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Carol Govari Nunes@carolgnunes

A Bidê ou Balde, que começou 2015 com uma grande apresentação no Planeta Atlântida, aproveitou o final do ano passado para fazer uma turnê pela América do Sul, com shows no Uruguai, no Peru e na Argentina. Na terra do Maradona, os gaúchos subiram ao palco do Festival Nuestro, diante de mais de 15 mil hermanos, e aproveitaram para estreitar os laços com diversos grupos locais. Tanto é verdade que Carlinhos Carneiro & Cia. vão iniciar agora o projeto “Bidê ou Balde convida”, trazendo para Porto Alegre as bandas mais legais que eles conheceram por lá. No dia 1º de julho, a Bidê vai ser a hóspede do Las Pastillas del Abuelo, no Opinião, grande sensação do rock latino que se apresentará pela primeira vez no Brasil. Os caras, que possuem uma carreira com mais de dez anos de estrada e shows realizados em diferentes estádios de futebol da Argentina, mostrarão aos gaúchos toda a animação contagiante da sua música, que funde elementos do jazz, do country, da chacarera e de ritmos africanos.

BIDÊ OU BALDE                              

Lá se vão 16 anos desde o surgimento da Bidê ou Balde, em Porto Alegre, nos idos de 1998. Desde então, a banda formada por Carlinhos Carneiro (vocal), Vivi Peçaibes (vocal e teclado), Leandro Sá (guitarra) e Rodrigo Pilla (guitarra) coleciona elogios e prêmios da imprensa, dos fãs e da crítica especializada.

Bidê ou Balde Foto CJ 1 Christian Jung

Foto: Christian Jung

Em 2000, a Bidê lançou seu disco de estreia, “Se sexo é o que importa, só o rock é sobre amor”. O segundo CD, “Outubro ou Nada!”, chegou em 2002 e trouxe ainda mais musicalidade ao trabalho da banda, através de arranjos e novos instrumentos. Dois anos depois, chegava o terceiro: “É preciso Dar Vazão Aos Sentimentos!”. Em 2005, aconteceu o até então inédito “Acústico MTV – Bandas Gaúchas”.

Depois de um jejum de cinco anos sem lançar material inédito, em 2010 o quarteto disparou as canções “Me Deixa Desafinar” e “Tudo é Preza”, que foram precursoras do EP “Adeus, Segunda-feira triste”, lançado em 2011. No ano passado, comemorando os 15 anos de carreira, a Bidê ou Balde colocou na roda mais um disco de inéditas, intitulado “Eles são assim. E assim por diante”. Em março de 2014, foi lançado o single “À La Minuta”, que vai fazer parte de um novo EP, a sair em breve.

Na bagagem, a banda coleciona várias indicações ao VMB, inclusive vencendo na categoria artista revelação, no ano de 2001. Também já se apresentou em todas as regiões do Brasil, passando por festivais renomados, como UpLoad, Move That JukeBox e Virada Cultural (SP), Bananada e Goiânia Noise (GO), Demosul e Curitiba Pop Festival (PR), Planeta Atlântida (RS), Se Rasgum (PA), Maionese (AL), Porão do Rock (DF), RecBeat (PE), entre outros. No final de 2014, realizou uma turnê internacional passando por Argentina, Uruguai e Peru.

 LAS PASTILLAS DEL ABUELO         

A banda Las Pastillas del Abuelo foi formada em 2002 e, logo após algumas mudanças de formação, encontrou o seu line-up que segue junto até hoje. No mesmo ano, gravaram a sua primeira demo e mostraram o seu lado mais artístico. “El Sensei” foi o single de maior sucesso nesse começo de trajetória e fez parte da lista de músicas mais baixadas na Argentina em 2002.

Foto:  Jose Luis Garcia

Foto: Jose Luis Garcia

Em setembro de 2005, o grupo gravou o seu primeiro disco, chamado “Por Colectora”. Com doze faixas, o álbum foi uma demonstração da variedade de estilos que o Los Pastillas oferece: rock, country, jazz, reggae, chacareira e candombe. Graças a um concurso numa rádio local, tiveram a oportunidade de se apresentarem no Pepsi Music, em 2005, e no Gessell Rock, no ano seguinte.

Com públicos cada vez maiores e ingressos esgotados por onde passava, o Los Pastillas del Abuelo gravou o seu segundo álbum, autointitulado, no Circo Beat, famoso estúdio de Fito Paez. “Tantas Escaleras” e “Candombe de Resacas” foram as canções que despontaram e levaram o grupo a excursionar por toda a América do Sul, em 2007. Em 2008, a banda confirmou o seu crescimento com uma apresentação no Luna Park, em Buenos Aires, para cerca de 10 mil hermanos.

