Archive for the ‘Entrevista’ Category

Lucas Wirti Rattova – @lucaswirti*

Foto: arquivo pessoal Ana Paula Hining

Chamar essa garota de “sortuda” seria quase um eufemismo. Aposto muitas fichas que depois do último domingo ela não ganha nem prêmio em bingo. Estamos falando de Ana Paula Hining, 18 anos, a catarinense de Florianópolis, que junto com a gaúcha Elisa, conseguiu um autógrafo em seu braço esquerdo de ninguém mais que o ex-beatle, semi-deus do rock’n’roll, Sir Paul McCartney,  no dia 7 de novembro, em Porto Alegre, onde iniciou a etapa sul-americana da tour “Up and Coming”, lotando o estádio Beira-Rio com 50 mil fãs de diversos lugares da América. Esbanjando simpatia e carisma, “Paul Macca” convidou para subir ao palco duas garotas, onde cedeu autógrafos, levando o público ao delírio. Passadas quase 120 horas após o dia mais feliz de sua vida, e com o devido braço já tatuado Ana Paula conversou com Lucas Wirti Rattova, repórter da Cabaret, por Live Messenger.

Lucas: – Ana, quantos anos e o que tu faz em Floripa?

Ana Paula: – 18 anos, estudo historia na UFSC.

Lucas:  – Alguma ligação com a música ou apenas curte ?

Ana Paula: – Apenas curte é muito vago. A música tem uma importância enorme na minha vida. Eu encaro música de uma forma diferente sabe, não é só um som, tem muita coisa por trás disso.

Lucas: – Estilo de vida quem sabe?

Foto: arquivo pessoal Ana Paula Hining

Ana Paula: –Exatamente.

 

Lucas: – E como foi o teu primeiro contato com os Beatles?

Ana Paula: – Não me lembro… Eles são muito conhecidos, então desde pequena eu tinha contato com isso, mas nada de ser fã sabe, só de gostar de ouvir por ouvir. Quando eu comecei a gostar de música de verdade, a ter isso como um estilo de vida, eu comecei a gostar de verdade de Beatles, e dai fui me aprofundando e eles se tornaram parte da minha vida. Eu devo parte de quem eu sou a eles.

 

Lucas: – No que tu mais te identifica com a música do Paul? Seja nos Beatles ou não..

Ana Paula: – Não tenho como saber o que é mais. É difícil porque pra mim não é só a musica também, sabe? É a vida dele, o ativismo…  Tudo tem muito a ver comigo. É estranho que ele, e os Beatles tem algo mágico assim. Não consigo perceber tudo o que me encanta tanto neles, mas sei que é algo mágico, mudou a minha vida, muda o meu dia quando eu ouço.

 

Lucas: – Tu falaste em ativismo… Vegetariana também?

Ana Paula: – Sim, sou vegetariana.

Lucas: – E como foi a odisséia toda até o show?

Ana Paula: – Foi demais, porque eu tinha perdido as esperanças de que ele viesse pro Brasil. Eu viajei sozinha pra Porto Alegre na pré-venda de ingressos, me associei ao Inter, dormi na fila, fiz amigos, e consegui comprar pra mim e pros meus amigos aqui de Floripa. E ai desde que eu voltei foi Paul e Beatles intensamente na minha vida, não conseguia estudar nem fazer nada, é uma ansiedade enorme. Na hora de ir pra Poa, fui com mais 2 amigos, saímos daqui terça a noite, chegamos quarta de manha, e fomos pra fila quinta lá pelas 17h e fomos os primeiros a chegar, junto com a outra menina que ganhou o autografo (foi aí que conheci ela, não éramos amigas). E daí foi assim, ficamos lá acampados, nosso grupo era demais, umas 20/30 pessoas, todos muuuito legais, que eu já to sentindo muita saudade por sinal.

Lucas: – Como funcionava a rotina de vocês na fila… tipo, onde comiam, o que comiam, banho essas coisas? Afinal, quatro dias na fila é algo incrível…

Ana Paula: – A gente revezava, mas passava a maior parte do tempo na fila, saiamos pra tomar banho e descansar um pouco em casa… Comer variava, a gente levava coisas pra lá, os pais dos nossos amigos levavam lanches e todo mundo dividia, viramos uma família.

