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Natalia Nissen @_natiiiii

Doutor Jupter é uma banda da roça, ou melhor,  há 319 quilômetros da capital… E em São Paulo isso significa “pra lá do interior”, mesmo que a “roça” seja uma cidade com aproximadamente 700 mil habitantes. A banda de rock surgiu em 2006 em Ribeirão Preto, mas logo os integrantes decidiram mudar-se para a “cidade grande”  e conquistar espaço no concorrido mundo da música. A seguir você confere uma entrevista com Ricardo Massonetto, vocalista e violonista da banda Doutor Jupter.

A banda presa pelo rock simples e clássico (Foto: divulgação)

The Backstage: De onde vem o nome da banda? E como tudo começou? 

Ricardo:  Tudo começou de verdade em nossa cidade, Ribeirão Preto. Lá tivemos um projeto por alguns anos, a banda Sociedade Urbana. Fizemos um trabalho bacana, mas o nome trazia muitas associações com a banda Legião Urbana… aí quando resolvemos mudar para São Paulo, decidimos escolher um nome neutro. Sempre gostamos muito de Legião e toda trupe oitentista, mas para o nosso objetivo, a associação não era bacana. Doutor Jupter foi o nome escolhido para que não tivéssemos novamente os problemas do passado, e por causa do excelente significado mitológico do nome Jupter, tanto na mitologia Grega quanto na Romana. Achamos bem legal, depois encontramos uma composição que combinasse com a palavra, deixamos o Jupter com o “P” mudo pra ficar mais personalizado, e por fim escolhemos Doutor Jupter!

TBPorque sempre deixar muito claro que vocês são da “roça”? Deixaram Ribeirão Preto por causa da banda mesmo?

R: Sim, deixamos a cidade em busca de mais espaços e de uma vitrine maior (com muita determinação, mas com um grande aperto no peito)… Mudamos para SP em 2006 à bordo de uma Veraneio ano 79, sem dinheiro, sem uma referência na cidade, família, amigos, uma turma ou coisa assim. Passamos por tudo que possa imaginar, mas estamos firmes e focados em nosso objetivo! Agora quanto ao termo roça, estamos falando de algo cultural que percebemos na nossa música, não é algo baseado na infra-estrutura, educação, ou potencial econômico da nossa cidade e região. Ribeirão Preto é um pólo estudantil, possui inúmeras universidades, tem em torno de 700 mil habitantes, e é a capital brasileira do agronegócio. Nos orgulhamos de nossa cidade e de podermos falar dela em qualquer lugar do país. Simplesmente percebemos nestes anos de intercâmbio musical, que realmente tínhamos algo mais “caipira” do que outros artistas e bandas que tivemos a oportunidade de conhecer, como as soluções que encontramos para os arranjos, as vibrações das músicas e outras coisas mais. Utilizamos o termo “roça” para explicar melhor a pulsação sonora da banda.

TB: A Doutor Jupter é uma banda de rock, com pitadas de country, quais são as influências da banda? Quem compõe as músicas?

R: Crescemos ouvindo principalmente o que tocava no rádio. Fomos muito influenciados a princípio, pelo Rock Nacional 80, onde já encontrávamos elementos muito fortes do Folk e do CoutryRock em artistas como Raul Seixas e Legião Urbana. Depois você começa a buscar mais informação por conta própria, e passa a conhecer bandas e artistas que também influenciam em sua formação musical. Podemos dizer que além do Rock Nacional 80, a banda também tem influências de Beatles, Stones, Creedence, Elvis, Los Hermanos, Little Joy, Old Crow the Medicine, Munford Sons, Bob Dylan, Beirut, Suéters (Pirassununga-SP) e uma lista quase infindável… mas resumindo, gostamos de músicas simples, com personalidade e presença de espírito… Não é muito a nossa praia aqueles sons mais turbinados, que se utilizam muito de recursos eletrônicos. Na maior parte dos casos, componho as letras e melodias, levo para banda e aí começamos a dar corpo para a música e trabalhar os arranjos.

TBO que vocês acham da atual cena do rock, dá para comparar o rock nacional de hoje com as bandas que fizeram sucesso nos anos 80 e 90?

