Carol Govari Nunes@carolgnunes

Ao completar 10 anos de banda, Gustavo Martins, vocalista e guitarrista do Ecos Falsos, anunciou que a banda está acabando. Só não usou a palavra “acabou” porque eles vão fazer um show de despedida dia 10 de setembro na Livraria Cultura.

O Ecos Falsos lançou em 2010 o divertido disco "Quase" (Foto: Milton Akashi)

A notícia foi dada no site oficial e enviada para os cadastrados que recebem o boletim informativo deles – de número 155 e provavelmente o último.

Gustavo Martins não escondeu a tristeza ao comunicar o fim da banda:

– Está incompleta e o tom provavelmente não é o ideal, mas foi o que deu pra escrever. Não estou no mais caprichoso dos ânimos, vocês podem imaginar, disse o vocalista.

 Ele também contou que a decisão foi tomada por todos os integrantes da banda, sem divergências. Disse que “as coisas não estavam mais tão legais pra eles”, então não havia motivos para continuar tocando por inércia.

– O título do disco acabou virando uma metáfora/maldição de tudo que aconteceu nesse período, também: falta de produção decente pros shows, falta de tempo pra ensaios e divulgação, falta de interesse do público/imprensa, falta de comprometimento nosso… Vários pequenos “quases” que por si só não são graves, mas vão se unindo numa massa de desânimo que, quando nos demos conta, já pesava tanto quanto o prazer que tínhamos em manter a banda funcionando, comentou Gustavo no texto onde fez o anúncio.

Eu particularmente estou muito triste com o fim da banda. Ecos Falsos é com certeza uma das minhas bandas favoritas e o “Quase” foi pra mim o melhor disco de 2010. Não tenho muito o que dizer, somente lamentar o fim e desejar toda a sorte do mundo para cada integrantes.

O texto completo você lê no site oficial da banda.

PS: Já leu o TCC do Gustavo Martins? O cara é formado em Jornalismo e escreveu uma tese genial sobre as rimas brasileiras, intitulada de “É o Amor – Lugares-Comuns da Música Popular Brasileira por Suas Rimas”. Dá pra fazer o download do trabalho aqui e vale muito a pena ler.

Essa é uma narrativa especial, feita especialmente em comemoração ao Dia Mundial do Rock, 13 de julho. Nela, contamos a história de Roque Enrow, um senhor de 70 anos de idade desiludido com os rumos que sua vida tomou.

13 de julho, 2011

Acho que já passa das 4h da manhã… acabei de chegar em casa depois de uns tragos no boteco da esquina com os camaradas de sempre. Não sei como ainda agüento, não tenho mais idade pra fazer isso. No começo é sempre igual: “só um gole, pra esquentar, e depois vou embora”, o problema é que esse gole sempre se estende, ainda mais em uma noite fria como essa. Anos atrás eu teria motivos para comemorar esse dia 13 de julho, hoje, porém, só queria beber até o frio e as lembranças do passado irem embora. Quando será que vou aprender que as lembranças nunca irão embora?? É, mais um ano de vida, meu velho… mais um ano perdido, sem esperança ou perspectiva. Eu olho para o meu passado e me pergunto: onde foi parar aquele eu revolucionário, aquela sede por mudança? Hoje é tudo uma grandessíssima merda, essa juventude alienada com cérebros atrofiados… no meu tempo, os cérebros eram sequelados pelo tanto de porcaria que a gente usava, mas no final a idéia era só abrir a mente pra conseguir mudar esse mundo! Mas que culpa tem os guris, se está tudo virado num caos mesmo? Depois que tudo desandou desse jeito, não tem mais volta, não, é daqui pra baixo. Não sei, ultimamente eu me olho no espelho e só vejo um velho barbudo perdido, sem rumo. Não sou eu, não me reconheço mais.

Só consigo pensar em como antigamente as coisas eram diferentes… no meu tempo de guri, os anos 50, eu lá com meus 14 anos descobrindo muita coisa boa nessa vida. Foi mais ou menos nessa idade que a música entrou na minha vida, foi uma parada de paixão mesmo, carnal e visceral. Depois que eu segurei minha primeira guitarra, nunca mais quis saber de outra coisa. Lembro que meu velho só sabia falar de guerra, que eu tinha que agradecer por aquilo tudo ter acabado, que minha vida era uma moleza. Eu tava cagando praquilo! Só queria saber de juntar uma grana, comprar uma caranga e poder sair de casa, curtir a vida, ter independência! Eu via aquele cara no cinema, o transviado do topete e da jaqueta de couro, e queria ser como ele, queria ter uma Marylin na carona do carro, pra que mais do que isso? Minha guitarra, um carrão e uma mina. Mas eu não passava de um guri sonhador mesmo, me achava grande coisa com aquele cabelo besuntado de brilhantina e um par de sapatos lustrados…

