A Change Your Life nasceu no final de 2009, em Santo Antônio da Patrulha, quando alguns amigos resolveram tirar do papel a ideia de fazer uma banda. Na atual formação estão: Wender, Insekto , Binho (ex-Bisc8) e Gêison (ex-Projeto Desgracera), este mais conhecido como Anão. Na última quinta-feira eles divulgaram a demo “Vita Detestabilis”. São músicas rápidas, e algumas têm letras de protesto, como é o caso da “Não Matarás” (vale a pena ouvir).
CYL tem como influências Napalm Death, Olho Seco, Infest e Electro Hippies, entre outras bandas. Definem seu estilo musical como grindcore/hardcore/powerviolence, mas para simplificar pode-se dizer que tocam hardcore.
Em Porto Alegre as coisas acontecem, é lá que rolam os ensaios, porque é o local mais acessível aos integrantes (moram em cidades diferentes). Mas a distância não os impede de tocar em outros lugares, são respeitados na cena uderground e já tocaram em várias cidades da região metropolitana e também no interior do Estado.
Change Your Life em ação (Foto: divulgação)
“Tocamos por amor, gastamos com isso, é algo que nos faz bem, é um hobby. Da mesma forma que tu gosta de ir numa festa, eu gosto de gastar uma grana pra fazer música… Mais ou menos isso, mas com isso quero dizer que a banda não é bem a nossa prioridade. Temos trabalhos, uns são casados, tem filho… Por isso não tocamos diretaço!” declara Wender, o vocalista da Change Your Life.
Uma data confirmada na agenda da banda é dia 16 de outubro no Festival Morrostock em Sapiranga. (Leia mais sobre o Festival aqui)
Ficou interessado? A demo “Vita Detestabilis” está disponível no MySpace. Confere lá!
Uma dica para os marinheiros de primeira viagem: vale ter as letras das músicas em mãos, o som dos caras é rápido mesmo!
O videoclipe, como todos sabem, serve para vestir a música e para que os jornais, revistas, TVs, contratantes e fãs possam não somente ouvir, mas também assistir a banda.
Frame do clipe "Aos 27" (Matiz)
Entrando diretamente na produção de videoclipe para circulação online, Renato Gaiarsa, diretor e editor audiovisual que já produziu vários videoclipes, documentários etc., para bandas independentes, diz que o principal é conseguir o máximo de apoio possível, porque mesmo sendo independente, sempre há gasto de produção:
” Nós, independentes, simplesmente temos que ignorar isso e conseguir, a baixo custo ou custo zero, fazer o melhor produto, para que o retorno seja criativo e não financeiro, além do que é melhor do que não exibir em lugar algum” – explica Renato.
Veja, a seguir, o que Renato contou para o The Backstage:
The Backstage – Como é a criação e produção desses videoclipes?
Renato – Bom, a criação se dá, talvez, da mesma forma com qualquer banda – exceto que grandes bandas devem ter executivos e diretores de criação por trás de tudo. Para o independente, são idéias que surgem do lado dos músicos, ou do lado de nós, diretores. Daí é começar a conversar, saber se há alguma grana, organizar um dia ou dois de gravação. O grande lance é conseguir o máximo de apoio possível – para câmera, luzes, o que for. E mesmo assim sempre há gastos de produção, nunca é exatamente “de graça”. Mas sem dúvida é sempre num esquema guerrilha e que no final sempre dá certo.
Frame do clipe “Se o sol sair” (FFM)
TB – Há algum empecilho – ou benefício – financeiro? No que ajuda?
Renato – Envolver dinheiro é sempre bom, claro, mas a depender da idéia não é algo essencial. Tem muita obra que é custo zero – como eu fiz o da Formidável, por exemplo (Assista o videoclipe aqui). É que na verdade, qualquer produto feito de forma profissional pagaria cachê de diretores, cinegrafistas, iluminadores, maquiadores, produtores, motoristas, câmera, edição, editores… Por isso que pensar num clipe de R$50 mil, que é um preço meio comum, não é assustador, pensando numa equipe completa paga por tabela. Mas nós, independentes, simplesmente temos que ignorar isso e conseguir, a baixo custo ou custo zero, fazer o melhor produto, para que o retorno seja criativo e não financeiro.
Num mundo ideal toda banda teria um orçamento pra 2 ou 3 videoclipes por ano, isso geraria um fluxo de trabalho muito bom para os realizadores e para as bandas. Ganhar prêmios, preencher portfólio, exercitar linguagem, experimentar e conhecer pessoas, são resultados nessa vida de videoclipe independente.
Frame do clipe “Ele, o super-herói” (Cascadura)
TB – Qual o retorno de divulgação pra banda e pro diretor, já que ele primeiramente circula só na internet?
