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* Thiago Pimentel

Ouça o novo single do grupo, a música “Limbo”

Formada em 2009, a Mad Sneaks têm suas bases sob um rock sujo, visceral. Apesar da influência no stoner e punk rock, a música da banda mineira reverbera um estilo em particular, o grunge. E, em consonância as suas aproximações com Seattle, o power trio – formado por Agno Dissan (guitarra/vocal), Elton Reis (baixo) e Amaury Dias (bateria) – chegara a Jack Endino: o renomado produtor norte-americano (associado a bandas como Nirvana, Soundgarden e Mudhoney) produziu a estreia da Mad Sneaks, o disco Incógnita (2013).

Como mais um fruto da parceria com Endino, o grupo libera em Incógnita, cinco anos após o debut, seu primeiro single, a faixa ‘Limbo’. Além de consolidar o estilo dos mineiros, a composição traz um novo elemento: o uso do inglês. Divulgando seu nome fora do Brasil, a banda faz um passo significativo para expandir seu trabalho.

Confira, logo abaixo, as novidades da Mad Sneaks e, também, alguns dos planos dos músicos para o futuro – além de, claro, conhecer melhor o grupo que chamou atenção de nomes como Charles Cross (crítico musical) e do próprio Jack Endino.

The Backstage: O lançamento de “Limbo” anuncia algumas mudanças para a Mad Sneaks – mais notadamente o uso do inglês, no aspecto lírico. Cinco anos se passaram desde o debute: o que podemos esperar do próximo álbum? E quais as razões para compor, agora, em inglês?

Agno Dissan: Na verdade, nunca tivemos uma intenção concreta sobre como escreveríamos nossas músicas. Para nossa música, a única regra que seguimos é “não manter regras”, sempre mantivemos a liberdade de deixar a arte falar por si só. As músicas com letras em inglês foram apenas consequências desta liberdade. Mas isso também não significa que nos prenderemos com letras somente em inglês, trabalharemos conforme a arte nos conduzir. Um fato curioso, foi que nosso primeiro álbum (Incógnita) teve uma repercussão muito boa fora do nosso país, principalmente em países onde a língua inglesa predominava. As pessoas nos escreviam dizendo que adoravam as músicas, mesmo não entendendo as letras em português e com o lançamento de Limbo em inglês, também já estamos sendo surpreendidos com as pessoas do Brasil nos dando feedbacks positivos. Esta é a magia da arte!

The Backstage: No passado, Jack Endino fez algumas declarações negativas sobre brasileiros cantando em inglês. Em virtude do seu envolvimento com a banda, de que forma ele vê o trabalho da Mad Sneaks? Aproveitando: como vocês realizaram o contato com Endino?

Dissan: Acreditamos que este ocorrido possa ter sido algum tipo de “comentário infeliz” da parte dele, ou até problemas de interpretação. Ele já produziu bandas brasileiras que cantam em inglês após este ocorrido, através de projetos de incentivo de marcas de tênis. Já vimos algumas entrevistas antigas dele, inclusive que ele afirmava que os americanos tinham muito a aprender com as músicas brasileiras para que não ficassem presos somente na mesmice do tempo de 4×4. Enfim, nós particularmente sempre tivemos um bom relacionamento com ele e não temos nada a se queixar dele tanto como pessoal, quanto profissional. Até mesmo porque, se ele dissesse que não gostou do nosso material em inglês, isso jamais nos impediria de lançarmos mesmo assim. De qualquer forma, nós apresentamos uma das músicas a ele, que será a segunda música a ser lançada como single e ele achou ótima. Ele é um produtor independente e deixa claro que somente trabalha com artistas que ele gosta. Mostramos nossas músicas já mixadas para ele, ele gostou do material e nos escreveu perguntando se queríamos trabalhar com ele.

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Mad Sneaks (Divulgação)

The Backstage: Há, claramente, um grande apelo ligado ao grunge e a Mad Sneaks. De que forma o movimento de Seattle motiva a banda? É notável, também, elementos do stoner no grupo – pessoalmente, esses toques me remeteram as bandas (grunge) que enveredavam para esse lado (Screaming Trees e Soundgarden, por exemplo). Além de Seattle, quais as outras influências da Mad Sneaks?