R: Não dá pra comparar, na minha opinião. São fases muito distintas. O papo é outro, o momento mundial é outro, e o comportamento dos jovens também.  A cena atual é muito mais rica e muito mais plural do que a das décadas anteriores, o que só faz aumentar a qualidade do que tem sido criado. Acho apenas que a cena precisa encontrar mais acessos. No passado existia um bloco de bandas e artistas que davam certo, que abriam espaços e acabavam puxando outras do estilo, deixavam sucessores e impulsionavam a viabilidade comercial do Rock, das Bandas, das casas de Shows, dos produtores de eventos, das mídias especializadas e todo o comércio de produtos. Hoje a oferta é maior, porém a evidência dos artistas é menor.

TBComo a banda vê a atual relação da música com a internet? Quais ferramentas da internet vocês utilizam?

R: Sempre fomos uma banda de estrada, sempre vivemos da música, e sempre tivemos nossa realidade fincada nos palcos. A internet é uma ferramenta relativamente nova para nós, e que pretendemos explorar ao máximo. Acho que a internet é fantástica, deixa tudo mais democrático, possibilita contatos, e é uma excelente vitrine. Estamos tirando a banda da idade da pedra e já temos nossas páginas no MySpace, Facebook, Youtube, TNB, Melody Box, Last FM, Twitter, Orkut e etc…

Doutor Jupter deve lançar o primeiro álbum em agosto (Foto: divulgação)

TB: E qual a opinião de vocês em relação aos downloads de músicas?

R: Com relação à divulgação dos trabalhos é muito interessante, mas apostamos mais na tendência dos Downloads remunerados. Imaginamos que isso pode corrigir o que, na nossa opinião, é um dos principais problemas do cenário da musica atual, onde artistas se destacam na internet por um trabalho bem feito e não colhem frutos disso. Achamos que se essa tendência se firmar, os artistas poderão investir mais em suas carreiras, fortalecendo assim a cena independente. Existem excelentes artistas levando suas carreiras como atividades paralelas por falta do retorno financeiro. Arrisco até dizer, que essa é uma realidade da grande maioria de bandas e artistas independentes.

TBQuais são os principais projetos nos quais a banda está envolvida? 

R: Estamos com o lançamento do nosso primeiro álbum previsto para agosto deste ano. Já tem algumas faixas disponíveis para ouvir em nossas páginas na internet, e este disco é, sem dúvida, uma de nossas maiores conquistas. Conseguimos gravá-lo com o prêmio do concurso http://www.vempronovo.com.br, e pretendemos trabalhar muito forte na divulgação desse álbum. Achamos que é nossa grande oportunidade de começar a figurar entre os nomes da atual cena independente, e para isso não mediremos esforços, pois acreditamos demais nesse disco! Pretendemos produzir pelo menos quatro clipes de músicas deste álbum, fazer muitos shows e buscar todos os espaços possíveis e imagináveis para divulgar este trabalho.

Natalia Nissen@_natiiiii

A quinta edição do festival Morrostock já tem data, acontecerá entre os dias 07 e 16 de outubro em Sapiranga. A partir de 2011 o Morrostock conta com o apoio do Movimento SOMA  (Sociedade Organizada pela Música Alternativa) que é um importante coletivo cultural de Porto Alegre e não luta somente pela música e sim pelas ações culturais como um todo. Assim, o festival vai integrar música e cineclube, exposição 5 anos de Morrostock, teatro de rua, entre outras atrações.

No ano passado os shows aconteceram no famoso Bardomorro, mas na próxima edição as apresentações serão divididas em mais locais: A Toca, Centro Cultural de Sapiranga e sítio Picada Verão. A cada edição o Morrostock se consolida como um dos mais importantes festivais de música independente do Brasil trazendo shows nacionais e estrangeiros. A programação é divulgada aos poucos através do twitter e do blog.

Algumas atrações já estão confirmadas, entre elas Graforréia Xilarmônica, Ação Direta (SP), o punk hardcore da Olho Seco (SP), Os Replicantes, Armagedom (SP), Lobotomia, Rattus (Finlândia) e Pupilas Dilatadas. Arthur de Faria e Seu Conjunto e Blackbirds, no dia 13 de outubro, no Centro Cultural de Sapiranga, e no sítio Picada Verão acontecem os shows do rock clássico, e quem vai estreiar no festival é o músico Yanto Laitano apresentando o álbum “Horizontes e Precipícios”.

“Eu sempre quis tocar em um festival como o Morrostock. Lugar aberto, ar puro, longe da cidade, clima neo hippie. Vai ter um monte de gente legal, disposta a novas experiências e novos sons. Vai ser uma grande oportunidade de mostrar minha música pra pessoas que ainda não tiveram contato” afirma Yanto.