“Crisis”, o terceiro disco do grupo, saiu em 2008 e teve a sua estreia ao vivo no estádio Malvinas Argentinas, do Argentino Juniors. Depois de um disco de versões acústicas, chamado “Versiones”, o Los Pastillas del Abuelo lançou “Desafios”, em 2011. O álbum com temas polêmicos e com uma pegada bastante social foi o último registro do grupo antes do álbum gravado em 2012, no Luna Park, em comemoração aos dez anos de estrada da banda. A apresentação virou um álbum “10 años – Estadio Luna Park en vivo”.

“El Barrio em Sus Puños” é o nome do álbum mais recente da banda, lançado em 2014. O Los Pastillas del Abuelo é formado por Alejandro Mondelo (teclado e sintetizadores), Diego Bozzalla (guitarra), Joel Barbeito (sax), Juan Comas (bateria), Juan Fernández (vocal), Santiago Bogisich (baixo) e Fernando Vecchio (guitarra).

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 SERVIÇO

Onde: Opinião (Rua José do Patrocínio, 834)

Quando: 1º de julho, quarta-feira, a partir das 22h

Classificação: 16 anos

Ingressos online: www.minhaentrada.com.br/opiniao

Pontos de venda:

Bilheteria oficial (sem taxa de conveniência): Youcom Bourbon Wallig

Demais pontos de venda (sujeito à cobrança de R$ 3 de taxa de conveniência): Youcom Shopping Praia de Belas, Bourbon Ipiranga e Barra Shopping Sul

Multisom Andradas 1001, Canoas Shopping, Bourbon Novo Hamburgo e Bourbon São Leopoldo

Carol Govari Nunes@carolgnunes

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Ótima iluminação de palco e som impecável foram alguns dos pontos altos do show (Foto: Carol G. Nunes)

O local é o mesmo onde eu a vi pela primeira vez, em 2004. Onze anos depois, muita coisa mudou. Na verdade, desde o show de lançamento do SETEVIDAS, em 2014, muita coisa mudou.

O segundo show da turnê SETEVIDAS em solo portoalegrense começou às 23h do dia 21, quinta-feira passada, e durou quase duas horas. Mais uma vez, com ingressos esgotados e o Opinião abarrotado de gente. Um público mais heterogêneo do que no ano passado se unia em coro para cantar todas as músicas. Se o som não estivesse ótimo, quase não teria dado pra ouvir a voz de Pitty em nenhuma canção. Perto de mim, mesmo um pouco mais para o fundo do bar, pessoas cantavam até terminarem com o ar de seus pulmões.

Aquele telão que eu comentei no ano passado está ainda mais interessante. Muitas imagens mudaram, transformando o show em uma experiência sensorial muito maior – quase que nos sugando pra dentro dele – e fazendo com que a fruição deste seja ainda mais intensa. Agora, durante Um Leão, o que rola no telão é o videoclipe da música.

Pra mim, o show de Pitty está muito mais combustão lenta do que explosão total em músicas específicas. Claro, tem seus ápices, mas há algo ali que incendeia o tempo todo; um fogo que nunca termina ou sequer diminui. A crueza do baixo-guitarra-bateria, que deu lugar a novos timbres e texturas, faz com que o público desfrute de uma experiência como um todo e com o corpo todo – do cérebro aos pés –, seja você da galera dos headbanguers, dos que cantam todas as músicas ou mesmo dos que ficam parados/hipnotizados/mudos sem tirar os olhos do palco. Talvez seja exatamente isso que faça com que o público esteja mais heterogêneo, de diversas idades e estilos, pelo menos aqui na capital gaúcha.

Definitivamente, a turnê SETEVIDAS traz uma artista renovada e sem amarras. A turnê acabou de completar um ano e se você ainda não viu, repito: vá ao show e presencie esse retorno brutal, pois é ali onde Pitty se desnuda emocionalmente – onde a vemos forte e com o que de mais genuíno a arte tem a oferecer.

PS: Rolou Be My Baby (acompanhada somente de palmas) durante Me Adora. O trechinho que consegui pegar ta aqui.