Amaury Dias: A base de influências de cada membro da banda é bastante vasta, vai desde o punk rock ao heavy metal e cada detalhe pessoal dá uma característica e uma forma específica para cada canção. Com certeza temos uma paixão pelas bandas rotuladas como Grunge, mesmo as de fora de Seattle, mas nunca nos prendemos ao rótulo. Gostamos do estilo de músicas com altos e baixos, partes lentas e rápidas, com vocais suaves e gritados. Acreditamos que seríamos assim, mesmo se Seattle não tivesse revelado este movimento cultural, é claro que influências sempre existiram e sempre existirão, mas tocamos como sabemos e cantamos como conseguimos. Estamos sempre à procura de bandas “novas”, mesmo que sejam novas somente para nós. Sempre ficamos felizes quando conhecemos bandas que gostamos do trabalho. Ouvimos bandas como Social Distortion, Rancid, Ramones, QOTSA, Violent Soho, Airbourne, The Virginmarys, Helmet, Drowning Pool, Downface, Iron Maiden e etc. Dentro do Brasil, temos muitas bandas e artistas que gostamos como Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, Garotos Podres, Vivendo do Ócio, CPM22, Raimundos e artistas do underground de qualidade superior a muitos do mainstream e que somos fãs como Dvrill (precisam ouvir este projeto, é surpreendente!), Rádio Attack (rock brasileiro de dar orgulho!).

The Backstage: A banda também prega um discurso de “rock vivo”. Até que ponto o “rock está morto”? De que maneira vocês acreditam que pode contribuir com este cenário?

Dias: O rock nunca morreu, isso é uma grande besteira! Ele só está com esse papo de morto, porque não está presente no mainstream. Talvez isso seja bom, tudo se renova, este processo não é nada mais do que uma outra renovação. O público de rock sempre foi um dos mais fiéis ao estilo e sem dúvidas, quem gosta de rock jamais deixou de gostar só porque passam uma mensagem de que o rock morreu. Se olharmos para trás…o Rock sempre tomou o mundo de assalto em momentos como esse, quando ninguém mais achava que as coisas poderiam piorar, o Rock aparece com força total e vira todo o jogo. Enquanto não acontece esta revolução, mesmo com público reduzido, por falta de suportes, incentivos e estruturas, o rock segue se purificando e isto significa que cada vez mais o estilo está voltando em sua pureza natural. Se alguém duvida disso, basta frequentar shows de bandas fora do mainstream e comprovar, o rock está ficando cada vez mais sincero e puro, como sempre deveria ter sido. E o que é sincero e real, nada pode segurar! O que sempre fazemos questão em colaborar com a cena é manter nossos trabalhos com a melhor qualidade possível e SEMPRE de forma sincera, sempre buscando apoiar outros artistas que vemos que também trabalham de forma sincera com sua arte, o resto é consequência. Já falamos várias vezes, as coisas estão acontecendo, os olhos mais atentos já conseguem enxergar. Quem viver verá! E feliz será aquele que acreditou e participou desta revolução! A história é escrita de acordo com as atitudes tomadas. Sem atitude, não há história.

 The Backstage: Críticos como Charles Cross já teceram elogios à banda. Como vem sendo a repercussão ao novo single? E ao primeiro álbum do grupo?

Elton Reis: Cross é outro cara que temos uma consideração ímpar, ele sempre foi muito solícito conosco, já nos conhecemos há muitos anos. Somos fãs dos trabalhos dele desde sempre. Um fato curioso é que ele conta que o filho dele tem e usa uma de nossas camisetas até hoje, vai pra todos os lugares com ela. Ele foi um dos primeiros a conhecer nosso trabalho fora do país, antes mesmo de lançarmos o Incógnita. Estamos trabalhando duro na divulgação do novo single e fazendo um bom número de shows para divulgá-lo, temos roteiros prontos para clipes que não tardarão a serem produzidos. Acreditamos nossas vidas em nosso trabalho e vamos seguir em frente, não importa quantos muros tenhamos de derrubar. Rock para nós não é somente entretenimento, é estilo de vida!