O músico ainda comenta que não há pressão a respeito da sua estreia no festival, a responsabilidade fica nas mãos do público (que deve aproveitar ao máximo) e da equipe de produção do Morrostock que vem organizando muito bem a festa há quatro edições. Além disso, ele ainda pretende assistir aos outros shows do festival.

O Morrostock é um evento para todas as tribos, ou seja, ao contrário do que a maioria das bandas está acostumada – como tocar para determinado público – no festival neo hippies e punks vão curtir os shows de rock também. Yanto garante que essa é a parte mais interessante, “o espírito da coisa é a diversidade, música feita com amor entra direto no coração das pessoas”.

Já publicamos aqui uma entrevista com Yanto Laitano, e como foi dito, o artista já se envolveu em várias projetos culturais envolvendo não somente o rock, mas também, o cinema e a música erudita. “Nesses tempos de cada um por si, de cada um em sua casa, em seu quadrado, é muito importante juntar todo mundo que tem posicionamentos parecidos. Tem que agregar, juntar, misturar, trocar, ouvir e ser ouvido. Todas essas coisas fazem parte do espírito do festival” explica Yanto a respeito do apoio do Movimento SOMA ao Morrostock.

O álbum “Horizontes e Precipícios” está disponível para download aqui.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Sapatos Bicolores durante a Noitada Monstro, em Goiânia (Foto: Fredox)

Rock dos anos 50, rockabilly, rock de garagem, rock. Esses são os Sapatos Bicolores, banda formada por André Vasquez (guitarra e vocal), PC (Baixo) e Caio Cunha (Bateria e backings). O trio é brasiliense e já tocou por todo o Distrito Federal, além de Goiânia, Porto Alegre, Forianópolis, São Paulo e outras capitais do Brasil.

O primeiro disco da banda (“Clube Quente dos Sapatos Bicolores”) foi lançado em 2004. O segundo, lançado ano passado, traz 13 músicas e o título de “Quando O Tesão Bater”, desatacando-se com letras muito criativas e aqueles riffs de guitarra que fazem qualquer pessoa dançar.

Por e-mail, o vocalista e guitarrista André Vasquez respondeu algumas perguntas sobre influências, shows e produção de disco.

The Backstage: Como e quando surgiu a banda?

André Vasquez: Em 2001, eu tinha um monte de música e ninguém para tocar. Aí o Coaracy (baterista, ex-Bois e atual Móveis Coloniais de Acaju) resolveu chamar o Marcel e nos juntamos para 2 shows. Logo depois entrou o Pc e o Caio, aí a banda aconteceu mesmo, isso em 2002, 21 de abril.

TB: Vocês têm uma grande influência do rockabilly, mas também aparece muita coisa de “rock de garagem”, psychobilly, jovem guarda, além de bandas dos anos 80, como TNT, certo? O que mais influencia os Sapatos Bicolores?

AV: Isso tudo que tu falou e mais um monte de coisa. Essa semana ouvi muito Black Keys, Supergrass, Plato Dvorak, Atonais, Imelda May, Squirrel Nut Zippers, Hank III, Raconteurs, John Coltrane, Merle Travis, Charlie Christian… Não tem muita lógica, não é?

André Vasquez comenta sobre a possibilidade da banda vir para o RS em setembro (Foto: Fredox)

TB: O disco lançado em 2010, “Quando o tesão bater”, foi muito bem aceito pelos fãs da banda e por quem ainda não conhecia vocês. Como foi o processo de criação do disco? Quanto tempo durou das composições até o lançamento do disco?

AV: O disco foi um parto. O processo de composição foi demais, com nós três super envolvidos. Começou em 2006 e, no meio de 2007, o disco estava composto e com a pré-gravação pronta. Aí cometemos a besteira de tentar gravar com pessoas que não podiam/queriam direito, o selo não ajudou muito, a banda meio que se desmobilizou e tudo demorou eternamente a ponto de levarmos o material para finalizar em Goiânia de um jeito totalmente desorganizado e viajante.

Para fazer a história menos longa e dramática, o disco saiu aos trancos e barrancos no fim de 2009 e totalmente diferente do que tínhamos imaginado. Lamento muito essas músicas não terem sido melhor registradas porque acho elas muito melhores do que estão na gravação; mas azar, o lance é fazer outras melhores. E tem sempre os shows, não é? Nos shows elas ganham vida e são o que são, na real.

TB: Ainda falando sobre o “Quando o tesão bater”, o disco ratifica a forte veia rhythm n’ blues da banda. O que você tem ouvido ultimamente? Pode nos dar alguma sugestão de bandas?

