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Carol Govari Nunes@carolgnunes

2012 começou agradavelmente promissor em relação ao rock nacional com o disco “O Pensamento é um ímã”, da banda Vivendo do Ócio. Com Jajá Cardoso no vocal/guitarra, Davide Bori na guitarra, Luca Bori no baixo/vocal e Dieguito Reis na bateria, o quinteto baiano vem se destacando desde que ganhou a “Aposta MTV”, em 2009.

Para dar vida às músicas que já estão fazendo sucesso desde que a banda disponibilizou o álbum para audição no Facebook, os músicos se dividiram entre os Estúdios Costella (de Chuck Hipolitho – você pode reler uma entrevista com ele aqui) e Tambor (no Rio de Janeiro, do produtor Rafael Ramos). Com 11 músicas no CD, a faixa que claramente tem se destacado é “Nostalgia”, música composta pela banda em parceria com Pablo Dominguez e gravada com participação de Pitty nos vocalizes durante o refrão e Martin na guitarra (você pode reler a entrevista com o Agridoce aqui).

O show de lançamento do disco acontece dia 16/02 no Beco 203, em São Paulo.  Por e-mail, Jajá Cardoso conversou com o The Backstage e o papo você confere a seguir:

Capa do disco - Divulgação

The Backstage – Como foi o processo de composição do disco “O pensamento é um ímã”? Foi diferente do “Nem sempre tão normal”?

Jajá Cardoso – Completamente diferente, a maioria das músicas do “Nem Sempre Tão Normal” foram compostas em 2006/2007, de lá pra cá muita coisa aconteceu, crescemos em todos os sentidos e passamos a morar juntos, esse último fator é o mais importante na composição, porque a música se tornou ainda mais coletiva. Também passamos uma época em Morro de São Paulo (BA), é um pedaço de paraíso e fizemos muitas músicas lá e isso fica explicito nas novas composições, essa mistura da nossa vida urbana com as férias no litoral.

TB – Quanto à produção/gravação, sabemos que o disco é produzido por Chuck Hipolitho e Rafael Ramos. Vocês se dividiram entre SP e RJ, ou como foi durante esse tempo?

 JC – Começamos gravando em Sampa no estúdio Costella e terminamos no Tambor (RJ). Foi uma ótima experiência pra todo mundo, Chuck e Rafael são caras bem diferentes um do outro, mas com ideias que combinam muito bem. Essa parceria rendeu bastante, estamos muito felizes com o resultado final do disco.

TB – Vocês vivem juntos em SP desde que saíram da Bahia. É uma característica comum no mundo dos novos músicos, várias bandas acabam saindo de sua cidade natal e se firmando em SP. A banda morar junta influencia na hora de compor, ou funciona cada um na sua?

JC – Influencia bastante, hoje fazemos as músicas de uma forma mais coletiva e isso é muito bom porque a música ganha mais identidade.

A banda faz o show de lançamento do disco no dia 16 de fevereiro, em São Paulo (Foto: divulgação)

TB – Vocês já tocaram na Inglaterra, Holanda e Itália e gravaram clipes nessas viagens. Como é a recepção do público fora do Brasil?

JC – A recepção é muito boa, curtimos muito tocar lá, o público foi aberto e participativo. Esperamos voltar muitas e muitas vezes.

TB – A Bahia tem uma cena rock’n’roll incrivelmente rica, porém, não aparece muito na mídia. Tu tem alguma ideia do por que disso? Cultura local, talvez. Sair de Salvador foi ponto chave pra vocês conseguirem engatar a carreira?

 JC – Sem dúvida, a cultura local é o maior fator, isso gera naturalmente menos espaço para os “artistas alternativos”. A mudança pra Sampa foi crucial pro crescimento do nosso trabalho, as coisas acontecem mais rápido, tem muito mais espaço e contatos, em Salvador chegaria um momento que não teríamos mais o que fazer e não teria mais lugar pra tocar, então, ter nossa base em SP e fazer alguns shows no ano por lá é muito mais produtivo pra nós.