The Backstage: Desde Incógnita (2013), muita coisa se mudou no “mundo digitalizado”. De que forma a Mad Sneaks se porta diante desses novos paradigmas? Como veem os serviços de streaming, por exemplo?

Reis: São modernidades que vieram pra ficar, não adianta virar a cara para elas, estão em todos os lugares e em questões de comodidade, são excelentes meios de conhecer novos artistas de qualquer lugar do mundo. Como tudo nessa vida tem seus prós e contras, infelizmente o contra disto é que tudo fica mais banal e descartável com mais rapidez. Enquanto um CD durava até anos sendo tocado por inteiro e ininterruptamente, até mesmo pela dificuldade de acesso a outros materiais, hoje um “hit” via streaming pode durar apenas semanas ou até dias. São os dois lados da mesma moeda. Tentamos acompanhar estas tecnologias, estamos em todas as plataformas digitais e lutamos todos os dias para fazer nossas musica ser ouvida. A forma como seremos ouvidos não importa, o que é realmente prazeroso é chegar nas pessoas e provocar boas reações, bons sentimentos, a música ainda é mágica, independente de como ela será recebida, ela ainda tem poderes de tocar os sentimentos das pessoas.

The Backstage: Por fim, o que podemos esperar da Mad Sneaks a longo prazo? Quais novidades podem ser adiantadas ao público?

Dissan: Sobre os lançamentos futuros, o próximo passo é lançar o segundo single e ele será realmente incrível, lançaremos também Videoclipes legais. A concepção original é de lançar singles isoladamente e ir montando o álbum aos poucos e no final juntar os singles lançados com algumas outras surpresas e fecharmos o disco. As novidades serão divulgadas em nosso instagram (@madsneaksrock), Facebook e Youtube. Segue a gente! Estamos na estrada e com uma agenda realmente boa, venham aos nossos shows! Uma coisa podemos garantir, vamos fazer com que sua noite seja insana! Esperem sempre dos Mad Sneaks a maior dedicação em tudo, seja em redes sociais, seja nos shows ao vivo. É tudo sincero, é tudo feito com a alma, é a nossa entrega! Seja lá como for… a história só é escrita com atitudes! Nos vemos na estrada…

 

 * Thiago Pimentel é jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Atualmente é mestrando em Comunicação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde faz parte do L.A.M.A (Laboratório de Análise de Música e Audiovisual). E-mail: thiagopimentelbl@gmail.com

Ela já colocou tocar Linda Scott antes de entrar no palco; hoje toca Peter Tosh. Já cantou “Bang Bang” (Nancy Sinatra) acompanhada somente de um violão na beira do palco de um festival. Já cantou trechos de “Bom Senso” (Tim Maia), “Asa Branca” (Luiz Gonzaga), “Sociedade Alternativa” (Raul Seixas), “Be My Baby” (The Ronettes), “Smells Like Teen Spirit” (Nirvana), “Fórmula Mágica da Paz” (Racionais MCs), entre tantas outras no meio de suas músicas. Gravou “Sailin On”, mas também cantou “Leaving Babylon” (Bad Brains). Pitty sempre deu pistas de onde vem, mas só agora, em sua nova turnê Matriz – que lotou o Opinião nos dias 30 e 31 de agosto – é que decidiu buscar, repensar e expor sua formação musical.

Matriz traz um show novo, que se diferencia bastante do SETEVIDAS. O que ficou da turnê anterior foi o chute no ar em “SETEVIDAS”, as palmas em “Serpente”, e o microfone giratório em “Boca Aberta” – que no dia 31 deu lugar a “Pulsos” (mantendo o microfone giratório). De resto, praticamente tudo mudou: a ordem do setlist, a formação da banda, o telão (que agora dá lugar a um belíssimo cenário desenhado por Eva Uviedo) e a disposição dos instrumentos no palco.

