Carol Govari Nunes@carolgnunes

Por culpa de uma tendinopatia de flexores e extensores no carpo, estou há mais de dois meses com o punho direito imobilizado. Prestes a mergulhar de vez na loucura por não poder escrever, eis que apareço para um curto e necessário texto no blog – necessário para mim, por questões de sanidade mental. Não posso escrever, não posso digitar e não posso tocar nenhum instrumento (nem air guitar!), e se isso não é motivo para pirar na batatinha e ficar lelé da cuca, não sei o que pode ser. Sempre me expressei melhor através da escrita, sou silenciosa e dou um dedo (ou um punho, no caso) para ficar escrevendo, então esses dois meses fizeram alguns estragos emocionais e afloraram a Drama Queen que habita em mim. Para a sorte de vocês, sou obrigada a me abster de maiores detalhes.

Após essa rápida introdução que minha habilidade na mão esquerda possibilitou (porque, sim, só estou digitando com a mão esquerda e logo vou lançar uma cartilha intitulada “Relatos de uma garota com tendinopatia: da escovação dentária ao artigo científico”), preciso contar que tenho cantado repetidamente “Rainy” para mim mesma.

 Até hoje, e principalmente hoje, não consigo avaliar se essa música me faz bem ou mal. Tem um si menor ali que acaba com a minha vida. Não, não é exagero. Ok, é exagero, assim como tudo nesse texto. Mas aquele si menor é destruidor e faz doer. Desconfio que os violões de Martin tenham uma ligação direta com os neurotransmissores que enviam um impulso do meu cérebro direto pra boca do meu estômago, causando uma sensação de agonia e resignação, se é que isso é possível. Tenho tentado lembrar do meu “sunny side” nesses dias em que estou “rainy”, e por vezes a música até consegue me fazer entender que não adianta, que é melhor se acostumar, que nunca vai parar, mas se o dia dura o ano inteiro, já pensou dois meses nessa abstinência científica-jornalística-violeira-emocional?!

“So calm down, season is about to change”.

Eduarda Wilhelm Possenti*

O I Congresso Internacional de Estudos do Rock, que ocorreu durante os dias 25, 26 e 27 de setembro, contou em sua programação com a apresentação de artigos durante as Sessões de Comunicações, realizada nos três dias na parte da tarde. É o primeiro evento do Brasil de estudo acadêmico tendo o rock como assunto central e objeto científico. Visa estimular a pesquisa e manifestação artística sobre esse tema, que tem grande relevância cultural e política e pode vir a se tornar um ótimo campo de análise para as ciências sociais e humanas.

DSC_0058

Caroline Govari Nunes apresentando seu artigo nas Sessões de Comunicações do Congresso (Foto: Talita Moraes)

Com mais de 200 trabalhos inscritos, as apresentações foram divididas em sete simpósios temáticos: Histórias do rock, Poéticas do rock, Rock e cinema, Rock e comportamento, Rock e contracultura, Rock e educação e Rock e outras artes. Os trabalhos contaram com diversas abordagens, como o processo de criação de letras, questões estético-literárias de canções, estudos comparativos entre códigos de expressão, a influência do rock nos padrões comportamentais da sociedade, a utilização do rock no processo de ensino-aprendizagem e a relação dele com as mais diversas manifestações artísticas.

Caroline Govari Nunes, jornalista formada pela UFSM-FW, apresentou seu artigo “Cinema e Rock: uma análise dos usos da imagem documental para a estética do videoclipe em Chiaroscope, de Ricardo Spencer”, um estudo sobre o diálogo entre documentário e videoclipe, música e expressão audiovisual no DVD-Coletânea sobre as gravações do disco Chiaroscuro, da cantora Pitty. Caroline também apresentou, juntamente com Angélica Bomm, psicóloga formada pela URI-FW, o artigo “O feminino retratado na cena brasileira de rock’n’roll: uma discussão de gênero”, que levanta e questiona os papéis da mulher através das teorias de gênero e músicas que representam estes movimentos.

