Carol Govari Nunes@carolgnunes

Minha música do dia é praticamente a música da semana e do último mês. Gosto muito dessas girlbands dos anos 60 e The Shangri-las é a minha favorita. “I can never go home anymore” é um relato típico da adolescência: uma garota se apaixona por um guri na escola, mas sua mãe diz que ela é muito nova para o amor, então ela abandona a casa de seus pais por causa do namorado. Tudo dá errado, mas seu orgulho a impede de voltar para casa and that’s called ‘sad’.

Todas as letras das Shangri-Las trazem esse melodrama juvenil, entoando tragédias amorosas como, por exemplo, mortes, abandonos, decepções, solidão, saudade e tantos outros temas ligados ao sofrimento de um coração partido.

Na verdade, elas tinham PhD nesses temas. As canções falam de muita, muita dor e isso é facilmente percebido nos hits”Give Him a Great Big Kiss”, “Out in the Streets”, “Give Us Your Blessings”, “Long Live Our Love”, “He Cried”, só para citar alguns, os quais você encontra nesses “Greatest Hits” para download. Um dos hits que eu não posso deixar de citar (que é um dos meus favoritos e quase roubou a vez de “I can never go home anymore”) é “Remember (Walking in the sand)”: essa sim tem MUITA dor no timbre de voz e nos arranjos durante toda a canção. Só ouvindo para entender o que eu estou dizendo. Jeff Beck fez uma versão dessa música no “Rock’n’roll Party” com a Imelda May nos vocais. Morro mil vezes com essa música.

The Shangri-Las, para contextualizar a história do grupo, foi formado por quatro meninas: duas irmãs gêmeas chamadas Marie e Margie, e outras duas irmãs chamadas Betty e Mary. Elas foram descobertas no Queens, em Manhattan, e instruídas pelo grande produtor George Morton, emplacando sucesso logo no primeiro trabalho lançado. Tudo isso no início de 1964, quando elas tinham por volta de apenas 15 anos, dá pra acreditar? Vozes marcantes e abatidas vindo de adolescentes.

Infelizmente o grupo teve vida curta, encerrando suas atividades em 1968. Mas as músicas continuaram sendo relançadas em coleções e “The Best Of”, partindo o coração de apaixonados por esse ritmo melancólico e amargurado. Lindo.

Natalia Nissen@_natiiiii

Na noite da última sexta-feira, 12, o Les Paul Rock Pub foi o palco da oitava edição do festival Na Mira do Rock. Quatro bandas se apresentaram enquanto fãs de rock e heavy metal lotaram a casa e curtiram uma noite intensa de festa.

Por volta das 23 horas, o organizador do evento, Luiz Carlos Nunes – Fuga –  subiu ao palco para iniciar os trabalhos. Ele agradeceu a presença das pessoas que vieram de outras cidades, como Chapecó, Crissiumal, Ijuí, Iraí e Santo Ângelo, e questionou a falta do público frederiquense que tanto diz gostar do estilo de música. “Tem gente que compra camiseta de banda pra impressionar os outros, são posers, quando há uma festa de puro rock and roll não comparecem”, destacou.

Datavenia abriu os shows da noite (Foto: Natalia Nissen/ arquivo)

Quem abriu os shows do festival foi a vencedora da seletiva do Na Mira do Rock, Datavenia, tocando por quase uma hora. No repertório covers de Metallica, Motörhead, e as músicas próprias “Bang Your Head” e “Strange Zone”.  Depois foi a vez da banda Eternal Flame (membros da Excellence e Iron Cover), de Ijuí, levar o público ao delírio, com covers de Iron Maiden e direito a roda punk e muitos agradecimentos por parte da própria banda.

Em seguida, o powertrio Rinoceronte, de Santa Maria, apresentou suas canções e mostrou que é possível fazer boa música com pegada mais pesada e letras em português. Já a Encéfalo, de Fortaleza/CE, encerrou a noite com chave de ouro. A banda lançou neste ano o disco “Slave of Pain”, com influências de Sepultura e Slayer, entre outros conhecidos nomes do metal.