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Foto: dia 30, por Taty Larrubia

Já comentei aqui inúmeras vezes sobre a mudança que ocorre nos arranjos das canções, mas dessa vez Pitty resolveu cavar mais fundo e apresentar suas composições da forma como elas vieram ao mundo: no violão. “Teto de Vidro” e “Temporal” estão entre as escolhidas. No set acústico – que pra mim é um dos pontos altos dessa turnê – ainda ouvimos “Dançando” (Agridoce), “Ovelha Negra” (Rita Lee, no dia 30), e “Bom Brasileiro” (Cachorro Grande, no dia 31). É preciso bastante segurança no que está propondo pra não arriscar esfriar um show com uma rodinha de violão. E não esfria. Mesmo. Também tem que ter segurança (e ousadia) pra inverter a ordem que os fãs estão habituados: lançar disco -> sair em turnê. “Como assim lançar música em show?”; “Como assim avisar o nome da turnê em um show?”; “Mas não vai ter disco?”; “Quando sai o disco?”; Cadê o disco?”; “Em 2007 tu fez diferente – inclusive ensinou a cantar “Pulsos” antes da gravação do DVD!”. Pois é, em 2007. É comum do ser humano se apegar a algo e querer que seja assim sempre. A gente se acorrenta a ideias e nem percebe que está fazendo isso, mas faz. Felizmente, Pitty resolveu enfrentar essas ideias e quebrar esses formatos.

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Foto: dia 31, por Taty Larrubia

Particularmente, acho um privilégio ver uma turnê como Matriz na estrada, com uma artista desconstruindo suas certezas e mostrando que o rock, enquanto gênero musical, não é algo fechado e acabado. E mais do que isso: que é possível reivindicar diferentes gêneros musicais pra constituir um álbum – e também uma carreira artística. Me soa absolutamente natural Pitty, que já nos deu tantas pistas de sua bagagem musical, finalmente acionar contextos e influências de gêneros como reggae, dub, rocksteady, juntando com punk, hardcore, utilizando bases eletrônicas, saindo do cercado rotulado como puramente “rock’n’roll”. Afinal, o que é puro? E o que é rock? E por que tem que ser puro?

Todas essas questões fazem com que Pitty se renove não apenas estética e musicalmente, mas também corporalmente no palco. Todos temos um repertório, uma memória corporal, mas Pitty não encena seu arquivo turnê após turnê, como a maioria dos artistas de rock fazem. Pra cantar “Te Conecta” é necessário um abandono da postura agressiva do rock; e é diferente cantar/gritar “Temporal” tocando uma SG preta e cantar suavemente “Temporal” somente acompanhada de violão.

Matriz é uma visita guiada à guria que compôs um monte de hits nacionais num quartinho em Salvador/BA. É uma ponte entre o passado e o que ainda vai surgir no futuro, não esquecendo de aproveitar o agora, esse momento tão precioso de reconhecimento e reflexão.

A turnê está aí, acabou de começar. Pitty é uma artista de palco – pareço um papagaio sequelado repetindo isso há anos, mas Pitty é uma artista de p-a-l-c-o. Tem gente que manda bem nos clipes, no estúdio, mas não funciona no palco. Pitty tem ótimos clipes, grava ótimos discos, mas funciona infinitamente melhor no palco. “Contramão” ao vivo fica imbatível. Sério. Se puder, assista. A turnê está rodando o Brasil inteiro. As próximas datas você pode conferir aqui.

Desde que voltei pro RS eu fui atropelada pela minha tese de doutorado. Não escrevo nada por aqui desde o Coquetel Molotov, que rolou em outubro do ano passado, mas achei que essa era uma data especial e não poderia deixar passar em branco.

O Admirável Chip Novo, disco de estreia da Pitty, completou 15 anos no último dia 7 de maio. Há 15 anos eu tinha 14 anos. Uma adolescente virada em hormônios e com uma enorme disposição pra “fazer arte”, como diz minha mãe. Se fosse no sentido de ser artista seria ótimo, mas era no sentido de ser arteira, mesmo. Estava no 1º ano do 2º grau (que nem deve mais ser chamado dessa forma), usando roupas do avesso porque não queria fazer nada que fosse correto (que absurdo roupa ter lado certo pra usar) e era um misto de “Maladragem” (Cássia Eller), “Lithium” (Nirvana), “Arrastão do Amor” (Comunidade Nin-Jitsu), “Queimando Tudo” (Planet Hemp), “Suck My Kiss” (RHCP) e “Rebelde Sem Causa” (Ultraje a Rigor), basicamente.

