulgação do disco (Acervo pessoal)

Ainda contextualizando esse período, em 2005 Pitty foi indicada a inúmeros prêmios, vencendo alguns dos mais importantes, especialmente no Prêmio Multishow de Música Brasileira e no VMB. O Pitty-List começava a se expandir, e consequentemente outras listas e fã-clubes foram surgindo e organizando a galera para os mutirões de votação. Desses prêmios de 2005 como, por exemplo, melhor cantora e vocalista da banda dos sonhos, talvez o de Ídolo MTV tenha sido o mais marcante. Lembro como se fosse hoje do discurso e do impacto no público que estava se formando (para acompanhar a carreira de um artista e como indivíduo, mesmo). Se trazido para os dias de hoje, o discurso ajuda a refletir sobre a cultura do cancelamento de artistas e a quebra as projeções nos relacionamentos entre fã e ídolo. Não vou me estender nesta observação porque tenho em mente outro texto sobre a arte ser superior ao artista e o cancelamento (principalmente retroativo) na era digital, mas vejam o discurso e pensem quais discussões ele pode incitar e como podemos reformular a visão que temos sobre nossos ídolos (e pra essas discussões, me chamem!).

EM 2020, BABY STREAMER E FEITICEIRA

Uma pandemia afetou o mundo inteiro e trouxe à tona a dependência que temos da cultura. Obras literárias, musicais, televisivas: recorremos a todo tipo de arte para atravessar este período de maneira mais confortável – muitas vezes, fugindo momentaneamente da realidade. Junto com isso, nos deparamos com um sistema frágil – falando aqui somente da área do entretenimento – e que não oferece auxílio aos artistas (e suas equipes) que não estão podendo exercer a atividade de onde tiravam seu principal sustento: o show ao vivo. A despeito dessa problemática, que envolve assunto demais para tratar neste post, as lives explodem como uma alternativa à aglomeração presencial; num primeiro momento, fujo de todas, atordoada com tanta informação e já exausta do mundo-tela que viria pela frente. Depois, me amanso e aceito que é preciso trabalhar com o que se tem, além de aos poucos ir escolhendo por quais canais e com quem, de fato, é proveitoso interagir.

Um desses canais foi a Twitch, plataforma de streaming da Amazon, para onde vários músicos migraram durante a pandemia. Antes habitado especialmente por gamers, a Twich vem ganhando artistas e público que até então estavam no YouTube e no Instagram, principalmente.

A Pitty foi uma dessas, que está lá há pouco mais de três meses, e já contabiliza quase 34 mil seguidores. No texto sobre os 15 anos do ACN, comentei sobre sua forma de contato com o público, passando por todas as possibilidades de interação (lista de discussão, flogs etc), fortalecendo a rede criada em 2003 e estimulando o pensamento autônomo de sua audiência, focando no que mais importa: a música. Seu canal na Twitch vem para dar mais um passo nessa direção: mais do que lives musicais, a cantora apresenta uma programação semanal onde debate diversos assuntos relacionados especialmente à arte, mas também joga conversa fora, num esquema audiovisual do Boteco que havia em seu site.

Falando em boteco, deixo aqui um post de exatos 15 anos atrás, onde Pitty fala sobre o trabalho de divulgação do álbum. Massa reler isso, não? E tem história nessa história…

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Print tosco do Boteco em 12 de agosto de 2005


AGOSTO(SO)

E a programação especial de comemoração do Anacrônico começa amanhã, em um papo com a fodástica cantora e compositora Josyara (procure conhecer!). Por aqui, estou bastante empolgada para acompanhar tudo o que vai rolar. No dia 18, ao invés de um Zoom Party, aparentemente vou ter que fazer uma Twitch Party, já que uma conversa sobre o Sessões Anacrônicas é imperdível. Abaixo, a programação completa:

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Programação de agosto no canal da Pitty na Twitch

Bom, por hoje é isso. Feliz aniversário, Anacrônico! ❤
Nos vemos novamente no aniversário de 15 anos do {Des}Concerto ao Vivo 😉

PS: Estou sem meu HD externo, por isso não postei fotos dos shows que comentei. Também não estou com meu DualDisc, por isso não tenho certeza do conteúdo exato que tem nele. Esses recortes, pôsteres e crachá (que ganhei de alguém da produção no show em Santa Maria) são coisas que achei na casa dos meus pais.

A Semana Sigmund é um evento gratuito da Unisinos que aborda o setor da música. A realização, que está em sua 11ª edição, é da Graduação em Produção Fonográfica da Unisinos e da gravadora Sigmund Records. Acontece online entre 4 e 7 de maio de 2020. 

A Semana Sigmund teve sua primeira edição em 2013 e pela primeira vez acontece a distância, alinhado com as atuais orientações sobre distanciamento social. 

O programa da 11ª Semana Sigmund é potencializado pela facilidade de acessar autoridades da área da música em regiões distantes através de videoconferência.  Entre os palestrantes estão profissionais com considerável experiência em mercados internacionais, nacionais e locais. O evento proporciona acesso a conhecimento valioso para profissionais da música e todos que tem interesse nesse setor.

Inscrições e instruções para participar do evento podem ser acessadas em: www.sigmundrecords.com/semanasigmund 

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A 11ª Semana Sigmund conta com mais de 40 convidados relevantes e atuantes no setor. Em destaque: 

Profissionais estrangeiros de music business, Robert Singerman, David McLoughlin e Allie Silver.

https://www.linkedin.com/in/robertsingerman/ 

https://www.linkedin.com/in/davidmcloughlin/ 

https://www.linkedin.com/in/allie-silver-06a68316/ 

Engenheiro de masterização Ricardo Garcia, da Magic Master (RJ), cuja expressiva discografia inclui Chico Buarque, Lenine, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jota Quest.

(https://www.allmusic.com/artist/ricardo-garcia-mn0001870810/credits)

Os principais estúdios de Porto Alegre, Estúdio Soma, Tec Áudio, Estúdio Suminsky, Áudio Porto, Áudio Farm, VTonello Produções;

https://estudiosoma.com.br/ 

https://www.estudiosuminsky.com.br/ 

https://www.audioporto.com/ 

https://www.facebook.com/audiofarmstudios/ 

https://www.discogs.com/artist/2884733-Vin%C3%ADcius-Tonello 

Empresários e gestores experientes,  Ilton Carangacci, Fabiana Menini, Ricardo Finocchiaro (Abstratti Produtora), Guilherme Tiessen Netto (Bar Agulha), Eduardo Santos (Loop Discos), Juarez Fonseca ( Zero Hora), Raul Albornoz (Antidoto/Acit), Rodrigo Garras (Selo 180), Diego Faccio ( Opinião Produtora, Araújo Viana), Marilia Feix (Lampeja Musica), Marcio Ventura (Ocidente), Gustavo Sirotsky ( Planeta Atlântida);

Especialistas em áreas do setor da música, Bianca Obino e Brunno Colpo (Artesania), Marcos Abreu, Cassio Scherer, Odilon Dala Porta, Lucas I. Guedes (Bóh! Produtora), Giovane Webster da Aquiris e Luiz Reolon (Yoho Produtora), Dra Adriana Amaral, Dra Caroline Govari, Cris Garcia Falcão (MD Ingrooves Brasil) Flávia Tendler, Frank Jorge (Coordenador da Graduação em Produção Fonografica Unisinos), Porã (Unisinos / Radio Atlântida), Adriana Vargas, Christian Vaisz e Charles Di Pinto.