Foto: divulgação/Ricardo Duarte

Lucas: – E de onde saiu a ideia do cartaz? Aliás, brilhante.

Ana Paula: – Então, foi assim, eu pensava em algo que me desse a possibilidade de ter contato com o Paul, mas isso era tão utópico pra mim, que eu meio que deixei pra lá. Daí eu vi um vídeo no Youtube de uma menina que fez isso, e conseguiu, dai eu resolvi copiar a ideia, até porque há tempos eu queria uma tatuagem dos Beatles, só não sabia o que eu ia fazer.

Lucas: – Na hora, deu tempo de pensar onde seria a tatuagem ou foi meio no impulso mesmo?

Ana Paula: – Eu já tinha pensado, mesmo não acreditando muito que ia dar certo, eu tinha pensado em tudo.

Lucas: – Ok… Agora eu quero saber uma coisa… O que passou pela tua cabeça quando ele chamou você e a Elisa?

Ana Paula: – Não deu tempo de pensar, só deu tempo de começar a gritar para os seguranças que estavam ali me procurando e de tentar passar a grade porque na hora eu tava muito atordoada, o Paul já tinha feito sinal para o meu amigo que tava atrás de mim, que ia me chamar, e daí ele me cutucou e começou a falar ”ELE VAI TE CHAMAR!”. Eu não acreditei. Começou aquele auê de seguranças na minha frente, e eu só ouço o Paul falar ”…SIGN…”. Daí eu percebi que era comigo e parece que eu entrei em transe assim.

Lucas: – Tu conseguiste falar alguma coisa para ele, no momento do abraço?

Ana Paula: – Siiim…Incrivelmente eu consegui falar em inglês no nervosismo.

Foto: divulgação/Marcos Hermes

Lucas: – Podemos ficar sabendo o que foi?

Ana Paula: – Aham. ”Obrigada por ser meu melhor amigo, obrigada por existir e obrigada pelo melhor dia da minha vida”. Em inglês, é claro.

Lucas: – Ele retribuiu?

Ana Paula: – Eu tava tão atordoada que não sei se sonhei, mas tenho a impressão de ele ter dito ”ohh thank you”.

Lucas: – [Risos]… Momento constrangedor… Tu foste vaiada por alguns imbecis… Rolou uma mágoa?

Ana Paula: – [Risos] Não. Eu não ouvi nada lá de cima.

Lucas: – Nem um pouquinho? Eu sou gaúcho e fiquei bastante indignado…

Ana Paula: – Nem um pouco. E me desculpa, mas quem, no palco com Paul McCartney iria ligar para as vaias?

Lucas: – É verdade… Ainda mais com o Paul rebatendo… “What’s wrong with Florianopolis? I’m from Liverpool…”.  Achei o máximo.

Ana Paula: – Só pra tu ter ideia, eu nem ouvi o Paul retrucar.Só entendi o Liverpool. Eu tava em outro mundo mesmo.

Lucas: – Uau…

Ana Paula: – Ainda to. [risos]

Foto: divulgação/Marcos Hermes

Lucas: – Bom, parte final da entrevista… Como foi o assédio assim que tu deixaste o palco? Outra coisa, conseguiu curtir o resto do show?

Ana Paula: – Eu perdi as duas ultimas músicas, porque não podia voltar pro lugar, e eu não tinha condições, foi demais o assédio, e até desrespeitoso por parte da imprensa, achei. Eu só queria sentar e chorar, sabe?

Lucas: – Sério? Me explica isso.

Ana Paula: – Eu queria olhar para o meu braço e ficar sozinha, mas os repórteres entraram ali pra frente da grade e começaram a perguntar, tirar fotos, me enfiavam telefones pra eu falar com repórteres. Sei lá, não consegui comemorar do jeito que queria, sabe?

Lucas: – Tu saiu nos principais meios de comunicação do país.. E alguns do exterior… Isso mexeu de alguma forma contigo?

Ana Paula: – Do exterior nem fiquei sabendo.

Lucas: – Foi comentado em sites da Argentina que o Paul tinha chamado fãs para o palco.

Ana Paula: – Ah, na verdade mesmo, não muda nada na minha vida isso, pra falar a verdade eu detesto aparecer, fiz isso mesmo pelas pessoas que como eu, são fãs e querem saber como foi que tudo aconteceu, se fosse com outra pessoa eu ia querer ver noticias, fotos, entrevistas e etc, então acho que é mais por isso mesmo.