Os trabalhos apresentados tiveram os mais variados e inusitados assuntos dentro do contexto do rock, como estudos relacionando bandas com Edgar Allan Poe e Santo Agostinho, o rock no Chile, na Argentina e no Irã, desde o blues até o black metal. Ao final de cada apresentação houve um tempo para questionamentos acerca do tema, onde o interesse dos ouvintes e suas participações surpreenderam, rendendo excelentes debates e colocações.

*Eduarda Wilhelm Possenti é estudante do segundo semestre de Jornalismo da UFSM/FW

Eduarda Wilhelm Possenti e Talita Moraes*

O I Congresso Internacional de Estudos do Rock teve início no dia 25 de setembro, em Cascavel-PR. Com aproximadamente 700 inscritos, o Congresso começou animando a sonolenta manhã de quarta-feira com show de abertura da banda Fulminantes. Com seu repertório variado, que ia de Led Zeppelin a The Black Keys, os rapazes cascavelenses acordaram o ainda escasso público presente logo após o credenciamento. A seguir, o convidado internacional, Prof. Dr. Sérgio Pujol, da Universidade de La Plata na Argentina, apresentou sua fala sobre o rock argentino dos anos 60, mostrando a música jovem nesse período da réplica ao original. À noite, houve uma apresentação musical e debate sobre o rock em Cascavel com músicos da banda Ecos da Tribo.

Durante as três tardes do evento, as Sessões de Comunicações Orais oportunizaram alunos de todos os lugares do país apresentarem seus artigos e resumos sobre rock. Dentre os temas dos simpósios, estavam Poéticas do Rock, Rock e Cinema, Rock e Comportamento, Rock e Contracultura, Rock e Educação, Rock e Outras Artes e Histórias do Rock. O Congresso também contava com exposições de artistas plásticos, livrarias, sebos e brechós locais, bem como um ciclo de cinema com temática musical e workshops sobre “o videoclipe e o rock” e “baixo, guitarra, música e mercado”, este último ministrado pelos músicos Nando Mello e Eduardo Martinez da banda Hangar.

DSC_00081

Da esquerda para a direita: o debatedor Antonio Ataide, o músico João Ricardo e a Prof.ª Ms. Tânia Teixeira Pinto (Foto: Talita Moraes)

Na quinta-feira, segundo dia do evento, a programação contou com o Prof. Dr. Pablo González falando sobre o rock chileno entre 1965 e 1975, palestra e apresentação musical de Beto Eyng e Seus Capangas. Mas o ponto alto do I Congresso Internacional de Estudos do Rock se deu à noite. João Ricardo, músico, líder e fundador dos Secos & Molhados, era o convidado para uma conversa musical em comemoração aos 40 anos da banda. Com os esclarecimentos históricos da Profª Ms. Tânia Teixeira Pinto e o comando do debatedor Antonio Marcio Ataide, o músico falou sobre suas influências, os primórdios e a trajetória da banda, seu posicionamento no período ditatorial, o sucesso e o declínio.

João Ricardo não tem papas na língua, é espontâneo e fala o que pensa. Contou que sua principal influência para compor se deu através dos Beatles, banda a qual fazia novas letras para as músicas, disse que o Secos & Molhados tiveram que adotar “soluções estéticas e cênicas para que as pessoas prestassem atenção e ouvissem nossa música”, desmentiu boatos de que o fim da banda se deu por causa de brigas e afirmou que, apesar de terem tido cerca de 30 tiras de músicas censuradas, eles nunca tiveram grandes problemas no período da ditadura. Sobre sua retomada com uma nova formação da banda e viver à custa das sombras dos velhos tempos, disse:

– Eu faço Secos & Molhados quando eu quiser, na hora que eu quiser e como eu quiser. E como se diz em português castiço: foda-se!

Após responder a perguntas da plateia, João Ricardo participou de um tributo aos Secos & Molhados, cantando dois grandes clássicos da banda, “Fala” e “O Vira”, bem como uma sessão liberada para autógrafos e imprensa.