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Recorte da capa do 2º Caderno da ZH onde anunciava o show da Pitty pela primeira vez no RS. Junho de 2004 (não sei a data exata e a pasta onde guardo tudo isso está na casa dos meus pais)

Na minha casa não tinha TV por assinatura, então a gente não tinha MTV. Não vi quando o clipe de “Máscara” foi lançado, mas logo fiquei sabendo porque uma amiga me contou. Perguntei (no ICQ) o que ela andava escutando, ela disse que gostava de “Máscara”, da Pitty. Abri o Kazaa (!), procurei e baixei. Achei aquilo muito, muito, muito estranho. A música era foda, pesadona, guitarrão, mas não sabia se gostava do timbre da voz da cantora; ela parecia meio afobada, também. Aquilo era estranho, mas também era interessante, então de alguma forma acabou me pegando, me deixando curiosa, porque no final de semana seguinte (os jóvis de hoje nunca vão saber como era conectar internet discada às 14h da tarde do sábado e só desconectar no domingo de madrugada) resolvi baixar outras músicas. Tentei baixar “Emboscada” e veio uma música do Leonardo (ah, as maravilhas do Kazaa). Procurei de novo, baixei “Emboscada”: opa! essa aí é legal. Baixei “O Lobo”, “Do Mesmo Lado”, “Temporal” e quando baixei “I Wanna Be” bateu imediatamente: aquela letra fazia totalmente sentido pra mim. Num Top 3 do ACN, ainda fico com “I Wanna Be”, “Do Mesmo Lado” e “Só de Passagem”. Ao vivo, “Máscara”, “Admirável Chip Novo” e “Equalize”. Aliás, eu só fui gostar de “Máscara” e “Equalize”, por exemplo, um pouco mais tarde, justamente quando vi a execução dessas músicas ao vivo. Pra mim a apresentação-chave foi “Máscara” no VMB de 2003. Ali foi o exato momento em que algo acendeu dentro de mim e nunca mais apagou. Também fiz o download da apresentação, claro, assistia ininterruptamente e ficava pausando pra anotar o nome das bandas baianas que Pitty fala no meio da música, fato que desencadeou minha quase-obsessão pela cena de rock de Salvador, sendo fortemente acentuada com o lançamento do Admirável Vídeo Novo, mas esse é outro longo assunto.

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Recorte também da capa do 2º Caderno da ZH, falando dos shows que rolariam em novembro de 2004. Fui no de POA e no de Portão

No ano seguinte, Pitty se apresentaria pela primeira vez em Porto Alegre. Era junho de 2004, eu já tinha 15 anos, praticamente uma adulta, uma mulher super experiente, e que, mesmo assim, a mãe não deixou viajar porque a passagem era muito cara e nem tinha ônibus direto da minha cidade natal pra POA. Ela veio novamente para o RS ainda naquele ano, e dessa vez eu estava decidida que daria um jeito de viajar pra POA e ver o show. Semana vai, semana vem, eu era a única pessoa que tinha computador com gravador de CD na minha turma, e esse foi o jeito que eu achei de juntar dinheiro pra passagem: comecei a gravar cópias piratas do ACN, com mais algumas músicas aleatórias que a pessoa quisesse, porque tinha espaço no CD-R, e vendia por 5 pila. Além de eu nunca ter comprado o ACN, ainda fazia cópias do disco para as outras pessoas. Um exemplo de fã, diga-se de passagem. Consegui juntar 45 pila, não lembro se esse era o valor exato da passagem, mas mesmo assim a minha mãe decidiu que eu não iria viajar 450 km sozinha de ônibus de linha. Tentou me convencer dizendo que se eu não fosse no show ela compraria um violão elétrico que era meu atual sonho de consumo – um Eagle preto que eu namorava numa Loja Multisom, em Ijuí, onde minha irmã estudava na época –, então eu não tive outra alternativa: precisei chorar copiosamente durante uma tarde inteira (bem rebelde, ela) pra minha mãe deixar eu ir pra POA. De quebra, ainda ganhei o violão, que tenho até hoje.