Foto: divulgação/Marcos Hermes

Lucas: – E a família, amigos, colega, etc… Como foi a reação deles?

Ana Paula: – Meus pais ficaram bem felizes e orgulhosos. Meu pai tinha ate conversado comigo antes pra eu não botar muita fé e não me decepcionar, ele não acreditou quando eu contei, ele chegou a chorar [risos]. Meus amigos eu conto como aqueles que estavam comigo na fila. Eles ficaram extremamente felizes, choraram quando eu subi, e foi por causa deles que eu consegui, eles que me faziam insistir e levantar o cartaz.

Lucas: – Mantém contato com eles ainda?

Ana Paula: – Sim. Vai ser pro resto da vida. Já estamos combinando de viajar e tudo o mais.

Lucas: – O que aconteceu entre o autografo e a hora de fazer a tatuagem? Como foi o processo todo?

Ana Paula: – Eu não deixei ninguém encostar [risos], dormir foi quase impossível, primeiro porque eu estava eufórica demais, e outra porque tinha que cuidar do braço. Dormi num colchão no chão, e o meu braço ficou estendido no chão mesmo pra não borrar. No banho também não lavei o braço. No ônibus também nem pude sonhar em dormir [risos].

Lucas: – Quando foi que tu fizeste a tatuagem? O tatuador estava sabendo do acontecido? Alguém foi contigo? A imprensa catarinense deu importância para o fato?

Foto: Divulgação/Marcos Hermes

Ana Paula: – Eu fiz assim que cheguei. Fui direto da rodoviária. O tatuador abriu especialmente pra mim (eram 23h) e ele sabia, eu tinha ligado e explicado o que tinha acontecido. O DC (Diário Catarinense) acompanhou. 

Lucas: – Bah, que bacana… Ana, eu até hoje to com febre do Paul por causa desse show… Então fico imaginando como você deve estar…

Ana Paula: – Nem me fala. Eu não voltei para o mundo real, sabe? Não fui à aula ainda. Nada…

Lucas: – Quero te agradecer pela atenção e pela simpatia… Sério, quando entrei em contato contigo, pensei “ela deve estar se achando pra c****… não vai nem me responder…” e foi totalmente o contrário… Parabéns novamente, e cuida pra não perder esse braço, por favor, (humor negro rules)… Tem mais alguma coisa que tu gostaria falar?

Ana Paula: – [Risos] Não, imagina. To tentando responder todo mundo da melhor forma possível.

Lucas: – Tenho certeza disso…

Ana Paula: – E meu braço pode deixar, vai comigo pro caixão desse jeito que tá. [risos]

Lucas: – [Risos]- Muito obrigado.

* Lucas Wirti Rattova é formando em Jornalismo.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Vinil 69 é uma banda de “rock/rock com pitadas de rock”. Essa é a autodefinição da banda soteropolitana que vive no underground bahiano há cerca de 5 anos. Eles já participaram de festivais no Nordeste do Brasil, tocaram em capitais nordestinas, lançaram EP’s e dizem ser uma banda de show. Atualmente as coisas estão meio paradas para a Vinil 69, mas por e-mail, o vocalista Leandro Araújo, vulgo Pardal, nos conta um pouco sobre o mundo virtual e as ferramentas que a banda já usou para divulgar o seu trabalho.

A Vinil 69 afirma que ter um bom material para apresentar ao público é indispensável (Foto: divulgação)

The Backstage: Como é a divulgação da banda na internet? Como atingir o público?

 

Pardal: A internet hoje é uma ferramenta imprescindível, facilita muito a comunicação. Reduz a nada as fronteiras geográficas, facilita a divulgação de novos registros ou agenda de shows. Quando minha banda tocou pela primeira vez em Recife, tinha gente (minoria) cantando algumas músicas. Ano passado fui a São Paulo, onde nunca tocamos, conheci por acaso pessoas que conheciam a banda. Em 2006 fechamos uma turnê por quatro capitais nordestinas (Aracaju, Recife, Natal e João Pessoa) sem dar um telefonema, só por mail e msn.
Porém, se facilita a vida, está longe de resolver todos os problemas. Tanta facilidade é uma faca de dois gumes: a democracia cria um vasto mar de informação de onde é difícil tirar bom pescado. Isso confunde o público, ouve-se tanta coisa que muita gente já vai no link com disposição de não gostar. Pra sobressair, é preciso criar um ambiente (orkut, myspace, site próprio) que seja atrativo e tenha a cara do seu som. Além de ter um som, se não de qualidade, ao menos atrativo. Não adianta estar disponível pra milhões se só os seus amigos tiverem motivos pra acessar. Um bom material é indispensável.