A próxima edição do festival, em 2013, deve ser ainda melhor, como afirmou Fuga: quem sabe com uma atração maior, não desmerecendo as bandas daqui que estão fazendo uma grande festa.

 

Natalia Nissen@_natiiiii

Antes tarde do que nunca! Minha ausência por aqui não é proposital, mas inevitável. E nada tão bom quanto ter uma semana de muito trabalho e na véspera do feriado dar de cara com uma música nova dos Stones, depois de sete anos. Li por aí que uma pá de gente não curtiu e esperava mais. Pra mim tá bom demais, os caras tão “velhos” e podiam se acomodar enquanto um monte de bandas meia-boca surgem por aí numa tentativa de fazer um décimo do que eles já fizeram.

Rolling Stones, pra mim, é o tipo de banda que pode até fazer esforço pra ser ruim, mas sempre vai sair alguma coisa aproveitável daquele som. Espero que o “GRRR!” – álbum de comemoração aos 50 anos dos Stones – seja bom, mas também não vou ficar esperando o melhor disco de todos os tempos. A estreia está prevista para daqui um mês, então, vamos aguardar.

E voltando a falar da “música do dia”, “Doom and Gloom” foi lançada hoje e já contabiliza mais de 160 mil visualizações (e audições!) no Youtube. O vídeo ficou legal e a música, apesar das críticas, também veio para lembrar aquilo que todo mundo já sabe: os caras são foda.  E já que amanhã é Dia das Crianças, fica aqui a dica: incentivem as crianças a ouvirem essas boas canções, assim, daqui a 50 anos elas vão conhecer os caras que um dia fizeram a gente acreditar no tal de rock and roll.

Ouçam e tirem suas próprias conclusões… enquanto eu ouço pela décima vez seguida.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Motivados por exemplos bem sucedidos de amigos que tiveram seus projetos financiados, a Sabonetes (relembre alguns posts sobre eles aqui) entrou no esquema do Crowdfunding, o fundo colaborativo que, por meio de recursos e contatos, viabiliza a realização de uma iniciativa. Bandas como a Banda Mais Bonita da Cidade, Banda Gentileza e Apanhador Só, só para citar alguns, financiaram seus projetos no Catarse, uma plataforma aberta a qualquer projeto artístico. Até dia 30 de outubro, a banda precisa arrecadar R$40 mil para concretizar o objetivo.

A banda precisa de R$ 40 mil para gravar seu segundo CD (Foto: Gabriel Azambuja)

De volta à vida independente, Wonder Bettin, guitarrista da banda, contou que eles estavam tão acostumados a cuidarem de suas próprias coisas que ficou estranho essa terceirização. “Passamos tanto tempo cuidando de nossas músicas e de nossos assuntos que não nos acostumamos mais a terceirizar essas coisas. A vida na major não estava sendo prolífica pra nenhuma parte, então resolvemos voltar à vida independente por acordo mútuo”.

Com a agenda lotada até o final do ano, os caras já tem 20 músicas prontas para a gravação do CD e tudo segue num ritmo frenético: “A gravação será em novembro, dezembro vai pra fábrica, em janeiro devemos lançar o primeiro clipe e logo na sequência o restante do álbum”, comenta o guitarrista.

Wonder também disse que eles estão achando incrível a receptividade do público quanto ao projeto. Para entender melhor, o esquema funciona da seguinte forma: as pessoas estão se unindo com um objetivo em comum, que é gravar CD da banda. E quem apoiar a ideia, além de ajudar na gravação, ganha CD, DVD, botton, camiseta e até cabelo do baixista da banda. Acha pouco? Eles até cozinham pra ti, se essa for a tua vontade.

Para apoiar essa bela causa é só entrar no Catarse.me, ler a divertida descrição dos valores e ajudar a financiar o disco. Depois não vale reclamar que o rock brasileiro tá acomodado.