AV: Então, tenho ouvido muita coisa variada. Tenho surtos de artistas. Acontece de numa semana de escutar Bob Dylan o tempo todo e, na seguinte, curtir Queens Of The Stone Age. Tem muita banda boa por aí, é impossível estar por dentro de tudo. Eu recomendo ouvir qualquer coisa que o Patrick Keller – baterista – toque. Fora as bandas que eu citei na resposta acima! A última descoberta foi uma banda chamada Hacienda, por exemplo.

TB: E a agenda da banda, como anda? Previsão de turnê, festivais?

AV: Acabamos de fechar dois meses com 8 shows, o que para nós é muito. Serviu para o Guigo, que é nosso novo baterista, entrosar de vez conosco. Queremos continuar tocando, mas em lugares onde não tocamos há algum tempo – em festivais seria ótimo. Na real, estamos sem shows marcados para frente nesse exato momento. Estou mais preocupado em acabar as 27 músicas que tenho prontas para mostrar para os guris e começar a gravar o terceiro disco, com sorte ainda esse ano. Estou numa de completar as letras faltantes, diariamente. Hoje estava trabalhando num jazzinho muito massa, de uma menina que sempre visitava o cara para dar para ele e não queria mais nada. Até que alguém se apaixonou e estragou tudo, pelo menos para o outro que só queria aquilo mesmo.

Os Sapatos Bicolores fizeram show na Noitada Monstro dia 4 de junho, festa idealizada pela produtora Monstro Discos (Foto: Fredox)

TB: Como vocês utilizam a internet neste cenário de bandas independentes? Quais ferramentas são indispensáveis?

AV: Cara, quanto mais, melhor. Estou me puxando para responder as entrevistas (risos) e atualizar nosso conteúdo em tudo que é canto. Até que não estamos tão ausentes, mas ainda vamos melhorar nossa presença digital. Por exemplo, quem quer, pode baixar nossas músicas todas e se atualizar pelo Facebook ou pelo Twitter o tempo todo.

TB: Você é gaúcho, né, André? Tem possibilidade da banda tocar aqui no Rio Grande do Sul em 2011?

AV: Sou gaúcho, nasci e morei em Porto Alegre até os 19 anos. Morro de saudades, a cada vez que volto parece que entro em contato com uma fase sensacional da minha vida. Aí está parte da minha família e muitos dos meus melhores amigos e memórias. Estou tentando armar uns shows em setembro.

TB: Há novidades por aí? Pode adiantar alguma coisa para os leitores do The Backstage?

AV: Provavelmente vamos gravar um EP no começo do segundo semestre com duas músicas instrumentais e mais uma versão totalmente inusitada, com o Pc nos vocais, de uma banda alemã – não posso dizer mais nada!

Natalia Nissen@_natiiiii 

Yanto trabalha imagem e som nas apresentações ao vivo (Foto: divulgação)

Procurando uma interação maior com seu público o artista Yanto Laitano se afastou da música erudita e agora está dedicando-se ao rock para transmitir suas ideias. O álbum “Horizontes e Precipícios” é seu instrumento de comunicação e garantiu-lhe o prêmio de “Instrumentista” na categoria Pop/Rock da última edição do Prêmio Açorianos de Música. O cantor e pianista respondeu às perguntas do The Backstage e você confere a seguir um pouco sobre esse trabalho.

Yanto explicou que a mistura bem sucedida de rock e piano é resultado de uma vontade que surgiu desde a adolescência, na década de 80, quando ele morava numa cidade do interior e queria tocar em uma banda. Ouvia Pink Floyd, Led Zeppelin, The Doors, Deep Purple, entre outras bandas já consagradas que utilizavam o teclado. “Um dia, depois de muitos anos, muitas bandas e influências, vi que a coisa soava legal também sem guitarras e resolvi explorar esse caminho”, as referências musicais foram, além das citadas anteriormente, Mutantes, Arnaldo Baptista, Beatles, Charly Garcia e Bem Folds, e também influências não-musicais.

O músico já participou de vários projetos e fez trilhas sonoras para filmes e documentários. O “Horizontes e Precipícios” tem doze faixas, cada uma com suas peculiaridades. Yanto falou porque algumas têm versões diferentes do estúdio quando executadas em shows, cada local permite o uso de recursos específicos. No estúdio é possível fazer sobreposição (overdub) e gravar mais de dez instrumentos, já no palco a apresentação é feita por apenas um trio, assim, os arranjos são adaptados. A grande vantagem de um espetáculo ao vivo é a parte visual, um casamento entre música e cenário, quando as luzes entram em ação e se misturam ao show.