Renato – Ainda é algo complexo. Para bandas independentes, a não ser que seja algo muito diferente e que atraia um público diverso, desconhecido e diferenciado, é muito mais interessante, talvez, conseguir passar numa MTV ou Multishow. Grandes bandas não precisam se preocupar tanto com isso, acho. Para nós, é melhor do que não exibir em lugar algum. E é um universo bom para lançar coisas pouco usuais de linguagem, por exemplo. Ou vídeos pesados demais, em sexo ou violência, o que seja. Internet tem essa coisa liberal, que até incentiva uma produção mais ousada em vários sentidos. Mas o ideal é conseguir um “sucesso” nos dois meios. E como diretor disso… Acho que depende da rede social que envolve esses clipes. Em Salvador, é mais fácil ser reconhecido como tal. Já em SP ou qualquer outro lugar, ainda não. Tem que recomeçar do zero, achando bandas, produzindo mais, ganhando mais portfólio, bandas ganhando mais clipes e chegando lá.
O surgimento do MP3 apresentou diferentes possibilidades de venda e distribuição de música. Será o fim das músicas na televisão, das críticas em jornais impressos e audiências radiofônicas? Televisores, jornais e rádios têm suas características específicas e são altamente consumidos pela sociedade de massa, mas não podem atender a todos os pedidos e curiosidades de cada indivíduo. Já na internet, há uma convergência de todos esses outros meios de comunicação. Além da música de cada banda, podemos ver também suas fotos, seus shows, saber mais de suas vidas e, cada vez mais, esses artistas interagem com o público.
Capa do EP da Vinil 69, banda que utiliza a internet para divulgar seu trabalho
Vender música hoje em dia está se tornando uma tarefa cada vez mais difícil. O download, que é feito por um grande público, simplesmente mudou a maneira como música é produzida e vendida.
Todos sabem que o comércio de música digital é uma realidade, e a maior vantagem disso é poder conhecer bandas que, talvez, não teriam espaço através da tradicional prensagem de CD. Essa nova forma que é tão útil para as bandas, também proporciona um conforto para o consumidor comum, que hoje em dia possui muita facilidade em encontrar tudo o que procura.
Estratégias de divulgação
Para uma boa divulgação, essas bandas atuantes no cenário undergroundutilizam os mais variados canais que estão disponíveis na rede, buscando fazer chegar seu som ao maior número de pessoas, pois desde a década de 90 (quando houve essa revolução), nunca foi tão fácil conhecer bandas novas e, no caso dos músicos, mostrar seu trabalho.
Uma ótima divulgação pode ser feita pela internet utilizando ferramentas gratuitas e até mesmo custos de gravação das músicas podem ser reduzidos, graças aos estúdios caseiros e seus softwares de produção e edição.
A maior onda do momento é o Twitter: milhões de bandas e pseudo-celebridades estão fazendo fama através dos 140 caracteres. Dentro desse novo espaço as bandas encontraram outro meio instantâneo para divulgar seu trabalho.
Selo Independente
Em relação aos produtos físicos mais utilizados nesse meio, os EPs e CDs independentes são aqueles em que a banda mesmo grava, trabalha em cima disso e ganha pela venda, fazendo ela mesma a divulgação, marketing e distribuição. Ou seja, não há investimento e contrato de uma grande gravadora com o artista. Então surge o Selo Independente, onde a banda arca com todos os custos e recebe integralmente o lucro das vendagens.
Nancy Viégas salienta a importância da internet para chegar até seu público (Foto: Caroline Bittencourt)
Sobre a disponibilização de CDs e EPs inteiros na internet, os músicos dizem o seguinte:
– É o que tem hoje e o que salva o artista independente que não tem um selo. Então você pode produzir uma parada na sua casa e minutos depois colocar na internet. Pronto, já está ali pro teu público sacar na hora – diz Nancy Viégas, cantora e compositora baiana.
A internet possibilitou uma convergência de todas as outras mídias: na rede virtual temos acesso de vídeos de televisão e textos que foram impressos, ou seja, somos bombardeados de informações por todos os lados, e essas bandas devem saber utilizar todas as ferramentas disponíveis a seu favor, com respeito e responsabilidade. E nós, consumidores, agradecemos.
Há 18 anos fazendo rock em Salvador, o Cascadura já foi elogiado pelos maiores nomes da música nacional: Lobão, Nando Reis, Pitty, entre outros. Atualmente trabalhando em seu quinto disco, o “Aleluia”, Fábio Cascadura, membro da formação original, nos conta, por e-mail, sobre o processo de divulgação online e todo o retorno que a internet possibilitou (e possibilita cada vez mais) para as bandas independentes.
O Cascadura faz parte dos artistas totalmente independentes, produzindo tudo o que é veiculado (Foto Ricardo Prado)
Veja, a seguir, o que Fábio Cascadura contou para o The Backstage:
The Backstage: Como é a divulgação da banda na internet? Como atingir o público?