TB: Quais as ferramentas utilizadas?

Pardal: Orkut, fotolog, myspace, youtube e um bom mailing!

TB: Como é lançar um disco através de um selo independente?

Pardal: A definição de selo independente é difícil. Pode ser um grupo profissional que trabalhe certo, agilize contatos, marque shows, prense cd, ponha a música pra tocar na rádio e o clip na TV. Pode ser só um garoto que bota seu cd e camiseta na banquinha do festival da cidade. Ou, cada vez mais comum, pode ser uma estrutura montada pelo próprio artista, que vai lutar contra a maré e ficar com os louros. Não tenho experiência com a primeira opção, mas as duas últimas são ótimas!

TB: Quais os benefícios da internet para a banda?

Pardal: Divulgação das atividades e facilidade de manter contato com selos, produtores, gravadoras e bandas de praças onde a banda não circula.

TB: Como era (anos atrás) antes dessa possibilidade de veiculação online?

Pardal: A Vinil 69 sempre foi uma banda de show. Começamos de brincadeira, em 2001, tocando um repertório cover na casa do baterista. O trabalho autoral fluiu, os shows começaram, o retorno do público foi bom e não paramos mais. Nessa época, divulgação era, se desse, cartaz e panfleto, senão, boca a boca. Não existia orkut, youtube, myspace, fotolog. Adepto tardio da tecnologia, eu não tinha nem e-mail. Mais tarde a internet facilitou a vida, deu alguma visibilidade fora do estado. Mas não mudou tanto assim as coisas dentro da nossa praça (Salvador). É inegável que a net dá uma acelerada no processo, mas o boca a boca continua a principal forma de divulgação, turbinado pelo tecla a tecla. Myspace, orkut, fotolog, isso tudo é ótimo, mas a maioria só baixa o seu disco se alguém falou bem, só paga pelo show se o amigo já viu e elogiou.
A internet é também um celeiro de quase bandas. Antes de se preocupar em compor, ensaiar, fechar um conceito ou mesmo aprender a tocar algum instrumento, o pessoal já tem myspace e fotolog. O cara é designer, faz uma marquinha, põe um nome legal, mas cadê a música? Mais água no mar de informação. Sem internet dava mais trabalho “aparecer”, então o sujeito só investia se acreditasse. E o boca a boca fazia o resto.

Capa do EP "Dentro de você"

TB: E a produção de videoclipe para circulação online, chega perto do efeito causado, caso passasse na TV?

Pardal: Não chega perto, mas ajuda na medida em que a internet libera o artista da necessidade do crivo do produtor, da emissora, gravadora ou quem quer que decida o que passa ou não na TV. Ali você posta o que quiser, e em muitos casos a repercussão gera exposição na mídia tradicional. Mas todo clipe ainda sonha em passar na MTV. Vai chegar o dia em que a net vai engolir a TV, mas ainda não estamos nele.  

TB: A disponibilização de EP’s e CD’s inteiros na internet ajuda realmente na divulgação? Como é o retorno? Há retorno financeiro?


Pardal:
Ajuda. Pra uma banda independente alcançar praças onde não atua é a única maneira. Mas ganhar dinheiro com CD hoje é difícil até pras gravadoras. Internet, gravadora, MTV, rádio, carro de som, tudo é ótimo, mas ou você tem um show interessante, que mobilize o cidadão a coçar o bolso numa noite de sexta-feira, ou nada de grana.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

A banda Vespas Mandarinas juntou amigos e músicos em uma música só (Foto: Otavio Sousa)

A banda Vespas Mandarinas, composta pelos músicos Chuck Hipolitho, Thadeu Meneghini, Mauro Motoki, e Mike Vontobel lançou na internet a música “O Inimigo”, que conta com o timbre especial de vários nomes da música nacional. Fábio Cascadura, Jajá Cardoso, Pitty, Alexandre & Muzzarelas, Fabrício Nobre, Nasi, Victor Rocha, Rodrigo Koala e Martin Mendez são os participantes dessa faixa muito peculiar.