Lá pelos meados da década de 60 eu consegui juntar uma grana, comprar um Volks meio capenga e sair da casa dos velhos. Liberdade, finalmente! Fui morar num pardieiro com uns cabeças que conheci na faculdade (na época eu cursava Filosofia, um dos tantos cursos que comecei e nunca terminei), era um quarto-sala minúsculo que dividíamos em quatro. Conheci a Lady Babel nessa época, figuraça! Uma guria louca que aparecia de vez em quando lá na kit pra pegar uns ácidos. A gente se entendia, se conectava. É uma das poucas pessoas que fiz questão de manter na minha vida.

Até então eu nunca tinha dado muita bola pra política e essas coisas, só comecei Filosofia porque achei que era o mais fácil, até que conheci o pessoal do curso, trocava umas idéias maneiras com os caras que dividiam a kit comigo. Mas aí eu comecei a me dar conta do tanto de barbaridade que estava acontecendo a minha volta e me decidi: eu tinha que fazer alguma coisa pra mudar aquilo! Arrumei um emprego numa lanchonete perto da onde morava e ganhava uma miséria, mas todos meus trocos iam pra cartolinas e panfletos que fazíamos. “STOP THE WAR!” Eu não tinha tempo nem de tomar banho, vivia desgrenhado e cabeludo, era da faculdade para o trampo, depois para as passeatas, manifestações, arrumava um tempo pra tirar um som com um pessoal que tava na mesma vibe que eu. A gente compunha, batucava, protestava, fazia um som que passava uma mensagem. Engraçado que não consigo me lembrar de nenhuma namorada dessa época… a gente era muito free, se amava muito, sem caretice, sabe. Acho que foi por esses anos que fui numa festa bacana, tal de Woodstock… bem paz e amor, fiquei tão chapado que não lembro de quase nada.

Aí o que aconteceu foi o seguinte: absolutamente nada mudou! A guerra, a fome, a miséria, tudo continua lá como sempre esteve. Meu, isso me deixou puto! De que adiantou a gente protestar, se manifestar, se amar, querer mudar o mundo?! Eu fiquei nessa de ser cabeça, paz e amor e tudo mais até lá por 70 e poucos, mas depois não quis saber mais disso não! Na verdade, eu não queria saber de mais nada. Eu tinha lutado por tanta coisa, almejava tanto e depois vi que tudo aquilo não adiantou bosta nenhuma, eu queria mais era explodir tudo. Larguei a faculdade e fui trabalhar num boteco meio underground que deixava umas bandas tocarem à noite. De dia eu ficava carregando caixas feito um burro de carga e recebia uma miséria, mas pelo menos o dono me deixava ensaiar à noite com uns caras que tinha conhecido por lá e estavam na mesma merda que eu. A gente tocava com raiva mesmo, sem entender direito que som era aquele que tava saindo. Passávamos a maior parte do tempo bêbados e drogados, arranhando qualquer coisa nos instrumentos detonados que tínhamos. Parecia que tudo que a gente queria era demonstrar toda aquela frustração e sensação de vazio que sentíamos pela música, então era uma coisa caótica mesmo, totalmente sem sentido. Uns estudantes metidos a besta que andavam por lá chamavam isso de “niilismo”, pra mim isso era só um nome bonito pra um sentimento escroto. No final das contas foi uma década perdida mesmo, principalmente por causa daquela maldita rebeldezinha que cruzou meu caminho, toda dona de si com sua calça jeans rasgada e seu cabelo colorido. Era um groupie, uma poser, só queria saber de andar comigo por causa da banda, mas eu achava que era de verdade. Ela foi morar na kitnet comigo e, quando não estávamos juntando os trocos pra comprar alguma droga vagabunda e nos chaparmos juntos, a gente brigava, quase se matava. Foi um inferno, mas eu amava aquela vadia. Ficamos por alguns anos nessa vida de cão, até quase o final dos anos 80, nos destruindo… até que o dia em que a peguei na cama com o baixista e até então meu melhor amigo, aí dei um passa-fora na bandida e fiquei sem rumo. Aquela cretina conseguiu me tirar o chão!