TB – “Nostalgia” dói no peito de qualquer pessoa que esteja longe de casa – é impossível não se identificar. A música fala por si, mas pode nos contar um pouco sobre ela?

JC – Foi a última música a entrar, a lista do disco já estava pronta quando um dia nosso amigo Pablo Dominguez veio nos visitar e fazendo uma jam session saiu essa música. Gravamos uma pré-produção, curtimos e mandamos para os nossos produtores Rafael e Chuck, eles ouviram e disseram que essa música tinha que entrar no disco de qualquer jeito, que talvez a gente nem tivesse noção da força que ela tem. E foi uma decisão muito certa, é uma música que está na lista das preferidas de todo mundo que escuta.

TB – “O pensamento é um ímã” acaba trazendo à tona a “Lei da Atração”. É isso mesmo que o nome do disco quer representar?

JC – Isso mesmo. O que acontece na sua vida é reflexo do que se passa com sua mente. Se canalizar sua energia e pensamentos para certo intuito é justamente o que vai ter em troca, cedo ou tarde.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Eles foram surgindo devagar: com um Myspace, algumas demos, um Twitter  e só em novembro lançaram o primeiro disco. “Música doce para pessoas amargas”, dizem os músicos sobre o conceito do disco. Estamos falando do Agridoce, projeto de Pitty Leone e Martin Mendezz, o qual foi criando vida na sala da casa da cantora em idos de 2009.

Influenciados por Nick Drake, Iron&Wine, Elliott Smith e tantos outros artistas, Pitty e Martin, acompanhados do produtor Rafael Ramos, do  engenheiro de som Jorge Guerreiro e do fotógrafo/cinegrafista Otavio Sousa, se isolaram na Serra da Cantareira, onde lá permaneceram durante 22 dias do mês de agosto do ano passado para produzir o disco no qual Martin abusa dos violões e Pitty se relaciona carinhosamente com o piano.

Foto: Caroline Bittencourt

Cantando quase todas as faixas do disco, Pitty entona sua voz com uma incrível doçura, mas não se engane: a aparência doce das músicas reveste letras e contextos azedos.

Para dar vida ao disco no palco eles chamaram outros dois músicos: Luciano Malásia (na percussão) e Loco Sosa (que vai soltar os samples “de tudo que não é violão, nem piano, nem percussão”, explica Martin). “O resultado é intimista, mas o sentimento é rock’n’roll. No fundo sinto a mesma coisa que quando estou tocando uma bateria, só que com um pouco mais de inteligência”, diz Loco Sosa, o cara dos samples. Malásia também comenta que “é muito legal tocar e conviver com eles, as músicas são ótimas e é sempre um desafio, estamos começando a fazer shows. Por mais que a gente ensaie nunca sabemos muito bem o que vai rolar e isso é muito estimulante”.

Um pouco do que aconteceu desde o surgimento das  músicas até o lançamento do disco você confere nessa entrevista feita por e-mail para a Revista do Opinião, agora também no The Backstage – sem edições. Enjoy the trip, porque aqui você lê a original (um pouco maior).

Carol – O Agridoce surgiu na sala de Pitty, tomou uma grande proporção e agora está aí, chamando tanta atenção quanto a banda principal. Podem nos contar um pouco sobre como foi desde o nascimento do projeto até a ideia de gravar o disco?

Martin – Quando o repertório cresceu e começamos a nos sentir mais a vontade com esse novo formato a idéia de gravar um disco e fazer shows foi se tornando cada vez mais um desafio atraente e se mostrando um desdobramento natural do projeto. Rafael acabou sendo o grande catalisador desse disco, ele acompanhou o Agridoce a distância desde o começo e sempre manifestou a intenção de se juntar a nós nessa empreitada e de fazer um registro mais cuidadoso das canções.