“O Inimigo” é uma música de perder o fôlego: quando você menos espera, já tem outra pessoa cantando.

Além disso, você também pode ser “O inimigo”: As vespas Mandarinas colocaram para download uma versão karaokê, onde você se diverte gravando sua própria versão. No site você também encontra a letra da música e pode baixar o vocal solo de cada um dos cantores que participaram do single.

Se liga no que Chuck Hipolitho contou para a gente:

The Backstage: Cada integrante das Vespas Mandarinas vem de uma banda diferente, com estilo também diferente. De que maneira vocês conciliam toda essa diversidade?

Chuck Hipolitho: No começo era quando dava… Agora já estamos focando um pouco mais na banda… a proposta sempre foi ir se movimentando conforme fosse sendo solicitado da parte do público, e tem sido assim. Mas, fazermos coisas diferentes, e fazermos muito, nos faz o que somos e é parte de nossa química…

TB: De onde surgiu a ideia que levou até a gravação de “O inimigo”?

CH: O Thadeu apareceu com a Demo e eu saquei que dava para fazer algo especial… E aí depois de uma semana pensando chegamos a essa idéia… Que não veio pronta, ela foi se desenvolvendo conforme a coisa ia acontecendo… É um padrão que tem se repetido inclusive em como vemos a banda… O resultado foi esse. O bom é que juntamos amigos e pessoas que talvez nunca se juntassem se não fosse essa música.

TB: Como foi a produção da música “O inimigo“? Quanto tempo levou das gravações até o resultado final, disponibilizado no site?

CH: Da ideia até o final, creio que uns dois meses… Eu gravei a bateria, o baixo e a guitarra, o Thadeu outra guitarra e aí fomos gravando as vozes. Para alguns, como Fábio Cascadura e o Victor dos Black Drawing Chalks tivemos que mandar a música para que fosse gravada em suas cidades… O resto todo foi gravado no Costella.

TB: O lance de juntar vários artistas em uma mesma música foi muito interessante e teve uma ótima recepção pelo público geral e fãs de cada um dos artistas que ali colocaram sua voz.  Selecionar esses artistas foi uma tarefa fácil?

CH: Facílimo. Mandamos alguns e-mails para alguns amigos e pronto… Mas só não tem TODO mundo que queríamos ali por causa de tempo. Faltou muita gente. Todos foram extremamente generosos.

TB: Quem não conhecia as Vespas agora tem a oportunidade de conhecer. Fãs do Fábio Cascadura, da Pitty, do Nasi, citando alguns exemplos. Isso pode ser considerado uma maneira de divulgação ou eles estão no projeto apenas pela parceria, mesmo?

CH: Absolutamente, os dois. As Vespas não são tão geniais, e nem tão ingênuas assim. É legal tê-los, e deve ter sido legal estar ali também… né? E a divulgação apesar de um pouco planejada, aconteceu espontaneamente. Foi atrás quem se interessou.

TB: “O inimigo” é uma música muito instigante – letra e melodia. Fale um pouco mais sobre ela para a gente…

CH: Parceria entre Thadeu e o Adalberto Rabelo Filho. Assim como “Cobra de Vidro” e “Retroceder Nunca”. E por aí ainda vem Sasha Grey, Quarta Parada (comigo)… Dali só sai coisa boa… Quando você vê, tem uma música dessas nas mãos. E o que fazer!? Acaba saindo isso. É uma sorte muito grande estar envolvido com gente assim.

Ainda este mês, a banda Vespas Mandarinas fará shows em dois festivais (Foto: Otavio Sousa)

TB: Além da oficial, agora estão no site todas as versões individuais de “O inimigo”. Você pode nos adiantar o que vem pela frente?

CH: A Vigilante vai lançar um 7″ com Cobra de Vidro e Pesadilla Blues até o final do ano – o que não era nem sonho, nem plano! (risos), mas estamos compondo bastante, acho que vem coisa interessante por aí. E esse ano fazemos alguns festivais também… importantes como o Noise e o DoSol. Para uma banda que está começando, isso é sucesso puro. Tocar nesses dois festivais era nosso sonho de fato. Vamos tocar, e depois disso vai saber o que pode acontecer… Né!? Uma coisa de cada vez, e a música e diversão acima de tudo.