Pra não dizer que os anos 80 foram uma grande merda, uma coisa salvou: meu aniversário de 85 foi do caralho! Mas, além disso, só consigo lembrar de viver uma vida de cão pelos becos sujos da cidade, completamente perdido…

Foi só aí que eu percebi que não era mais nenhum guri brincando de rock star, eu tinha uma vida pra viver e bem, se possível! Homem nenhum gosta de admitir isso, mas meu coração ainda estava destruído por causa daquela uma e eu tentava de todas as maneiras superar isso, mas foi difícil. Pelo menos consegui me estabilizar na vida, consegui achar uns caras responsa pra montar uma banda e a gente fez um sucesso relativo. Éramos todos mais experientes e isso se refletia muito na nossa musica, era uma parada mais calma, bem sofrida e amargurada, mas serena. A gente tinha um baita futuro, nosso trabalho era bem reconhecido, mas aí o boca-aberta do vocalista resolveu se suicidar e tudo voltou à estaca zero. Os anos seguintes passaram como um borrão por mim, eu praticamente não os vi. A idade chegou de vez e eu simplesmente desanimei. Cansei da música, cansei de viver disso, cansei de tentar ser alguém.

E agora cá estou eu, no meu septuagésimo aniversário. Um velhote sem história, sem família, sem legado, sem nada. Eu tentei ser alguém na vida, e como tentei. Mas agora nada mais faz sentido, não vejo mais razão em continuar em um mundo no qual eu sempre botei esperanças, tinha fé que fosse se tornar um lugar melhor e, hoje, percebo que eram esperanças ingênuas e vazias… isso aqui só vai de mal a pior!

Uma última dúvida me inquieta: as dezenas de remédios que, supostamente, serviriam para amenizar minhas dores (eles esquecem que dores da alma não tem cura) misturados com o whisky barato, presente de aniversário, ou ela… minha guria, que me acompanhou durante esses anos todos, a única que nunca me abandou, sempre esteve ao meu lado, minha guitarra… acho que, em homenagem aos velhos tempos, vou secar essa garrafa e depois me entender com as cordas afiadas da minha velha amiga.

Roque Enrow

Notícia de última hora sobre o estado de saúde de Roque Enrow:

Enquanto aguardamos e torcemos pela recuperação de Roque, que tal ouvir grandes clássicos que fizeram parte de sua vida? Roque, essa é só uma fase ruim, vai passar. O Roque sobreviverá!

Natalia Nissen@_natiiiii

A capital gaúcha está cada vez mais perto de transformar-se em parte integrante do eixo de cidades que recebem os mais importantes shows do país. Se até há algum tempo  as pessoas só pensavam em ‘Rio-São Paulo’ como as cidades dos melhores shows, já podem incluir Porto Alegre como uma representante do eixo.

Depois de 10 anos Eric Clapton volta ao Brasil e faz show em Porto Alegre (Foto: divulgação)

Ano passado Paul McCartney fez um show no estádio Beira-Rio, Ozzy Ousborne lotou o Gigantinho, Green Day também marcou presença, entre outras grandes atrações que pousaram em Porto Alegre durante suas turnês brasileiras. Em 2011 já foram confirmados outros importantes espetáculos na capital. No próximo dia 10 de julho tem Mr. Big no Opinião.

O heavy metal será representado pela Black Label Society no dia 14 de agosto, também no bar Opinião. Para os headbangers de plantão ainda há outras atrações, Evergrey dia 28 de julho no Teatro Ciee e Machine Head e Sepultura dia 16 de outubro.

O guitarrista Eric Clapton toca em Porto Alegre no dia 06 de outubro, no estacionamento da FIERGS. A turnê do álbum ‘Clapton’, lançado em 2010, passa pelo Rio de Janeiro (09) e São Paulo (12), depois segue para a Argentina e Santiago (Chile). A venda dos ingressos para a apresentação em Porto Alegre começa no dia 29 de julho no site LivePass.

Essa semana foi confirmada a visita do ex-beatle Ringo Starr e sua banda, a All Starr Band. O show vai acontecer no Gigantinho dia 10 de novembro e as apresentações seguem para São Paulo (12 e 13), Rio de Janeiro (15), Belo Horizonte (16), Brasília (18) e Recife (20). Os ingressos serão vendidos a partir do dia 18 de julho. No repertório músicas da carreira solo de Ringo, e também, dos Beatles. Boatos ainda especulam que Paul McCartney fará show em Recife no mesmo mês da apresentação de Starr.