Pitty – Demorou bastante desde as jam sessions caseiras até o disco. Já estamos há uns dois anos nessa de compor, maturar as ideias, resolver finalmente transformar o projeto num álbum. No começo, nem sabíamos que seria um projeto e muito menos que viraria disco. A coisa foi indo, foi indo…

C – O Agridoce é fruto de encontros descompromissados entre os dois. Demorou até vocês resolverem disponibilizar “Dançando” na internet, já que inicialmente era algo muito particular, ou foi uma consequência natural?

M – Disponibilizamos “Dançando” na internet no exato momento em que ela ficou pronta. Apesar do caráter particular e pessoal não resistimos ao desejo de compartilhar aquilo que tínhamos acabado de realizar e que tinha nos empolgado tanto.

P – Não lembro exatamente quanto tempo demorou entre só tocar em casa e termos uma música de verdade, pronta. Mas lembro que se passou um certo tempo antes disso.

Foto: Otavio Sousa

C – Se isolar em uma casa no meio do mato deve ter sido uma experiência muito interessante, artisticamente e pessoalmente falando. Dá pra perceber que as músicas saíram de uma casa e foram para outra, sem horário marcado em um estúdio. Isso foi pensado para não perder o caráter intimista?

M – Totalmente. Além disso estávamos atrás da aventura de gravar num ambiente que não foi previamente preparado pra isso, o que acaba gerando ótimos desafios e resultados surpreendentes. A maneira peculiar como os instrumentos soavam lá e os ruídos naturais da casa estão presentes em todo o disco e conferem a ele muita personalidade, essas interferências eram elementos que estávamos buscando quando fomos gravar lá.

P – E a imersão total e completa na coisa, sem interferência externa, sem telefone, internet ou televisão. Só a música e criação, 24h por dia.

C – 22 músicas em 22 dias. Existia alguma rotina na casa ou vocês gravavam, dormiam e jantavam na hora em que sentissem vontade?

M – Respeitamos acima de tudo o ritmo natural do disco, tínhamos um prazo e um trabalho a concluir mas tentamos fazer tudo no seu melhor tempo. Essa prolificidade acabou sendo fruto do clima agradável criado por essa rotina.

P – E acabamos criando um fuso horário completamente particular. Café da manhã às duas da tarde, almoço às sete da noite e dormir só quando o último pedia arrego, rsrs. E gravar e tocar o tempo todo que desse vontade.

C – É perceptível que até mesmo as músicas que vocês tinham disponibilizado no Myspace acabaram tomando novos rumos, ficando mais sofisticadas. Ficar apenas entre 5 pessoas ajudou nessa composição, já que vocês não sofriam influências exteriores?

M – Sim. Realizar esse disco em parceria com Rafael Ramos foi um fator crucial pro trabalho tomar esses novos rumos. Temos uma relação muito boa com ele, tanto profissional quanto pessoal, e sabíamos que permitir essa interferência seria muito proveitoso e enriquecedor.

P – É a questão da confiança e da sincronicidade de ideias que permite essa interferência. Desde o começo sabíamos que queríamos o mínimo de gente possível, porque cada um que chega vem com uma energia a mais. E sabíamos que as energias tinham que combinar, então cada um ali foi escolhido a dedo.

Foto: Caroline Bittencourt

C – Alguma ideia sobre o que fazer com as músicas que não entraram no disco, ou ainda é cedo para pensar nisso?

M – Ao seu tempo algumas delas vão tomando seu rumo, por exemplo “La Javanaise”, versão de Serge Gainsbourg que gravamos, entrou como bônus track na venda do disco pelo iTunes.

P – “BDay” apesar de não ter entrado no disco está no repertório do show, e por aí vai. Conteúdo nunca se perde.

C – Martin é guitarrista e no seu projeto com Duda (Martin e Eduardo) apareceu como letrista e vocalista. Como é dividir as composições? Vocês dividiram também as letras, ou um chegava com a letra e o outro com a melodia?

