Archive for the ‘Rock’ Category

Me arrepio sempre que assisto aos vídeos de 2Cellos, a dupla Sulic & Hauser. Mesmo que seja a décima oitava vez que assisto ao mesmo vídeo. Acho uma coisa lindadeviver. Hoje me deparei com o último vídeo postado no canal da dupla (com umas quatro semanas de atraso, pelo que vi): They Don’t Care About Us.

Acho incrível como eles conseguem transmitir uma verdade em cada uma das músicas. Claro que tem todo o lance de interpretação, mas acho demais essa história de transformar pop, rock e até música eletrônica em algo tão diferente. Diferente porque não é o tipo de música que todo mundo gosta, mas de forma ou outra, desperta uma certa curiosidade para ver o que pode sair daqueles dois violoncelos. E toda essa mistura me encanta.

Aqui no The Backstage é unanimidade. Lá em 2011 a Carol fez um post no Set List indicando um vídeo deles (quando a música do dia era o Set List, rerere). Na época eles recém tinham lançado o canal no Youtube e já tinham alguns milhões de acessos.

Agora, só esse vídeo já passou de três milhões de views. E é um vídeo cheio de efeitos especiais e tal. Pra quem interessar, eu ainda indico outros clipes. O de The Trooper Overture é todo cheio de graça. Também vale assistir a Wake Me Up – Avicii e Thunderstruck – AC/DC.

E se alguém quiser me dar um presente, pode mandar um CD ou DVD deles aqui pra casa. #ficadica

Carol Govari Nunes@carolgnunes

IMG_20150521_233318

Ótima iluminação de palco e som impecável foram alguns dos pontos altos do show (Foto: Carol G. Nunes)

O local é o mesmo onde eu a vi pela primeira vez, em 2004. Onze anos depois, muita coisa mudou. Na verdade, desde o show de lançamento do SETEVIDAS, em 2014, muita coisa mudou.

O segundo show da turnê SETEVIDAS em solo portoalegrense começou às 23h do dia 21, quinta-feira passada, e durou quase duas horas. Mais uma vez, com ingressos esgotados e o Opinião abarrotado de gente. Um público mais heterogêneo do que no ano passado se unia em coro para cantar todas as músicas. Se o som não estivesse ótimo, quase não teria dado pra ouvir a voz de Pitty em nenhuma canção. Perto de mim, mesmo um pouco mais para o fundo do bar, pessoas cantavam até terminarem com o ar de seus pulmões.

Aquele telão que eu comentei no ano passado está ainda mais interessante. Muitas imagens mudaram, transformando o show em uma experiência sensorial muito maior – quase que nos sugando pra dentro dele – e fazendo com que a fruição deste seja ainda mais intensa. Agora, durante Um Leão, o que rola no telão é o videoclipe da música.

Pra mim, o show de Pitty está muito mais combustão lenta do que explosão total em músicas específicas. Claro, tem seus ápices, mas há algo ali que incendeia o tempo todo; um fogo que nunca termina ou sequer diminui. A crueza do baixo-guitarra-bateria, que deu lugar a novos timbres e texturas, faz com que o público desfrute de uma experiência como um todo e com o corpo todo – do cérebro aos pés –, seja você da galera dos headbanguers, dos que cantam todas as músicas ou mesmo dos que ficam parados/hipnotizados/mudos sem tirar os olhos do palco. Talvez seja exatamente isso que faça com que o público esteja mais heterogêneo, de diversas idades e estilos, pelo menos aqui na capital gaúcha.

Definitivamente, a turnê SETEVIDAS traz uma artista renovada e sem amarras. A turnê acabou de completar um ano e se você ainda não viu, repito: vá ao show e presencie esse retorno brutal, pois é ali onde Pitty se desnuda emocionalmente – onde a vemos forte e com o que de mais genuíno a arte tem a oferecer.

PS: Rolou Be My Baby (acompanhada somente de palmas) durante Me Adora. O trechinho que consegui pegar ta aqui.

Martin – Quando Um Não Quer

IMG_20150520_220801

O show acústico de Martin traz arranjos lindíssimos para novas e antigas músicas (Foto: Carol G. Nunes)

O esquenta pro show de quinta rolou no La Estación Pub, no dia anterior, num show acústico do novo (e belíssimo) disco do Martin. Quem acompanhou Martin foi Guilherme, parceiro de sempre, e Fernanda Mocellin, que ahazou no cajón. De quebra, ainda rolou uma participação do Carlinhos Carneiro cantando Bromélias, clássico da Bidê ou Balde.