Ozzy fez show em setembro de 2010 e Zakk Wylde vem a Porto Alegre com a banda Black Label (Foto: divulgação)

Na última quarta-feira, 29, um jornalista confirmou no seu perfil em uma rede social o show da banda americana Pearl Jam. A última passagem deles por Porto Alegre foi em novembro de 2005. Seis anos depois a banda volta à capital e se apresenta em novembro no estádio do Zequinha. As informações sobre o show devem ser divulgadas nos próximos dias.

Roger Waters, um dos fundadores da banda Pink Floyd, vem ao Brasil em março de 2012. O astro vai passar por Porto Alegre no dia 17 com o show ‘The Wall’ e depois segue para duas apresentações em São Paulo (22 e 23) e uma no Rio (25). As atrações são muitas, rock para agradar a gregos e troianos. Agora só falta decidir quais shows merecem o investimento, afinal, os ingressos exigem algumas economias.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

Em 2001 surgiu em Brasília a “Noite Senhor F”, e não demorou muito para que ela se transformasse em referência para a cena independente local. Desde a sua inauguração, a Noite Senhor F se tornou um dos eventos mais respeitados do país. A Noite já foi realizada em outras capitais, como Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e Belém. Agora o evento acontece regularmente no Bar Opinião, em Porto Alegre, onde no último domingo, dia 19 de junho, aconteceu a quinta edição da Noite Senhor F.

A Catavento de Bolso abriu a Noite Senhor F no Opinião (Foto: divulgação)

A banda de abertura foi a Catavento de Bolso: formada por Fernando, Nicolas, Guilherme e Jesus, que são naturais de Canoas e Esteio. Banda mais ativa do Coletivo Tomada Rock, os músicos estão na estrada há quatro anos, sendo que dois foram apenas de ensaio. Jesus entrou por último: “eu era fã da banda e rolou de tocar com eles”, disse o tecladista, que ainda citou as duas músicas que eles lançaram na internet no primeiro semestre de 2009: “Tantas pessoas” e “Só eu que presto”.

Atualmente, eles estão gravando um EP de quatro músicas que deve ser lançado em outubro deste ano, além de uma faixa bônus que talvez entre neste primeiro EP.

Também natural da região metropolitana de Porto Alegre, a banda O Curinga, formada originalmente por João Lucchese, Diego Salles e Samuel Muller, de Novo Hamburgo,  foi a segunda atração da noite. No momento, a banda está no Estúdio Suminsky gravando um CD que provavelmente será lançado em agosto desse ano, além de ter na internet o clipe do single “Suspirando ao acordar”, gravado pelo Clube 7, uma produtora de audiovisual de Porto Alegre.

O Curinga está em estúdio e pretende lançar o disco em agosto (Foto: Carol Govari Nunes)

Em quase 3 anos de atividade, O Curinga já gravou dois EP’s independentes: o primeiro, intitulado “Embaralhado”, com três músicas, e o segundo “Prelúcio” também com três músicas.

As letras dos caras falam basicamente de pessoas e sociedade: As músicas “Primeiro, Segundo e Terceiro ato” são sobre um único personagem que veio de um livro que nos influenciou muito, chamado “O dia do curinga”, de Jostein Gaarder. O livro é sobre filosofia e daí também veio o nome da banda”, disse Diego Salles, baixista da banda.

Neste link você assiste um trecho destas músicas:  http://www.youtube.com/watch?v=QA18kwo98HI

Ao serem indagados sobre a cena independente – afinal, esse é o enfoque da Noite Senhor F, os músicos reclamam da falta de apoio local. Dizem que se a banda não tiver um contato grande, não consegue tocar em nenhuma rádio, além do público em Porto Alegre ser muito fechado, não comparecendo em locais sem uma grande atração que chame para a festa, dando preferência a nomes conhecidos. Daí a importância de tocar no Opinião, para que sejam vistos e quem sabe assim consigam contatos importantes.

A terceira e última banda da Noite foi a Volantes. Portoalegrenses radicados em São Paulo há pouco tempo, Arthur Teixeira, Bernard Simon, Fabricio Lunardi e Filipe Consoline estavam distantes da terra natal devido à agenda de shows que estão fechando por todo o Brasil, inclusive no Nordeste.

A Volantes foi a última banda a se apresentar na Noite Senhor F (Foto: Carol Govari Nunes)

No domingo eles lançaram o clipe “No Corredor, ali” dirigido por Rafael Kent, que “abraçou a causa”, segunda Arthur Teixeira, vocalista da banda. Arthur comentou também que em São Paulo são eles mesmos que fazem tudo, enfatizando o apoio da gravadora Deckdisc, que foi quem lançou através do novo selo Vigilante um compacto em vinil com as faixas “Maçã” e “No Corredor, ali”  (que você encontra no site da 7 Polegadas, além de várias outras coisas deles e de outros artistas).