M – Essa divisão é uma característica do projeto, já tínhamos colaborado em composições anteriormente, mas o Agridoce é baseado nessa parceria. Não temos um método para compor, geralmente alguém chega com uma idéia e vamos desenvolvendo, mas temos casos de canções que já chegaram quase prontas e outras em que fizemos tudo juntos partindo do zero.

P – Eu tenho mais costume de fazer as letras/melodias e ele as harmonias por ser mais o terreno de cada um, mesmo. No Agridoce rolaram outros processos além desse, mas ainda prevaleceu a coisa de “cada um canta sua letra”. A tendência é misturar cada vez mais, acho eu, até o ponto de ninguém mais saber quem fez o quê.

C – “Upside down”, só para exemplificar, ratifica a cumplicidade entre a dupla. A letra é natural, bonita e simples, além de uma amargura no refrão. Aquele “I don’t belong here” não vem de hoje, acredito eu. Pensando nisso e na música brasileira, parece que estamos todos em uma geração que foi perdendo a sua personalidade… Infelizmente existe a necessidade de se encaixar para ter espaço. Como vocês enxergam essa adaptação das bandas à modinha atual?

M – Acho que isso se deve a uma “preguiça” que foi inoculada no grande público pelos meios de comunicação em massa, as pessoas esperam que a mensagem venha facilmente digerível e numa embalagem familiar. Apesar dessa estética predominar ainda existem bons exemplos de artistas na contramão dessa tendência, e como tudo é tão volátil quando se fala de mercado acredito que essa mesa, mais cedo ou mais tarde, vai virar.

P – A gente não pensa nem em se encaixar nem em desencaixar. A gente gosta de fazer as coisas que a gente gosta, e depois fica torcendo para que haja um nicho pra ela em algum lugar do mundo. Eu não acredito nessas bandas ou artistas que buscam “se encaixar”. É o que você falou, não tem personalidade e fica evidente a farsa. Só engana quem não tem um pouco de senso crítico- o que, infelizmente, pode ser a maioria.

Foto: Otavio Sousa

C – Você assinam todas as músicas do disco, exceto “Say” e “Please, please, please, let me get what I want”, uma versão do The Smiths. Quem também assina “Say” é Ricardo Spencer, diretor/roteirista que já fez vários trabalhos com vocês. Como foi a composição dessa música? 

M – A música nasceu na varanda da casa de Pitty entre algumas cervejas enquanto nos preparávamos pra ir a um show. Spencer tinha a idéia de uma melodia, peguei o violão e fomos encaixando as coisas. Gravamos toscamente no celular e depois num ensaio eu e ela finalizamos o arranjo enquanto Spencer terminava a letra, foi tudo muito rápido e divertido, essa música foi um presente pra nós.

C – O videoclipe de “Dançando” já tem mais de 320 mil visualizações no Youtube, e sabemos que o Otavio Sousa registrou todo o período em que vocês ficaram na casa. Há previsão de um novo clipe por aí ou um possível DVD?

M – Ainda não sabemos o que vai se tornar o material, mas já assistimos alguns trechos e temos muita vontade de mostrar isso pras pessoas.

P – Eu acho que pode virar alguma coisa; não sei se documentário, filme ou tudo misturado. Mas tem todo o processo de gravação documentado, e acho que pode ser interessante dividir isso em algum momento.

* Nos dias 20 e 21 de abril o Agridoce tocará no Opinião. Como citado no início do texto, essa entrevista está na Revista do Opinião e você pode encontrá-la na própria casa de shows e também no Pepsi On Stage, UFRGS, PUC, ESPM, Lojas Vivo, Lancheria do Parque, Zeppelin CD’s, A Place e Casa da Traça, em Porto Alegre.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

O Bestiário faz parte das novas bandas baianas com músicos antigos da cena local (Foto: Frito)

Bestiário é uma banda baiana formada por Mauro Pithon – vocal; Apu Tude – guitarra; Emanuel Venâncio – bateria; Wallie Beerman – guitarra e CH Straatmann (que gravou os baixos), mas ao vivo quem fica com a posição é Nuno Norris.