Martin – Quando Um Não Quer

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O show acústico de Martin traz arranjos lindíssimos para novas e antigas músicas (Foto: Carol G. Nunes)

O esquenta pro show de quinta rolou no La Estación Pub, no dia anterior, num show acústico do novo (e belíssimo) disco do Martin. Quem acompanhou Martin foi Guilherme, parceiro de sempre, e Fernanda Mocellin, que ahazou no cajón. De quebra, ainda rolou uma participação do Carlinhos Carneiro cantando Bromélias, clássico da Bidê ou Balde.

Martin tá com um repertório incrível, que mistura músicas do QUNQ e do Dezenove Vezes Amor, além de versões de discos que eles gostam. Dessa vez, rolou Bom Brasileiro (Cachorro Grande), Nostalgia (Vivendo do Ócio) e Contra-luz (Cascadura). Foi uma noite ótima com muito amor, música boa e diversão.

Além de estar em diversas plataformas de streaming, soube que o disco físico tá vindo aí. Fiquemos ligados!

Vídeo de Outra História, do disco QUNQ, aqui.

Carol Govari Nunes@carolgnunes 

Completando 20 anos, a Arthur de Faria & Seu Conjunto finalmente estreia seu novo show, Música pra Bater de Frente.

O repertório é baseado nas 12 canções inéditas que estarão no sexto disco da banda, em fase de finalização, cheio de convidados especiais e que sai pela Loop Discos ainda este ano.

Depois de quase uma década apresentando o instrumental Música pra Ouvir Sentado, o agora sexteto dá uma nova virada e monta seu espetáculo mais pesado. São exclusivamente canções, com música de Arthur e letras suas e de variados parceiros. Vivos, como o pelotense Luciano Mello, o porto-alegrense Nelson Coelho de Castro, o curitibano Marcelo Sandmann, o paulista/gaúcho Daniel Galera e os argentinos Omar Giammarco e Acho Estol (do grupo La Chicana). Ou mortos (mas vivíssimos), como o inglês seiscentista John Donne, o português Fernando Pessoa (em sua encarnação Álvaro de Campos) e mesmo o poeta provençal Peire Cardenal, que já clamava contra a hipocrisia dos poderosos do século XIII.

Num momento em que o mundo, a cidade e o país passam por tempos difíceis, contraditórios e agressivos, a banda destoa da postura autocomplacente de grande parte da cena nacional num show pé na porta e soco na cara, com videocenário e iluminação pensados junto, valorizando texto e conceito. Mas com pausa até para o lirismo de Trovoa, a belíssima balada de amor maduro de Maurício Pereira (parceiro de Arthur e produtor de Música pra Ouvir Sentado).

 Você já ouviu muitas bandas melhores, você já ouviu muitas bandas piores. Mas você nunca ouviu uma banda como a Arthur de Faria & Seu Conjunto.  Ainda mais na maturidade de duas décadas de vida, e pela primeira vez experimentando com programações e processamentos eletrônicos ao vivo.  Um Maverick envenenado a 120km por hora em direção a um precipício.

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Arthur de Faria & Seu Conjunto é: Adolfo Almeida Jr (Fagote, Flauta Doce e Processadores), Julio Rizzo (Trombone com pedais), Marcão Acosta (Guitarras), Arthur de Faria (Voz, Guitarra, Violão, Teclado), Clovis Boca Freire (Baixo, Programações, Ableton Live) e Jorge Matte (Bateria).

Participações Especialíssimas: Vanessa Longoni (voz) e Paulo Inchauspe (guitarra)
Luz: Osvaldo Perrenoud
Som: Clauber Scholles
Videocenário: Janaína Falcão

Carol Govari Nunes@carolgnunes

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Rafael Malenotti durante o show na FEICAP (foto: Carol G. Nunes)

No último sábado, dia 18 de abril, ocorreu na  cidade de Três Passos/RS a 13ª FEICAP (Feira Exposição Industrial, Comercial e Agropecuária) e duas bandas gaúchas de rock estavam na programação: Acústicos & Valvulados e Bidê ou Balde. Marcado para iniciar às 23h, o primeiro show foi dos Acústicos & Valvulados.

No setlist, todos os hits das mais de duas décadas de carreira, incluindo “Até a hora de parar”, “Remédio”, “Fim da tarde com você”, “O dia D é hoje” e tantas outras. Poucas músicas do disco novo, o que fez com que o público soubesse cantar praticamente tudo. Rafael Malenotti sabe muito bem o que está fazendo: cativa o público o tempo todo, que responde carinhosamente às chamadas do vocalista para cantar bem alto e bater palmas.