– Preciso agradecer muito à Deckdisc, porque eles investem em artistas nacionais, sendo a única gravadora 100% independente do Brasil. O Rafael Ramos é muito amável e amigo de todos nós, é um prazer para a gente trabalhar em um lugar onde todo mundo acaba virando família, disse o vocalista.

A mensagem que os músicos deixam para as bandas iniciantes é que todos devem manter contato dentro e fora de Porto Alegre. Tem muita banda por aí e o mais importante é movimentar a cena, apoiar uns aos outros.

Sobre o Selo e a Noite Senhor F você encontra outras informações aqui.

Outras fotos você vê no nosso Flickr.

Carol Govari Nunes@carolgnunes

“A Trupe Delirante no Circo Voador” é o segundo DVD ao vivo da cantora (Foto: Carol Govari Nunes)

Na última quinta-feira, 16, o Bar Opinião apresentou o show de lançamento do DVD A Trupe Delirante no Circo Voador, da cantora Pitty.  Gravado em dezembro de 2010 e lançado há pouco mais de um mês, a cantora veio até a capital gaúcha com sua trupe, além de Hique Gomez fazer uma participação especial durante as músicas “Água Contida” e “Só Agora”, deixando os gaúchos enlouquecidos.

Com início por volta das 23h, Pitty e banda mostraram que continuam lotando a casa mesmo depois de 8 anos do primeiro show no Opinião. Pessoas já viajaram de vários lugares do estado – e até do país – para prestigiarem o show no Bar. Quando, em 2009, Pitty se apresentou no Pepsi On Stage, o público compareceu da mesma forma, porém, há quem diga que não rolou a mesma química que acontece dentro do Opinião. Esta é a magia de shows em lugares pequenos: público perto do artista não apenas assistindo ao show, mas fazendo parte do show. Em lugares grandes como a Fiergs e Pepsi On Stage isso não acontece, daí o calor absurdo e a vibração que você consegue sentir de qualquer canto do Bar.

Juntando isso com a qualidade do artista, não tem como não dar certo: durante uma hora e meia, ou mais, ou menos (não exija tanto assim de mim), Pitty apresentou as músicas do novo DVD e outros vários sucessos da sua carreira. Já passaram pela banda outros dois guitarristas e agora um novo instrumentista apareceu, o tecladista Brunno Cunha.

Não posso deixar de comentar o amadurecimento da cantora e banda no palco. Isso é completamente perceptível e sadio, apesar dos que insistem em chorar dizendo que não é a mesma banda do início da carreira. E é assim que as coisas devem ser, não? Mudar, evoluir. Já pensou que cansativo se a Pitty continuasse gravando discos iguais ao Admirável Chip Novo e fazendo o mesmo tipo de show?

Pitty tocou sucessos dos seus três discos de estúdio (Foto: Carol Govari Nunes)

Um detalhe interessante é que o público do Opinião mudou e o público da artista também. Há os que agiram preconceituosamente com “Me Adora” e não escutaram todo o Chiaroscuro – uma pena, já que A Trupe Delirante no Circo Voador comprova que com o passar dos anos Pitty infringiu as regras dos que queriam que ela continuasse do mesmo jeito e se solidificou como uma artista forte, independente e que evolui a cada disco.

 Mais fotos você pode ver no nosso Flickr.

Outros vídeos do show:

“Comum de dois”: http://migre.me/564zL

“Água Contida”: http://migre.me/564AB

“Hotel” (Sabonetes), por Martin: http://migre.me/564Cl

Amplifica Indie Rock

A noite seguiu no Porão do Beco, onde estava acontecendo o Amplifica Indie Rock (falamos do evento aqui) com as bandas Acústicos & Valvulados, Gulivers, The Modê e Tabascos.

Os Acústicos & Valvulados foram a última atração do Amplifica Indie Rock (Foto: Carol Govari Nunes)

Chegamos ao local por volta das 3h30min e pude assistir apenas ao show dos Acústicos & Valvulados. Depois de lançar discos com selos de importantes gravadoras, a A&V retornou ao cenário independente criando a produtora Mico e Jeg Fac, responsável pelos projetos da banda.  Mesclando sucessos dos 20 anos de carreira e do álbum Grande Presença, a banda animou os sobreviventes do Porão do Beco, já que era a última atração da noite.

E isso é tudo o que eu posso contar para os leitores do The Backstage. O resto o meu eu-etílico esqueceu, mas talvez um dia ele lembre. Ou não.