Os músicos, que lançaram há pouco o disco virtual no hotsite da banda, são ex-membros da Úteros Em Fúria (lendária banda baiana dos anos 90), Sangria e Veuliah. Por e-mail, Mauro Pithon contou que o Bestiário surgiu logo após o final da Sangria, quando ele, Apu e Emanuel queriam continuar tocando. Aí foi chamar os músicos que queriam fazer parte do projeto e ir para estúdio conceber as músicas. Os guitarristas Apu e Wallie levavam as músicas pré-definidas para os ensaios e lá todos os integrantes da banda opinavam e chegavam às conclusões. Mauro sempre carregava junto um gravador portátil e depois que chegavam em casa é que as letras apareciam, falando basicamente “sobre a terrível certeza que todos nós temos quando nascemos, a morte. Através da violência por terceiros ou por si próprio”, disse o vocalista.

Um fato interessante é que André t, que já produziu Pitty, Cascadura, Nancy Viégas e Retrofoguetes foi quem se ofereceu para produzir o disco. Nas horas vagas, o produtor costuma gravar artistas com os quais simpatiza e que não têm condições de pagar os períodos de gravação, aí então os músicos do Bestiário foram com todas as músicas arranjadas para o estúdio de André t, onde Emanuel Venâncio gravou a bateria em apenas um dia, em 2009. CH, que gravou o baixo, também gravou em apenas um dia, alguns meses após Emanuel. Apu e Wallie (que também é guitarrista dos Mizeravão) gravaram as guitarras durante dois dias no início do ano passado, e Mauro gravou as vozes em janeiro deste ano. Quem também participou das gravações do Bestiário foi Fernanda Monteiro (Dois em Um), que gravou o violoncelo da música “Morfina”, e Fernanda também fez isso muito rápido, em apenas duas horas.

André T conseguiu de maneira brilhante e heróica entregar o disco masterizado em nossas mãos em abril de 2011. E o disco saiu com um resultado como queríamos. Denso, pesado, sombrio, nervoso, mas muito divertido. Quem ouvir alto vai entender o que eu digo. (Mauro Pithon)

Capa do disco. Arte por Sergio Franco Filho e tratamento adicional por Wendell Fernandes. Conceito: Mauro Pithon

Como eu citei no primeiro parágrafo, o disco do Bestiário está disponível com uma ótima qualidade no hotsite da banda. Além das músicas, o download também vem com a capa do disco e as letras. Sobre os shows, Mauro disse que eles estão aprontando e divulgando por todos os lugares possíveis. O único que gravou e não vai tocar nos shows é CH Straatmann (o músico toca no Retrofoguetes), mas no lugar dele quem entra é o baixista português Nuno Norris.

Dentro do disco há regravações da época da Sangria: “Morfina”, “Barbárie”, “Hospício Azul do Sol Poente” e “Náusea”, e a respeito disso o vocalista comentou o seguinte: “Essas são as músicas que mais se parecem com o som do Bestiário e que sempre quisemos gravá-las com ótima qualidade. Então fizemos alguns ajustes, inclusive na melodia e letra de “Náusea” e “Barbárie”. Contamos com arranjos fabulosos de Violoncelo gravados por Fernanda Monteiro do dueto Dois em um na música “Morfina”. Enfim fizemos novas versões de músicas que nós gostávamos e que queríamos continuar tocando”.

Mauro adianta que a banda já tem algumas músicas novas, mas por enquanto elas ficam apenas no projeto.