Em determinado momento do show, Rafael passa a bola para Luciano Leães, Alexandre Móica e Diego Lopes. São eles que assumem o vocal e comandam o show. Enquanto isso, Rafael estava no fundo do palco fazendo fotos com as soberanas da 13ª FEICAP. Aliás, outra particularidade deste show de rock foi a presença das soberanas no palco. Elas (eram três: rainha e duas princesas, provavelmente) entraram desfilando e se posicionaram junto com Rafael, bem na frente do palco (que tinha uma passarela, a qual foi muito aproveitada por ele). Bem neste momento eu estava filmando, então vocês podem conferir as soberanas no meio de “Fim da tarde com você” aqui.

Com pouco mais de 1h20min, o show terminou. Não teve bis, afinal, o palco tinha que ser trocado, pois em seguida a Bidê ou Balde era quem estaria ali.

Neste momento, fãs já aguardavam na grade que impedia o acesso aos camarins. Pouco a pouco, eles foram entrando e os músicos ficaram durante muito tempo conversando com todos, inclusive do lado de fora, na área aberta. Muitas fotos, muitos elogios, muita atenção mútua.

Não demorou muito para que a Bidê ou Balde chegasse. Eles saíram do camarim com jalecos brancos e óculos de proteção. Logo, já estavam no palco arrancando os jalecos e assumindo suas “reais identidades” de terno e gravata. No setlist, músicas como “Microondas”, “Me deixa desafinar”, “Melissa” e “É preciso dar vazão aos sentimentos” fizeram o público cantar e pular.

Carlinhos Carneiro comandou muito bem os sobreviventes no final do show. Pedia para que eles levantassem a mão direita, depois a mão esquerda, trocassem, levantassem as duas, ficassem com elas para cima. Todos que ali estavam obedeciam prontamente. Vivi também usou a passarela e foi lá para frente com Carlinhos, fazendo com que todos batessem palma e cantassem junto.

O show terminou com “Mesmo que mude”, uma das canções mais aclamadas da banda. Alguns cansados, outros emocionados e cantando muito.

No POA Music Scenes você lê um relato completo da noite.

As fotos da noite estão na fanpage do The Backstage.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Quem esteve no Opinião no último sábado, dia 21, pode presenciar o show de duas consagradas bandas gaúchas: Ultramen e Comunidade Nin-Jitsu.

O palco do bar quase ficou pequeno para tanta energia presente naquela noite. As bandas já haviam se unido para encerrar a primeira noite do Planeta Atlântida, em fevereiro deste ano, e parece que deu tão certo que eles resolveram repetir.

A Ultramen, pelas palavras de Luciano Malásia, percussionista, “é de uma geração influenciada pela MTV e pelo Galpão Crioulo”. Eles circulam, entre outros estilos, pelo hip hop, heavy metal e nativismo. Já a Comunidade Nin-Jitsu é do miami-bass, funk carioca e hard core. Ambas foram formadas em Porto Alegre durante uma grande movimentação na cena musical da cidade, a qual originou, além delas, bandas como, por exemplo, Tequila Baby, Acústicos e Valvulados, e mais para o final dos anos 90, Bidê ou Balde e Cachorro Grande.

Por serem bandas com estilos diferentes, mas parecidas (as duas usam vocabulário interno; nenhuma se encaixa no estereótipo do “rock gaúcho”) e, além disso, frutos da mesma cena, achei que seria interessante ver a junção destes elementos no palco. Não deu outra: foi uma ótima noite com um repertório repleto de hits.

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Juntas, as bandas animaram o público durante uma hora e meia (Foto: Carol Govari Nunes)

O setlist ficou assim:

  1. Merda de bar
  2. Tubarãozinho
  3. Cowboy
  4. Não aguento mais
  5. Bico de luz
  6. Dívida
  7. Toda molhada
  8. Arrastão do amor
  9. Compromisso
  10. Erga suas mãos
  11. Detetive
  12. Popozuda (com participação de Edu K)
  13. General
  14. Hip Hop Beatbox com vocal e James Brown
  15. Tudo que ela gosta de escutar (Charlie Brown Jr)
  16. Ah, eu to sem erva
  17. Peleia (com PX, da Revolução RS)
  18. Bis: Cosmic Slop (Funkadelic)

 

Do início ao fim, o público respondeu de forma muito positiva: pulou, cantou, gritou, dançou, se divertiu muito. Os músicos estavam inspiradíssimos, animados. Foi um show memorável e eu espero que ele se repita em breve.

* No site do POA Music Scenes, projeto que faz um mapeamento da cena musical de Porto Alegre, tendo como parâmetros algumas iniciativas realizadas em Manchester, você encontra um relato detalhado da noite.