Reaparecendo, aos poucos, na skin jornalista musical, e agora com uma super novidade: em comemoração aos 20 anos do Acústico MTV Bandas Gaúchas, o podcast Eu Quero Ser Seu Amigo de Novo abriu um baú de raridades e começou a compartilhar uma série de conteúdos sobre a gravação do Acústico.
As imagens foram gravadas por Lelê Bortholacci, empresário da Cachorro Grande na época da gravação do Acústico MTV. Aproveita que nos dias 20 e 21 de setembro tem show comemorativo aos 20 anos desse clássico e dá play no link abaixo:
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Eduardo Penna é, antes de tudo, um devoto da música. Essa adoração fez com que ele fosse daqueles que usavam todo o dinheiro da merenda para comprar seus CDs favoritos. E também o levou a montar, aos 11 anos, sua primeira banda, ainda sem saber tocar, nem minimamente, nenhum instrumento. Foi durante a faculdade, no início dos anos 2000, que ele foi ganhando familiaridade com a composição, o canto e a guitarra, e daí foram surgindo suas bandas “de verdade” — entre aspas mesmo, pois não havia qualquer aspiração a se tornar profissional ou ganhar dinheiro com isso. Era música pela música. Ainda assim, algumas dessas bandas foram bastante atuantes na cena independente da época — a mais ativa, a Los Canos, rodou bem pelo circuito de festivais alternativos.
Também foi a obsessão pela música que o levou a atuar, durante oito anos, em um estúdio de gravação. Lá, ele participou, em diversas funções, de produções envolvendo praticamente todos os grandes nomes da música baiana. Depois dessa fase, a vida tomou outros rumos, incluindo uma nova faculdade, uma nova profissão e uma nova cidade. Mas a produção musical nunca parou totalmente. Foram diversos os projetos e lançamentos divididos com amigos, até que, em 2024, ele lançou seu primeiro álbum próprio, o “ok baiano”, no qual explorou arranjos mais desconstruídos e narrativas menos diretas.
Hoje, 10 de janeiro de 2025, Eduardo Penna lança, pelo selo “Praia dos Artistas”, seu segundo disco próprio: “Rosa”. Assim como o trabalho anterior, esse álbum também foi idealizado por ele, mas, dessa vez, contou com o capricho da produção de Martin Mendonça, que o ajudou a explorar sonoridades pouco presentes nos projetos anteriores, mas retomando também a essência, simples e direta, que costuma caracterizar o seu som. Outros personagens fundamentais para “Rosa” foram Mary Estrela, antiga colega de Los Canos, com quem Eduardo Penna divide a composição de seis entre as dez músicas do álbum, e Fabrício Paçoca (Os Gatunos e Brasília Ska Jazz), que emprestou seu talento, tocando bateria em todo o disco. No baixo, além de Cadinho Almeida, que gravou quase todo o álbum, também contribuíram Rafael Zumaeta (ex-Starla), em “Apesar de Nós Dois”, e Gilberto Eloy (ex-Los Canos), em “Vazou”. “Rosa” também conta com as participações especiais de Charlie D. (voz), nas faixas “Vazou” e “Apertar Minha Mente”, e Fernando Jatobá (guitarra), em “Apertar minha mente”. Como se vê, esse é um trabalho próprio, mas jamais solitário. E segue sendo música pela música.
Com apresentação de Paulo Miklos e organizado pelo jornalista Saulo Marino, obra reúne 100 canções, incluindo quatro inéditas.
O livro Grosswords, que reúne todas as letras de Marcelo Gross, está disponível para pré-venda com desconto de 10% até o dia 23/06. A editora Aboio é responsável pela publicação. Neste período, 20% do que for arrecadado será doado para a reconstrução da Livraria Taverna, no centro histórico de Porto Alegre, que teve parte de seu estoque e de seu mobiliário danificado pelas chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul.
“São 50 letras que escrevi para a Cachorro Grande, 50 para meu trabalho solo, 50 anos de vida, então achei um momento apropriado para fazer essa compilação, que conta com letras como Lunático, Dia Perfeito, Sinceramente, Alô Liguei, Que Loucura e Bom Brasileiro, entra outras. Espero que as pessoas gostem e curtam, pois é um momento muito especial para mim”, declarou o artista.
Foto: Luiza Castro
Grosswords – As letras de Marcelo Gross conta com quatro composições inéditas, foi organizado pelo jornalista Saulo Marino e traz prefácio assinado por Paulo Miklos, ex-Titãs.
“Essa é uma oportunidade rara de revelar em perspectiva o trabalho do compositor através dos anos. É um livro para ler e ouvir em alto e bom som, já que é muito fácil encontrar as músicas nas plataformas digitais para viver a imersão completa. Mas este livro tem vida própria. Você pode cantar com ele se quiser. Ou só mergulhar na poesia. Será que ela se distanciou do ritmo, das melodias e da distorção? Eu sinto que não. Este livro está pulsando e gritando!”, escreve Miklos na apresentação.
Grosswords pode ser adquirido com desconto, frete grátis e nome nos agradecimentos até o dia 23/06, através do endereço http://www.catarse.me/grosswords_marcelo_gross, ou pelo site da editora: aboio.com.br.
Faz quase 10 anos que Marcelo Gross vem lançando trabalhos solos: no primeiro, em 2013 (Use o Assento para Flutuar), o guitarrista ainda estava na Cachorro Grande. Com uma lista infinita de composições – e após sua saída (e o fim) da Cachorro Grande – Gross passou a se dedicar exclusivamente à sua carreira solo. Desde então, lançou também Chumbo & Pluma, Tempo Louco e, hoje, entra em todas as plataformas digitais o álbum Exilado, concebido durante a primeira temporada da pandemia.