– Estou planejando filmar mais um clipe até final de 2011, conclui o vocalista, que dirigiu o clipe da música “Cadafalso”, lançado em maio e editado por ele e Maurício Caires.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

“Glauber Guimarães, Jorge Solovera, Ricardo Alves, Heitor Dantas e Tadeu Mascarenhas, cansados da vida de modelo e atriz, unem-se para fazer boa música. Livre como a vida deve ser, o Teclas Pretas é um conjunto musical de boa índole. E isso é tudo que você precisa saber. No mais, tire suas próprias conclusões. E boa sorte, que nunca é demais…”

É assim que a banda se define na página da Trama Virtual. Atualmente contando com dois integrantes, o Teclas Pretas é metade Glauber Guimarães (Ex-Dead Billies: infos e discografia aqui) e Jorge Solovera (produtor, engenheiro de som, músico, arranjador). Lançado esse ano, o álbum “2005/2011” reúne músicas de todos esses anos de trabalho, além de uma inédita. E é sobre isso que Glauber Guimarães conversou com o The Backstage:

Glauber Guimarães é 50% da banda Teclas Pretas (Foto: divulgação)

The Backstage: A banda já teve mais integrantes, né? Originalmente ela começou quando?

Glauber Guimarães: O teclas pretas começou em 2005 como um coletivo. Eu, Jorge Solovera, Heitor Dantas, Ricardo Alves e Tadeu Mascarenhas. Todos compuseram e revezaram instrumentos. O disco chama-se “Oolalaquizila” [jan/2006] e pode ser baixado aqui.

TB:  Quando tu e Jorge resolveram seguir em frente? Quais foram as principais mudanças nesse trajeto?

GG: Na verdade em janeiro de 2009, decidimos seguir como uma dupla, compondo juntos e dividindo as ideias, arranjos etc. Os outros três partiram para outros projetos [Demoiselle, os “estudos azedos” de Heitor, Radiola…]. Solovera, Tadeu, Ricardo e Heitor também produzem gravações de outras bandas.

TB: No disco dá para perceber muita influência psicodélica do final dos anos 60. Isso é de 2005 para cá ou os ex-integrantes também tinham essa influência?

GG: Todos têm, mas creio que eu seja o cara que mais ouve late 60s psychedelia. Principalmente inglesa. Mas também ouço Zappa, Chrysalis, bandas americanas desse período. E os Mutantes, claro. Beatles é certamente a grande influência em comum. Além disso, ouço muito Elliott Smith, Malkmus, Wilco, Beck…

TB: O 2005/2011 é produção desses 6 anos? Qual foi o período de mais trampo mesmo?

GG: A gente foi gravando ao longo desse período e lançando eps [“e se…”, “oroboro”, “nó dos mais gravatas”, “vaudevida”]. O 2005/2011 é uma compilação desses eps + algo inédito, como “ópera sabonete”, e fecha um ciclo. Agora começa uma outra fase: Solovera gravando em salvador e eu em São Paulo. Até fim do ano, sai mais umas coisas e tal… Recebo sempre elogios e mensagens como se o Teclas fosse algo só meu, mas não é. Somos uma dupla mesmo. Sem Solovera, não existiria Teclas Pretas.

TB: E a mudança para São Paulo? Tu tá há quanto tempo aí? 

GG: Muito pouco tempo, um mês. Sinto mesmo que aqui é meu lugar, não necessariamente pelo circuito de rock, mas pela cidade mesmo. Me sinto muito à vontade aqui. Em casa.

Capa do disco "2005/2011"

TB: As coisas funcionam melhor aí do que em Salvador ou as dificuldades de músicos independentes são as mesmas em qualquer lugar?

GG: No Brasil, basicamente as mesmas. É preciso haver um caminho do meio por aqui. O mercado precisa amadurecer. Os artistas já estão avançando um bocado, criativa e estruturalmente. É preciso que se exista para além da grande mídia, da MTV, do entediante jornalismo cultural [salvo exceções], do jabá etc etc. Entremos de vez no século 21.

TB: Tu já tocou vários estilos de música. Quais teus artistas favoritos? O que tu tem ouvido ultimamente?