Martin tá com um repertório incrível, que mistura músicas do QUNQ e do Dezenove Vezes Amor, além de versões de discos que eles gostam. Dessa vez, rolou Bom Brasileiro (Cachorro Grande), Nostalgia (Vivendo do Ócio) e Contra-luz (Cascadura). Foi uma noite ótima com muito amor, música boa e diversão.

Além de estar em diversas plataformas de streaming, soube que o disco físico tá vindo aí. Fiquemos ligados!

Vídeo de Outra História, do disco QUNQ, aqui.

Natalia Nissen@_natalices

Queria ter escrito há mais tempo, mas as férias só chegaram agora. No início do mês vi uma postagem do Cagê Lisboa dizendo que estava desempregado. Era o fim da Ipanema FM – com a desculpa de continuar na web. Eu não ouvia todos os dias, mas era uma das rádios que ouvimos em casa na “hora do chimarrão”. “Apesar dos ótimos resultados nos últimos meses, a Band São Paulo decidiu colocar a AM nos 94.9. Foi o fim de um trabalho bonito que mudou a cena cultural e comportamental do RS”, publicou o Cagê.

A Ipanema também fez parte dos meus estudos para o TCC e fez parte da vida de muita gente que gosta do bom e velho rock’n’roll, desde os anos oitenta. Nas ondas do rádio lançaram uma pá de banda do rock gaúcho. E é uma pena que o rock perca, a cada dia mais, o espaço no FM. Porque sempre haverá alguém disposto a apertar o botãozinho do rádio para ouvir a programação sem ter que ligar o botãozinho do computador. Ainda assim, sorte a nossa que a internet está aí para nos mostrar boas opções de entretenimento.

on_airO rock não vai morrer. O rádio, o vinil, o jornal impresso ou os livros em papel também não. Mas é lamentável como o segmento perde espaço mesmo tendo público, só porque não “vende”. E naquela semana do comunicado sobre o fim da rádio, também vi um texto na Putzgrila. Os órfãos da Ipanema não ficarão sem ouvir as músicas e notícias que gostam.

A Ipanema FM acabou, mas o rock não. Nem o rádio. “À guisa de exemplo, as antigas rádios AM que pareciam fadadas à extinção com o advento das FM, ganharam novos formatos. Algumas delas se tornaram mais regionalizadas e outras foram ampliadas através da melhoria de qualidade dos sinais, transformando-se, inclusive, em veículos centrados basicamente no radiojornalismo. A transmissão via satélite transformou várias rádios FM em redes radiofônicas, ao mesmo tempo em que a mídia rádio é repensada pela veiculação através da Internet” – Jeder Janotti em ‘Aumenta que isso aí é Rock and Roll’.

* Ellen Visitário e Letícia Mota

A internet é uma explosão de possibilidades para o reconhecimento no meio artístico, seja você um comediante nato, um crítico de cinema, ou um acidente dessa rede popular. Para todos os casos, os vídeos postados pelos internautas no YouTube ganharam uma consolidação e visibilidade midiática tão grande quanto aparecer na televisão. O que bomba na internet torna-se mais do que conhecido, torna-se popular.

Possuímos uma visão arcaica sobre músicas clássicas, ou estereotipamos um conceito em que ela geralmente está embasada se for relacionada a massagens relaxantes. Evoluímos tanto durante os anos, porém, continuamos com preconceito com gêneros que não são habituais aos nossos ouvidos. Vamos desmistificar esse conceito e mostrar que existe espaço para todos.

A música instrumental vem ganhando um lugar na internet, não que seja o processo mais fácil para aceitação popular, mas o meio virtual vem cedendo espaço para os interessados de plantão em conhecer coisas boas, diferentes e abrangentes ao olhar, ou melhor, dizendo, aos ouvidos.

1

Marcelo Costa (Foto: Liliane Callegari)

É dessa forma diversificada que o jornalista e editor do Scream & Yell, Marcelo Costa, destaca a sua visão crítica sobre esse determinado gênero.

Em um bate-papo virtual, Marcelo aborda que o preconceito não surge pelo fato de reconhecermos o espaço que está sendo adquirido pela música instrumental, e sim, pela falta de percepção em permitir que a música nos envolva como qualquer outra, mesmo não contendo verbos. Inclui, também, em sua ressalva, que esse gênero tem mudado com o passar do tempo graças ao acesso à internet que ganhamos há um pouco mais de duas décadas, embora tenha a música associada em outros meios para que ocorra o interesse crescente do público. “A dificuldade está na cabeça das pessoas, e não na música”.