Sempre lembro que eu mandei um e-mail pra Pitty avisando que eu ia viajar pra POA pra ver o show dela pela primeira vez, porque, né, do alto do meu egocentrismo-adolescente-leonino, aquilo precisava ser comunicado (na verdade, era muito potencializado pelo contato através do Pitty-list, mas esse também é outro assunto e só quem viveu sabe como aquela época foi divertidíssima – e chuto, numa análise muito rápida, essencial pra formar uma rede que perdura até hoje). Ela respondeu dizendo que esperava que aquele fosse um dia especial na minha vida. Foi tão especial que eu ainda estou aqui.

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Turnê do ACN, primeiro show que eu assisti. Bar Opinião – POA, 19/11/04

Seria extremamente repetitivo se eu começasse a falar dos shows da Pitty – tem um arquivo inteiro nesse blog só sobre isso. Mas eu me sinto muito sortuda por ter acompanhado sua carreira desde o primeiro disco, podendo discutir tudo o que permanece, o que mudou, e curiosa com o que ainda vem pela frente. Ficaria horas escrevendo sobre isso, tranquilamente.

Em outra análise muito rápida, acho que a Pitty conseguiu, nesses 15 anos, lidar muito bem com todas as mídias e formatos de consumo musical: CD, vinil, dual disc, streaming, single em vinil, single digital, youtube, agora K7, ou seja, soube explorar a variedade de formatos desde que estreou nesse mundão da indústria fonográfica. Na questão do contato com o público, também: lista de discussão, flogs e todos os sites de redes sociais que foram surgindo pelo caminho, falando diretamente com/para seu público, fortalecendo aquela rede que eu citei anteriormente. Quando eu andei em uma vibe mais digital e surgiu a hipótese de ela ser um dos meus objetos na tese, recuperei todos os arquivos de listas de discussão e materiais entre 2004 e 2017, analisando a tal “coerência expressiva” que a gente tanto discute nos estudos de Comunicação e Performance. Mas esse também é outro assunto e acabou que minha tese não foi por esse caminho, então tudo o que eu analisar sobre ela, no momento, é só por diversão.

Por fim, acho que a comemoração dos 15 anos do ACN vale muito mais pelo projeto do que somente pelo disco. Por mais que eu tenha sentido uma identificação imediata com “I Wanna Be” e na sequência com as outras músicas, olhando pra trás o que me marca mesmo é o conjunto da obra: CD, DVD, identidade visual, postura, comunicação com o público, discurso, site, clipes, turnê. Foi um lançamento cheio de vigor e coerência em uma época já digital, repleta de distrações e superficialidades, fazendo com que Pitty se tornasse o nome mais consistente de sua geração.

Feliz aniversário, Chip Novo

Na última quinta-feira, 24 de novembro, a banda Ultramen subiu ao palco do Opinião para lançar o DVD Máquina do Tempo, gravado 8 anos atrás naquele mesmo palco.

Além do lançamento do DVD, o show marcou a comemoração dos 25 anos da banda, que tem 4 discos de estúdio lançados e intercalou sucessos de todos os álbuns, além de “Robot Baby”, composição inédita do grupo. Pouco antes do show começar, o público assistiu a um vídeo do Mestre Guitarreiro Luis Vagner contra o fechamento da TVE e FM Cultura, movimento que a Ultramen também faz parte e endossou essa posição durante boa parte do show, principalmente no bis, quando todos os músicos voltaram com a camiseta “Salve salve a TVE e a FM Cultura” e Tonho Crocco disse que o medo dele – e da banda – não é perder espaço na mídia, mas sim perder a Fundação Piratini, essencial para bandas independentes, artes cênicas e cultura em geral.