* Outras informações você encontra no twitter e no myspace da banda.

Natalia Nissen / Josefina Toniolo

Na última quarta-feira, 30 de setembro, assistimos a um ensaio da banda Áudio Etílico e vamos dividir com os leitores a experiência.

It’s a long way to the top if you wanna rock’n’roll!

@_natiiiii

“Pensei que a gente nunca ia chegar” e foi assim que quebramos o gelo depois de uma longa caminhada ao desconhecido. Exatamente, não sabíamos o endereço, só tínhamos uns três pontos de referência. Mas foi só achar uns carros com adesivo “Áudio Etílico” que o “problema” foi resolvido.

Os guris foram super receptivos. Começamos a conversa com as típicas perguntas de jornalista querendo bisbilhotar a história e o futuro da banda; conversa vai, conversa vem e o ensaio começou. O ensaio acontece num estúdio pra lá de “aconchegante”, como eles dizem. A cerveja gelada ajudava a resfrescar, afinal, “calor” é pouco pra definir. Também não era muito fácil fazer foto por causa da questão de espaço, mas até que nos viramos bem. E é esse o “encanto” da coisa, a necessidade de aprender a se virar e transformar o mais difícil no melhor. Não adianta ter espaço e tecnologia se não souber usar da melhor forma (isso sobre fazer música num espaço pequeno).

Começaram com “Cocaine”, música incrível do Clapton. E foi quando tocaram “A Hard Days Night” que eu percebi que aquela era a música perfeita para o dia. Depois de aula e gravação do trabalho de radiojornalismo eu precisava mesmo era de uma boa música. E foi isso que os guris da Áudio Etílico fizeram, tocaram música boa, sem cerimônias.

Não posso deixar de comentar que depois ficamos lá conversando, noite adentro, e pudemos perceber que eles (felizmente!) não falam só de música. Rockeiros também sabem conversar sobre outros gêneros musicais, carros, tratores, gatos, política, economia, e o que mais surgir como assunto. Cada integrante da banda pode ter uma opinião e todos se respeitam. Enquanto um se diz completamente contra a “comercialização” da música, outro admite que até a banda mais independente se vende; um é mais quieto, outro é contador de histórias.

Para encerrar meu “depoimento”, meus sinceros agradecimentos aos “Etílicos” que nos receberam tão bem.

 

– @jositoniolo

Saímos da gravação de um radiojornal, com a cabeça a milhão. Depois de uma passadinha na casa das gurias (porque eu nem fui pra casa), resolvemos ir atrás da nossa pauta e honrar o nome do blog. Tudo lindo e maravilhoso na teoria: “é só passar a Mabella e andar mais um pouquinho que vocês encontram a capela Santo Antônio, aí vocês já vão ouvir o barulho.” Aham, senta lá. Caminhamos quase uma hora e falamos com umas 14 pessoas na rua querendo saber onde ficava o dito “esconderijo”. Mas não tenho do que reclamar, criamos várias teorias e rimos muito no caminho, o que valeu o esforço.

Encontramos o lugar e minha reação antes de chegarmos foi: “Eu quero voltar, Nati!”. Sim, totalmente “maduro” de minha parte, mas a ideia de chegar num lugar onde eu só conhecia as pessoas de vista me apavorava. Depois que entramos e nos apresentamos, percebi que eu estava sendo muito idiota por estar envergonhada, eles foram super simpáticos e em poucos minutos já me sentia em casa.

Fomos até o estúdio, super caseiro e aconchegante, com uma enorme bandeira do Rio Grande do Sul na parede. Correspondeu bem ao que eu imaginava, porque, como a Nati bem observou na hora, quando é perfeitinho demais perde a graça. “Born to be wild”, “Love me two times”, “My generation”e “Come Together” foram algumas das músicas da noite. A maior dificuldade nem era o espaço ou a câmera com o fotômetro estragado, mas sim, a vontade de cantar e pular junto. Tínhamos que nos comportar como “jornalistas” e entre câmera e bloco de notas cantávamos baixinho alguns refrões e batucavámos com a caneta.