Fábio Cascadura:Acho que o processo de divulgação de uma banda na internet não tem mais mistérios. O Cascadura se utiliza dos canais que estão disponíveis na rede, buscando fazer chegar seu som ao maior número de pessoas. Um bom exemplo são as comunidades de relacionamento como MySpace, Orkut, Flickr, Fotolog, Youtube, Twitter… tudo isso soma. Além disso, para nossas apresentações essas são ferramentas disseminadoras em potencial.
TB : Como é lançar um disco através de um selo independente?
FC: Bem, dentro da realidade atual, é massa. A liberdade é fantástica! E no final, salvo pelos orçamentos que se despendem com divulgação em TVs e rádios, estamos em pé de igualdade no que diz respeito a qualidade técnica. Os discos do Cascadura sempre são indicados ao lado de artistas das chamadas grandes gravadoras e outras, chamadas independentes, mas que são gravadoras com o mesmo comportamento das tradicionais… Na real, nem selo nos temos, nem somos contratados de selo para lançar discos ou outros produtos do Cascadura. Estamos na faixa mais atuante da música: a do artista totalmente independe. Aquele que é músico, compositor, produtor, empresário. E estamos adorando ser isso e sermos reconhecidos pela excelência do que temos proposto…
TB: Quais os benefícios que a banda têm com a utilização da internet?
FC: É muito simples: não existem fronteiras físicas. Podemos chegar onde quisermos, por quanto tempo quisermos. Lógico que não dá para viver somente no mundo virtual e ele só não basta. Mas vamos pensar que atrás daqueles computadores existem seres humanos, que sentem algo diferente quando escutam algo igualmente diferente… Isso é o que acontece quando se propõe algo bom, realmente artístico. É uma questão de seguir expondo o que se pensa com muita honestidade e responsabilidade… A internet é um campo aberto é preciso lidar com muita responsabilidade com ela.
TB: Como era anos atrás, antes dessa possibilidade de veiculação online?
FC: Não era melhor ou pior que hoje. Era diferente, talvez mais difícil por conta das distâncias. Mas era igualmente realizador. Geralmente, antes das gravações domésticas digitais, uma banda levava um ou dois anos na garagem, no barzinho, tocando, aprimorando o repertório para então chegar a um estúdio profissional ou semi-profissional para gravar uma fita demo. Era uma delícia. Ao menos para mim que fiz isso algumas vezes e aprendi um monte de coisas pelo trajeto… Hoje é mais fácil, acho que isso é bom por um lado, mas por outro, nos faz dar de cara com um monte de bandas despreparadas, iludidas pela veiculação virtual fácil. as vezes os caras tem uma demo com zilhões de acessos e só por isso pensam que são revolucionários e que merecem ” O seu espaço”. Ora, acessos por acessos “A dança do quadrado” tá aí, bombando. Nem por isso lhe atribuem a alcunha de “genial”. Mas, essa é uma característica deste tempo em que estamos vivendo e não é a ruína da música. O trajeto vai selecionando e aprimorando cada um…
Fábio Cascadura utiliza todas as redes virtuais possíveis para divulgar sua música (Foto: divulgação)
TB: E a produção de videoclipe pra circulação online causa o mesmo efeito que na televisão?
FC: Não. Do mesmo modo que a divulgação na internet proporciona liberdade de quem quiser ver um clipe, assisti-lo quando quiser, na TV, essa divulgação mostra essa obra a quem não esperava vê-la. Os dois veículos são importantes e válidos. Devemos usa-los, todos.
TB: A disponibilização de EP’s e CD’s inteiros na internet ajuda realmente na divulgação? Como é o retorno? Há retorno financeiro?
FC: Diretamente, não. Não há retorno financeiro. Mas há o retorno de circulação. É algo que só se pode medir em amostragens dentro de um espaço muito largo de tempo. Nós disponibilizamos a nossa música na internet, especialmente, porquê queremos que as pessoas nos escutem. Isso não inibe a compra de CD’s. Um exemplo é o nosso 4° disco, Bogary. Suas músicas estavam disponíveis na internet o tempo inteiro e vendemos mais de 10 mil cópias deles. Nós mesmos vendemos! De mão em mão. Claro: houve o apoio da distribuidora… mas a grande maioria dos exemplares foi vendida nos shows da banda. Além disso, mais pessoas passaram a ter acesso ao nosso som, ao nosso ideal, nossa proposta, nossas letras e histórias. Uma curiosidade maior se criou em relação ao que somos no palco e mais gente veio aos shows (em especial na Bahia e em São Paulo). Daí, tivemos retorno, sim. Vivemos de música para a música. ninguém na banda é rico ou tem herança de grana. Mas todos se sustentam com o trabalho na música. Isso é mais importante quando percebemos que somos nós os empresários, produtores, agentes… Somos o A e o Z em nosso universo. Só não podemos ser o nosso público. Por isso ele nos é tão importante.