“Um dia, depois de muitos anos, muitas bandas e influências, vi que a coisa soava legal também sem guitarras e resolvi explorar esse caminho”

O processo de composição das doze músicas não seguiu um padrão, algumas surgiram naturalmente no caos do dia a dia, e outras foram detalhadamente pensadas. O cantor não define um momento para compor, a não ser que tenha um prazo para isso, mas afirmou que aquelas que “surgem despretenciosamente” dão mais prazer ao serem criadas. A canção “A flor que nasce” surgiu em vinte minutos, como ele declarou em seu blog, ao contrário de “Promessas” que tinha uma melodia, mas não a letra perfeita.

E falando em letra, as músicas são simples e falam de várias questões, desde a solidão até uma explicação de como nascem os bebês. “Porto Alegre Blues” levou um certo tempo até ser concluída, “por isso ela me parece tratar de uma visão e de um sentimento mais elaborado e racional que mistura uma ode à cidade com uma autobiografia”, declarou Yanto. O disco retrata fases diferentes da vida do cantor, como na canção “Eu não sou daqui” que soa como um desabafo de quem se sente sozinho e pende muito mais para o lado emocional ao racional das coisas.

Yanto disponibilizou para download todas as músicas do novo trabalho, e ao contrário de muitos artistas, é a favor do Movimento Música Para Baixar (MPB). Ele falou que cada artista deve escolher o que fazer com sua música, mas essa escolha tem um preço, e ele entende que assim a divulgação e o acesso à sua música será maior, independente da venda dos discos; e quanto mais as pessoas conhecerem seu trabalho, a divulgação será revertida em venda de cds e de shows. “Mas eu entendo que existam pessoas que não queiram liberar seu material para download. Me parece que esse grupo é formado principalmente por artistas, ou representantes de artistas, que vendiam muito no velho esquema e que perderam bastante com a Era Digital”.

Aos poucos a cultura da sociedade muda e ainda é necessário muito debate para construir novas percepções a respeito dessa relação entre música e internet. “Mas pra isso todo mundo tem que ser ouvido, artistas, produtores, distribuidores, divulgadores, imprensa, governo e quem mais fizer parte da cadeia produtiva de música. Além disso, temos que ficar ligados para que as regras do jogo sejam justas”, Yanto ainda afirma que o problema é o sistema, também não se pode colocar a culpa na pirataria “o buraco é bem mais embaixo”.

Site oficial.

Vídeo oficial da música “Meu Amor“.

Bruna Molena@moleeena

Nas mãos de Machete, até um lustre pode fazer as vezes de trapézio (Foto: divulgação)

Em uma apresentação única nessa última sexta-feira, dia 20, a cantora carioca Silvia Machete gravou seu segundo DVD, “Extravaganza”, no Auditório Ibirapuera, São Paulo. Diferenciada por incrementar seus shows com o que aprendeu nos tempos de artista de rua e na escola do Circo, Silvia cativa a todos por onde passa, não só por suas performances irreverentes, mas principalmente por sua voz potente. O show, em turnê desde agosto do ano passado, traz aos palcos as faixas do elogiado CD homônimo e mostra muito da evolução de Machete como cantora e intérprete, revelando outros lados da mesma Silvia.

Se alguns pensavam que a artista era só mais uma que usa acrobacias para disfarçar alguma falta de talento, certamente mudaram de opinião depois de verem o espetáculo “Extravaganza”. Nele, Silvia mostra que pode, absolutamente, deixar de lado seus malabarismos e continuar encantando o público e a crítica. Em 2010, ela ficou na lista das melhores cantoras do Jornal O Globo e, recentemente, “Extravaganza” foi eleito pela APCA (Associação dos Críticos Paulistas de Artes) como o Melhor do Ano de 2010.

Em entrevista para o The Backstage, Silvia conta sobre a gravação do DVD, suas andanças pelo mundo como artista e como a caretice deve passar longe de seus trabalhos. Confira:

The Backstage: “Extravaganza” foi eleito pela APCA como o Melhor do Ano de 2010. Deve ser muito bom receber esse reconhecimento, tanto da crítica como do público, que está abrindo os olhos para o que há de novo na música brasileira. Mas o que queremos mesmo saber é: como foi o show? Podemos esperar um DVD tão envolvente e, porque não, pecador, como “Eu Não Sou Nenhuma Santa”?