GG: Wilco, Elliott Smith, Ivan Lins [1974/78], Floyd, música cigana, música judaica tradicional, Django Reinhardt, Pélico, Chico, Caetano, Nirvana, muita coisa… Beatles e os discos solo dos Beatles, sempre.

Além do Teclas Pretas, Solovera também produz gravações de outras bandas (Foto: divulgação)

TB: No The Backstage a gente costuma perguntar sempre sobre o meio online para trabalhar. E para ti, como músico, que tocou nos anos 90, onde a divulgação devia ser bem diferente de agora, como é lidar com essa instantaneidade?

GG: Acho a diversidade uma beleza. A rapidez também. O que os colecionadores de vinil fazem na rede, postando discos fora de catálogo [vinyl rips], como no caso do “loronix”, é importantíssimo.

TB:Quais as ferramentas que o Teclas Pretas usa?

GG: Coloquei as músicas no myspace mesmo. Quero cuidar mais do reverbnation ou similar… E no facebook também vou espalhando o que fazemos.

TB: Novidades? Clipes? Projetos?

GG: O Teclas Pretas continua. Temos, eu e Solovera, outras músicas importantes pra gravar. Mas agora tô gravando duas músicas que fiz com Murilo Goodgroves [também de salvador e morando aqui há mais tempo]. Elas falam de São Paulo e de ser forasteiro residente em São Paulo. É um lance à parte e tá ficando lindão…Em breve, coloco na rede. É isso: wim wenders e aprendenders. Abración!

Natalia Nissen@_natiiiii

A banda Identidade é figurinha carimbada do rock gaúcho. Já tem uma carreira sólida, três discos oficiais, concorreu ao Prêmio Açorianos de Música, participou de quatro edições do Planeta Atlântida,  entre outros importantes eventos de música.  Agora você vai conhecer um pouco mais do trabalho desse grupo de amigos que formou uma banda em 1998.

O objetivo da banda é sempre fazer o melhor, assim, demora bastante para concluir todo o processo de composição e gravação de um álbum. O resultado é um conjunto de canções que a banda acredita que tenham um potencial, os músicos são exigentes e isso justifica o fato de novos trabalhos não serem lançados com tanta frequência, mas estão sempre na ativa fazendo shows. O trabalho em equipe é o que move o grupo, alguém tem a ideia e todos desenvolvem até a música ficar pronta.

O grupo de amigos faz música há 13 anos (Foto: Rafael Cony)

O The Backstage sempre questiona as bandas sobre a relação delas com a internet, e no caso da Identidade não é diferente. A banda garante que as ferramentas da web são de extrema importância para quem quer divulgar um trabalho, principalmente através de Facebook, Twitter e MySpace, mantendo-se sempre alerta às novas formas de fazer essa divulgação. Quanto aos downloads das músicas trata-se de algo muito pessoal de cada artista, a Identidade é a favor e acredita que essa possibilidade reflete em divulgação e shows.

O grupo conta com o apoio da produtora Marquise 51 (produz algumas das bandas de maior respaldo do Rio Grande do Sul) e reconhece a importância de uma produtora que aposta no rock, “isso nos dá apoio e um suporte muito importante pra podermos desenvolver cada vez mais nosso trabalho”.

E apesar do crescente número de bandas que se dizem do rock, quando na verdade não são, a Identidade afirma que cada dia surgem grupos muito bons “estamos numa grande safra”. “Hoje em dia existem zilhões de estilos e é muito mais fácil e oportuno para as grandes empresas apostarem em estilos onde as pessoas não pensam ou contestam”, nos anos oitenta, por exemplo, o rock era popular e agora o espaço na grande mídia, bares, casas de shows é cada vez menor.

A Identidade lançou recentemente o vídeo clip “Vícios” e pretende gravar quatro músicas e fazer um EP. No início de 2012 a banda deve lançar o quarto álbum, e ainda este ano deve sair o DVD “3X Rock” com Identidade, Os Replicantes e Acústicos & Valvulados.