*Eduarda Wilhelm Possenti e Talita Moraes são estudantes do segundo semestre de Jornalismo da UFSM/FW

Natalia Nissen@_natalices

Sigmund Records

Criatividade e conhecimento em prática é a proposta do projeto Sigmund Records,  um projeto experimental criado pelo professor Charles di Pinto e apresentado aos alunos do curso de Produção Fonográfica da Unisinos (em São Leopoldo) em março deste ano.

No total, 22 alunos integram o projeto e, ainda, cinco egressos e seis profissionais do mercado da música estão envolvidos como colaboradores ou consultores. Profissionais da música design gráfico e marketing também abraçaram a causa. A gravadora não tem fins lucrativos e visa apenas a vivência do conteúdo aprendido em sala de aula.

De acordo com Adelaide Zigiotto, membro da equipe, além dos profissionais colaboradores, há estúdios que apoiam a ideia. As gravações são realizadas no Estúdio Tec Audio e Estúdio Soma, mas o escritório está localizado no campus da universidade.

A gravadora trabalha exclusivamente com singles, lançando uma música de cada vez. “É uma ideia muito antiga, muito bem usada pelos Beatles e tantos outros até hoje, além do processo de gravação ser rápido”, explicou Adelaide.

Na primeira fase da Sigmund Records as bandas que já registraram seus trabalhos foram a Domínio Público, Defenestrantes, Quiça se Fosse, Redoma, Hang Overs e Saturno de José. E muitas outras ainda devem vir.

O projeto começou com três núcleos – AeR, Produção e Marketing – e desde este mês a gravadora tem uma nova estrutura. São três selos, Pop, Rock e Word-Experimental, além de três núcleos, o de produção, eventos e marketing. “Nós alunos acreditamos ser uma oportunidade muito grande de lidar com o mercado de trabalho porque existe a dificuldade de encontrar estágios na área e até mesmo ingressar no mercado. Também serve para afirmar cada vez mais nossa profissão”, concluiu Adelaide.

Sigmund Records no Facebook.

Natalia Nissen@_natalices

Uma das opções de cultura em Frederico Westphalen é a unidade do Sesc que oferece uma programação bem variada. Na sexta-feira, 16, por exemplo, a Monica Tomasi (que gravou essa música linda com a Cidadão Quem) vai apresentar o show “Intermitente” no Cine Floresta (junto à Catedral Santo Antônio). Mas, o mais interessante na programação para o mês de agosto, é a palestra do dia 30 com o tema “A importância do ensino de música na Escola”, por Camila Postiglione Wetternick.

O debate sobre o tema é super interessante, afinal, já foi comprovado que a educação musical melhora o rendimento de crianças e jovens na escola. O ensino da música também se tornou obrigatório no Brasil através da Lei Federal 11.769/08, porém, como ainda não foi regulamentada existe um processo bem complicado para aplicação da norma. E um dos problemas enfrentados pelas escolas (tanto públicas quanto privadas) é a falta de professores devidamente qualificados para lidar com o conteúdo e os alunos.

No ano passado essa foi a pauta da minha grande reportagem em uma das disciplinas da faculdade. Para esclarecer o assunto, procurei um colega que estuda Música na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) e é professor, o Lucas Welp. Lembro que ele comentou que mesmo com a formação acadêmica, cada professor tem um método de ensinar e até isso pode dificultar o ensino musical como conteúdo obrigatório.  Até mesmo o excesso de metodologia acaba tirando o prazer dos alunos – e do professor, em sala de aula. Definir um método de ensino para aplicação da Lei é algo complicado e que ainda vai demorar para se transformar em prática.

A parte boa, é que muitas escolas já começaram com as aulas de música na grade curricular obrigatória. Lá em Teutônia (digo lá porque vivi isso) isso é realidade desde 1998 em escolas particulares. E não demorou muito para a administração pública investir nisso. Até então, só havia música como aula extracurricular. Mas a diferença que isso faz na formação das pessoas é fora de série.

Vale o debate, vale o evento e uma dose de cultura. Para quem se interessa por educação musical é uma oportunidade imperdível. A entrada é gratuita e a palestra começa às 19 horas no auditório do Sesc/FW. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (55) 3744-7686.