Com produção musical do mesmo, Bridy e Vini Tupeti, o álbum foi captado, mixado e masterizado no estúdio da Holiday Produtora. Em Exilado, o artista faz um caminho de volta à sua essência, resgatando composições guardadas em diários da adolescência. Como todo processo do álbum foi feito durante o confinamento, Gross é responsável pela gravação todos os instrumentos do disco.
Capa do disco. Foto de Marcelo Gross
De acordo com o artista, “Exilado é um disco concebido durante o isolamento da pandemia e gravado nesse período nos estúdios da Holiday onde, além de dividir a produção com Vini Tupeti e Bridy, acabei tocando todos os instrumentos e fazendo todos os vocais, como tinha feito nas demos do disco”.
Gross ainda comenta que “as canções refletem esse período de retiro e foram uma forma de extravasar nesse momento em que não rolavam shows, e também foi um momento de introspecção, em que tive que gravar tudo sozinho em função do isolamento. Em algumas canções usei letras que tinha escrito a muito tempo, já que estava vivendo esse exílio na casa onde passei a minha infância e adolescência, tendo recorrido a antigos cadernos de poesia. No estúdio, eu tinha apenas a companhia do técnico, portanto é o meu álbum mais pessoal, em que usei a prática de compor e gravar como um exercício para me expressar nesse momento que foi muito peculiar e desafiador”.
Exilado está disponível em todas as plataformas digitais. Escolha a sua preferida clicando aqui.
Revista BIZZ, março de 1989. Um manifesto assinado pelas bandas Defalla, Os Replicantes e Nenhum de Nós estampa a oitava página da revista. No final, a seguinte sentença: “Todo mundo precisa de um lugar para onde voltar. A opção fundamental de retornar ao Sul”.
Mais de 30 anos depois, esse movimento de circular pelo país – e pelo exterior – ainda é recorrente. Mas todo mundo precisa de um lugar para onde voltar. Em 2022, quem fez esse movimento de retorno ao Sul foi Jonathan Corrêa. Após andar pelo mundo em turnês gigantescas à frente do Ego Kill Talent, o artista anunciou sua saída da banda e que sua volta, com o Voz & Reação, projeto visceral e intimista que teve registro ao vivo em 2018 e que se tornou álbum em 2022, ultrapassando mais de 1 milhão de plays em pouco mais de seis meses, ocorreria em um local muito simbólico: o lendário palco do Opinião. Em menos de 48 horas, os ingressos esgotaram e foi preciso abrir uma sessão extra (as duas sessões ocorreram na noite de 18 de novembro), visto que os recmaníacos estavam sedentos para reencontrar seu ídolo.
Jonathan Corrêa – Voz & Reação (Foto: Vic Martins)
Da data do anúncio à noite dos shows, Jonathan alimentou sua audiência da melhor forma possível: acionando um constante pathos nostálgico, elevando a expectativa dos fãs que não o viam há 4 anos no formato Voz & Reação. Esse pathos que Jonathan acionou é similar à noção de retórica aristotélica, isto é, alusivo ao aspecto sentimental presente nos discursos sociais – tanto em relação ao seu conteúdo enunciado, conjunto de símbolos que inteiram a mensagem, quanto na possibilidade de despertar sentimentos na sua recepção.
E, se tem uma coisa que Jonathan sabe fazer, é falar sobre – e despertar – sentimentos. Em duas sessões, vivemos a entrega do artista e do público, que não era apenas local: fãs de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná; gente que veio de Campinas de moto; gente que chegou na fila às 15h; que se conheceu por causa das canções da Reação em Cadeia e consolidou o amor com um pedido de casamento no palco.
Uma espécie de retromania tomou conta do bar – e, se pensarmos na retromania como baliza do pathos nostálgico, temos o prefixo re: revisão, reapresentação, reencenação. Nesse caso, podemos acrescentar reação – sim, reação de Reação em Cadeia (fonte: vozes da minha cabeça, mas também estou escoradíssima em Simon Reynolds e no meu amigo Thiago Pereira para falar sobre retromania): um boom de memória coletiva, a expressão absoluta de um pathos nostálgico, de forma acelerada, na ideia de que vivemos um tempo de recordação total, onde a música e a memória são amplamente conectadas, satisfazendo um afeto saudosista. (Algo muito comum na cultura pop e que estamos vivenciando não apenas com a Reação em Cadeia, mas com o retorno dos Titãs e de outras bandas que ainda vão anunciar o retorno aos palcos).
Participação de Luciano Reis (Foto: Vic Martins)Participação de Serginho Moah (Foto: Vic Martins)Foto: Vic Martins
Ao lado de Jonathan, Luciano Reis ampliou o tom sentimental ao participar de “Entre teus dedos”, “7 noites”, “Infierno”; na segunda sessão, Serginho Moah, que estava na plateia, subiu para cantar “Pó de Pimenta”, do Papas da Língua, e ambos trocaram carinho e muitos elogios, já que, segundo Jonathan, Serginho foi um dos primeiros a apoiá-lo e incentivá-lo no início de sua carreira.
Mas nem só de nostalgia vive Jonathan e os recmaníacos – muito pelo contrário!: ontem, dia 21, o artista anunciou o retorno da Reação em Cadeia em um dos festivais mais emblemáticos do estado e do país: o Planeta Atlântida. Ou seja, esse reencontro no Opinião foi só uma prévia do que vem pela frente. Os ingressos para o Planeta estão à venda. E eu é que não vou perder essa volta da Reação.