Silvia Machete: O show foi ótimo. O Roberto de Oliveira, que também dirigiu o meu DVD anterior, adorou o resultado no vídeo. Luz, cenário, tudo funcionou muito bem pra ele. Como já estamos fazendo o show desde o ano passado, estamos super ensaiados. O teatro também é perfeito para a gravação de um DVD. Todos os elementos dos meus shows estão lá: músicas minhas, performances, humor, está tudo lá, com aquela energia que só o palco te dá.

TB: Entre seus dois DVDs já gravados, o que os diferencia? A Silvia, de lá pra cá, mudou muito? O que há a mais no “Extravaganza” que não podemos deixar de ver? 

SM: A Silvia Machete de “Extravaganza” está mais focada na música, no entrosamento com a banda maravilhosa que me acompanha. Claro que as performances continuam lá, essa é a minha marca e não deixaria esse meu lado de fora do DVD ou dos meus shows. Sei que a performance é muito forte na minha atuação, talvez por isso os críticos e formadores de opinião tenham dúvidas se sou cantora ou não (risos). É porque é difícil mesmo definir, meu mundo não é convencional. Acho que esse DVD vai revelar uma cantora mais madura, mais segura do que quer cantar e com mais domínio sobre todas as etapas do processo artístico: eu me envolvo em tudo, das fotos ao figurino, do cenário ao repertório.

TB: Você já rodou o mundo, literalmente: morou na Argentina quando era criança, foi morar fora com apenas 18 anos e se apresentava pelo mundo afora. O quanto essa bagagem cultural influencia seu trabalho?

SM: Influencia sobretudo na maneira de mostrar ao público a minha arte. Me apresentar na rua, para todo o tipo de público, me ensinou a buscar sempre um elemento surpresa e, sobretudo, a saber que o público quer diversão, quer embarcar na viagem, quer ser surpreendido. Eu mesma quero ser surpreendida quando vou a um espetáculo, seja ele de música ou não.

TB: Nesse último álbum você fez uma regravação, em português, de um clássico argentino eternizado na voz de Mercedes Sosa, “Como la Cigarra”. Como essa música entrou em seu repertório?

SM: Eu conheço essa música desde pequena, meu pai era muito fã da Mercedes Sosa e da gravação dela. Como eu queria gravar em português, resolvi fazer a versãoem português. No show, antes e cantá-la, conto algumas piadas pra quebrar qualquer possibilidade de sentimentalismos. A ideia não é essa, definitivamente.

TB: Elementos circenses estão sempre presentes complementando suas apresentações: o bambolê, um lustre/trapézio… como você faz para “casá-los” com suas músicas sem que eles se sobressaiam a estas?

SM: Trabalho com artes visuais e com música também, tenho a sorte de gostar de música e não ser apenas uma cantora. Minhas apresentações revelam esse domínio de palco conquistado com a vivência que tive em diferentes expressões artísticas. As habilidades físicas trago comigo de muitos anos. Misturar esses elementos é uma coisa natural pra mim, mas estou certa de que se a música não fosse boa, nada disso funcionaria – e é aí que busco esse equilíbrio. Antes de tudo, a música tem que ser boa.

TB: Essa união de artes que você faz, a música com a arte circense, traz cara nova e um novo jeito de se fazer musica ao Brasil, que já estava meio saturado de mesmices. Seria essa uma maneira de inovar e fazer renascer o gosto dos brasileiros por musica nossa, casando-a com outras artes?

A cantora traz para os palcos muito do que aprendeu na escola de circo e como artista de rua (Foto: divulgação)

SM: O Circo no Brasil ainda é visto de forma muito convencional. Todos amam o Cirque du Soleil, que é legal, mas também muito careta, ou aquele modelo antigo de espetáculo com palhaços super convencionais e nada surpreendentes. Nesse sentido, o que faço não tem nada a ver com Circo, apenas me utilizo de habilidades que aprendi quando estudei com artistas circenses para subverter à minha maneira essa manifestação artística. Acho que há um quê de inovação, mas não é esse o meu foco: quero levar entretenimento de qualidade, música de qualidade pra pessoas. Se conseguir fazer isso abolindo a caretice, aí sim terei alcançado o meu objetivo.

No site oficial da cantora você pode assistir à vídeos, ver fotos e ouvir seus álbuns, na íntegra, além de ficar por dentro de sua agenda de shows.