Além do mais, Marcelo Costa nos escreve com um olhar apurado sobre a repercussão dos internautas que acessam o Scream & Yell – um espaço dedicado, sobretudo, ao jornalismo cultural e que está no ar há 15 anos – ao se depararem com a música instrumental. Ele acredita que, cada vez mais, os leitores não se interessam, diretamente, se a música é ou não instrumental, mas sim, o que essa mesma música transmite a eles. E defende que, desse modo, as bandas instrumentais mais famosas sempre causam bastante burburinho, mas ninguém exclama se essa ou aquela faixa instrumental é boa, e sim, por exemplo, que a música do Mogwai é sensacional. Contudo, conclui que mesmo que o site tenha se consolidado com o passar dos anos, o público já atravessou – e atravessa – pontes de amadurecimento. Complementa que o leitor está mais atencioso com as nuances da música, e não se tem alguém cantando por de trás de uma interpretação.

Para exemplificarmos com melhor intensidade esta relação entre o artista e o público, convidamos o guitarrista da banda instrumental Camarones Orquestra Guitarrística para nos contar sobre a sua experiência na estrada com a arte que ele conduz. Objetivo e transparente com as palavras escritas em um corpo de e-mail, Anderson Foca afirma que o grupo de rock instrumental tem vários feedbacks sobre os shows e os CDs já lançados, principalmente de pessoas comuns não ligadas a determinada cena musical ou conceitual. Mesmo que a internet esteja disponível para qualquer tipo de divulgação, a banda prioriza os shows das turnês que duram em média de 120 a 150 dias no ano, e, a seu ver, continua sendo o único jeito de aproximar fãs de músicas reais à sua banda, tornando o projeto viável do ponto de vista financeiro.

Ao ser questionado sobre a iniciativa de lançar determinado conteúdo artístico na internet, podendo – ou não – quebrar os paradigmas de preconceito popular, o integrante da banda nascida no Rio Grande do Norte não hesita em afirmar que as bandas instrumentais não saídas do erudito ou das escolas de música, contribuem com um papel fundamental na popularização da música instrumental no país afora. E retrata que até seis ou sete anos atrás era impossível encontrar uma banda instrumental num LineUp de um festival; mas que, nos dias atuais, isso vem se realçando em um modo positivo à sua crítica.

Sem título

Chuck Hipolitho no Estúdio Costella (Foto: Ellen Visitário)

Quem nos dá a chance de perceber os lados emblemáticos desse gênero é o produtor musical e vocalista da banda Vespas Mandarinas, Chuck Hipolitho.  Em seu Estúdio Costella, localizado no bairro Vila Madalena, em São Paulo, Chuck nos recepciona e demonstra com a sua lábia que não há “regras” que determinem a arte de exercer e cumprir com o seu papel em emocionar o seu espectador. “A música é linda por si só. As pessoas não precisam ficar se preocupando com vocal ou instrumental”, completa. O produtor, que busca em sua memória a única experiência que teve ao produzir uma das obras da banda instrumental Camarones Orquestra Guitarrística em seu estúdio com cores abstratas, relata que, conhecendo o Foca, tem a convicção de que ele iniciou a banda porque sabia que a dificuldade de lidar com a parte vocal, no circuito underground, é complexa e assim ele podia dar razão às melodias dele de maneira instrumental e intuitiva.

Ainda com a total certeza, Chuck realça que o Camarones é uma banda que basta chegar e se apresentar em qualquer lugar, porque não precisa de determinado sistema técnico para conduzi-la, pois a banda pode até mesmo se apresentar com um equipamento de ensaio, por exemplo. Mesmo que aparente ser algo “mais fácil” ao vivo, Chuck Hipolitho emplaca que o importante é a música emocionar e interagir entre o artista e o público. Mas, pontua, especificadamente na música instrumental, que a internet é uma ferramenta fundamental para propagar a sua sonoridade. Se não houvesse esse meio de divulgar um determinado material, o músico, em si, voltaria no tempo e promoveria a sua obra da forma clássica como em revistas especializadas, emissoras de rádio e de televisão. Já os riscos que a internet causa no meio de uma geração conectada é o formato da pirataria, que desconstrói o conteúdo cultural.

Mesmo que a internet seja considerada uma “faca de dois gumes” no mundo dos espertos, Chuck Hipolitho retrata o modo como músico, independente do segmento, chega ao Estúdio Costella: é através da internet. Construído em 2008, o Costella é considerado um espaço democrático, onde o artista tem a total liberdade de fazer o que ele bem entender, porque, até mesmo, como diz o seu criador: “O que importa é sentir a música”.

