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Carol Govari Nunes@carolgnunes

Nunca pensei que eu fosse escrever um texto sobre o Restart, mas hei que aqui estou. Na verdade, não é para falar sobre o Restart, o que eu acho da banda e etc, mas sobre o fato que ocorreu no último domingo, 15, durante um show deles em Rio Das Ostras (RJ), onde Pe Lanza, vocalista e baixista, foi atingido por uma pedra vinda da plateia durante uma das últimas músicas do show. Aí comentando o ocorrido com outro brasileiro que também está fazendo intercâmbio aqui em Faro, ele me disse que “ele deveria ter levado mais umas dez pedradas, isso sim”, e isso me fez pensar até aonde vai a intolerância das pessoas.

Você não gostar de uma banda, tudo bem. Você agredir alguém por não gostar do estilo musical do artista muda completamente de figura. Até aqui no blog, por exemplo, não gosto = não escrevo. Felizmente ainda tenho essa autonomia e não tenho chefe para me mandar/pagar (embora fosse uma briga com o professor que dizia que eu era muito “boazinha”). O meu gosto musical não é o teu, e o teu não é o de ninguém. Mas veja bem: isto é apenas a minha opinião, uma preferência particular.

Vocalista após ser atingido (Foto: divulgação)

O que eu venho a refletir é, como citei acima, até aonde vai essa intolerância. Há sempre a possibilidade de não ir a um show que você não gosta. Se isso não for possível, como no caso das inúmeras vaiadas bandas de abertura, geralmente há barracas de cerveja e comida em qualquer lugar que se disponha a apresentar uma banda em sua cidade. Morro de vergonha alheia toda vez que estou em um show e uma banda de abertura é vaiada. Acho péssimo. A Comunidade Nin-Jitsu sofreu isso quando abriu para o Red Hot Chili Peppers em 2002, no Gigantinho. Eu estava lá, adorei o show e nessa hora queria cavar um buraco e me esconder.  O que aconteceu foi que o grande Chad Smith disse que a Comunidade foi a melhor banda de suporte que eles poderiam ter. Massa.

Atravessando a “má educação” e chegando ao “inexplicável”, há casos como esse que aconteceu com o Pe Lanza, onde alguém do público joga uma pedra ou qualquer coisa semelhante no artista. Já vi vários caras atirando latas de cerveja em palcos de shows, até no Paul Di’Anno, primeiro vocalista do Iron Maiden, quando o metaleiro senhor resolveu falar que era corintiano (ou de outro time, no me recuerdo). Ora, que audácia. Eu paguei para te ver, ou você fala do meu time ou fica quieto. E assim incontáveis vezes: por causa de time, por causa de uma frase, por causa de uma camiseta, por causa de qualquer coisa que ultrapasse meu entendimento e me faça desacreditar na mútua evolução humana.

Sei não, mas não acredito que atirando pedra em um cantor teen vamos exterminá-lo do mundo. Tem mais biografia do Justin Bieber do que do Johnny Cash em qualquer livraria que eu andei visitando, e nem por isso vou querer machucar o guri ou coisa parecida. Michel Teló toca 354 vezes por noite em qualquer lugar e foi a primeira música que eu ouvi na virada do ano em Barcelona. Tenho vontade de chorar porque sei cantar “oh, if I catch you” de trás pra frente, da metade pra trás e até do avesso, mas vou fazer o quê? Tentar bater no cara, é lógico. (Já soube que ele vem tocar em Lisboa em fevereiro…).

Não se trata de conformismo (uhu, vamos deixar a música brasileira virar uma bosta – e, né, como se a gente tivesse condições de controlar o mercado fonográfico), se trata de cada um faz o seu e vambora, pois não é atirando pedra em alguém que a moda atual vai mudar – muito pelo contrário: pode até ganhar mais força.