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Interação entre banda e público foi intensa durante toda a noite (Foto: Carol G. Nunes)

Mas retomando o início do show, que começou com “Tubarãozinho” (depois da “Intro”, seguindo a mesma ordem do DVD), e seguiu com clássicos da banda como “Grama Verde”, “Bico de Luz”, “Dívida”, “General”, “Preserve”, “Máquina do Tempo” e outras várias faixas que estão no DVD, tivemos uma noite com uma energia incrível e público super presente. Aliás, o público era bem mais diversificado do que o do último show que eu tinha visto da Ultramen, no ano passado. Gente de todas as faixas etárias e cores e sabores e amores lotaram o Opinião. Sem cotoveladas e sem empurra-empurra. Andei umas 5 vezes pelo bar, de ponta a ponta, e apesar de estar bem difícil de se locomover por causa da quantidade de pessoas, ninguém trancava a passagem ou te olhava de cara feia. Acho que um público também faz o show. Eu sou jornalista, mas eu também sou público. Eu gosto de circular, de observar – ainda não perdi isso da etnografia, confesso –, e shows da Ultramen são sempre interessantes – do ponto de vista jornalístico e também do ponto de vista etnográfico.

Várias participações também rolaram durante a noite: Buiu em “Esse é o Meu Compromisso”, Manos do Rap (rapper Du e Curumano) em “Erga Suas Mãos”, PX em “Peleia” e o Gibão, batera da Comunidade Nin-Jitsu entrou em “Hip Hop Beatbox com vocal e James Brown”.

O DVD Máquina do Tempo está disponível no youtube e você também pode comprá-lo no site da HBB Store.

A Galáxia de Tonho Crocco

Antes tarde do que mais tarde:

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BNegão participou em “Baobá” e “Dívida” (Foto: Carol G. Nunes)

No dia 20 de outubro, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, Tonho Crocco lançou o baita disco Das Galáxias. Com participação de BNegão em “Baobá” e acompanhado da in-crí-vel banda Partenon 80, Tonho tocou todas as faixas do disco Das Galáxias e faixas d’O lado brilhante da lua, além de algumas músicas da Ultramen. Além de BNegão, PX também fez uma participação especial em “Peleia”, junto com o mini-sobrinho de Tonho, que estava de aniversário, e matou a pau na coreografia de “Peleia” 🙂

O projeto foi contemplado pelo edital Natura Musical Rio Grande do Sul e já teve seus shows de lançamento por Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Vi na agenda que em dezembro eles vão tocar de novo em Porto Alegre e a dica é: vale conferir, pois o show é incrível, muito bem produzido e formatado.

Você pode baixar o Das Galáxias no site da Natura. O disco também está disponível em CD e vinil (comprei o vinil e o som é uma beleza, vale o investimento!).

 

Acaba de entrar nas principais plataformas mundiais para download e streaming, como iTunes e Spotify, o novo EP do Fire Department ClubHuman Nature.

epO terceiro EP do quarteto de Porto Alegre conserva a energia frenética de seu indie rock já característico, agora, adicionando refrões e sintetizadores ainda mais poderosos. Human Nature é o resultado de meses de trabalho, com a banda imersa em um mundo de referências oitentistas catapultadas por sua evolução musical e a experiência em festivais na América do Norte. As quatro faixas são complexas e diferentes entre si, mas surpreendem pelo tom “pop”. O vocalista André Ache afirma: “São canções fortes, cheias de nuances e elementos ocultos mas que você pode sair cantando junto na primeira ouvida!”.

Com instrumentais gravados no Estúdio Soma em Porto Alegre, e vocais no TDS Studio de Los Angeles, Human Nature tem a assinatura do produtor musical Luc Silveira. A Mixagem, também feita no TDS Studio, é de Tiago D’Errico, e masterização de Dave Locke (Smashing Pumpkins). Entre os colaboradores do projeto estão o artista plástico Patrick Rigon, responsável pela capa de Human Nature, além da escritora e liricista Gisele Firmino, que mais uma vez contribui nas letras da banda.

Clique aqui e escolha onde quer ouvir o novo EP da banda.