Clipes, agenda, fotos, contatos e etc da banda você encontra no site oficial.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Neste sábado, 15, a banda Cartolas se apresenta em Frederico Westphalen. Há quatro meses parada, a Green Lounge reinaugura seu espaço e comemora 3 anos de grandes e comentadas festas. Para essa comemoração, a banda principal da noite vem de Porto Alegre com dois CD’s na bagagem e preparando um novo disco para lançar ainda esse ano. Por e-mail – e um e-mail bem engraçado, diga-se de passagem, porque virou um chat entre os integrantes – os músicos da banda responderam várias perguntas ao The Backstage e garantiram que quem for ao show amanhã vai conferir todos os antigos e novos sucessos da banda, além de versões esdrúxulas do rock’n’roll.

Confere aí:

Com dois discos na carreira, a banda pretende lançar um disco, single e clipe novo ainda nesse semestre (Foto: Rômulo Lubachesky)

The Backstage: Quando vocês iniciaram a banda?

Cartolas: A banda começou com o André e o Otávio (nosso ex-baixista), que são irmãos. Os primeiros shows da banda foram em 2005.

TB: Quais as principais influências?

C: Beatles, Franz Ferdinand, Supergrass, Chico Buarque, cerveja, Oasis, Machado de Assis, Strokes, The Kinks, relacionamentos e por aí vai.

Essas são as principais influências que nós 5 temos em comum. O André andou fissuradão em Marvin Gaye e adora o “The Suburbs” do Arcade Fire, o Preza e eu [Pedro] adoramos soul (Tim Maia, Stevie Wonder, Otis Redding, Stax/Motown…), o Melão manja de The Doors, samba e jovem guarda e o Mariano adora Queen e Arctic Monkeys.

TB: O que vocês têm ouvido ultimamente?

C: Na van, temos ouvido Sharon Jones & The Dap-Kings, Supertramp, o mais recente [e, infelizmente, também último] dos Beastie Boys (“Hot Sauce Committee part 2”), Lalo Schifrin, o “By The Grace of God” dos Hellacopters, o “First Band on The Moon” dos Cardigans, O “The Love Below” do Outkast, Sondre Lerche, Pizzicato Five, Mike Viola… Um pouco de tudo.

TB: Como vocês enxergam o atual cenário musical das bandas independentes? Sabem palpitar sobre o domínio do sertanejo e o sumiço do rock nas rádios?

C: Bom, podemos dizer que não tá fácil pra ninguém. Quanto à segunda pergunta, acho que sempre tem a onda do momento, que no momento infelizmente é esse gênero particularmente artificial de musica sertaneja.

TB: Quais os principais trabalhos da banda? Vem single novo por aí?

No site da banda, você faz o download dos dois discos, além das letras e cifras das músicas (Foto: Rômulo Lubachesky)

C: Temos dois discos lançados. “Original de Fábrica”, de 2007, e “Quase Certeza Absoluta”, de 2010. Sim! Vem single, clipe E disco novo por aí! Oba!! O álbum ainda não tem nome, mas o primeiro single deve sair em duas semanas e se chama “Um Segundo”.

TB: Vocês tem dois CDs. Como foi o processo de gravação deles?

C: Um bem diferente do outro. O primeiro foi gravado no Rio de Janeiro, na Toca do Bandido (um baita estúdio fundado pelo “Late Great” Tom Capone), e produzido pelo (Carlos Eduardo Miranda. A gravação desse álbum foi prêmio de um festival nacional de bandas que nós vencemos em 2005. O segundo foi produzido pelo Ray-Z (Produtor paulista erradicado no RS, ex-Jupiter Maçã, Os Ostras e RPM!). Fizemos a pré-produção (arranjos das músicas e gravação de demos) em um sítio em São Francisco de Paula e gravamos em Porto Alegre. Para o próximo, estamos bolando um projeto de financiamento coletivo (vulgo Crowdfunding), que é um lance muito legal. Aliás, quem quiser sugerir alguma recompensa maluca, ainda dá tempo de dar um grito lá na nossa página do Facebook.

TB: O que o público frederiquense pode esperar do show de vocês aqui na cidade?

C: Um show QUENTUXO. Questão de hora e meia de agito, com todos os nossos sucessos e mais alguns covers que a gente curte. Como diria o Preza, nosso vocalista: “Um histerismo louco – Isso é Tremendo”!!!