Depois do ensaio propriamente dito, ficamos lá conversando durante horas. E, por incrível que pareça, sempre tinha assunto (e, definitivamente, não só música). Bom, poderia continuar contando várias coisas, mas paro por aqui, porque já me estendi demais. Em suma, foi uma noite memorável. Devo agradecer a gentileza dos guris da Áudio Etílico e desejar muito sucesso para a banda!

 

E para matar um pouco da curiosidade de quem ainda não conhece a banda, deixamos o link da página no PalcoMP3.
(Fotos: Josefina Toniolo e Natalia Nissen)

Natalia Nissen@_natiiiii

Não é preciso ir muito longe para ouvir o bom e velho rock’n’roll. Frederico Westphalen abriga bons músicos e entre eles estão os integrantes da banda Áudio Etílico que acaba de completar 3 anos de dedicação ao rock.

Áudio Etílico (Foto: Natalia Nissen)

Quem são eles? Zéco Liberalesso é o vocalista, Rafael Costa é responsável pela guitarra base, na bateria aparece o Gustavo Colognese, Martin Witter toca o contrabaixo e Tiago Silva guitarra solo. Eventualmente Cleiton Piaia (da primeira formação) acompanha a Áudio Etílico nos shows e ensaios.

A banda respondeu algumas perguntas e você confere a entrevista a seguir.

The Backstage – Como surgiu a Áudio Etílico?

Áudio Etílico – A banda teve início em meados de 2007, com a vinda de nosso baterista Gustavo Colognese e nosso primeiro guitarrista Cleiton Piaia para estudar no Cesnors, provenientes da cidade de Chapada-RS, detalhe, os dois se conheceram em Frederico, nunca tinham nem trocado meias palavras em sua cidade natal. No Cesnors também conheceram Martin Witter (baixo), que cursava o mesmo curso e veio da cidade de Piratuba-SC.  Depois de algum tempo já ensaiando, os três resolveram procurar um vocalista para completar a banda, e então por intermédio de um conserto na bateria de Gustavo foram apresentados a Zéco Liberalesso que chamou também seu antigo parceiro de projetos passados  Rafael Costa (guitarra base) para integrar essa nova banda, que em setembro de 2007 foi batizada de ÁUDIO ETÍLICO. Em 2008, devido a problemas pessoais, Cleiton Piaia se desligou da banda dando lugar a Tiago Silva na guitarra solo.

TB – Vocês sempre tiveram a pretensão de tocar para um público maior ou no início era só uma maneira de descarregar as energias do dia-a-dia?

AE – No início nos reuníamos para fazer nosso rock’n roll em um ensaio improvisado, mas com o tempo a gente decidiu fazer shows e assim consequentemente dando um destino para banda.

TB – Qual foi o momento mais marcante para a banda durante estes últimos três anos?

AE – Acredito que quando nosso single tocou pela primeira vez na rádio, nossa primeira música que estava abrindo os caminhos da nossa jornada.

TB – Cachorro Grande abriu o show de vocês em maio deste ano, e muita gente criticou o fato de não ser a Áudio Etílico abrindo o show deles. Como vocês recebem este tipo de crítica?

AE – Na verdade é um costume da cidade de Frederico Westphalen, geralmente a banda principal toca por último, na maioria dos lugares é assim, porém aqui em nossa cidade a banda principal sempre toca primeiro.

TB – Vocês conquistaram o respeito das outras bandas de rock daqui de Frederico. Qual a importância disso pra vocês?

AE – Na verdade isso é o mais importante, conquistar o nosso espaço. A gente tem trabalhado muito pelos nossos objetivos, sempre com muita perseverança e também muito respeito pelo trabalho das outras bandas, e ter o apoio das outras bandas daqui é algo que valorizamos muito.

No estúdio da banda (Foto: Natalia Nissen)

TB – E quais são os planos para o futuro da Áudio Etílico? Páginas em sites como RockGaúcho e Palcomp3 são um passo para as próximas conquistas?

AE – Nós estamos trabalhando em algumas musicas de autoria própria, pretendemos em breve lançar o nosso trabalho objetivando o crescimento e solidificação da banda, e estes sites são de grande ajuda para levar nossa musica até o publico.

 

O The Backstage acompanhou um ensaio da Áudio Etílico e amanhã você vai saber o que rolou no encontro.

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