 E retratando-se da importância de sentir, quem nos conta sobre o início de seu interesse com a música instrumental é o Márcio Viana. Formado em jornalismo na Universidade Bandeirante de São Paulo, o morador do bairro de Santa Cecília recorda-se de que seu gosto por esse determinado estilo musical começou, involuntariamente, com os LPs que o seu pai, à época trabalhava como prensista, trazia mensalmente da RCA-Victor; e ainda assim, relembra de seu primeiro disco de música instrumental que comprou já na adolescência, um do The Dave Brubeck Quartet, “Time out”, mas confessa que só recentemente, pela internet, se interessou em ouvir mais e produzir a sua própria música instrumental. No papo intimista, o jornalista nos detalha que não foi uma situação muito planejada ao perguntarmos o que o fez escolher o caminho da internet para a divulgação dos seus trabalhos artísticos, e, na verdade, ele começa a criar música com loops e divulgar para os amigos na plataforma Soundcloud. Porém, ele admite que a empolgação aumentou com os resultados e, então, resolveu montar uns álbuns virtuais para organizar o conteúdo. Já sobre o retorno esperado com essa divulgação, o Márcio replica: “Na real, não crio expectativa, porque é um viés do meu trabalho. A ideia é manter como um projeto paralelo, e divulgar por meio das redes sociais. Acho que é uma forma de manter o público fiel, de certo modo”.

Quando perguntamos sobre o futuro, Marcio Viana prioriza aos estudos de produzir melhor o que já está encaminhado além desse projeto, mas que investir em um CD físico não seria a sua prioridade no momento em relação aos custos, embora, pontua que se sente confortável com o esquema atual de divulgação e disponibilidade das suas músicas instrumentais.

* Ellen Visitário e Letícia Mota são estudantes do 3º período de Jornalismo, no Centro Universitário FIAM FAAM, em São Paulo/SP. E-mails para contato: ellenrodriguesvisitario@gmail.comleticia_ferreira_mota@hotmail.com

 

Carol Govari Nunes@carolgnunes

DSCN2623

Rafael Malenotti durante o show na FEICAP (foto: Carol G. Nunes)

No último sábado, dia 18 de abril, ocorreu na  cidade de Três Passos/RS a 13ª FEICAP (Feira Exposição Industrial, Comercial e Agropecuária) e duas bandas gaúchas de rock estavam na programação: Acústicos & Valvulados e Bidê ou Balde. Marcado para iniciar às 23h, o primeiro show foi dos Acústicos & Valvulados.

No setlist, todos os hits das mais de duas décadas de carreira, incluindo “Até a hora de parar”, “Remédio”, “Fim da tarde com você”, “O dia D é hoje” e tantas outras. Poucas músicas do disco novo, o que fez com que o público soubesse cantar praticamente tudo. Rafael Malenotti sabe muito bem o que está fazendo: cativa o público o tempo todo, que responde carinhosamente às chamadas do vocalista para cantar bem alto e bater palmas.

Em determinado momento do show, Rafael passa a bola para Luciano Leães, Alexandre Móica e Diego Lopes. São eles que assumem o vocal e comandam o show. Enquanto isso, Rafael estava no fundo do palco fazendo fotos com as soberanas da 13ª FEICAP. Aliás, outra particularidade deste show de rock foi a presença das soberanas no palco. Elas (eram três: rainha e duas princesas, provavelmente) entraram desfilando e se posicionaram junto com Rafael, bem na frente do palco (que tinha uma passarela, a qual foi muito aproveitada por ele). Bem neste momento eu estava filmando, então vocês podem conferir as soberanas no meio de “Fim da tarde com você” aqui.

Com pouco mais de 1h20min, o show terminou. Não teve bis, afinal, o palco tinha que ser trocado, pois em seguida a Bidê ou Balde era quem estaria ali.

Neste momento, fãs já aguardavam na grade que impedia o acesso aos camarins. Pouco a pouco, eles foram entrando e os músicos ficaram durante muito tempo conversando com todos, inclusive do lado de fora, na área aberta. Muitas fotos, muitos elogios, muita atenção mútua.

Não demorou muito para que a Bidê ou Balde chegasse. Eles saíram do camarim com jalecos brancos e óculos de proteção. Logo, já estavam no palco arrancando os jalecos e assumindo suas “reais identidades” de terno e gravata. No setlist, músicas como “Microondas”, “Me deixa desafinar”, “Melissa” e “É preciso dar vazão aos sentimentos” fizeram o público cantar e pular.

Carlinhos Carneiro comandou muito bem os sobreviventes no final do show. Pedia para que eles levantassem a mão direita, depois a mão esquerda, trocassem, levantassem as duas, ficassem com elas para cima. Todos que ali estavam obedeciam prontamente. Vivi também usou a passarela e foi lá para frente com Carlinhos, fazendo com que todos batessem palma e cantassem junto.

O show terminou com “Mesmo que mude”, uma das canções mais aclamadas da banda. Alguns cansados, outros emocionados e cantando muito.

No POA Music Scenes você lê um relato completo da noite.

As fotos da noite estão na fanpage do The Backstage.